Introdução: por que planejar as necessidades de materiais?
Uma produção organizada depende de diversos fatores funcionando de maneira coordenada. Máquinas, mão de obra, capacidade produtiva e prazos são importantes, mas nenhum planejamento consegue avançar quando os materiais necessários não estão disponíveis no momento correto. Por isso, controlar as necessidades de matéria-prima e componentes é uma atividade essencial dentro das indústrias.
Quando um material falta, uma ordem de produção pode precisar ser interrompida ou até mesmo deixar de ser iniciada. Essa situação pode afetar outras etapas da fábrica, principalmente quando um produto depende de vários componentes para ser concluído. Mesmo que quase todos os itens estejam disponíveis, a ausência de uma única peça pode impedir a fabricação.
Imagine uma indústria que precisa montar 500 produtos durante a semana. Para cada unidade são utilizados determinados componentes, como peças metálicas, parafusos, embalagens e outros materiais. Se a empresa possui quantidade suficiente de quase todos os itens, mas não tem parafusos para concluir as 500 unidades, parte da produção ficará comprometida.
Além de provocar atrasos, a falta de materiais pode gerar:
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interrupções na produção;
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alterações inesperadas na programação;
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compras emergenciais;
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aumento dos custos de aquisição;
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necessidade de negociar novos prazos;
-
perda de produtividade;
-
dificuldade para cumprir datas previstas.
Por outro lado, comprar grandes quantidades apenas para garantir que nada falte também não é necessariamente uma boa estratégia. O excesso de estoque ocupa espaço, aumenta o valor financeiro imobilizado e pode gerar perdas quando existem materiais com validade, risco de deterioração, mudanças de projeto ou baixa utilização.
O desafio está justamente em encontrar equilíbrio entre disponibilidade e quantidade armazenada.
Compras sem planejamento podem criar novos problemas
Comprar materiais somente quando alguém percebe que o estoque está acabando deixa a empresa mais exposta a imprevistos. Nesse modelo, o setor de compras costuma trabalhar de forma reativa, tentando resolver necessidades que já se tornaram urgentes.
Também pode ocorrer o problema contrário. Para evitar rupturas, determinados materiais são comprados em volumes elevados, mesmo sem uma demanda produtiva correspondente.
Por exemplo, uma indústria pode adquirir matéria-prima suficiente para fabricar mil unidades de determinado produto, enquanto a programação das próximas semanas prevê apenas 300 unidades. Dependendo do comportamento da demanda, uma parte desse estoque pode permanecer armazenada por muito tempo.
O processo de compra precisa considerar mais do que o saldo atual de um item. É necessário analisar informações como:
-
quantidade que será produzida;
-
materiais necessários para cada produto;
-
quantidade existente no estoque;
-
itens já comprometidos com outras produções;
-
compras que ainda serão entregues;
-
prazo médio dos fornecedores;
-
datas previstas para iniciar as ordens de produção.
Ao reunir essas informações, a empresa consegue tomar decisões com maior antecedência e reduzir compras baseadas apenas em percepção ou urgência.
Estoque, compras e produção precisam trabalhar com as mesmas informações
Um dos pontos mais importantes do planejamento de materiais é a integração das informações utilizadas pelos diferentes setores.
A programação da produção informa o que deverá ser fabricado e em qual período. A estrutura dos produtos mostra quais materiais serão consumidos. O estoque indica o que já está disponível. Já o processo de compras permite verificar o que foi pedido aos fornecedores e quando as mercadorias devem chegar.
Essas informações precisam ser analisadas em conjunto.
Considere uma produção prevista de 200 unidades de um item que utiliza três peças de determinado componente por unidade. Nesse caso, serão necessárias 600 peças.
Entretanto, isso não significa necessariamente que a empresa precisa comprar 600 unidades. Antes da aquisição, é preciso verificar quanto já existe no estoque e se existem pedidos pendentes de recebimento.
Se houver 250 peças disponíveis e outras 150 já compradas com entrega prevista antes da produção, a necessidade restante será diferente. Essa análise evita compras acima da demanda real.
É nesse contexto que o planejamento das necessidades de materiais mrp se torna importante, pois utiliza informações da produção, da estrutura dos produtos e dos estoques para identificar as necessidades futuras de materiais.
O que é Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
MRP é a sigla para Material Requirements Planning, expressão que pode ser traduzida como Planejamento das Necessidades de Materiais.
De maneira simples, trata-se de um processo utilizado para identificar quais materiais serão necessários para atender ao planejamento da produção, em quais quantidades eles serão utilizados e quando deverão estar disponíveis.
O planejamento das necessidades de materiais mrp ajuda a transformar uma demanda de produtos acabados em necessidades de matérias-primas, componentes e outros itens utilizados durante a fabricação.
Imagine que uma fábrica tenha recebido uma demanda para produzir 100 mesas.
Cada mesa utiliza:
-
um tampo;
-
quatro pés;
-
oito parafusos;
-
uma embalagem.
A partir dessa estrutura, é possível calcular que a produção completa exigirá 100 tampos, 400 pés, 800 parafusos e 100 embalagens.
Porém, o cálculo não deve terminar nessa etapa. O estoque precisa ser consultado para verificar o que já está disponível. Também é necessário considerar materiais reservados, pedidos de compra em andamento e prazos de reposição.
Assim, o MRP não funciona simplesmente como uma lista de compras. Seu objetivo é ajudar a planejar a disponibilidade dos materiais de acordo com as necessidades da produção.
Qual é o objetivo do MRP dentro da indústria?
O principal objetivo do MRP é contribuir para que os materiais necessários estejam disponíveis quando a produção precisar deles, evitando tanto a falta quanto aquisições desnecessárias.
Para isso, o cálculo parte do que deverá ser produzido e desdobra essa necessidade até chegar aos materiais utilizados em cada produto.
O processo pode ser representado de maneira simplificada:
Demanda de produtos → programação da produção → estrutura do produto → consulta do estoque → cálculo das necessidades → planejamento das compras.
Essa sequência ajuda a transformar a programação da fábrica em informações práticas para o abastecimento.
Com um planejamento das necessidades de materiais mrp bem estruturado, o setor de compras pode receber informações com maior antecedência sobre necessidades futuras, enquanto a produção ganha uma visão mais clara sobre a disponibilidade dos componentes necessários para executar as ordens programadas.
O que precisa ser comprado?
A primeira pergunta respondida pelo MRP está relacionada aos itens que precisam ser adquiridos.
Para chegar a essa resposta, é necessário identificar todos os materiais utilizados nos produtos programados e comparar essa necessidade com aquilo que a empresa já possui.
Um item que já esteja disponível em quantidade suficiente pode não exigir uma nova compra. Já um componente com saldo insuficiente deverá aparecer como necessidade de reposição.
