Planejamento das Necessidades de Materiais MRP: Planilha ou Sistema?

Entenda as diferenças entre planilhas e sistemas para organizar materiais, compras, estoque e produção.

Mariane 8 min de leitura

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Introdução: por que o planejamento de materiais é decisivo para a produção?

Uma produção eficiente não depende apenas de máquinas, mão de obra ou capacidade produtiva. Antes de iniciar qualquer ordem, a empresa precisa garantir que os materiais necessários estejam disponíveis na quantidade correta e no momento em que serão utilizados. Quando esse controle não acontece de maneira organizada, até mesmo uma produção aparentemente simples pode sofrer atrasos, interrupções e aumento dos custos.

Imagine uma indústria que tenha vários pedidos programados para a semana. As máquinas estão disponíveis, os operadores estão preparados e os prazos já foram combinados com os clientes. Porém, ao liberar uma das ordens de produção, a equipe percebe que um componente importante está em falta. Nesse momento, toda a programação pode precisar ser alterada.

Essa situação pode gerar uma sequência de problemas. Uma compra emergencial talvez precise ser realizada, outros produtos podem ter sua fabricação antecipada ou atrasada e os recursos da fábrica podem ficar ociosos enquanto o material não chega.

Entre os problemas mais comuns provocados pela falta de planejamento estão:

  • falta de matéria-prima durante a fabricação;

  • compras realizadas com urgência;

  • pagamento de fretes adicionais;

  • excesso de determinados materiais no estoque;

  • dinheiro imobilizado em produtos com pouca utilização;

  • atraso na liberação das ordens de produção;

  • dificuldade para definir quais pedidos devem ser priorizados;

  • alterações frequentes na programação industrial.

Por isso, o planejamento de materiais precisa estar conectado à realidade da produção. Comprar grandes quantidades para evitar qualquer possibilidade de falta nem sempre é uma solução eficiente. Embora essa estratégia possa aumentar a disponibilidade, ela também pode gerar estoques excessivos e comprometer recursos financeiros que poderiam ser utilizados em outras atividades da empresa.

O desafio é encontrar equilíbrio.

A empresa precisa saber quais materiais serão necessários, quanto deverá ser disponibilizado e em qual data cada item precisa estar pronto para utilização. É justamente nesse cenário que o planejamento das necessidades de materiais mrp se torna importante.

A proposta dessa metodologia é transformar a demanda de produção em necessidades de materiais. Em vez de comprar com base apenas na percepção ou analisar isoladamente o saldo do estoque, a empresa passa a considerar diferentes informações antes de decidir o que precisa ser adquirido ou produzido.

Esse controle pode ser realizado de diversas maneiras. Em operações menores, uma planilha organizada pode atender às necessidades iniciais. Já quando existem muitos produtos, componentes, ordens de produção e movimentações de estoque, manter todos os dados atualizados manualmente pode se tornar mais difícil.

Por isso, uma das principais questões para quem deseja organizar esse processo é entender até que ponto uma planilha consegue acompanhar a operação e em qual momento um sistema integrado pode oferecer uma estrutura mais adequada.

O que é Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?

O MRP, sigla para Material Requirements Planning, pode ser entendido como um método utilizado para descobrir quais materiais serão necessários para atender a uma determinada programação de produção.

Na prática, ele ajuda a transformar o que a empresa pretende fabricar em uma lista organizada de necessidades.

Suponha que uma indústria saiba que precisará fabricar determinado produto durante os próximos dias. Para que essa produção aconteça, não basta conhecer apenas a quantidade final desejada. É necessário identificar todos os componentes utilizados na fabricação e verificar quanto de cada um deles já está disponível.

O planejamento das necessidades de materiais mrp reúne essas informações para ajudar a calcular a necessidade real.

Essa lógica evita uma análise isolada do estoque. Um material pode apresentar um saldo aparentemente suficiente, por exemplo, mas parte dessa quantidade pode estar reservada para outra ordem de produção. Da mesma forma, determinado item pode estar abaixo da necessidade atual, mas já existir um pedido de compra com entrega programada antes do início da fabricação.

Portanto, o planejamento precisa considerar o contexto completo.

Qual é o objetivo do MRP?

O principal objetivo do MRP é garantir que os materiais estejam disponíveis para a produção sem criar estoques desnecessários.

Para isso, o planejamento procura responder três perguntas fundamentais:

  • O que será necessário?

  • Quanto será necessário?

  • Quando cada material deverá estar disponível?

A primeira pergunta está relacionada aos componentes que fazem parte do produto. A segunda identifica as quantidades necessárias para cumprir a programação. A terceira considera os prazos, evitando que a empresa compre cedo demais ou perceba a falta do material somente quando a produção já deveria ter começado.

Essas respostas ajudam diferentes áreas da operação a trabalhar com informações mais organizadas.

Se a empresa sabe que utilizará 500 unidades de determinado componente daqui a quinze dias, por exemplo, poderá verificar o estoque atual, analisar o que já está comprometido e conferir se existe alguma compra prevista.

Caso ainda exista necessidade, a aquisição pode ser programada levando em consideração o prazo de entrega do fornecedor.

Quais informações são utilizadas no planejamento?

A qualidade do planejamento depende diretamente da qualidade das informações utilizadas. Se o estoque estiver incorreto ou a estrutura do produto estiver desatualizada, o resultado do cálculo também poderá apresentar divergências.

Entre os principais dados considerados estão:

  • demanda dos produtos;

  • pedidos de venda;

  • previsão de produção;

  • estrutura ou ficha técnica dos produtos;

  • quantidade disponível em estoque;

  • materiais já reservados;

  • pedidos de compra em andamento;

  • datas previstas de recebimento;

  • prazo de entrega dos fornecedores;

  • ordens de produção abertas.

Esses dados permitem entender não somente o que existe fisicamente no estoque, mas também aquilo que será consumido ou recebido nas próximas etapas.

A estrutura do produto merece atenção especial. Ela mostra quais materiais são utilizados para produzir cada item e em quais quantidades.

Se essa estrutura estiver incorreta, todo o cálculo das necessidades poderá ser comprometido.

Como funciona um exemplo simples de MRP?

Considere uma indústria que precisa fabricar 100 unidades de um produto.

Cada unidade utiliza:

  • 2 unidades do material A;

  • 1 unidade do material B;

  • 4 unidades do material C.

O primeiro passo é calcular a necessidade total de cada componente.

Para o material A:

100 × 2 = 200 unidades.

Para o material B:

100 × 1 = 100 unidades.

Para o material C:

100 × 4 = 400 unidades.

Isso significa que, para produzir as 100 unidades planejadas, serão necessários inicialmente 200 itens do material A, 100 do material B e 400 do material C.

No entanto, isso ainda não significa que essas quantidades precisam ser compradas.

Imagine que o estoque atual apresente:

  • 80 unidades do material A;

  • 100 unidades do material B;

  • 250 unidades do material C.

Nesse cenário, o material B já possui quantidade suficiente para atender à produção. Já os materiais A e C apresentam necessidades adicionais.

Desconsiderando outras reservas e recebimentos, a empresa precisaria providenciar:

  • 120 unidades do material A;

  • nenhuma unidade adicional do material B;

  • 150 unidades do material C.

É essa diferença entre a necessidade total e aquilo que efetivamente está disponível que torna o planejamento das necessidades de materiais mrp mais útil do que simplesmente criar uma lista com todos os componentes utilizados na fabricação.

Em operações reais, o cálculo pode incluir ainda materiais reservados para outras ordens, estoque de segurança, pedidos de compra que estão a caminho, lotes mínimos e prazos diferentes de fornecedores. Conforme aumenta a quantidade de produtos e componentes, também cresce a importância de manter essas informações organizadas e atualizadas.

Como funciona o cálculo das necessidades de materiais?

O cálculo das necessidades de materiais ajuda a transformar o planejamento da produção em quantidades concretas de matérias-primas e componentes que precisam estar disponíveis. A lógica começa pelo que será produzido, passa pelo que já existe no estoque e termina com a identificação da quantidade que realmente precisa ser comprada ou providenciada.

Esse processo evita que a empresa tome decisões apenas observando o saldo atual do estoque. Para planejar corretamente, é necessário analisar também os materiais reservados, os pedidos que ainda serão recebidos e o momento em que cada componente será utilizado.

No planejamento das necessidades de materiais mrp, alguns conceitos são importantes para entender como esse cálculo funciona.

