Introdução
Em uma indústria, planejar o que será produzido é apenas uma parte do controle produtivo. Depois que uma ordem entra em execução, é necessário acompanhar o que realmente aconteceu no chão de fábrica. Quantas unidades foram fabricadas? Quanto de matéria-prima foi consumido? Quanto tempo a operação levou? Houve perdas, paradas ou retrabalhos? Essas informações precisam ser registradas para que o planejamento possa ser comparado com a realidade.
O apontamento de produção é justamente o processo utilizado para registrar esses acontecimentos. Ele transforma as atividades realizadas durante a fabricação em dados que podem ser analisados posteriormente. Dessa maneira, a empresa consegue acompanhar a execução das ordens e verificar se os recursos estão sendo utilizados conforme o previsto.
Imagine, por exemplo, que o PCP tenha planejado a fabricação de 1.000 unidades de determinado produto utilizando 500 kg de matéria-prima em um período de oito horas. Ao final do processo, foram produzidas 940 unidades, consumidos 530 kg e utilizadas nove horas de trabalho. Sem registrar essas informações, a empresa poderia considerar que o planejamento foi cumprido normalmente, mesmo existindo diferenças relevantes entre o previsto e o realizado.
É nesse ponto que a integração entre produção, estoque e PCP se torna importante.
Quando cada área trabalha de maneira isolada, surgem diferenças entre aquilo que está registrado e aquilo que realmente acontece na operação. A produção pode consumir materiais sem atualizar o estoque. O estoque, por sua vez, pode continuar mostrando determinada matéria-prima como disponível, mesmo que ela já tenha sido utilizada. Enquanto isso, o PCP pode programar novas ordens considerando um saldo que não existe fisicamente.
A consequência é uma sequência de problemas: falta inesperada de matéria-prima, necessidade de compras emergenciais, atraso nas ordens, dificuldade para calcular custos e pouca confiabilidade nas informações utilizadas pelos gestores.
Integrar esses processos significa estabelecer um fluxo contínuo de informações. O PCP planeja a fabricação e libera uma ordem. O estoque identifica e reserva os materiais necessários. A produção executa as atividades e realiza os registros. Conforme os materiais são consumidos e os produtos são fabricados, essas informações retornam ao estoque e ao planejamento.
Assim, o apontamento de produção deixa de funcionar apenas como um registro histórico e passa a fazer parte do controle operacional. Ele ajuda a conectar aquilo que foi planejado com aquilo que efetivamente ocorreu, permitindo que diferentes setores trabalhem com uma visão mais próxima da realidade da fábrica.
O que é apontamento de produção e como funciona?
O apontamento de produção é o registro das informações relacionadas à execução de uma atividade produtiva. Seu objetivo é informar o que aconteceu durante uma ordem de fabricação, permitindo acompanhar quantidades, materiais, tempos, perdas e outras ocorrências relevantes.
Na prática, o PCP pode determinar que determinada quantidade de um produto precisa ser fabricada. A ordem é liberada para o chão de fábrica e, durante sua execução, diferentes acontecimentos precisam ser registrados.
Esses registros podem ser feitos ao final da produção ou em diferentes momentos do processo, dependendo da complexidade da operação. Em uma fabricação longa, por exemplo, pode ser mais adequado realizar apontamentos parciais ao longo do dia. Dessa forma, o planejamento consegue acompanhar o andamento sem esperar pela conclusão completa da ordem.
O nível de detalhamento também varia. Algumas empresas precisam apenas registrar quantidade produzida e materiais consumidos. Outras acompanham operadores, máquinas, etapas, lotes, tempos, perdas, paradas e motivos de retrabalho.
O mais importante é que os registros sejam compatíveis com aquilo que a empresa realmente precisa controlar.
Quais informações podem ser registradas?
Uma das principais informações é a ordem de produção. Ela identifica qual atividade está sendo executada e permite relacionar os demais dados ao planejamento original.
O produto fabricado também precisa ser identificado corretamente, principalmente em operações que possuem diversas linhas, modelos ou variações.