Essa análise evita que todos os materiais de uma estrutura sejam comprados novamente sem considerar os estoques existentes.
Quanto precisa ser comprado?
Depois de identificar o item necessário, é preciso calcular a quantidade.
Nesse momento, entram informações como consumo previsto, estoque disponível, reservas, recebimentos programados e níveis de segurança definidos pela empresa.
Se uma produção exige 1.000 unidades de determinada matéria-prima e existem 700 disponíveis em condições de uso, a necessidade inicial restante seria de 300 unidades. Outros fatores ainda podem ser considerados antes da geração definitiva da necessidade de compra.
Dessa forma, o cálculo deixa de ser baseado apenas em estimativas.
Quando o material deve estar disponível?
Saber a quantidade não é suficiente. O material precisa chegar antes do momento em que será utilizado.
Se uma ordem está programada para começar no dia 20, receber um componente essencial no dia 25 não resolve a necessidade daquela produção.
Por isso, o planejamento das necessidades de materiais mrp também considera as datas previstas para utilização dos itens.
Essa visão permite organizar as necessidades por período, ajudando a identificar quais materiais são mais urgentes e quais podem ser adquiridos posteriormente.
Quando o pedido deve ser realizado?
Para responder a essa pergunta, é necessário considerar o prazo de reposição do fornecedor.
Se uma matéria-prima precisa estar disponível no dia 30 e o fornecedor normalmente leva dez dias para realizar a entrega, o pedido não poderá ser realizado somente na data em que o material será utilizado.
Também podem ser considerados o tempo de transporte, recebimento, conferência e eventuais margens de segurança.
Assim, o MRP ajuda a trabalhar de forma antecipada, transformando datas da produção em necessidades de compra. Em vez de descobrir a falta de um componente quando a ordem já deveria começar, a empresa consegue identificar previamente quando cada item deverá ser providenciado.
Como funciona o MRP na prática?
O MRP funciona a partir do cruzamento de diferentes informações da empresa para identificar quais materiais serão necessários para atender à produção. Em vez de esperar um componente acabar para iniciar uma nova compra, o processo procura antecipar as necessidades considerando aquilo que deverá ser produzido nos próximos períodos.
Na prática, o fluxo pode ser entendido desta forma:
Demanda de produtos → planejamento da produção → estrutura dos produtos → consulta ao estoque → cálculo das necessidades → geração das necessidades de compra.
Cada etapa fornece informações para a seguinte. Quando os dados utilizados estão atualizados, a empresa consegue planejar melhor suas compras e reduzir situações em que uma ordem precisa ser interrompida porque determinado componente não estava disponível.
Demanda de produtos
O primeiro passo é saber o que a empresa precisa produzir. Essa necessidade pode surgir de pedidos já realizados pelos clientes, previsões de vendas, reposição de produtos acabados ou de um planejamento previamente definido.
Imagine que uma fábrica recebeu pedidos que totalizam 300 unidades de determinado produto para entrega nas próximas semanas. Essa quantidade passa a servir como referência para verificar quais materiais serão necessários.
Sem conhecer a demanda, seria difícil determinar quanto comprar. A empresa poderia adquirir componentes em excesso ou descobrir tarde demais que o estoque existente não será suficiente.
Planejamento da produção
Depois de identificar a demanda, é necessário determinar quando e quanto será produzido.
As 300 unidades do exemplo podem não ser fabricadas todas no mesmo dia. A empresa pode planejar:
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100 unidades na primeira semana;
-
120 unidades na segunda;
-
80 unidades na terceira.
Esse cronograma interfere diretamente nas necessidades de materiais.
Se todos os componentes forem comprados de uma só vez, parte deles poderá permanecer armazenada por semanas. Por outro lado, se as aquisições forem feitas muito próximas da data de produção, qualquer atraso do fornecedor pode comprometer a programação.
O planejamento ajuda a definir em quais datas os materiais precisam estar disponíveis.
Estrutura dos produtos
Depois de saber o que será produzido, a próxima etapa é consultar a estrutura de cada produto.
A estrutura apresenta os componentes, matérias-primas e respectivas quantidades necessárias para fabricar uma unidade.
Considere uma fábrica que produzirá 300 banquetas. Cada banqueta utiliza:
-
um assento;
-
quatro pés;
-
oito parafusos;
-
quatro proteções para os pés;
-
uma embalagem.
Para produzir as 300 unidades, a necessidade bruta será de:
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300 assentos;
-
1.200 pés;
-
2.400 parafusos;
-
1.200 proteções;
-
300 embalagens.
Esse cálculo mostra por que manter a estrutura dos produtos atualizada é tão importante. Se a ficha indicar seis parafusos por banqueta, quando na realidade são utilizados oito, a necessidade calculada será menor do que o consumo real.
O planejamento das necessidades de materiais mrp depende dessas informações para transformar a quantidade prevista de produtos acabados em necessidades específicas de cada componente.
Consulta ao estoque
A necessidade bruta não significa que toda aquela quantidade precisa ser comprada.
O próximo passo é verificar o que já existe no estoque.
Suponha que, para as 300 banquetas, sejam necessários 2.400 parafusos. Ao consultar o estoque, a empresa identifica 1.000 unidades disponíveis.
Nesse caso, inicialmente faltariam 1.400 parafusos.
Porém, a análise ainda precisa verificar se existem materiais reservados para outras ordens, compras já realizadas ou quantidades que devem permanecer como segurança.
Por isso, o saldo do sistema precisa representar com precisão a situação física do estoque. Entradas não registradas, consumos sem baixa ou inventários desatualizados podem comprometer o resultado do cálculo.
Cálculo das necessidades
Após reunir demanda, estrutura e estoque, o MRP calcula o que realmente será necessário.
Um exemplo simples pode ser:
Necessidade para a produção: 2.400 parafusos
Estoque disponível: 1.000 parafusos
Pedido de compra já realizado: 600 parafusos
Necessidade restante: 800 parafusos
Nesse cenário, comprar novamente as 2.400 unidades resultaria em excesso. Ignorar o pedido que já está em andamento também provocaria uma aquisição maior que a necessária.
O cálculo ajuda a distinguir aquilo que será consumido daquilo que efetivamente precisa ser comprado.
Geração das necessidades de compra
Depois do cálculo, as necessidades podem ser direcionadas para o processo de compras.
Além da quantidade, é necessário considerar quando cada material deve ser solicitado. Um componente necessário para uma produção prevista daqui a dois dias possui prioridade diferente de outro que será utilizado somente no mês seguinte.
Dessa forma, o setor de compras passa a trabalhar com uma visão mais organizada das necessidades futuras.
O objetivo não é simplesmente comprar mais, mas comprar de acordo com a demanda prevista e com o momento em que o material será efetivamente utilizado.
Quais informações são necessárias para calcular o MRP?