Necessidade bruta

A necessidade bruta representa a quantidade total de determinado material necessária para cumprir uma programação de produção, antes de considerar o estoque disponível ou outras entradas previstas.

O cálculo básico pode ser feito da seguinte maneira:

Necessidade bruta = quantidade planejada para produção × consumo do material por unidade

Imagine uma indústria que pretenda produzir 200 unidades de determinado produto. Cada unidade consome 3 kg de uma matéria-prima.

O cálculo será:

200 × 3 kg = 600 kg

Portanto, a necessidade bruta dessa matéria-prima será de 600 kg.

Esse valor mostra quanto material a produção consumirá se todas as 200 unidades forem fabricadas conforme planejado.

Em uma operação real, o mesmo raciocínio precisa ser aplicado a todos os componentes da estrutura do produto.

Se esse produto utilizar também:

  • 2 unidades do componente A;

  • 4 unidades do componente B;

  • 1 unidade do componente C;

para produzir 200 produtos serão necessárias:

  • 400 unidades do componente A;

  • 800 unidades do componente B;

  • 200 unidades do componente C.

A necessidade bruta, portanto, funciona como o ponto inicial do cálculo. Ela ainda não representa necessariamente a quantidade que deve ser comprada.

Estoque disponível

Depois de conhecer a necessidade total, o próximo passo é verificar o que a empresa já possui disponível.

Voltando ao exemplo dos 600 kg de matéria-prima, imagine que existam 250 kg no estoque.

Nesse caso:

600 kg − 250 kg = 350 kg

Considerando apenas essas duas informações, ainda faltariam 350 kg para atender à produção planejada.

Por isso, não seria necessário comprar os 600 kg utilizados na fabricação.

Essa análise é importante porque comprar toda a necessidade bruta sem considerar os materiais existentes pode aumentar desnecessariamente o estoque e deixar capital parado.

Porém, o saldo registrado precisa representar corretamente aquilo que realmente pode ser utilizado.

Imagine que o sistema informe 250 kg em estoque, mas 100 kg já estejam reservados para outra ordem de produção. Nesse caso, somente 150 kg estariam efetivamente livres para o novo planejamento.

A análise poderia ficar assim:

Necessidade bruta: 600 kg

Estoque físico: 250 kg

Quantidade reservada: 100 kg

Estoque disponível: 150 kg

Necessidade restante: 450 kg

Esse exemplo demonstra por que simplesmente consultar a quantidade física armazenada pode não ser suficiente.

Necessidade líquida

A necessidade líquida representa aquilo que realmente precisa ser providenciado depois de analisar as disponibilidades e compromissos existentes.

De forma simplificada, é possível pensar na seguinte lógica:

Necessidade líquida = necessidade bruta − disponibilidade considerada no planejamento

Entretanto, essa disponibilidade pode envolver mais informações do que apenas o saldo atual.

Podem ser considerados:

  • estoque livre;

  • quantidades reservadas;

  • pedidos de compra em andamento;

  • materiais com recebimento previsto;

  • estoque de segurança;

  • ordens já programadas;

  • transferências previstas.

Imagine novamente uma necessidade bruta de 600 kg.

A empresa possui:

  • 250 kg em estoque;

  • 50 kg reservados para outra produção;

  • 100 kg em um pedido de compra com entrega prevista antes da utilização.

Primeiro, o estoque realmente disponível seria:

250 − 50 = 200 kg

Depois, podem ser considerados os 100 kg que chegarão a tempo.

Disponibilidade prevista:

200 + 100 = 300 kg

Assim:

600 − 300 = 300 kg

Nesse cenário, a necessidade líquida seria de 300 kg.

É esse valor que representa de maneira mais próxima aquilo que precisa ser providenciado para cumprir a programação.

Prazo de reposição

Saber quanto comprar resolve apenas uma parte do problema. Também é necessário descobrir quando realizar a compra.

É nesse ponto que entra o prazo de reposição, frequentemente chamado de lead time.

Imagine que determinada matéria-prima precise estar disponível no dia 30 e o fornecedor necessite de dez dias para realizar a entrega.

A empresa não poderá esperar até o dia 28 para fazer o pedido. A compra precisa ser programada considerando esses dez dias e uma margem adequada às características da operação.

Se outro fornecedor entregar determinado componente em três dias, o momento da compra poderá ser diferente.

Assim, materiais utilizados no mesmo produto podem precisar ser adquiridos em datas diferentes.

Essa análise permite que o estoque seja abastecido próximo ao momento necessário, evitando tanto a falta quanto a antecipação excessiva das compras.

Quais informações precisam estar organizadas para o MRP funcionar?

Um bom cálculo depende diretamente da qualidade dos dados utilizados. Mesmo uma ferramenta avançada não conseguirá gerar um planejamento confiável se os cadastros, estoques ou estruturas dos produtos apresentarem informações incorretas.

Por isso, antes de utilizar o planejamento das necessidades de materiais mrp, é importante organizar os principais dados relacionados à produção, ao estoque e às compras.

Cadastro dos produtos

O cadastro funciona como uma das bases do planejamento.

Cada produto, matéria-prima ou componente precisa possuir uma identificação clara. É importante evitar cadastros duplicados ou descrições que dificultem a identificação do mesmo material.

Também é necessário definir corretamente a unidade de medida.

Um item pode ser controlado em:

  • unidades;

  • quilos;

  • metros;

  • litros;

  • caixas;

  • pacotes.

Se uma matéria-prima for comprada em quilos, mas a estrutura do produto estiver cadastrada em outra unidade sem uma conversão adequada, o cálculo poderá apresentar resultados incorretos.

Estrutura ou ficha técnica

A estrutura do produto informa quais materiais fazem parte da fabricação e quanto de cada componente é utilizado.

Imagine o Produto Acabado X com a seguinte composição:

  • 1 unidade do componente A;

  • 2 unidades do componente B;

  • 4 unidades do componente C.

Se houver uma ordem para produzir 100 unidades do Produto X, a estrutura permitirá calcular:

  • 100 componentes A;

  • 200 componentes B;

  • 400 componentes C.

Se o consumo real mudar, a estrutura também precisa ser atualizada.

Caso o produto passe a utilizar cinco unidades do componente C, mas o cadastro continue indicando quatro, o planejamento calculará uma quantidade inferior à necessária.

Saldo de estoque

O estoque precisa demonstrar quantidades confiáveis.

Diferenças entre o saldo registrado e a quantidade física podem gerar dois problemas principais.

Quando o sistema mostra mais material do que existe, o planejamento pode entender que não é necessário comprar e a produção poderá enfrentar uma falta.

Quando mostra menos material do que realmente existe, podem ser realizadas compras desnecessárias.

Por isso, entradas, saídas, consumos e ajustes precisam ser registrados corretamente.

Ordens de produção

As ordens de produção mostram o que está planejado ou em processo de fabricação.

Elas ajudam a identificar materiais que já possuem uma finalidade definida.

Por exemplo, existem 1.000 unidades de determinado componente em estoque, mas 700 estão previstas para ordens já abertas.

Para uma nova demanda, não seria correto considerar as 1.000 unidades como completamente disponíveis.

Ao relacionar as ordens ao planejamento, a empresa consegue visualizar melhor o comprometimento futuro dos materiais.

Pedidos de compra

Materiais ainda não recebidos também podem fazer parte da análise.

Imagine que a produção necessite de 800 unidades de um componente.

Existem 300 unidades disponíveis no estoque e um pedido de compra de outras 400 unidades com entrega prevista antes do início da fabricação.

Se esse recebimento for considerado confiável e estiver dentro da data necessária, a necessidade adicional pode ser calculada com base nas 700 unidades previstas, e não apenas nas 300 atualmente armazenadas.

Esse controle ajuda a evitar pedidos duplicados e compras acima da necessidade.

Prazos dos fornecedores

Os fornecedores podem possuir tempos de entrega diferentes.

Uma matéria-prima pode chegar em dois dias, enquanto outro componente pode precisar de quinze ou vinte dias.

Por isso, o planejamento precisa relacionar a necessidade do material com a data prevista para sua utilização.

Quanto maior o prazo de reposição, mais cedo a necessidade precisa ser identificada.

Ter esses prazos organizados ajuda a definir prioridades de compra, antecipar riscos de falta e criar uma programação mais coerente com a realidade da produção.