Outro dado importante é a quantidade planejada. Ela representa a meta definida para aquela ordem. Ao lado dela deve aparecer a quantidade efetivamente produzida, permitindo comparar previsão e execução.
Também pode existir uma diferença entre quantidade produzida e quantidade aprovada. Se uma fábrica produzir 500 unidades e 20 forem reprovadas pela inspeção, por exemplo, o volume efetivamente disponível poderá ser de 480 unidades.
Entre os principais registros estão:
-
ordem de produção;
-
produto fabricado;
-
quantidade planejada;
-
quantidade produzida;
-
quantidade aprovada;
-
quantidade perdida;
-
matérias-primas consumidas;
-
horário de início;
-
horário de término;
-
tempo de máquina;
-
tempo de mão de obra;
-
períodos de parada;
-
refugos;
-
retrabalhos.
Os materiais consumidos também merecem atenção. O planejamento pode prever determinado consumo, mas o valor real pode ser diferente devido a perdas, ajustes de máquina, características do material ou outras ocorrências.
Da mesma forma, os tempos registrados ajudam a identificar se determinada etapa está levando mais ou menos tempo que o esperado.
Paradas também podem ser apontadas. Uma máquina pode ficar parada por manutenção, falta de material, preparação, troca de ferramenta ou outros motivos. Registrar essas situações ajuda a separar o tempo efetivamente produtivo dos períodos em que os recursos ficaram indisponíveis.
Qual é a finalidade dos apontamentos?
A principal finalidade do apontamento de produção é transformar acontecimentos do chão de fábrica em informações que possam ser utilizadas pela gestão.
Sem esse registro, o PCP sabe o que deveria acontecer, mas possui pouca visibilidade sobre o que realmente aconteceu.
Quando os dados são registrados corretamente, torna-se possível responder perguntas importantes:
A ordem já começou?
Quanto já foi produzido?
Quanto ainda falta produzir?
Os materiais planejados foram suficientes?
Houve perdas acima do esperado?
A fabricação está atrasada?
Quanto tempo a operação levou?
O produto acabado já pode entrar no estoque?
Dessa maneira, o apontamento funciona como uma ligação entre execução e planejamento. Ele permite que o PCP acompanhe as ordens, o estoque atualize movimentações e os gestores analisem os resultados da operação.
Qual é a relação entre apontamento de produção e PCP?
O PCP, ou Planejamento e Controle da Produção, utiliza informações para decidir o que produzir, quanto produzir, quando produzir e quais recursos serão necessários.
Antes da fabricação começar, o PCP trabalha principalmente com previsões, pedidos, disponibilidade de materiais, capacidade produtiva e prazos.
Depois que a ordem entra em execução, entretanto, é necessário obter informações reais.
É nesse momento que o apontamento de produção passa a ter um papel fundamental. Ele fornece dados sobre o que está acontecendo na fabricação e permite que o PCP verifique se o planejamento está sendo cumprido.
Sem esses registros, o planejamento pode continuar sendo atualizado com base apenas em estimativas.
Planejado x realizado
Comparar planejado e realizado é uma das formas mais simples de utilizar os dados da produção.
Considere o exemplo:
| Informação | Planejado | Realizado |
|---|---|---|
| Quantidade | 1.000 un. | 940 un. |
| Tempo | 8 horas | 9 horas |
| Matéria-prima | 500 kg | 530 kg |
| Perdas | 15 kg | 28 kg |
Nesse cenário, existem diferentes desvios.
A quantidade produzida ficou 60 unidades abaixo do planejado. A operação levou uma hora além da previsão. O consumo de matéria-prima foi 30 kg maior e as perdas praticamente dobraram.
Cada uma dessas diferenças pode ser investigada.
A produção abaixo da meta pode ter sido causada por uma parada. O consumo adicional pode estar relacionado a desperdícios ou necessidade de ajustes. O tempo adicional pode mostrar que a capacidade utilizada no planejamento precisa ser revista.