A qualidade do cálculo depende diretamente das informações utilizadas. Dados incorretos podem gerar necessidades que não representam a realidade da produção.
Por esse motivo, algumas informações precisam estar atualizadas e integradas ao processo.
Demanda ou pedidos de venda
Os pedidos de venda ajudam a indicar quais produtos precisam ser fabricados para atender aos clientes.
Se existem pedidos confirmados de 500 unidades, por exemplo, essa demanda precisa ser considerada no planejamento.
Dependendo do funcionamento da empresa, também podem existir previsões de vendas ou necessidades de reposição do estoque de produtos acabados.
Quanto maior a visibilidade sobre a demanda futura, maior tende a ser a capacidade de antecipar as compras necessárias.
Plano de produção
O plano de produção informa quais produtos serão fabricados, em quais quantidades e períodos.
Essa informação permite transformar uma demanda comercial em um cronograma de fabricação.
Não basta saber que serão produzidas mil unidades durante o mês. Saber em quais semanas ou dias elas serão fabricadas ajuda a identificar quando os materiais deverão chegar.
Essa programação é fundamental para que o planejamento das necessidades de materiais mrp não calcule apenas quantidades, mas também considere os períodos de utilização.
Estrutura do produto
A estrutura detalha aquilo que é necessário para fabricar cada produto.
Ela pode incluir matérias-primas, componentes e outros itens consumidos durante o processo produtivo.
Se uma unidade utiliza dois componentes de determinado tipo e a produção planejada é de 500 unidades, serão necessárias mil unidades desse componente.
Por isso, informações como quantidade utilizada, unidade de medida e composição precisam estar corretas.
Uma alteração na fabricação também deve ser refletida na estrutura. Caso um componente deixe de ser utilizado ou passe a ter outro consumo, o cadastro precisa acompanhar essa mudança.
Estoque disponível
O saldo existente é uma das informações mais importantes para determinar quanto ainda precisa ser comprado.
Antes de gerar uma nova necessidade, deve-se verificar o que já está fisicamente disponível para utilização.
Também é importante observar se parte do saldo está reservada para outras ordens. Um estoque de 500 unidades não representa necessariamente 500 unidades livres para uma nova produção.
Quanto mais confiável for o controle do estoque, mais preciso será o planejamento dos materiais.
Materiais já comprados
Pedidos de compra ainda não recebidos também precisam ser considerados.
Imagine que uma produção necessite de 800 unidades de determinado material. A empresa possui 300 em estoque, mas outras 500 já foram compradas e deverão chegar antes do início da fabricação.
Se essa compra em andamento for ignorada, uma nova solicitação poderá ser gerada sem necessidade.
Além da quantidade, é importante acompanhar a previsão de entrega para confirmar se o material chegará em tempo.
Prazos dos fornecedores
O prazo de fornecimento influencia diretamente a data em que o pedido deve ser realizado.
Um item entregue normalmente em três dias pode ser comprado mais próximo de sua utilização. Já uma matéria-prima que demora 30 dias para chegar exige planejamento com maior antecedência.
Também é importante considerar diferenças entre fornecedores e materiais. Nem todos apresentam os mesmos prazos.
O acompanhamento desses períodos ajuda a diminuir o risco de identificar corretamente uma necessidade, mas realizar a compra tarde demais.
Estoque de segurança
O estoque de segurança é uma quantidade mantida como proteção contra determinadas variações e imprevistos.
Ele pode ajudar em situações como aumento inesperado do consumo, atraso na entrega ou diferenças entre a demanda prevista e a realizada.
Por exemplo, se determinado componente possui consumo frequente e a empresa definiu que deve manter pelo menos 100 unidades de segurança, esse nível precisa ser considerado antes de utilizar todo o saldo disponível para novas produções.
Isso não significa acumular materiais sem critério. O nível de segurança deve ser definido conforme características como consumo, prazo de reposição, importância do componente e possibilidade de atraso.
Ao combinar demanda, programação, estrutura do produto, saldos, compras pendentes, prazos e estoque de segurança, a empresa consegue formar uma base mais confiável para decidir quais materiais precisam ser adquiridos e em qual momento.
Como saber quanto material precisa ser comprado?
Uma das principais funções do planejamento das necessidades de materiais mrp é ajudar a empresa a identificar a quantidade que realmente precisa ser comprada para atender à produção. Esse cálculo evita dois problemas comuns: adquirir materiais além do necessário ou perceber a falta de componentes somente quando a fabricação já deveria ter começado.
Para chegar a uma quantidade mais próxima da necessidade real, não basta analisar apenas aquilo que será consumido. É preciso comparar diferentes informações do estoque e das compras que já estão em andamento.
Entre os principais dados estão:
-
necessidade bruta;
-
estoque disponível;
-
materiais já encomendados;
-
estoque reservado;
-
estoque de segurança;
-
necessidade líquida.
Cada informação possui uma função específica dentro do cálculo.
O que é necessidade bruta?
A necessidade bruta representa a quantidade total de determinado material necessária para atender ao planejamento da produção antes de considerar aquilo que a empresa já possui.
Imagine que uma fábrica precise produzir 250 unidades de determinado produto e cada unidade consuma dois componentes iguais.
Nesse caso, a necessidade bruta será de 500 componentes.
Esse valor é o ponto de partida do cálculo. Entretanto, ele não significa que a empresa deverá comprar exatamente 500 unidades.
Antes de gerar uma compra, é necessário consultar as outras informações disponíveis.
Como o estoque disponível interfere no cálculo?
O estoque disponível representa a quantidade que a empresa já possui e que pode ser utilizada na produção.
Se a necessidade bruta é de 500 unidades e existem 180 disponíveis, uma parte da demanda já poderá ser atendida sem novas compras.
Nesse exemplo:
Necessidade bruta: 500 unidades
Estoque disponível: 180 unidades
Após considerar somente essas duas informações, ainda seriam necessárias 320 unidades.
Porém, o cálculo não deve terminar nesse momento. Outros materiais podem estar a caminho ou parte do estoque existente pode estar comprometida com outras ordens.
Materiais já encomendados também precisam ser considerados
Um erro comum é gerar uma nova compra sem observar os pedidos que já foram realizados anteriormente.
Se a empresa precisa de 500 unidades, possui 180 em estoque e já encomendou outras 100, essas 100 unidades poderão atender parte da produção desde que sejam entregues dentro do prazo necessário.
O cenário passa a ser:
Necessidade para produção: 500 unidades
Estoque disponível: 180 unidades
Compra já prevista: 100 unidades
Necessidade restante: 220 unidades
Nesse caso, a necessidade de nova aquisição seria de 220 unidades, considerando que todo o estoque e o pedido já realizado estejam realmente disponíveis para essa produção.
Essa análise ajuda a evitar compras duplicadas.
O que é estoque reservado?
Nem todo material registrado no estoque está necessariamente livre para utilização.