Quando cadastros, estruturas, estoques, ordens, compras e prazos estão atualizados, a empresa passa a trabalhar com uma base muito mais confiável para calcular o que precisa ser providenciado e em qual momento cada ação deve acontecer.

Como fazer o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP em planilhas?

Uma planilha pode ser uma alternativa inicial para empresas que ainda possuem uma operação produtiva simples e precisam organizar melhor as informações relacionadas a materiais, estoque, produção e compras.

O objetivo principal é reunir em um único controle os dados necessários para entender quanto de cada material será utilizado, quanto já existe disponível e qual quantidade ainda precisa ser providenciada.

No planejamento das necessidades de materiais mrp, a planilha pode funcionar como uma estrutura básica para acompanhar essas informações de forma manual ou semiautomática.

Para que o controle seja realmente útil, porém, é importante definir uma organização clara desde o início. Criar várias informações sem padrão pode transformar a planilha em um arquivo difícil de atualizar e interpretar.

Uma boa estrutura deve facilitar três atividades principais:

  • consultar a situação dos materiais;

  • realizar os cálculos das necessidades;

  • identificar quando novas compras ou reposições precisam ser programadas.

Quais colunas uma planilha pode ter?

As colunas podem variar de acordo com a realidade da empresa, mas alguns campos ajudam a construir uma base organizada.

Entre eles estão:

  • código do material;

  • descrição;

  • unidade de medida;

  • estoque atual;

  • estoque mínimo;

  • consumo previsto;

  • necessidade bruta;

  • quantidade disponível;

  • materiais reservados;

  • pedidos de compra em aberto;

  • recebimentos previstos;

  • necessidade líquida;

  • prazo de reposição;

  • data prevista para compra.

O código do material ajuda a evitar confusões entre itens com descrições semelhantes. Já a descrição facilita a identificação por quem consulta a planilha.

O estoque atual informa quanto existe registrado naquele momento, enquanto o estoque mínimo pode servir como referência para evitar que a quantidade disponível fique abaixo de um nível considerado necessário para a operação.

O consumo previsto representa quanto deverá ser utilizado em determinado período ou programação produtiva.

A necessidade bruta demonstra a quantidade total exigida antes de considerar o que já está disponível.

Depois, campos relacionados a estoque, reservas e pedidos em aberto ajudam a chegar à necessidade líquida.

Exemplo de estrutura básica

Imagine que uma matéria-prima apresente as seguintes informações:

  • necessidade bruta: 1.000 unidades;

  • estoque atual: 400 unidades;

  • reserva para outra ordem: 100 unidades;

  • pedido de compra previsto: 200 unidades.

Nesse caso, o estoque realmente livre seria:

400 − 100 = 300 unidades.

Somando o recebimento previsto:

300 + 200 = 500 unidades.

A quantidade ainda necessária seria:

1.000 − 500 = 500 unidades.

Esse tipo de organização permite visualizar rapidamente por que observar somente o saldo de estoque não é suficiente.

Como usar fórmulas na planilha?

As fórmulas ajudam a reduzir parte do trabalho manual, principalmente em cálculos repetitivos.

Uma lógica simplificada pode ser:

Necessidade líquida = necessidade bruta − estoque disponível − recebimentos previstos

Por exemplo:

Necessidade bruta: 800 unidades

Estoque disponível: 300 unidades

Recebimento previsto: 200 unidades

Cálculo:

800 − 300 − 200 = 300 unidades

Nesse cenário, ainda seria necessário providenciar 300 unidades.

Entretanto, o cálculo real pode ser mais complexo.

A empresa talvez precise considerar:

  • materiais reservados;

  • estoque mínimo;

  • estoque de segurança;

  • lotes mínimos de compra;

  • perdas previstas;

  • recebimentos com datas diferentes;

  • ordens de produção já abertas;

  • prioridades de produção.

Por isso, uma fórmula simples pode funcionar em um controle inicial, mas deve ser adaptada à realidade da operação.

Como considerar o estoque de segurança?

Imagine que uma empresa precise manter pelo menos 100 unidades de determinado componente disponíveis.

A necessidade bruta para a próxima produção é de 500 unidades, enquanto o estoque atual é de 300.

Se todo o estoque fosse considerado disponível, a necessidade adicional seria de 200 unidades.

Porém, se 100 unidades precisam permanecer como estoque de segurança, somente 200 podem ser utilizadas.

Nesse caso:

500 − 200 = 300 unidades.

Esse exemplo mostra por que a planilha precisa representar corretamente as regras adotadas pela empresa.

Como organizar diferentes abas?

Em vez de concentrar tudo em uma única tabela muito extensa, pode ser interessante separar as informações em abas relacionadas entre si.

Uma estrutura possível inclui:

  • produtos;

  • materiais;

  • estoque;

  • estrutura dos produtos;

  • produção planejada;

  • compras previstas.

Na aba de produtos, podem ficar os códigos, descrições e informações principais dos itens fabricados.

Na aba de materiais, ficam matérias-primas e componentes utilizados.

A aba de estoque pode apresentar as quantidades atuais, reservas e movimentações relevantes.

Já a estrutura dos produtos mostra quais componentes são consumidos na fabricação de cada item.

Por exemplo:

Produto A:

  • 2 unidades do material X;

  • 3 unidades do material Y;

  • 1 unidade do material Z.

A aba de produção planejada informa quais produtos serão fabricados e em quais quantidades.

A partir disso, os cálculos podem identificar a necessidade dos componentes.

Por fim, a aba de compras previstas registra pedidos já realizados e as respectivas datas de entrega.

Essa divisão ajuda a evitar que o controle fique excessivamente concentrado em uma única tabela.

Quais são as vantagens de utilizar planilhas no planejamento de materiais?

As planilhas podem ser úteis principalmente em operações que estão começando a organizar seus processos ou apresentam baixo volume de informações.

Elas permitem criar um modelo adaptado às necessidades da empresa sem exigir uma estrutura muito complexa no primeiro momento.

Baixo volume de informações

Uma planilha tende a ser mais adequada quando existem poucos dados para acompanhar.

Isso pode acontecer em empresas que possuem:

  • poucos produtos fabricados;

  • pequena quantidade de componentes;

  • poucas ordens de produção simultâneas;

  • baixo número de movimentações de estoque;

  • estrutura produtiva simples.

Imagine uma empresa que fabrica apenas cinco produtos e utiliza dez matérias-primas principais.

Nesse cenário, acompanhar manualmente o relacionamento entre produção, materiais e estoque pode ser viável.

Por outro lado, se a empresa passar a trabalhar com centenas de produtos e milhares de componentes, o mesmo modelo pode se tornar mais difícil de administrar.

Facilidade para começar

Outra vantagem está na possibilidade de estruturar um controle básico rapidamente.

É possível começar com poucos campos e adicionar novas informações conforme surgem necessidades.

Uma empresa pode iniciar acompanhando somente:

  • material;

  • estoque atual;

  • consumo previsto;

  • necessidade adicional.

Depois, pode adicionar:

  • estoque mínimo;

  • reservas;

  • prazo de entrega;

  • pedidos de compra;

  • data necessária.

Essa evolução gradual facilita a compreensão da lógica utilizada no planejamento das necessidades de materiais mrp antes de trabalhar com operações mais complexas.

Flexibilidade na organização

As planilhas também oferecem liberdade para adaptar campos e cálculos.

É possível criar:

  • fórmulas;

  • filtros;

  • classificações;

  • tabelas;

  • alertas visuais;

  • campos personalizados.

A empresa pode organizar os materiais por fornecedor, grupo, tipo de produto, prazo de reposição ou qualquer outro critério considerado relevante.

Também pode criar filtros para visualizar somente itens que apresentam necessidade de compra ou materiais com estoque abaixo do nível esperado.

Essa flexibilidade pode ser útil enquanto a operação ainda possui poucos relacionamentos entre informações.

Visualização simples das necessidades

Quando bem estruturada, uma planilha permite visualizar rapidamente os principais dados.

Por exemplo, o responsável pelo planejamento pode filtrar os materiais cuja necessidade líquida seja maior que zero e criar uma lista dos itens que precisam ser providenciados.

Também pode ordenar os materiais pelo prazo de reposição para identificar quais compras precisam ser realizadas primeiro.

Em operações menores, essa visualização pode ser suficiente para apoiar decisões do dia a dia.

Em quais situações a planilha pode atender bem?