Uma ocorrência isolada nem sempre representa um problema permanente. Porém, quando os mesmos desvios aparecem repetidamente, a empresa passa a ter informações suficientes para revisar seus parâmetros.
É justamente essa comparação que torna o planejamento mais realista ao longo do tempo.
Como os dados retornam para o planejamento?
O fluxo de informação não deve terminar quando a equipe registra o que produziu.
Os dados precisam retornar ao PCP para que possam ser utilizados no controle das ordens atuais e no planejamento das próximas atividades.
O apontamento de produção pode ajudar o PCP a acompanhar ordens abertas e identificar quanto já foi executado. Se uma ordem possui 5.000 unidades e apenas 2.000 foram apontadas, o planejamento sabe que ainda existe uma quantidade significativa em andamento.
Os registros também facilitam a identificação de atrasos.
Se determinada atividade deveria ter sido concluída no período da manhã e permanece parcialmente executada no final do dia, o responsável pode verificar o motivo e avaliar o impacto nas próximas ordens.
Outro benefício está na análise de capacidade. Os tempos realizados mostram quanto determinados recursos realmente conseguem produzir dentro de um período.
Os dados podem ajudar o PCP a:
-
acompanhar ordens abertas;
-
verificar o andamento da fabricação;
-
identificar atrasos;
-
analisar capacidade produtiva;
-
comparar tempos planejados e realizados;
-
verificar desvios de consumo;
-
reorganizar prioridades;
-
ajustar sequências de produção;
-
atualizar futuras programações.
Dessa forma, planejamento e execução deixam de funcionar como etapas independentes.
O PCP define inicialmente como a produção deve ocorrer. Depois, recebe os resultados reais e pode utilizar essas informações para corrigir decisões futuras.
Como o apontamento de produção afeta o controle de estoque?
Produção e estoque estão diretamente ligados. Para fabricar um produto, normalmente é necessário retirar matérias-primas, componentes ou embalagens do estoque. Depois da fabricação, um novo item pode entrar como produto acabado ou intermediário.
Se essas movimentações não forem registradas corretamente, o saldo apresentado pelo sistema pode ficar diferente da quantidade física existente.
O apontamento de produção ajuda a tornar essas movimentações mais coerentes com a execução real.
Baixa das matérias-primas
Durante uma fabricação, diferentes materiais podem ser consumidos.
Imagine uma empresa que precise fabricar 1.000 unidades de determinado produto e tenha planejado utilizar 500 kg de matéria-prima.
Se os 500 kg forem efetivamente utilizados, essa quantidade precisa deixar de aparecer como disponível.
O problema ocorre quando a produção consome o material fisicamente, mas a informação não chega ao estoque.
O sistema pode continuar indicando que existem 500 kg disponíveis mesmo que o material já tenha sido utilizado.
Nesse cenário, o PCP poderia liberar uma nova ordem contando com um estoque inexistente.
A baixa baseada no consumo realizado ajuda a aproximar o saldo registrado da situação física da empresa.
Dependendo do processo, pode existir ainda uma diferença entre consumo previsto e real. Se estavam previstos 500 kg, mas foram utilizados 520 kg, registrar apenas o valor teórico ocultaria um consumo adicional de 20 kg.
Por isso, sempre que o processo exigir maior precisão, é importante acompanhar o consumo efetivamente realizado.
Entrada do produto acabado
Além de consumir materiais, a fabricação também gera novos produtos.
Quando uma ordem é concluída ou parcialmente apontada, a quantidade aprovada pode ficar disponível para outras etapas do processo ou para atendimento de pedidos.
Suponha que uma ordem tenha sido criada para produzir 1.000 unidades, mas apenas 950 unidades tenham sido concluídas e aprovadas.
O estoque não deve receber automaticamente as 1.000 unidades simplesmente porque essa era a quantidade planejada.
O saldo precisa considerar aquilo que realmente foi produzido e disponibilizado.
Esse controle evita que vendas, expedição ou outras etapas utilizem quantidades que ainda não existem fisicamente.
Em determinadas operações, entradas também podem ocorrer parcialmente. Uma ordem de 10.000 unidades, por exemplo, pode gerar entradas conforme os lotes são concluídos.