Parte do saldo pode estar reservada para outras ordens de produção, pedidos ou atividades já programadas.
Imagine que existam 180 unidades registradas no estoque, mas 60 já estejam comprometidas com uma produção anterior.
Nesse caso, apenas 120 unidades poderiam ser consideradas efetivamente disponíveis para uma nova necessidade.
Essa diferença é importante porque utilizar apenas o saldo total pode criar uma falsa impressão de disponibilidade.
Se o sistema indicar 500 unidades em estoque, mas 350 já estiverem comprometidas, a quantidade realmente livre será muito menor.
Por isso, reservas precisam participar do cálculo sempre que a empresa trabalha com materiais destinados antecipadamente a determinadas ordens.
Qual é a função do estoque de segurança?
O estoque de segurança é uma quantidade mantida para reduzir riscos relacionados a imprevistos.
Ele pode ser útil quando ocorrem:
-
atrasos de fornecedores;
-
consumo superior ao previsto;
-
aumento inesperado da demanda;
-
perdas durante o processo produtivo;
-
diferenças entre o estoque registrado e o físico.
Imagine que a empresa possua 300 unidades de um material, mas tenha definido que 50 devem permanecer como estoque de segurança.
Para o planejamento normal, pode ser necessário considerar apenas 250 unidades como disponíveis, dependendo das regras adotadas pela operação.
O objetivo não é manter grandes volumes armazenados sem necessidade, mas preservar uma quantidade mínima que ajude a reduzir o risco de interrupção da produção.
O que é necessidade líquida?
A necessidade líquida representa a quantidade que efetivamente precisa ser providenciada depois que todas as informações relevantes são consideradas.
De forma simplificada, o cálculo observa a necessidade total e desconta aquilo que já está disponível ou previsto para chegar dentro do prazo.
Por exemplo:
Necessidade bruta: 500 unidades
Estoque disponível: 180 unidades
Compra em andamento: 100 unidades
Necessidade restante: 220 unidades
Se não houver reservas ou outras exigências de segurança, as 220 unidades representam aquilo que ainda precisa ser adquirido.
Em situações mais completas, o cálculo também deverá considerar materiais reservados e níveis mínimos definidos pela empresa.
Assim, a necessidade líquida tende a representar melhor a situação real do abastecimento do que uma simples comparação entre produção e estoque.
Como saber quando realizar a compra dos materiais?
Descobrir quanto comprar é apenas uma parte do planejamento. Também é necessário saber quando o pedido deve ser realizado.
Uma compra feita cedo demais pode aumentar o estoque e ocupar espaço sem necessidade. Uma aquisição realizada tarde demais pode fazer com que o material chegue depois da data programada para iniciar a produção.
O momento da compra precisa ser definido de acordo com a data de utilização e com o tempo necessário para que o material esteja realmente disponível.
Data prevista para iniciar a produção
O primeiro ponto é identificar quando o material será utilizado.
Se uma ordem de produção está prevista para começar em 20 de outubro, os componentes necessários precisam estar disponíveis antes dessa data.
Não adianta considerar apenas o prazo final de entrega do produto acabado. A matéria-prima precisa acompanhar a programação de cada etapa da produção.
Uma empresa que organiza suas ordens por semana, por exemplo, pode identificar antecipadamente quais componentes serão consumidos em cada período e planejar as respectivas compras.
Prazo de entrega do fornecedor
Depois de identificar a data de utilização, é necessário verificar quanto tempo o fornecedor normalmente leva para entregar o material.
Esse prazo também é conhecido como lead time de fornecimento.
Imagine que um componente precise estar disponível em 20 de outubro e o fornecedor tenha prazo de dez dias.
Nesse caso, o pedido precisa ser realizado antes do dia 20.
Se a empresa solicitar o produto somente no dia 15, provavelmente o material não chegará dentro do período esperado.
Por isso, os prazos dos fornecedores precisam estar atualizados no planejamento.
Tempo de recebimento e conferência
A data em que o caminhão chega à empresa nem sempre representa o momento em que o material já pode ser utilizado.
Dependendo da operação, ainda pode ser necessário:
-
descarregar a mercadoria;
-
conferir as quantidades;
-
verificar condições dos produtos;
-
registrar a entrada;
-
armazenar os materiais;
-
liberar os itens para utilização.
Esse período precisa ser considerado.
Se um fornecedor leva dez dias para entregar e a empresa precisa de mais um dia para conferir e liberar o material, o planejamento deve incluir esse tempo adicional.
Como utilizar uma margem de segurança?
Além dos prazos normais, algumas empresas trabalham com uma pequena margem para lidar com possíveis variações.
Considere novamente um material que precisa estar disponível em 20 de outubro.
O fornecedor possui prazo médio de dez dias e o recebimento e a conferência levam mais um dia. Caso a empresa ainda adote dois dias de margem de segurança, o pedido deverá ser planejado com antecedência suficiente para contemplar todo esse período.
Essa margem pode ajudar a absorver pequenas variações de transporte ou fornecimento, principalmente quando o item é essencial para a continuidade da produção.
Exemplo de planejamento da data de compra
Imagine o seguinte cenário:
Data em que o material será necessário: 20 de outubro
Prazo do fornecedor: 10 dias
Recebimento e conferência: 1 dia
Margem de segurança: 2 dias
Nesse caso, a empresa precisa considerar aproximadamente 13 dias de antecedência.
Assim, o pedido deve ser planejado por volta de 7 de outubro para aumentar a possibilidade de que o material esteja disponível antes do início da produção.
Esse tipo de cálculo permite que o setor de compras deixe de trabalhar apenas com urgências.
Ao relacionar a data da produção com os prazos de fornecimento, recebimento e segurança, o planejamento das necessidades de materiais mrp ajuda a indicar não apenas o que precisa ser comprado, mas também o momento adequado para iniciar a aquisição.
Informações utilizadas no Planejamento das Necessidades de Materiais MRP
Para que o planejamento das necessidades de materiais mrp apresente resultados confiáveis, é necessário reunir informações atualizadas sobre produção, estoque, compras e prazos. O cálculo não depende de apenas um dado isolado, mas da combinação de diferentes registros da operação.
Quando essas informações estão corretas, a empresa consegue identificar com mais precisão quais materiais serão necessários, em qual quantidade e em que momento deverão estar disponíveis.
A tabela abaixo resume os principais dados utilizados:
| Informação | Para que serve |
|---|---|
| Demanda | Define quanto precisa ser produzido |
| Estrutura do produto | Mostra quais materiais serão utilizados |
| Estoque disponível | Identifica o que já existe |
| Estoque reservado | Mostra materiais comprometidos |
| Pedidos de compra | Identifica materiais que ainda serão recebidos |
| Lead time | Ajuda a determinar quando comprar |
| Estoque de segurança | Protege contra imprevistos |
| Data da produção | Define quando os materiais precisam estar disponíveis |
Demanda
A demanda representa aquilo que a empresa precisa produzir para atender pedidos, previsões ou necessidades de reposição.