A planilha pode ser uma alternativa adequada quando:

  • a produção possui baixa complexidade;

  • existem poucos componentes por produto;

  • as movimentações de estoque são reduzidas;

  • poucas pessoas precisam atualizar o controle;

  • as ordens não mudam com frequência;

  • o volume de compras é pequeno;

  • os cálculos são relativamente simples.

Nessas condições, manter o arquivo atualizado pode exigir pouco esforço.

Porém, essas vantagens tendem a diminuir à medida que aumenta a quantidade de informações.

Quando vários produtos utilizam os mesmos componentes, existem muitas ordens abertas, o estoque muda constantemente e diversos pedidos de compra precisam ser acompanhados, as relações entre os dados se tornam mais difíceis de controlar manualmente.

Uma alteração na quantidade de produção, por exemplo, pode exigir a atualização de vários cálculos. Da mesma forma, uma saída de estoque que não seja lançada imediatamente pode fazer com que a planilha continue indicando uma quantidade que já não está disponível.

Por isso, além de analisar a facilidade inicial, é importante observar se o controle consegue acompanhar o crescimento e a dinâmica real da operação.

Quais são as limitações e riscos do MRP feito em planilhas?

As planilhas podem atender operações simples, mas começam a apresentar limitações conforme aumentam o número de produtos, componentes, ordens de produção e movimentações de estoque. O principal desafio não está apenas em realizar os cálculos, mas em manter todas as informações atualizadas e relacionadas entre si.

Em uma indústria com movimentação constante, uma informação pode mudar poucos minutos depois de ter sido registrada. Se essa alteração não chegar até a planilha utilizada no planejamento, decisões podem ser tomadas com base em dados que já não representam a situação real.

Por isso, ao utilizar planilhas no planejamento das necessidades de materiais mrp, é importante avaliar não apenas a quantidade de informações existentes, mas também a frequência com que elas precisam ser atualizadas.

Atualização manual das informações

Um dos principais desafios das planilhas é a dependência de atualizações realizadas pelos usuários.

Imagine que às 8h uma planilha apresente 500 unidades disponíveis de determinado componente. Com base nessa informação, o responsável pelo planejamento entende que existe material suficiente para atender às próximas ordens.

Às 10h, porém, uma ordem de produção utiliza 150 unidades desse componente.

O saldo real passa a ser:

500 − 150 = 350 unidades.

Se a planilha continuar mostrando 500 unidades, o planejamento poderá considerar uma disponibilidade 150 unidades maior do que aquela que realmente existe.

Esse tipo de diferença pode provocar:

  • falta de materiais durante a produção;

  • compras realizadas tarde demais;

  • alteração na programação;

  • atraso em ordens;

  • cálculos incorretos de necessidades.

Quanto mais movimentado for o estoque, maior será a necessidade de atualizar o arquivo.

Erros em fórmulas podem afetar vários cálculos

As fórmulas permitem automatizar parte dos cálculos, mas também criam um ponto de atenção.

Uma alteração acidental em determinada célula pode afetar várias linhas relacionadas.

Imagine uma coluna responsável pelo cálculo da necessidade líquida. A fórmula correta considera necessidade bruta, estoque disponível e recebimentos previstos.

Se uma linha tiver sua fórmula substituída manualmente ou uma referência de célula for alterada, o resultado pode deixar de representar a necessidade real.

O problema pode ser ainda mais difícil de perceber quando a planilha possui centenas ou milhares de linhas.

Alguns riscos comuns são:

  • exclusão acidental de fórmulas;

  • referências incorretas entre células;

  • fórmulas diferentes para materiais semelhantes;

  • linhas que não acompanham novas inclusões;

  • dados inseridos em colunas erradas.

Por isso, quanto mais complexo o arquivo se torna, maior é a necessidade de conferência.

Duplicidade e versões diferentes do arquivo

Outro problema pode surgir quando várias pessoas trabalham com o mesmo planejamento.

Uma equipe pode possuir um arquivo salvo localmente enquanto outra pessoa mantém uma versão diferente. Em determinado momento, surgem dúvidas sobre qual planilha contém as informações mais recentes.

Por exemplo:

Uma versão pode indicar um pedido de compra de 1.000 unidades.

Outra pode não ter esse pedido registrado.

Se o responsável utilizar a versão desatualizada, poderá interpretar que ainda existe uma necessidade de compra e solicitar novamente o material.

Além da duplicidade, podem ocorrer diferenças em:

  • estoques;

  • datas de entrega;

  • quantidades planejadas;

  • estruturas dos produtos;

  • reservas;

  • ordens abertas.

Quando existem muitas versões, rastrear qual informação foi alterada e por quem também pode ficar mais difícil.

Dificuldade para trabalhar com muitos componentes

A complexidade aumenta quando os produtos possuem estruturas extensas.

Um produto acabado pode utilizar dezenas de matérias-primas e componentes. Ao mesmo tempo, um único componente pode ser utilizado em diversos produtos diferentes.

Imagine que o componente A seja utilizado nos produtos X, Y e Z.

Se forem planejadas simultaneamente:

  • 100 unidades do Produto X;

  • 200 unidades do Produto Y;

  • 300 unidades do Produto Z;

a necessidade do componente A deverá considerar o consumo gerado por todas essas produções.

Em uma planilha simples, esses relacionamentos precisam ser montados e atualizados cuidadosamente.

Quando existem centenas de produtos, a quantidade de combinações pode aumentar significativamente.

Dependência de atualizações constantes

Estoque, produção e compras não permanecem parados enquanto o planejamento é realizado.

Durante o dia podem ocorrer:

  • novas vendas;

  • alterações nas quantidades dos pedidos;

  • abertura de ordens;

  • consumo de matérias-primas;

  • entrada de produtos;

  • recebimento de compras;

  • cancelamentos;

  • ajustes de estoque;

  • mudanças nas datas previstas.

Cada uma dessas movimentações pode modificar a necessidade de um material.

Quanto maior for a frequência dessas alterações, maior será o esforço necessário para manter uma planilha sincronizada com a operação.

O arquivo pode continuar matematicamente correto, mas trabalhar com dados antigos. Nesse caso, o problema não está necessariamente na fórmula, e sim na informação utilizada pelo cálculo.

Como um sistema realiza o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?

A principal diferença entre uma planilha e um sistema está na forma como as informações são relacionadas.

Na planilha, normalmente os dados precisam ser digitados, importados ou atualizados em diferentes campos. Em um sistema integrado, as informações utilizadas pelo planejamento podem vir dos próprios registros realizados durante a operação.

Isso permite que estoque, produção, estruturas de produtos e compras façam parte de uma mesma base de informações.

O objetivo é reduzir a necessidade de reproduzir manualmente os mesmos dados em controles separados.

Integração com o estoque

O saldo disponível é uma das informações mais importantes para calcular necessidades.

Em um sistema, as movimentações registradas no estoque podem refletir diretamente na disponibilidade utilizada pelo planejamento.

Imagine novamente um estoque de 500 unidades.

Se uma ordem consumir 150 unidades e essa movimentação for registrada, o saldo passa para 350 unidades. Dessa forma, os próximos cálculos podem utilizar a quantidade atualizada.

Essa integração ajuda a evitar a necessidade de consultar um saldo em determinado local e depois digitá-lo novamente em uma planilha.

Integração com a produção

As ordens de produção mostram aquilo que a empresa pretende fabricar.

Ao utilizar essas informações no planejamento, é possível identificar quais componentes serão necessários para atender às ordens abertas ou previstas.

Por exemplo, se uma ordem determinar a fabricação de 200 unidades de um produto que utiliza três unidades do componente B, a necessidade bruta será:

200 × 3 = 600 unidades do componente B.

Caso a quantidade planejada seja alterada, a necessidade também poderá ser recalculada de acordo com os dados registrados.

Estrutura dos produtos

Para realizar os cálculos, o sistema precisa conhecer a composição dos itens fabricados.

Essa informação normalmente fica registrada na estrutura ou ficha técnica.

Imagine o Produto X formado por:

  • 2 unidades do componente A;

  • 1 unidade do componente B;

  • 4 unidades do componente C.

Ao planejar 100 unidades do Produto X, a ferramenta pode utilizar essa estrutura para identificar automaticamente a necessidade de:

  • 200 componentes A;

  • 100 componentes B;

  • 400 componentes C.

Isso reduz a necessidade de realizar manualmente o cálculo de cada componente sempre que uma nova produção é planejada.