Perdas e consumos adicionais
Perdas fazem parte de muitos processos produtivos.
Elas podem acontecer devido a:
-
cortes;
-
aparas;
-
produtos reprovados;
-
quebras;
-
regulagens;
-
testes;
-
evaporação;
-
desperdícios;
-
retrabalhos.
Quando essas ocorrências não são registradas, o saldo dos materiais pode ficar incorreto.
Suponha que uma produção precise consumir 100 unidades de determinado componente, mas cinco sejam perdidas durante a operação. A fabricação precisará utilizar 105 unidades para obter as 100 unidades previstas.
Se o estoque registrar apenas o consumo teórico de 100 unidades, permanecerá uma diferença de cinco unidades entre o sistema e o estoque físico.
Ao longo de várias ordens, pequenas diferenças podem se acumular e resultar em divergências significativas.
Por isso, integrar o apontamento de produção ao controle de materiais permite acompanhar não apenas aquilo que deveria ser consumido, mas também o que realmente saiu do estoque durante a fabricação.
Como integrar produção, estoque e PCP na prática?
A integração entre produção, estoque e PCP pode ser entendida como um fluxo em que uma informação gerada em uma etapa alimenta a etapa seguinte.
Um exemplo simples é:
Pedido ou necessidade de produção → planejamento do PCP → ordem de produção → reserva de materiais → produção → apontamento → consumo de matéria-prima → entrada do produto acabado → atualização do PCP e estoque.
Cada etapa possui uma função específica, mas todas dependem umas das outras.
Criação da ordem de produção
O processo normalmente começa quando existe uma necessidade de fabricação.
Ela pode surgir de pedidos de clientes, reposição de estoque, programação periódica ou outras demandas da empresa.
Com base nessa necessidade, o PCP determina o que será produzido e gera uma ordem.
A ordem precisa reunir informações suficientes para orientar a fabricação, como:
-
produto;
-
quantidade;
-
prazo;
-
materiais necessários;
-
etapas produtivas;
-
recursos;
-
observações relevantes.
A ordem também funciona como referência para os registros posteriores.
O apontamento de produção realizado durante a execução deve estar relacionado à ordem correspondente, permitindo comparar o que foi planejado com aquilo que realmente aconteceu.
Reserva dos materiais
Depois da criação da ordem, é importante verificar se existem materiais disponíveis.
A quantidade física existente nem sempre representa a quantidade que está realmente livre para novas utilizações.
Uma empresa pode possuir 1.000 unidades de um componente no estoque, por exemplo, mas 700 já podem estar comprometidas com ordens liberadas.
Nesse caso, o estoque realmente disponível para novas necessidades seria menor.
A reserva ajuda a indicar que determinados materiais estão destinados a uma produção específica.
Isso melhora a comunicação entre PCP e estoque e reduz o risco de o mesmo saldo ser considerado para diferentes ordens.
Execução e apontamento
Quando a fabricação começa, o planejamento passa a ser confrontado com a realidade.
Durante a execução, podem ser registrados:
-
quantidades produzidas;
-
materiais consumidos;
-
perdas;
-
tempos;
-
paradas;
-
produtos reprovados;
-
conclusão de etapas;
-
status da ordem.
O apontamento de produção pode ser realizado em diferentes momentos.
Em processos rápidos, um único registro ao final da ordem pode ser suficiente. Em operações mais longas, registros parciais ajudam a manter o PCP atualizado.
O importante é evitar um intervalo excessivamente grande entre o acontecimento e o registro.
Se uma ordem foi concluída há dois dias, mas ainda aparece como aberta, o planejamento continuará utilizando uma informação desatualizada.
Atualização automática dos controles
Quando as áreas estão integradas, o mesmo registro pode alimentar diferentes controles.
Por exemplo, ao informar que determinada quantidade foi fabricada, o sistema pode atualizar o saldo produzido da ordem.
Ao registrar os materiais consumidos, pode realizar as movimentações correspondentes no estoque.