Ela funciona como um dos principais pontos de partida do cálculo.
Se uma indústria precisa produzir 500 unidades de determinado produto, o planejamento utilizará essa quantidade para verificar quais matérias-primas e componentes serão necessários.
Uma alteração na demanda também pode modificar as necessidades de materiais.
Por exemplo, se a programação passar de 500 para 700 unidades, o consumo previsto dos componentes também deverá ser recalculado.
Por isso, pedidos cancelados, novas vendas ou mudanças na previsão precisam ser consideradas para evitar compras acima ou abaixo da necessidade real.
Estrutura do produto
A estrutura do produto informa todos os itens utilizados durante a fabricação e suas respectivas quantidades.
Imagine um produto que utilize:
-
duas peças metálicas;
-
quatro parafusos;
-
um componente plástico;
-
uma embalagem.
Se a empresa programar a produção de 1.000 unidades, a estrutura permitirá calcular o consumo total de cada material.
Nesse exemplo, seriam necessárias 2.000 peças metálicas, 4.000 parafusos, 1.000 componentes plásticos e 1.000 embalagens.
Se alguma quantidade estiver cadastrada incorretamente, o cálculo também apresentará resultados incorretos. Por isso, alterações de produto e mudanças no processo produtivo devem ser acompanhadas pela atualização de sua estrutura.
Estoque disponível
O estoque disponível mostra quanto de cada material já existe e pode ser utilizado para atender à produção.
Essa informação evita que uma empresa compre novamente aquilo que já possui em quantidade suficiente.
Suponha que uma ordem necessite de 600 unidades de determinado componente. Se existem 400 disponíveis, não seria necessário comprar todas as 600 unidades novamente.
O saldo precisa ser confiável. Entradas não registradas, baixas incorretas ou diferenças entre estoque físico e sistema podem prejudicar o planejamento.
Inventários e conferências periódicas ajudam a manter essas informações mais próximas da realidade.
Estoque reservado
O estoque reservado representa materiais que existem fisicamente, mas já estão comprometidos com outras necessidades.
Essa diferença precisa ser observada porque o saldo total nem sempre corresponde ao saldo realmente livre para utilização.
Imagine que existam 500 componentes no estoque, mas 350 estejam reservados para uma ordem que será produzida antes.
Nesse cenário, apenas 150 unidades estariam disponíveis para atender a uma nova necessidade.
Ignorar as reservas pode fazer com que duas ordens sejam planejadas considerando os mesmos materiais.
Pedidos de compra
Também é importante considerar aquilo que já foi comprado, mas ainda não chegou ao estoque.
Se a empresa precisa de 1.000 unidades de uma matéria-prima, possui 400 disponíveis e outras 600 já foram encomendadas, uma nova compra talvez não seja necessária.
Porém, existe um detalhe importante: o material precisa chegar antes da data em que será utilizado.
Por isso, além da quantidade comprada, é necessário acompanhar:
-
data do pedido;
-
quantidade solicitada;
-
fornecedor;
-
previsão de entrega;
-
quantidade já recebida;
-
saldo ainda pendente.
Essas informações ajudam a evitar pedidos duplicados e permitem acompanhar possíveis atrasos.
Lead time
Lead time representa o tempo necessário entre a realização do pedido e a disponibilidade do material para uso.
Esse prazo pode variar conforme o fornecedor e o tipo de item adquirido.
Um produto nacional disponível em estoque no fornecedor pode chegar em poucos dias. Já outro componente produzido sob encomenda pode exigir várias semanas.
Esse período influencia diretamente a data da compra.
Se um material será necessário em 30 dias e possui lead time de 20 dias, a empresa não pode esperar até a última semana para solicitá-lo.
Manter esses prazos atualizados ajuda o planejamento das necessidades de materiais mrp a indicar com maior antecedência quando cada aquisição deve ser iniciada.
Estoque de segurança
O estoque de segurança funciona como uma proteção contra determinados imprevistos.
Ele pode ser utilizado para reduzir os impactos de situações como:
-
atraso na entrega;
-
aumento inesperado do consumo;
-
perdas no processo produtivo;
-
variações na demanda;
-
diferenças de estoque.
Suponha que a empresa tenha definido um estoque de segurança de 100 unidades para determinado material.
Mesmo que existam 300 unidades armazenadas, o planejamento pode considerar que apenas 200 estão disponíveis para o consumo normal, preservando as outras 100 como margem de proteção.
O nível de segurança não deve ser definido aleatoriamente. É importante avaliar frequência de consumo, prazo de reposição e importância do item para a produção.
Data da produção
A data programada para iniciar a fabricação permite determinar quando os materiais precisam estar disponíveis.
Esse dado conecta o planejamento da produção com o planejamento de compras.
Imagine duas ordens que utilizam a mesma matéria-prima:
A primeira será iniciada daqui a cinco dias.
A segunda começará daqui a 30 dias.
Mesmo que ambas necessitem do mesmo componente, a prioridade de abastecimento será diferente.
A primeira ordem exige atenção imediata, enquanto os materiais da segunda podem ter mais tempo para serem adquiridos.
Quando as datas das ordens são conhecidas, as necessidades também podem ser distribuídas ao longo do período, evitando que todos os materiais sejam comprados ao mesmo tempo.
Por que essas informações precisam estar atualizadas?
O MRP trabalha com os dados fornecidos pela própria operação. Portanto, informações incorretas podem gerar resultados que não correspondem à realidade.
Alguns exemplos são:
-
estoque maior no sistema do que fisicamente;
-
estrutura indicando uma quantidade incorreta de componentes;
-
pedido de compra registrado como pendente mesmo depois de cancelado;
-
prazo do fornecedor diferente do informado;
-
ordem de produção alterada sem atualização da programação.
Essas situações podem provocar tanto falta quanto excesso de materiais.
Por esse motivo, o processo precisa ser acompanhado continuamente. Sempre que houver alterações na demanda, no estoque, nas compras ou na programação da fábrica, os dados utilizados no cálculo também devem refletir essas mudanças.
Quanto mais confiáveis forem as informações de demanda, estrutura, estoque, pedidos, prazos e programação, maior será a capacidade da empresa de identificar antecipadamente aquilo que deverá ser comprado e de organizar o abastecimento de acordo com as necessidades reais da produção.
Qual a relação entre MRP, estoque e compras?
O MRP está diretamente ligado ao controle de estoque e ao processo de compras porque utiliza informações dessas duas áreas para identificar aquilo que realmente precisa ser adquirido. Quando essas informações são analisadas em conjunto, a empresa consegue reduzir decisões baseadas apenas em percepção, urgência ou excesso de precaução.