Compras em andamento

Outro ponto importante é considerar aquilo que ainda não chegou ao estoque, mas já foi comprado.

Imagine uma necessidade de 1.000 unidades.

A empresa possui 400 unidades disponíveis e mais 300 unidades estão em um pedido de compra previsto para chegar antes da data de utilização.

Nesse cenário, a disponibilidade projetada pode chegar a 700 unidades.

Assim, restariam 300 unidades a serem avaliadas, em vez de uma nova compra das 600 unidades que faltariam considerando apenas o estoque atual.

No planejamento das necessidades de materiais mrp, observar recebimentos futuros ajuda a evitar pedidos duplicados e excesso de estoque.

Reservas de materiais

Nem tudo o que aparece fisicamente no estoque está necessariamente livre.

Uma empresa pode possuir 800 unidades de determinado componente, mas 500 já estarem comprometidas com ordens de produção abertas.

Nesse caso, apenas 300 unidades estariam disponíveis para novas necessidades.

Separar estoque físico de estoque disponível é importante para evitar que a mesma quantidade seja considerada para atender duas produções diferentes.

Cálculo das necessidades

Com as informações relacionadas, o sistema pode cruzar diferentes dados para identificar o que realmente precisa ser providenciado.

Entre eles estão:

  • demanda planejada;

  • quantidade a produzir;

  • estrutura dos produtos;

  • estoque disponível;

  • materiais reservados;

  • ordens abertas;

  • pedidos de compra;

  • recebimentos previstos;

  • estoque mínimo;

  • prazo de reposição.

Imagine uma necessidade bruta de 1.500 unidades.

Existem 700 unidades em estoque, das quais 200 já estão reservadas. Além disso, há um pedido de compra de 400 unidades com recebimento previsto a tempo.

Estoque livre:

700 − 200 = 500 unidades.

Disponibilidade futura:

500 + 400 = 900 unidades.

Necessidade restante:

1.500 − 900 = 600 unidades.

Além da quantidade, ainda é necessário considerar quando essas 600 unidades deverão estar disponíveis e quanto tempo o fornecedor leva para entregá-las.

É justamente a combinação entre quantidade e prazo que transforma o cálculo de materiais em uma ferramenta para organizar decisões de produção e compras.

Comparação entre planilha e sistema no planejamento MRP

Escolher entre uma planilha e um sistema para controlar as necessidades de materiais depende da realidade de cada operação. As duas alternativas podem ser utilizadas para organizar informações de produção, estoque e compras, mas funcionam de maneiras diferentes conforme aumenta a quantidade de produtos, componentes e movimentações.

Uma planilha pode atender bem quando a empresa possui poucos itens para controlar e uma rotina produtiva relativamente simples. Nesse cenário, o responsável consegue acompanhar manualmente estoques, necessidades e pedidos de compra sem gerar um grande volume de atualizações.

Por outro lado, quando a produção cresce, surgem mais ordens simultâneas, novos produtos são adicionados e o estoque passa por movimentações constantes. Nessa situação, manter todas essas informações sincronizadas manualmente pode exigir cada vez mais tempo.

Por isso, a comparação precisa considerar não somente o custo ou o porte da empresa, mas também a complexidade envolvida no planejamento das necessidades de materiais mrp.

Tabela: principais diferenças entre planilha e sistema no planejamento MRP

Critério Planilha Sistema
Atualização das informações Geralmente depende de lançamentos manuais Pode utilizar dados integrados às operações
Controle do estoque Exige atualização frequente dos saldos Pode acompanhar as movimentações registradas
Estrutura dos produtos Pode ser organizada manualmente em abas Pode permanecer vinculada aos produtos cadastrados
Cálculo de materiais Depende de fórmulas configuradas na planilha Pode automatizar o cálculo das necessidades
Crescimento do volume de dados Torna arquivos e relacionamentos mais complexos Permite centralizar e organizar maior quantidade de informações
Pedidos de compra Precisam ser lançados e atualizados manualmente Podem ser considerados diretamente no planejamento
Rastreabilidade Pode depender de versões e históricos dos arquivos As informações podem permanecer centralizadas
Análise das necessidades Exige consolidação de diferentes informações Pode cruzar estoque, compras e produção

Atualização das informações

A frequência com que os dados mudam é um dos fatores mais importantes nessa comparação.

Em uma planilha, normalmente é necessário inserir ou importar informações sobre estoque, ordens de produção, compras e demais movimentações.

Imagine que uma empresa tenha registrado 800 unidades disponíveis de determinado componente pela manhã. Durante o dia, uma produção consome 300 unidades.

Caso o arquivo não seja atualizado, continuará indicando uma disponibilidade de 800 unidades, enquanto o estoque real já está em 500.

Em um sistema integrado, uma movimentação registrada no estoque pode fazer parte da base utilizada pelo planejamento, reduzindo a necessidade de repetir manualmente a mesma informação em outro controle.

Controle do estoque

O planejamento de materiais depende diretamente da confiabilidade dos estoques.

Na planilha, esse acompanhamento pode funcionar adequadamente quando existem poucas movimentações. Porém, quanto maior o número de entradas, saídas, reservas e consumos, mais frequentes precisam ser as atualizações.

O problema aparece quando o planejamento utiliza um saldo que não representa mais a situação atual.

Um sistema pode facilitar esse acompanhamento ao relacionar as movimentações realizadas durante a operação com as quantidades utilizadas no planejamento.

Isso não elimina a importância de registrar corretamente as operações, mas reduz a necessidade de copiar informações de uma ferramenta para outra.

Estrutura dos produtos

Outra diferença importante está no controle das fichas técnicas ou estruturas dos produtos.

Em uma planilha, é possível criar abas relacionando produtos e componentes.

Por exemplo:

Produto A:

  • 2 componentes X;

  • 3 componentes Y;

  • 1 componente Z.

Se a empresa planejar 100 unidades, as fórmulas podem calcular as respectivas necessidades.

Entretanto, quando existem centenas de produtos e muitos componentes compartilhados, manter esses relacionamentos pode ficar mais complexo.

Em um sistema, as estruturas podem ficar vinculadas diretamente aos produtos. Dessa maneira, quando uma quantidade é programada para produção, essas informações podem ser utilizadas nos cálculos das necessidades.

Cálculo dos materiais

As planilhas permitem criar fórmulas bastante úteis.

Uma empresa pode configurar, por exemplo:

Necessidade líquida = necessidade bruta − estoque disponível − recebimentos previstos.

Esse cálculo funciona enquanto todas as informações necessárias estiverem atualizadas e as fórmulas estiverem corretamente configuradas.

Conforme a operação aumenta, porém, podem surgir novas variáveis:

  • reservas;

  • estoque de segurança;

  • pedidos já realizados;

  • diferentes datas de recebimento;

  • lotes mínimos;

  • várias ordens abertas;

  • alterações na programação.

O sistema pode organizar essas variáveis em uma mesma base e realizar cálculos de acordo com os parâmetros estabelecidos pela empresa.

Crescimento do volume de dados

O tamanho da empresa, isoladamente, não determina qual ferramenta é mais adequada.

Uma pequena indústria pode possuir poucos funcionários, mas trabalhar com centenas de componentes e diversas ordens simultâneas.

Da mesma forma, uma empresa maior pode ter uma produção relativamente simples, com poucos produtos e estruturas pouco complexas.

Por isso, devem ser avaliados fatores como:

  • quantidade de produtos acabados;

  • número de componentes por produto;

  • frequência das movimentações;

  • quantidade de ordens abertas;

  • mudanças na programação;

  • volume de compras;

  • número de materiais compartilhados entre produtos.

Quanto mais relacionamentos existirem, maior tende a ser o esforço necessário para controlar tudo manualmente.

Pedidos de compra

As compras também exercem influência direta sobre o cálculo.

Imagine que exista uma necessidade de 2.000 unidades de uma matéria-prima.

O estoque possui apenas 700 unidades, mas já existe um pedido de compra de outras 900 unidades previsto para chegar antes da produção.

Se essa informação não estiver registrada no planejamento, o responsável poderá interpretar que faltam 1.300 unidades e fazer uma nova solicitação acima do necessário.

Uma planilha consegue considerar pedidos em aberto, desde que sejam atualizados corretamente.

Em um sistema integrado, as compras registradas podem fazer parte da análise de disponibilidade futura, facilitando a identificação do que já está previsto para chegar.