Ao concluir uma quantidade aprovada, pode gerar a entrada do produto acabado.
Ao identificar que uma ordem foi finalizada, o PCP pode deixar de considerá-la como pendente.
Esse fluxo reduz a necessidade de registrar a mesma informação várias vezes em locais diferentes.
Além de economizar tempo, a integração reduz inconsistências causadas por lançamentos esquecidos, duplicados ou realizados com valores diferentes.
Quais informações devem ser compartilhadas entre PCP, produção e estoque?
A integração não significa apenas utilizar um mesmo sistema. Para que os processos funcionem corretamente, cada setor precisa gerar e consultar informações consistentes.
O PCP precisa saber quais materiais estão disponíveis e qual é o andamento das ordens. A produção precisa conhecer aquilo que deve fabricar e quais recursos utilizar. O estoque precisa receber informações sobre reservas, consumos e produtos fabricados.
O apontamento de produção é um dos principais pontos de ligação desse fluxo porque registra os resultados da execução.
Uma forma simples de visualizar as responsabilidades é:
| Informação | Produção | Estoque | PCP |
|---|---|---|---|
| Ordem de produção | Utiliza | Consulta | Cria |
| Materiais necessários | Consulta | Reserva | Calcula |
| Quantidade produzida | Informa | Recebe | Acompanha |
| Consumo realizado | Registra | Dá baixa | Analisa |
| Perdas | Registra | Ajusta | Avalia |
| Tempo de produção | Registra | — | Analisa |
| Status da ordem | Atualiza | Consulta | Acompanha |
A ordem de produção, por exemplo, nasce no planejamento, mas é utilizada pela equipe responsável pela execução.
Os materiais necessários são definidos a partir daquilo que será fabricado. O estoque utiliza essa necessidade para avaliar disponibilidade e realizar reservas quando necessário.
A quantidade produzida é informada pelo chão de fábrica. Esse dado pode gerar entrada de produtos e também atualizar a situação da ordem no PCP.
O consumo realizado segue caminho semelhante. A produção informa o que foi utilizado, o estoque registra a saída e o planejamento pode comparar o valor real com aquilo que havia sido previsto.
As perdas também precisam circular entre as áreas.
Se determinada fabricação apresenta perdas acima do padrão, simplesmente ajustar o estoque não é suficiente. O PCP precisa ter acesso à informação para avaliar o impacto sobre a quantidade final e sobre futuras programações.
O tempo de produção também possui grande valor para o planejamento. Se uma operação planejada para quatro horas normalmente leva seis, o parâmetro utilizado pelo PCP pode estar incorreto.
A consistência dessas informações é essencial.
Não adianta integrar diferentes setores se os registros estiverem incompletos ou forem realizados muito tempo depois dos acontecimentos.
Quanto mais próximo estiver o registro da realidade operacional, maior tende a ser a confiabilidade dos dados utilizados para planejar novas ordens, controlar materiais e acompanhar resultados.
Quais problemas podem ocorrer quando o apontamento não está integrado?
Quando produção, estoque e PCP trabalham com informações separadas, o problema nem sempre aparece imediatamente.
Uma pequena diferença de estoque ou uma ordem não atualizada pode parecer pouco importante no início. Entretanto, à medida que o volume de produção aumenta, essas divergências passam a influenciar outras decisões.
O apontamento de produção isolado perde parte de sua utilidade porque o registro existe, mas não atualiza os demais controles envolvidos na fabricação.
Estoque incorreto
Um exemplo comum ocorre quando a matéria-prima é consumida fisicamente, mas permanece disponível no sistema.
Imagine que o estoque indique 800 kg de determinado material.
Uma ordem utiliza 300 kg, mas o consumo não é atualizado.
Para o sistema, continuam existindo 800 kg. Fisicamente, entretanto, restam apenas 500 kg.
Se o PCP criar uma nova ordem que demande 700 kg, o planejamento poderá considerar que existe material suficiente.
O problema só será descoberto quando a equipe tentar separar a matéria-prima.