Na prática, o planejamento das necessidades de materiais mrp funciona como uma ligação entre aquilo que a produção pretende fabricar, os materiais que já estão disponíveis e aquilo que ainda precisará ser comprado.
Esse processo pode ser entendido de maneira simples:
Produção planejada → materiais necessários → consulta ao estoque → identificação das faltas → planejamento das compras.
Se essas etapas forem tratadas separadamente, podem surgir divergências. O setor de compras pode adquirir um material que já existe em quantidade suficiente, enquanto a produção pode programar uma ordem sem perceber que determinado componente está indisponível.
Por isso, manter estoque, produção e compras alinhados é essencial para um planejamento mais confiável.
MRP e controle de estoque
O estoque fornece uma das informações mais importantes para o cálculo das necessidades: a quantidade que a empresa já possui.
Antes de gerar qualquer nova compra, é necessário verificar se o material necessário para uma ordem está disponível, reservado para outra produção ou previsto para chegar por meio de um pedido já realizado.
Essa consulta ajuda a aproveitar melhor os recursos existentes.
Imagine que uma fábrica precise de 800 unidades de um componente para cumprir a programação da semana.
Ao consultar o estoque, são encontradas 500 unidades disponíveis. Outras 100 já foram compradas e devem chegar antes da produção.
Nesse caso, a necessidade restante será de apenas 200 unidades.
Se essas informações não fossem verificadas, o setor poderia comprar novamente as 800 unidades, gerando um estoque muito acima do necessário.
Como evitar compras desnecessárias?
Uma das vantagens de relacionar o planejamento de materiais ao estoque é reduzir aquisições que não correspondem à necessidade real da produção.
Esse problema pode acontecer quando uma compra é realizada apenas porque o saldo de determinado item parece baixo.
Um estoque reduzido não significa necessariamente que uma reposição precisa ser feita imediatamente. É preciso verificar se existe consumo programado para aquele material.
Por exemplo, uma empresa pode ter apenas 50 unidades de determinado componente em estoque, mas nenhuma ordem prevista para utilizá-lo nos próximos meses.
Nesse cenário, uma compra imediata pode não ser necessária.
Por outro lado, outro item pode apresentar 1.000 unidades armazenadas, mas uma produção futura exigir 1.500. Mesmo com um saldo aparentemente alto, existirá uma necessidade de reposição.
Essa comparação entre estoque e consumo previsto ajuda a tomar decisões mais coerentes.
Identificação antecipada de possíveis faltas
O MRP também ajuda a identificar situações em que o estoque existente não será suficiente para atender às ordens planejadas.
Em vez de descobrir a falta somente durante a produção, a empresa consegue visualizar a necessidade com antecedência.
Considere uma programação que prevê o consumo de 2.000 unidades de uma matéria-prima no próximo mês.
Se o estoque possui apenas 1.200 unidades e não existem compras em andamento, já é possível identificar uma possível falta de 800 unidades.
Essa informação pode ser encaminhada ao processo de compras antes que a produção seja afetada.
Quanto maior a antecedência, maior é a possibilidade de pesquisar fornecedores, negociar prazos e organizar as entregas sem depender de soluções emergenciais.
Melhor disponibilidade dos materiais
Um bom controle não significa manter grandes quantidades de todos os produtos armazenados.
O objetivo é aumentar a disponibilidade dos itens quando eles realmente forem necessários.
O planejamento das necessidades de materiais mrp ajuda a relacionar quantidade e data, permitindo verificar não apenas se um material existe, mas também se estará disponível no período em que a produção pretende utilizá-lo.
Assim, o estoque passa a ser analisado de acordo com as necessidades futuras da fábrica.
MRP e setor de compras
O setor de compras também possui papel fundamental nesse processo.
Depois que as necessidades são calculadas, é preciso transformar essas informações em ações de abastecimento.
Isso envolve identificar quais itens precisam ser solicitados, definir quantidades e avaliar quando cada pedido deverá ser realizado.
Sem planejamento, compras podem receber solicitações urgentes constantemente.
Com maior visibilidade das necessidades futuras, o setor consegue organizar melhor as aquisições.
Antecipar necessidades de compra
Uma das principais contribuições do MRP é permitir que necessidades futuras sejam identificadas antes que o estoque chegue a um nível crítico.
Imagine que um componente será necessário daqui a 30 dias e o fornecedor normalmente leva 15 dias para realizar a entrega.
Se essa necessidade for identificada antecipadamente, existe tempo para realizar o pedido de maneira organizada.
Caso a empresa perceba a falta somente dois dias antes da produção, poderá enfrentar dificuldade para conseguir o material no prazo.
Antecipar não significa comprar tudo imediatamente, mas saber com antecedência o que precisará ser providenciado.
Definir prioridades
Nem todas as necessidades possuem a mesma urgência.
Alguns materiais podem ser necessários em poucos dias, enquanto outros serão utilizados apenas no mês seguinte.
Com essas informações, compras consegue organizar as prioridades.
Por exemplo:
-
material A será utilizado em cinco dias;
-
material B será necessário em 20 dias;
-
material C será consumido daqui a 45 dias.
Nesse cenário, o material A merece atenção imediata. Os demais podem ser tratados conforme seus prazos de fornecimento e datas de utilização.
Essa organização reduz a quantidade de situações consideradas urgentes ao mesmo tempo.
Planejar datas e quantidades
O planejamento também ajuda compras a saber quanto adquirir.
Solicitar quantidades muito pequenas diversas vezes pode aumentar o volume de pedidos e movimentações. Por outro lado, adquirir volumes muito superiores ao necessário pode elevar o estoque.
A quantidade precisa considerar consumo previsto, disponibilidade atual, materiais em trânsito, reservas e segurança.
Além disso, a data da compra deve respeitar o prazo do fornecedor.
Dessa maneira, compras deixa de trabalhar somente com reposição e passa a acompanhar as necessidades reais da produção.
Como o MRP ajuda a evitar falta e excesso de materiais?
Equilibrar o estoque é um dos maiores desafios de uma operação industrial.
Se houver pouco material, a produção corre o risco de parar. Se houver excesso, recursos financeiros e espaço físico podem ficar comprometidos com itens que não serão utilizados rapidamente.
O MRP ajuda justamente a encontrar um equilíbrio entre essas situações.
Comprar conforme a necessidade da produção
Uma das principais características do planejamento é utilizar a demanda produtiva como base para as compras.
Isso significa que as aquisições deixam de depender somente da impressão de que o estoque está baixo.
Se a produção prevista para determinado período necessita de 600 unidades e a empresa já possui 500 disponíveis, a necessidade de reposição será diferente de uma situação em que existem apenas 100 unidades.
Dessa forma, a compra acompanha aquilo que efetivamente será consumido.
Reduzir estoque parado
Estoque parado representa materiais armazenados por longos períodos sem utilização.