Rastreabilidade das informações

Com planilhas, é comum criar novas versões dos arquivos ao longo do tempo.

Podem surgir nomes como:

  • planejamento atual;

  • planejamento revisado;

  • planejamento final;

  • planejamento final atualizado.

Quando diferentes pessoas utilizam cópias distintas, identificar qual versão contém os dados mais recentes pode se tornar um desafio.

A centralização oferecida por um sistema reduz a dependência dessas diferentes versões e permite que as informações permaneçam vinculadas aos registros da operação.

Análise das necessidades

Em uma planilha, o responsável pode precisar consultar ou reunir dados provenientes de diferentes abas e controles para entender a situação de determinado material.

Por exemplo, precisa verificar:

  • quanto existe no estoque;

  • quanto está reservado;

  • quanto será utilizado;

  • quanto já foi comprado;

  • quando a compra chegará;

  • qual será a necessidade futura.

Quando esses dados estão relacionados em uma ferramenta integrada, a análise pode se tornar mais rápida e organizada.

Planilha ou sistema: o tamanho da empresa é o principal critério?

Não necessariamente.

Uma empresa pequena pode precisar de um sistema se trabalhar com grande variedade de produtos, estruturas complexas e muitas movimentações diárias. Por outro lado, uma operação maior, porém simples e com baixo volume de alterações, pode conseguir utilizar planilhas por determinado período.

A decisão deve considerar principalmente a complexidade operacional.

Alguns pontos importantes são:

  • quantas matérias-primas precisam ser controladas;

  • quantos componentes fazem parte de cada produto;

  • quantas ordens são executadas simultaneamente;

  • quantas movimentações de estoque acontecem por dia;

  • com que frequência a programação muda;

  • quantos pedidos de compra precisam ser acompanhados;

  • quanto tempo é gasto atualizando os controles;

  • qual é o impacto de uma informação desatualizada.

Se uma planilha continua permitindo visualizar essas informações de maneira simples, confiável e atualizada, ela ainda pode cumprir sua função.

Quando os controles passam a exigir muitas conferências, atualizações constantes, cruzamentos manuais e correções frequentes, a utilização de um sistema tende a se tornar mais relevante para organizar o planejamento das necessidades de materiais mrp.

Quando a planilha deixa de ser suficiente para o MRP?

Não existe um número exato de produtos ou ordens de produção que determine quando uma empresa deve deixar de utilizar planilhas. O ponto de atenção aparece quando manter o controle atualizado passa a exigir esforço excessivo, aumenta o risco de erros ou deixa de oferecer informações confiáveis para as decisões.

Uma planilha pode continuar funcionando durante bastante tempo em uma operação simples. Entretanto, conforme a produção cresce, a quantidade de relações entre produtos, materiais, estoque, compras e ordens também aumenta.

Nesse momento, alguns sinais podem indicar que o modelo atual precisa ser revisto.

Muitos produtos e componentes

Um dos primeiros sinais é o aumento da quantidade de produtos fabricados e componentes utilizados.

Imagine uma empresa que começou produzindo cinco itens, cada um formado por quatro ou cinco materiais. Inicialmente, relacionar essas informações em uma planilha pode ser relativamente simples.

Com o crescimento da operação, porém, a empresa passa a fabricar 100 produtos, alguns deles com dezenas de componentes diferentes.

Além disso, determinado componente pode ser utilizado em vários produtos.

Por exemplo:

  • Produto A utiliza os componentes X, Y e Z;

  • Produto B utiliza X, W e K;

  • Produto C utiliza X, Y e M.

Nesse caso, uma mudança na demanda dos três produtos modifica simultaneamente a necessidade do componente X.

Quanto maior for o número de relacionamentos, mais difícil se torna acompanhar todas as alterações manualmente.

Para o planejamento das necessidades de materiais mrp, não basta saber que um componente faz parte de um produto. É necessário calcular quanto será consumido por todas as ordens que utilizam aquele item e comparar o resultado com sua disponibilidade.

Mudanças frequentes no estoque

Outro sinal importante é a frequência das movimentações.

Uma operação pode apresentar diariamente:

  • recebimentos de fornecedores;

  • consumo de matérias-primas;

  • entradas de produção;

  • reservas;

  • ajustes;

  • devoluções;

  • transferências;

  • baixas de materiais.

Cada movimentação pode modificar as quantidades disponíveis para as próximas ordens.

Imagine que determinada matéria-prima apresente 2.000 unidades pela manhã. Durante o dia, três ordens utilizam 300, 450 e 250 unidades.

O saldo passa a ser:

2.000 − 300 − 450 − 250 = 1.000 unidades.

Se a planilha permanecer com o saldo inicial, poderá indicar uma disponibilidade duas vezes maior do que a quantidade existente naquele momento.

Quando é necessário atualizar os mesmos dados várias vezes ao dia para manter o planejamento confiável, um controle manual começa a apresentar limitações mais evidentes.

Compras emergenciais recorrentes

Compras emergenciais podem acontecer ocasionalmente em qualquer operação. O problema surge quando elas se tornam frequentes.

Se a empresa percebe constantemente que determinado material acabará antes da próxima produção, isso pode indicar que as necessidades não estão sendo identificadas com antecedência suficiente.

As consequências podem incluir:

  • procura urgente por fornecedores;

  • menor poder de negociação;

  • necessidade de aceitar prazos menos favoráveis;

  • alteração da programação;

  • risco de interrupção da produção.

Por exemplo, uma matéria-prima possui prazo normal de entrega de quinze dias. A empresa identifica a falta apenas três dias antes da data em que o material será utilizado.

Mesmo sabendo exatamente quanto precisa comprar, o problema já está criado porque o prazo necessário para reposição não foi considerado anteriormente.

O planejamento deve ajudar a antecipar essas situações, não apenas reagir quando o estoque já está próximo de acabar.

Atrasos por falta de materiais

Ordens de produção frequentemente paradas por falta de componentes são outro sinal de alerta.

Imagine uma ordem preparada para fabricar 500 unidades. Máquinas e operadores estão disponíveis, mas um dos cinco componentes necessários não chegou.

Mesmo que os outros quatro materiais estejam no estoque, a produção talvez não consiga avançar.

Nesse caso, a falta de um único item pode comprometer toda a programação.

Quando esse problema acontece repetidamente, é importante verificar se existem falhas em:

  • cálculo das necessidades;

  • atualização dos estoques;

  • estruturas dos produtos;

  • acompanhamento das compras;

  • prazos de fornecedores;

  • reservas de materiais;

  • programação das ordens.

Uma ferramenta adequada deve facilitar a identificação desses riscos antes da data programada para a fabricação.

Excesso de estoque também é um sinal de problema

A dificuldade não aparece somente quando faltam materiais.

Estoque excessivo também pode indicar limitações no planejamento.

Uma empresa pode realizar compras baseando-se apenas em históricos, percepções ou níveis mínimos, sem considerar adequadamente aquilo que realmente será produzido.

Como resultado, determinados materiais podem permanecer armazenados por longos períodos.

Isso pode provocar:

  • capital imobilizado;

  • maior ocupação do espaço físico;

  • risco de perdas;

  • materiais com baixo giro;

  • compras realizadas antes do momento necessário.

O objetivo não deve ser simplesmente manter grandes quantidades para evitar qualquer risco de falta.

Um bom planejamento procura equilibrar disponibilidade e necessidade, considerando aquilo que a produção realmente deverá consumir.

Muito tempo gasto atualizando arquivos

Existe ainda um indicador operacional bastante simples: quanto tempo a equipe utiliza apenas para manter as planilhas funcionando?

Se diariamente é necessário:

  • copiar saldos;

  • atualizar pedidos;

  • revisar fórmulas;

  • conferir versões;

  • alterar datas;

  • inserir novas ordens;

  • cruzar várias abas;

  • corrigir divergências;

parte significativa do tempo deixa de ser utilizada na análise das informações.

A equipe passa a trabalhar para alimentar o controle, em vez de utilizar o controle para tomar melhores decisões.

Quando isso ocorre, a ferramenta pode ter atingido seu limite para aquela operação.

Como avaliar se um sistema MRP atende às necessidades da produção?

Migrar de uma planilha para um sistema não significa simplesmente trocar uma ferramenta por outra. Antes da escolha, é necessário avaliar se a solução consegue representar os processos reais da indústria.