Isso pode causar:
-
interrupção da produção;
-
compras emergenciais;
-
atraso em pedidos;
-
alteração da programação;
-
aumento de custos.
Produção concluída sem atualização
O problema contrário também acontece.
A fabricação pode estar pronta fisicamente, mas o produto ainda não aparece como disponível.
Uma ordem de 500 unidades pode ter sido concluída pela manhã, enquanto o sistema continua mostrando zero unidades produzidas.
Outras áreas podem interpretar que o produto ainda não está disponível, mesmo que ele já esteja no estoque.
Essa diferença prejudica consultas, separação, planejamento e atendimento de novas necessidades.
Planejamento com informações desatualizadas
O PCP depende da qualidade dos dados disponíveis.
Se ordens concluídas continuam abertas, materiais já utilizados aparecem como disponíveis e produtos fabricados ainda não foram registrados, o planejamento passa a trabalhar com uma realidade diferente da encontrada no chão de fábrica.
Um dos principais riscos é programar produção utilizando materiais que já foram consumidos.
Outro problema é considerar determinada máquina ou recurso disponível enquanto uma operação anterior continua em execução.
A falta de atualização também prejudica a análise de atrasos.
Se os registros forem realizados apenas dias depois, torna-se difícil saber em que momento um desvio realmente ocorreu.
Dificuldade para encontrar perdas
Perdas nem sempre são grandes e evidentes.
Muitas vezes elas acontecem em pequenas quantidades distribuídas por várias ordens.
Sem registros adequados, essas diferenças podem aparecer somente durante um inventário.
Nesse momento, a empresa sabe que existe uma divergência, mas pode não conseguir identificar em qual produção ela ocorreu.
O registro adequado permite associar a perda à ordem, ao produto e ao período correspondente.
Com isso, torna-se possível analisar se determinado produto, máquina, material ou processo apresenta desperdícios recorrentes.
A mesma lógica vale para atrasos, retrabalhos e consumo excessivo.
Quando essas ocorrências são registradas junto ao apontamento de produção, os gestores conseguem identificar onde os desvios estão acontecendo e quais situações merecem ser analisadas com maior atenção.
Como utilizar o apontamento para acompanhar as ordens de produção?
Uma ordem de produção passa por diferentes etapas até ser considerada concluída.
Acompanhar apenas a data de abertura e a data de encerramento fornece pouca informação sobre aquilo que aconteceu durante o intervalo.
O apontamento de produção permite acompanhar o progresso da ordem conforme as atividades são realizadas.
Esse controle é especialmente importante em empresas que trabalham com muitas ordens simultaneamente ou processos que levam várias horas ou dias.
Status da ordem
Utilizar status ajuda a representar em que etapa cada ordem se encontra.
Algumas situações possíveis são:
-
planejada;
-
liberada;
-
aguardando material;
-
em produção;
-
parcialmente produzida;
-
interrompida;
-
finalizada.
Uma ordem planejada pode representar uma necessidade que já foi programada, mas ainda não foi liberada para execução.
Quando passa para liberada, significa que já pode seguir para o chão de fábrica.
O status aguardando material pode indicar que existe alguma matéria-prima ou componente necessário ainda indisponível.
Quando a produção começa, a ordem passa a ser acompanhada como em produção.
Caso apenas parte da quantidade seja fabricada, o status parcialmente produzida ajuda a indicar que a ordem avançou, mas ainda possui saldo pendente.
Uma interrupção também deve ser identificada. Isso permite diferenciar uma produção que está funcionando normalmente de outra que foi suspensa devido a algum problema.
Quando todas as atividades necessárias forem concluídas e os registros realizados, a ordem pode ser finalizada.
Produção parcial
Nem toda ordem precisa ser registrada somente depois que toda a quantidade estiver pronta.
Imagine uma ordem de 20.000 unidades com duração prevista de cinco dias.
Se o apontamento de produção for realizado apenas no último dia, o PCP ficará vários dias sem saber exatamente quanto já foi executado.
Registros parciais permitem informar, por exemplo:
Primeiro dia: 4.200 unidades.