Essa situação pode ocorrer quando compras são realizadas sem relação direta com a demanda.
Além de ocupar espaço, determinados materiais podem perder valor, sofrer deterioração ou deixar de ser utilizados depois de alterações nos produtos.
Ao calcular necessidades com base na programação, a empresa consegue reduzir aquisições excessivas e trabalhar com volumes mais compatíveis com o consumo previsto.
Evitar excesso de capital imobilizado
Materiais armazenados representam recursos financeiros que já foram utilizados na compra, mas ainda não retornaram por meio da venda dos produtos.
Quando existe estoque muito acima do necessário, uma parte maior do capital permanece imobilizada.
Imagine que uma empresa compre matéria-prima suficiente para um ano inteiro, mesmo possuindo uma demanda mais previsível para apenas três meses.
Parte desse investimento ficará parada por um longo período.
Planejar compras mais próximas das necessidades da produção ajuda a utilizar os recursos financeiros de forma mais equilibrada.
Diminuir compras emergenciais
Compras emergenciais geralmente acontecem quando a falta de um material é identificada muito próxima da data de utilização.
Nessas situações, a empresa pode ter menos opções de fornecedores, transporte ou negociação.
Ao antecipar as necessidades, o planejamento das necessidades de materiais mrp permite perceber possíveis faltas antes que elas se transformem em urgências.
Isso proporciona mais tempo para organizar pedidos e acompanhar entregas.
Antecipar possíveis rupturas
Uma ruptura ocorre quando determinado material necessário não está disponível.
Esse risco pode ser identificado comparando a programação futura com o estoque e as compras previstas.
Se a empresa sabe que utilizará 3.000 unidades no próximo período, mas terá apenas 2.000 disponíveis, a diferença já sinaliza uma necessidade.
A identificação antecipada permite agir antes que a ausência do material interrompa uma ordem.
Melhorar o aproveitamento do espaço de estoque
Comprar somente o necessário também contribui para organizar melhor o espaço físico.
Grandes volumes de materiais sem uso imediato podem ocupar áreas que poderiam ser destinadas a itens de maior giro ou necessidade mais próxima.
Com compras planejadas conforme datas e quantidades, o estoque tende a receber materiais de forma mais alinhada ao ritmo da produção.
Isso facilita armazenamento, localização, movimentação e conferência dos itens, além de contribuir para uma operação mais organizada.
Quais erros podem prejudicar o cálculo do MRP?
O MRP depende diretamente da qualidade das informações utilizadas no planejamento. Mesmo que o processo de cálculo esteja correto, dados desatualizados podem gerar necessidades de compra maiores ou menores do que o necessário.
Por esse motivo, o planejamento das necessidades de materiais mrp precisa utilizar informações confiáveis sobre estoque, estrutura dos produtos, compras, fornecedores e demanda.
Quando um desses dados está incorreto, a empresa pode comprar materiais desnecessariamente ou descobrir uma falta somente quando a produção já deveria ter começado.
Entre os erros mais comuns estão estoque desatualizado, estruturas incorretas, prazos de fornecedores desatualizados, compras não registradas e alterações de demanda que não foram consideradas.
Estoque desatualizado
O saldo de estoque é uma das principais informações utilizadas no cálculo das necessidades.
Se o sistema indicar uma quantidade diferente daquela que realmente existe fisicamente, o resultado do planejamento também poderá ficar incorreto.
Imagine que o sistema informe 800 unidades de um componente, enquanto o estoque físico possui apenas 500.
Se a próxima produção exigir 700 unidades, o planejamento poderá indicar que não existe necessidade de compra. Na prática, faltarão 200 unidades.
Também pode acontecer o contrário.
Se existem 1.000 unidades fisicamente, mas o sistema registra apenas 600, uma nova compra pode ser realizada sem necessidade.
Diferenças desse tipo podem acontecer por:
-
entradas não registradas;
-
baixas incorretas;
-
perdas não informadas;
-
devoluções pendentes;
-
movimentações sem registro;
-
erros durante inventários.
Por isso, conferências periódicas ajudam a tornar o saldo utilizado pelo planejamento mais confiável.
Estrutura do produto incorreta
A estrutura do produto informa quais componentes são utilizados e quanto de cada item é necessário para produzir uma unidade.
Quando essa informação está errada, o cálculo das necessidades também fica comprometido.
Imagine que uma peça utilize quatro parafusos, mas a estrutura cadastrada indique apenas três.
Para uma produção de 1.000 unidades, o sistema calculará 3.000 parafusos quando, na realidade, serão necessários 4.000.
A diferença de 1.000 unidades poderá causar uma falta durante a fabricação.
O mesmo pode ocorrer quando um componente deixa de ser utilizado, mas continua cadastrado na estrutura. Nesse caso, o planejamento pode gerar uma necessidade de compra para um material que já não faz parte do produto.
Sempre que houver alterações de engenharia, composição ou consumo, é importante revisar essas informações.
Prazos de fornecedores desatualizados
O prazo de entrega influencia diretamente a data em que uma compra precisa ser realizada.
Se o cadastro indicar que determinado fornecedor entrega em cinco dias, mas atualmente o prazo real é de 12 dias, o pedido poderá ser programado tarde demais.
Considere um material necessário para o dia 20.
Se o planejamento utilizar um prazo de cinco dias, poderá sugerir a compra por volta do dia 15. Entretanto, se o fornecedor estiver levando 12 dias, o produto chegará depois da necessidade da produção.
Além dos prazos médios, podem existir variações provocadas por:
-
produtos feitos sob encomenda;
-
disponibilidade do fornecedor;
-
transporte;
-
localização;
-
períodos de maior demanda;
-
alterações nas condições comerciais.
Manter essas informações atualizadas ajuda a reduzir o risco de atrasos.
Pedidos de compra não registrados
Outro problema ocorre quando uma compra foi realizada, mas não consta corretamente no controle utilizado pelo planejamento.
Imagine que a empresa precise de 500 unidades de um material e já tenha solicitado 300 ao fornecedor.
Se esse pedido não estiver registrado, o MRP poderá considerar que as 300 unidades ainda precisam ser compradas, criando uma nova necessidade.
O resultado pode ser uma aquisição duplicada.
Por isso, pedidos realizados devem informar quantidade, fornecedor, data e previsão de entrega.
Também é importante atualizar pedidos cancelados ou parcialmente recebidos, evitando que o sistema considere mercadorias que não serão mais entregues.
Consumo de materiais diferente do previsto
Nem sempre a quantidade realmente consumida na produção é igual à quantidade inicialmente planejada.
Podem ocorrer perdas, retrabalhos, ajustes de processo ou variações naturais de consumo.
Por exemplo, uma estrutura pode prever cinco quilos de matéria-prima para cada lote, mas a produção real apresentar média de 5,5 quilos.