O sistema precisa reunir informações relevantes e transformá-las em dados úteis para o planejamento.

Um checklist inicial pode ajudar nessa análise.

Verifique se a solução permite:

  • cadastrar estruturas ou fichas técnicas;

  • informar a quantidade utilizada de cada componente;

  • consultar os estoques disponíveis;

  • separar estoque físico de quantidade comprometida;

  • considerar materiais reservados;

  • acompanhar ordens de produção;

  • considerar pedidos de compra em andamento;

  • visualizar materiais que podem faltar;

  • calcular necessidades futuras;

  • trabalhar com estoque mínimo;

  • acompanhar prazos de reposição;

  • identificar necessidades por período;

  • consultar históricos de movimentação.

Esses recursos ajudam a criar uma visão mais completa do processo.

Cadastro de estruturas e fichas técnicas

O sistema precisa permitir registrar corretamente a composição dos produtos.

Imagine um produto formado por:

  • 2 kg da matéria-prima A;

  • 3 unidades do componente B;

  • 1 unidade do componente C.

Se forem planejadas 500 unidades, a ferramenta precisa conseguir relacionar essa quantidade à estrutura cadastrada para calcular os materiais envolvidos.

Também é importante verificar se a estrutura pode ser atualizada quando houver alterações no processo produtivo.

Estoque e materiais reservados

Outra análise essencial é observar como a ferramenta apresenta o estoque.

Não basta mostrar que existem 1.000 unidades fisicamente armazenadas se 700 já estão comprometidas com ordens anteriores.

Nesse cenário:

Estoque físico: 1.000 unidades

Material comprometido: 700 unidades

Quantidade livre: 300 unidades

Uma ferramenta de planejamento das necessidades de materiais mrp deve permitir que esse tipo de informação seja considerado na análise.

Ordens de produção e compras

O sistema também deve relacionar aquilo que será produzido com os materiais necessários.

Ao mesmo tempo, é importante acompanhar o que já foi comprado.

Imagine que uma necessidade futura seja de 1.500 unidades.

A empresa possui:

  • 500 unidades livres;

  • 600 unidades em pedido de compra;

  • entrega prevista antes da produção.

A análise precisa considerar que 1.100 unidades estarão disponíveis, restando uma diferença de 400 unidades a ser avaliada.

Sem essa visão, existe risco de comprar novamente aquilo que já está previsto para chegar.

Necessidades por período

Outro recurso importante é conseguir visualizar quando determinado material será necessário.

Saber que serão necessárias 2.000 unidades durante os próximos meses é diferente de saber que:

  • 500 serão necessárias na próxima semana;

  • 700 no mês seguinte;

  • 800 posteriormente.

Essa distribuição permite organizar compras conforme a programação e os prazos de entrega.

Também facilita identificar períodos em que poderá existir maior pressão sobre determinados componentes.

Facilidade de utilização

Uma ferramenta pode possuir muitos recursos, mas ainda assim ser pouco útil se as informações forem difíceis de interpretar.

O responsável pelo planejamento precisa conseguir identificar com clareza:

  • o que precisa ser providenciado;

  • qual quantidade é necessária;

  • quando o material será utilizado;

  • quanto existe disponível;

  • quanto já está comprometido;

  • quais pedidos ainda serão recebidos.

Quanto mais simples for chegar a essas respostas, mais fácil será utilizar os dados durante a rotina.

Qualidade das informações

Também é importante compreender que um sistema não transforma automaticamente informações incorretas em um planejamento confiável.

Se a ficha técnica informar consumo de duas unidades quando a produção realmente utiliza três, o cálculo partirá de uma base errada.

O mesmo acontece quando o estoque registrado não corresponde ao estoque físico ou quando os prazos dos fornecedores estão desatualizados.

Por isso, a empresa precisa manter atenção sobre:

  • cadastros;

  • unidades de medida;

  • estruturas dos produtos;

  • saldos;

  • reservas;

  • compras;

  • ordens;

  • prazos de entrega.

A tecnologia pode facilitar o processamento e o relacionamento dos dados, mas a qualidade do planejamento continua dependendo de informações consistentes.

Antes de escolher entre manter uma planilha ou utilizar um sistema, portanto, vale analisar não apenas a quantidade de dados existente, mas a complexidade das relações entre eles, a velocidade das mudanças e o nível de confiabilidade necessário para programar compras e produção.

Exemplo prático: calculando a necessidade de materiais com MRP

Entender a lógica do cálculo fica mais fácil quando ela é aplicada a uma situação prática. O objetivo é descobrir quanto de cada componente será necessário para cumprir a produção planejada e, depois, comparar essa necessidade com aquilo que já está disponível ou previsto para chegar.

Imagine uma empresa que recebeu demanda para fabricar 500 unidades do Produto A.

Cada unidade utiliza:

  • 2 unidades do componente X;

  • 3 unidades do componente Y;

  • 1 unidade do componente Z.

O primeiro passo é calcular a necessidade bruta de cada componente.

A partir disso, a empresa poderá consultar o estoque, os pedidos de compra em andamento e outras informações relevantes para identificar a quantidade que ainda precisa ser providenciada.

Cálculo do componente X

Cada Produto A utiliza duas unidades do componente X.

Como a programação prevê a fabricação de 500 unidades, o cálculo será:

500 × 2 = 1.000 unidades.

Portanto, a necessidade bruta do componente X é de 1.000 unidades.

Agora é necessário consultar a quantidade disponível.

Estoque disponível: 600 unidades.

O cálculo da quantidade restante será:

1.000 − 600 = 400 unidades.

Assim, ainda será necessário providenciar 400 unidades do componente X para atender à produção planejada.

Esse cálculo parece simples, mas outras informações poderiam alterar o resultado.

Por exemplo, se 100 das 600 unidades disponíveis já estivessem reservadas para outra ordem, a disponibilidade real para o Produto A seria de apenas 500 unidades.

Nesse cenário:

1.000 − 500 = 500 unidades.

A necessidade adicional passaria de 400 para 500 unidades.

Esse exemplo mostra por que o saldo físico não deve ser analisado isoladamente.

Cálculo do componente Y

Cada Produto A utiliza três unidades do componente Y.

Para produzir 500 unidades:

500 × 3 = 1.500 unidades.

A necessidade bruta será, portanto, de 1.500 unidades.

O estoque disponível apresenta 1.000 unidades.

Se a análise terminasse nesse ponto, pareceria necessário comprar outras 500 unidades.

Porém, existe um pedido de compra em andamento com entrega confirmada de 300 unidades antes da data prevista para a produção.

A conta passa a considerar:

Necessidade bruta: 1.500 unidades.

Estoque disponível: 1.000 unidades.

Recebimento previsto: 300 unidades.

Então:

1.500 − 1.000 − 300 = 200 unidades.

A necessidade restante será de 200 unidades.

Esse é um exemplo importante do funcionamento do planejamento das necessidades de materiais mrp, porque demonstra que uma compra já realizada pode reduzir diretamente uma necessidade futura.

Se o pedido de 300 unidades não fosse considerado, a empresa poderia comprar 500 unidades adicionais e terminar com material acima do necessário.

Cálculo do componente Z

Cada unidade do Produto A utiliza apenas uma unidade do componente Z.

Para fabricar 500 unidades:

500 × 1 = 500 unidades.

A empresa consulta o estoque e identifica 700 unidades disponíveis.

Nesse caso:

500 − 700 = -200 unidades.

Como a quantidade disponível já é superior à necessidade, não existe necessidade imediata de compra.

Após a produção, ainda poderiam restar aproximadamente 200 unidades, desconsiderando reservas, perdas ou outras movimentações.

O fato de determinado componente fazer parte da produção não significa automaticamente que ele precisa ser comprado.

Por isso, o cálculo deve sempre considerar disponibilidade e necessidade antes de gerar qualquer decisão de reposição.

Visão geral do exemplo

Ao reunir os três componentes, a situação fica da seguinte maneira:

  • componente X: necessidade adicional de 400 unidades;

  • componente Y: necessidade adicional de 200 unidades;

  • componente Z: nenhuma necessidade imediata de compra.

Isso significa que, embora os três componentes façam parte do mesmo produto, cada um apresenta uma situação diferente.

Um precisa de reposição maior, outro possui parte da necessidade coberta por um pedido já realizado e o terceiro possui estoque suficiente.

É justamente essa análise individual que permite planejar os materiais de maneira mais precisa.