Segundo dia: 3.900 unidades.
Terceiro dia: 4.100 unidades.
Com esses dados, torna-se possível acompanhar se a produção está próxima da meta necessária para concluir a ordem no prazo.
Se após três dias apenas 7.000 unidades tiverem sido fabricadas, o PCP poderá identificar antecipadamente que existe risco de atraso.
A produção parcial também pode atualizar materiais consumidos e quantidades disponíveis conforme o processo evolui.
Esse acompanhamento reduz a diferença entre aquilo que acontece no chão de fábrica e aquilo que aparece nos controles administrativos.
Atrasos e paradas
Nem todo tempo em que uma ordem permanece aberta representa produção efetiva.
Uma máquina pode ficar parada durante várias horas, por exemplo, mesmo que a ordem continue em andamento.
Por isso, registrar as paradas ajuda a compreender por que determinada atividade demorou mais do que o previsto.
Entre os motivos que podem ser acompanhados estão:
-
manutenção;
-
falta de material;
-
problema de máquina;
-
falta de operador;
-
ajustes;
-
troca de ferramenta;
-
espera entre operações.
Uma parada para manutenção possui uma causa diferente de uma interrupção provocada pela falta de matéria-prima.
Sem essa separação, o gestor consegue identificar que houve atraso, mas não necessariamente entende sua origem.
Quando os motivos são registrados, é possível analisar padrões.
Se várias ordens forem interrompidas por falta de materiais, a empresa pode investigar o planejamento de compras ou a disponibilidade do estoque.
Se determinada máquina apresentar paradas frequentes, pode ser necessário avaliar manutenção, capacidade ou substituição do equipamento.
Se o principal motivo estiver relacionado à preparação ou troca de ferramentas, pode existir oportunidade para reorganizar a sequência das ordens.
Dessa forma, acompanhar status, quantidades parciais e ocorrências torna o apontamento de produção uma fonte de informação para entender não apenas quanto foi produzido, mas também como a fabricação evoluiu ao longo de cada ordem.
Quais indicadores podem ser obtidos pelo apontamento de produção?
Registrar dados no chão de fábrica não deve servir apenas para manter um histórico das ordens executadas. Quando as informações são organizadas corretamente, o apontamento de produção também permite gerar indicadores que ajudam a empresa a entender se o processo produtivo está cumprindo o planejamento.
Esses indicadores podem revelar diferenças de quantidade, tempo, consumo, perdas e produtividade. Dessa maneira, os gestores conseguem identificar desvios e analisar onde existem oportunidades de melhoria.
O mais importante é evitar indicadores desconectados da realidade da operação. Os dados utilizados precisam ter origem em registros confiáveis e realizados de maneira padronizada.
Produção planejada x realizada
Um dos indicadores mais simples consiste em comparar aquilo que deveria ser produzido com aquilo que efetivamente foi fabricado.
Imagine que determinada ordem tenha como meta produzir 2.000 unidades durante um turno. Ao final do período, foram registradas 1.850 unidades.
Nesse caso, existe uma diferença de 150 unidades em relação ao planejamento.
Essa comparação ajuda a verificar se as metas produtivas estão sendo cumpridas e também permite acompanhar a evolução ao longo dos períodos.
Uma forma simples de análise pode ser:
| Período | Planejado | Realizado | Diferença |
|---|---|---|---|
| Segunda-feira | 2.000 | 1.950 | -50 |
| Terça-feira | 2.000 | 1.820 | -180 |
| Quarta-feira | 2.000 | 2.040 | +40 |
| Quinta-feira | 2.000 | 1.900 | -100 |
Quando diferenças negativas aparecem frequentemente, é importante investigar as causas.
Elas podem estar relacionadas a paradas, falta de materiais, velocidade abaixo da prevista, problemas em máquinas, retrabalho ou parâmetros de planejamento pouco realistas.
Consumo previsto x realizado
Outro indicador importante compara a quantidade de material que deveria ser utilizada com o consumo registrado durante a fabricação.