Se essa diferença ocorrer frequentemente e não for analisada, o cálculo poderá continuar subestimando a necessidade.
O acompanhamento do consumo real permite identificar padrões e verificar se os parâmetros utilizados precisam ser revisados.
Alterações na demanda não consideradas
A demanda pode mudar ao longo do tempo.
Novos pedidos podem aumentar a quantidade a ser produzida, enquanto cancelamentos ou alterações comerciais podem reduzir a necessidade.
Se o planejamento continuar utilizando uma programação antiga, as compras poderão não acompanhar a realidade atual.
Por exemplo, uma fábrica planeja produzir 1.000 unidades e calcula os materiais necessários. Alguns dias depois, a demanda sobe para 1.400 unidades.
Se essa alteração não for incorporada, os componentes comprados inicialmente podem não ser suficientes.
Por outro lado, se a produção cair para 600 unidades e a compra continuar baseada nas 1.000 iniciais, poderá ocorrer excesso de estoque.
Por isso, o cálculo precisa acompanhar as mudanças relevantes da programação.
Como acompanhar o planejado e o realizado?
O planejamento não termina quando as necessidades de materiais são calculadas.
Também é importante comparar aquilo que estava previsto com o que realmente ocorreu na operação.
Essa análise permite identificar diferenças, entender suas causas e melhorar os próximos cálculos.
O acompanhamento pode envolver consumo, compras, entregas, estoque e perdas.
Comparar materiais previstos e consumidos
Uma das análises mais importantes é verificar quanto material estava previsto para ser utilizado e quanto foi efetivamente consumido.
Imagine que determinada produção tenha previsão de consumir 2.000 unidades de um componente, mas o consumo real tenha sido de 2.200.
Essa diferença de 200 unidades precisa ser investigada.
Pode ter ocorrido perda durante o processo, erro na estrutura do produto, retrabalho ou outra situação operacional.
Quando diferenças semelhantes aparecem com frequência, os parâmetros utilizados no planejamento podem precisar de revisão.
Verificar atrasos de fornecedores
Também é importante comparar a data prevista para entrega com a data real de recebimento.
Se determinado fornecedor frequentemente promete entrega em sete dias, mas realiza em dez, esse comportamento deve ser considerado nas próximas compras.
O histórico ajuda a tornar os prazos utilizados no planejamento das necessidades de materiais mrp mais próximos da realidade.
Além de analisar atrasos, é possível observar entregas parciais e divergências de quantidade.
Conferir compras realizadas
As compras efetivamente realizadas devem ser comparadas com aquilo que havia sido planejado.
Essa análise permite identificar situações como:
-
compra acima da necessidade;
-
compra abaixo do necessário;
-
pedidos realizados antecipadamente;
-
pedidos feitos depois do prazo ideal;
-
alterações de quantidade sem planejamento.
Se compras emergenciais ocorrerem com frequência, pode existir algum problema nos parâmetros de estoque, demanda ou prazo de entrega.
Identificar desperdícios
Perdas de materiais também precisam ser acompanhadas.
Quando determinado item apresenta consumo maior do que o previsto, é importante verificar se existe desperdício no processo.
As causas podem incluir:
-
cortes inadequados;
-
materiais danificados;
-
erros de operação;
-
retrabalho;
-
armazenamento incorreto;
-
falhas na qualidade.
Esse acompanhamento ajuda a diferenciar uma necessidade normal de consumo de uma necessidade provocada por perdas que poderiam ser reduzidas.
Analisar diferenças entre estoque registrado e físico
Inventários e conferências ajudam a comparar aquilo que está registrado com aquilo que realmente existe.
Se diferenças forem encontradas constantemente, é necessário identificar suas causas.
Movimentações sem registro, baixas incorretas, perdas e erros de recebimento são exemplos de situações que podem gerar divergências.
Quanto maior a confiabilidade do estoque, mais seguro tende a ser o cálculo das próximas necessidades.
Atualizar parâmetros de planejamento
Os parâmetros utilizados pelo MRP não precisam permanecer iguais indefinidamente.
Mudanças na produção, nos fornecedores ou na demanda podem exigir ajustes.
Entre os dados que podem ser revisados estão:
-
prazo de fornecimento;
-
consumo médio;
-
estoque de segurança;
-
estrutura dos produtos;
-
quantidades por lote;
-
frequência de compras.
O acompanhamento entre planejado e realizado permite identificar quando essas informações deixam de representar a realidade.
Dessa maneira, o planejamento passa a ser um processo contínuo. A empresa calcula as necessidades, acompanha a execução, identifica diferenças e utiliza os resultados para tornar os próximos ciclos mais precisos.
Conclusão: como usar o MRP para comprar no momento certo?
Organizar as compras de materiais exige mais do que acompanhar o que está acabando no estoque. Para evitar atrasos na produção e também impedir compras em excesso, a empresa precisa relacionar demanda, programação produtiva, disponibilidade de materiais e prazos de fornecimento.
O planejamento das necessidades de materiais mrp ajuda justamente a conectar essas informações. A partir daquilo que precisa ser produzido, é possível identificar quais componentes serão utilizados, verificar o que já existe no estoque e calcular aquilo que ainda precisará ser adquirido.
Para que esse processo funcione de maneira eficiente, o cálculo deve considerar diferentes fatores, como:
-
quantidade necessária para a produção;
-
saldo disponível no estoque;
-
materiais reservados;
-
compras já realizadas;
-
estoque de segurança;
-
prazo de entrega dos fornecedores;
-
data prevista para utilização dos materiais.
Essas informações ajudam a evitar decisões baseadas apenas em urgência ou percepção.
Quando os dados estão atualizados, a empresa consegue antecipar possíveis faltas e realizar as compras com maior organização. Isso reduz a necessidade de pedidos emergenciais, que podem gerar dificuldades de negociação, custos adicionais e risco de o material não chegar dentro do prazo necessário.
Ao mesmo tempo, um planejamento mais preciso também ajuda a evitar o excesso de estoque. Comprar grandes quantidades sem considerar a demanda real pode aumentar o capital imobilizado, ocupar espaço desnecessariamente e manter materiais armazenados por longos períodos.
Outro ponto importante é acompanhar continuamente aquilo que foi planejado e o que realmente aconteceu. Diferenças de consumo, atrasos de fornecedores, alterações na demanda ou divergências de estoque devem ser analisadas para que os próximos cálculos sejam mais confiáveis.
Assim, o objetivo do MRP não é simplesmente gerar uma lista de itens para compra. O propósito é contribuir para que cada material esteja disponível na quantidade necessária e no momento em que a produção realmente precisar dele.
Com informações confiáveis e acompanhamento constante, a empresa consegue tornar o abastecimento mais previsível, reduzir interrupções e manter compras, estoque e produção trabalhando de forma alinhada.
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