Em uma indústria real, um produto pode utilizar dezenas ou centenas de componentes. Além disso, vários produtos diferentes podem utilizar a mesma matéria-prima.

Nesse cenário, o mesmo cálculo precisa ser repetido diversas vezes.

Em uma planilha, isso pode exigir fórmulas, vínculos entre abas e atualizações frequentes. Em um sistema, os cálculos podem utilizar informações já relacionadas aos produtos, estoques, pedidos e ordens.

Quanto maior a quantidade de dados, maior tende a ser a diferença de esforço entre os dois métodos.

Como implantar o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP de forma organizada?

A implantação não começa pelo cálculo. Antes disso, a empresa precisa garantir que os dados utilizados sejam confiáveis.

Uma implementação organizada reduz o risco de trabalhar com resultados incorretos e facilita a utilização das informações no dia a dia.

Organize os cadastros

O primeiro passo é revisar os principais cadastros relacionados à produção.

Entre eles estão:

  • produtos;

  • matérias-primas;

  • componentes;

  • unidades de medida;

  • fichas técnicas;

  • fornecedores.

Cada item precisa possuir uma identificação clara.

Também é importante evitar duplicidades.

Por exemplo, a mesma matéria-prima não deve aparecer em registros diferentes apenas porque foi cadastrada com descrições diferentes.

As unidades de medida também precisam ser coerentes.

Se determinado material é comprado em quilos e consumido em gramas, a empresa deve estabelecer uma forma consistente de realizar essa conversão.

Confirme os saldos de estoque

O estoque utilizado no planejamento precisa representar a quantidade realmente disponível.

Se o controle indicar 1.000 unidades, mas fisicamente existirem apenas 750, o cálculo poderá considerar 250 unidades que não estão disponíveis.

Isso pode fazer com que uma compra deixe de ser realizada quando, na prática, ela seria necessária.

Por outro lado, se o sistema mostrar menos estoque do que existe, a empresa poderá comprar materiais desnecessariamente.

Por isso, é importante revisar movimentações e corrigir divergências antes de utilizar os saldos como base para o planejamento.

Revise as estruturas dos produtos

As fichas técnicas precisam mostrar corretamente quanto de cada componente é utilizado.

Imagine que um produto consuma atualmente quatro unidades de determinada matéria-prima, mas a ficha ainda indique três.

Para uma produção de 1.000 unidades, o sistema calcularia:

1.000 × 3 = 3.000 unidades.

Mas a necessidade real seria:

1.000 × 4 = 4.000 unidades.

A diferença seria de 1.000 unidades.

Esse tipo de erro demonstra como uma estrutura desatualizada pode comprometer toda a programação.

Defina os parâmetros do planejamento

Depois de organizar os cadastros, é importante definir as regras utilizadas nos cálculos.

Alguns parâmetros comuns são:

  • estoque mínimo;

  • estoque de segurança;

  • lote de compra;

  • prazo de entrega;

  • período de planejamento.

O estoque mínimo ajuda a definir um nível de referência.

O estoque de segurança cria uma margem para situações inesperadas, como aumento de consumo ou atraso na entrega.

O lote de compra pode representar uma quantidade mínima exigida pelo fornecedor.

Já o prazo de entrega ajuda a descobrir quando a compra precisa ser realizada.

Integre demanda e produção

O planejamento precisa começar a partir de uma necessidade produtiva real ou prevista.

Essa demanda pode surgir de:

  • pedidos já confirmados;

  • previsão de vendas;

  • reposição de estoque;

  • programação da produção.

Imagine que existam pedidos que totalizem 800 unidades de determinado produto e o estoque de produtos acabados possua apenas 200.

Nesse caso, a empresa poderá planejar a fabricação das 600 unidades restantes, conforme suas regras operacionais.

A partir dessa quantidade, o planejamento das necessidades de materiais mrp poderá identificar os componentes necessários para atender à produção.

Acompanhe os resultados

Depois da implantação, é importante comparar o planejado com aquilo que realmente aconteceu.

Alguns pontos que podem ser analisados são:

  • necessidade planejada;

  • consumo real;

  • compras realizadas;

  • quantidade recebida;

  • atrasos de fornecedores;

  • falta de materiais;

  • excesso de estoque;

  • diferenças entre consumo previsto e realizado.

Imagine que uma matéria-prima tenha consumo planejado de 1.000 kg, mas o consumo real tenha sido de 1.150 kg.

Essa diferença merece análise.

Pode ter ocorrido perda de material, alteração na forma de produção ou uma ficha técnica desatualizada.

O acompanhamento permite corrigir parâmetros e melhorar os próximos ciclos de planejamento.

Quanto mais confiáveis forem os cadastros, estoques, estruturas, compras e apontamentos, mais útil será o MRP para antecipar necessidades e apoiar decisões sobre produção e abastecimento.

Conclusão: Planejamento das Necessidades de Materiais MRP — planilha ou sistema?

Tanto as planilhas quanto os sistemas podem ser utilizados para organizar o planejamento de materiais, mas cada alternativa tende a atender melhor um nível diferente de complexidade operacional.

Quando a empresa trabalha com poucos produtos, poucos componentes e baixo volume de movimentações, uma planilha bem estruturada pode ser suficiente para controlar estoques, necessidades, compras previstas e datas de reposição. Nesse cenário, o volume de informações ainda permite que as atualizações sejam realizadas de forma manual sem comprometer tanto a confiabilidade do planejamento.

Porém, essa realidade muda conforme a operação cresce.

O aumento da quantidade de produtos, fichas técnicas, matérias-primas, pedidos, compras e ordens de produção faz com que os relacionamentos entre as informações se tornem mais complexos. Uma única alteração no plano produtivo pode modificar a necessidade de diversos componentes, principalmente quando os mesmos materiais são utilizados em vários produtos.

Além disso, quanto maior a frequência de entradas, saídas, reservas e consumos, maior é o risco de uma planilha ficar desatualizada.

Um sistema integrado pode facilitar justamente esse ponto ao centralizar informações relacionadas à demanda, estoque, materiais, compras e produção. Dessa forma, o responsável pelo planejamento reduz a necessidade de copiar dados entre diferentes controles e consegue analisar as necessidades com base nos registros disponíveis na operação.

A escolha entre planilha e sistema, portanto, deve considerar fatores como:

  • quantidade de produtos fabricados;

  • número de componentes utilizados;

  • complexidade das fichas técnicas;

  • frequência das movimentações de estoque;

  • quantidade de ordens de produção abertas;

  • volume de pedidos de compra;

  • necessidade de atualizações frequentes;

  • tempo gasto na manutenção dos controles;

  • nível de complexidade da produção.

Não existe uma regra que determine que toda empresa precisa abandonar as planilhas a partir de determinado tamanho. O ponto principal é verificar se a ferramenta atual continua oferecendo informações confiáveis, atualizadas e fáceis de analisar.

Se a equipe começa a gastar muito tempo atualizando arquivos, corrigindo fórmulas, conferindo versões ou descobrindo faltas de materiais somente próximo da produção, pode ser um sinal de que o controle precisa evoluir.

Mais do que escolher entre duas ferramentas, o objetivo do planejamento das necessidades de materiais mrp é melhorar a capacidade de antecipar o que será necessário para produzir.

Um planejamento eficiente precisa ajudar a empresa a identificar quais materiais serão utilizados, em quais quantidades e em que momento deverão estar disponíveis. Assim, torna-se possível reduzir compras emergenciais, evitar excesso de estoque, diminuir o risco de interrupções e organizar melhor o abastecimento da produção.

Quando essas informações estão estruturadas de forma confiável, a empresa deixa de agir apenas quando o material falta e passa a tomar decisões com maior antecedência, equilíbrio e previsibilidade.

Perguntas frequentes

É um método utilizado para calcular quais materiais serão necessários, em quais quantidades e em que momento deverão estar disponíveis para a produção.

Sim. Planilhas podem atender operações simples, principalmente quando existem poucos produtos, componentes e movimentações.

Quando aumenta o volume de produtos, componentes, ordens, compras e movimentações, tornando as atualizações manuais mais demoradas e sujeitas a erros.

A possibilidade de centralizar e relacionar informações de estoque, produção, fichas técnicas, compras e necessidades de materiais.

Sim. Ao relacionar demanda, disponibilidade e necessidades futuras, o planejamento pode ajudar a evitar tanto compras excessivas quanto falta de materiais.

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