Suponha que a estrutura de determinado produto indique um consumo previsto de 250 kg de matéria-prima para fabricar um lote.
Depois da execução, o registro indica consumo de 270 kg.
Existe, portanto, uma diferença de 20 kg.
O apontamento de produção permite identificar esse tipo de variação e relacioná-la à ordem correspondente.
Consumos acima do previsto podem ocorrer por diversos motivos, como:
-
desperdícios;
-
regulagens;
-
perdas durante o processo;
-
qualidade inadequada da matéria-prima;
-
retrabalho;
-
cadastro incorreto da estrutura do produto;
-
diferenças de unidade de medida.
Quando o excesso se repete em várias ordens, a empresa pode investigar se existe um problema operacional ou se o próprio consumo padrão precisa ser revisado.
Índice de perdas
Acompanhar perdas permite entender quanto dos materiais ou itens processados deixou de gerar resultado aproveitável.
Uma fórmula simples é:
Índice de perdas = quantidade perdida ÷ quantidade processada × 100
Imagine que tenham sido processadas 1.000 unidades e 40 tenham sido perdidas.
O cálculo seria:
40 ÷ 1.000 × 100 = 4%
Nesse exemplo, o índice de perdas da operação seria de 4%.
O indicador pode ser acompanhado por:
-
produto;
-
ordem;
-
máquina;
-
período;
-
turno;
-
etapa produtiva.
Isso ajuda a identificar onde as perdas estão mais concentradas.
Uma taxa elevada em determinada operação não significa necessariamente que existe apenas uma causa. Por isso, é importante relacionar o indicador aos registros realizados durante a fabricação.
Tempo previsto x tempo realizado
O planejamento pode definir quanto tempo determinada atividade deveria levar.
O registro da execução mostra quanto tempo ela realmente consumiu.
Se uma operação estava prevista para durar quatro horas, mas normalmente utiliza cinco horas e meia, existe uma diferença que precisa ser analisada.
O apontamento de produção ajuda a criar um histórico desses tempos e permite verificar se o padrão utilizado pelo PCP continua adequado.
Diferenças frequentes podem indicar:
-
capacidade superestimada;
-
preparação demorada;
-
paradas frequentes;
-
problemas de equipamento;
-
baixa produtividade;
-
necessidade de rever tempos padrão.
Esse indicador também ajuda a tornar futuras programações mais próximas da realidade.
Cumprimento das ordens
Outro acompanhamento relevante é verificar quantas ordens foram concluídas dentro do prazo planejado.
Considere o exemplo:
| Situação | Quantidade |
|---|---|
| Ordens previstas | 40 |
| Concluídas no prazo | 34 |
| Concluídas com atraso | 4 |
| Ainda pendentes | 2 |
A empresa consegue visualizar não apenas o volume produzido, mas também sua capacidade de cumprir a programação.
Além desses controles, os dados podem gerar indicadores de produtividade, retrabalho, tempo de parada, eficiência produtiva, rendimento dos materiais e quantidade produzida por período.
O ideal é selecionar indicadores que realmente contribuam para decisões e evitar acompanhar números que não geram ações práticas.
Apontamento manual ou automático: qual utilizar?
O método utilizado para realizar o apontamento de produção pode variar conforme o tamanho da operação, quantidade de ordens, nível de detalhamento necessário e recursos disponíveis.
Não existe uma única forma adequada para todas as indústrias. O importante é avaliar se o método escolhido permite registrar as informações com agilidade, consistência e facilidade de consulta.
Entre as alternativas estão registros em papel, planilhas, sistemas e equipamentos utilizados diretamente no chão de fábrica.
Papel
O papel costuma ser uma alternativa simples para operações que estão começando a organizar seus registros.
Uma ficha pode conter campos como:
-
número da ordem;
-
produto;
-
quantidade produzida;
-
horário inicial;
-
horário final;
-
materiais utilizados;
-
perdas;
-
observações.
A vantagem é que praticamente não existe uma barreira tecnológica para iniciar o controle.
Por outro lado, o problema aparece na consolidação das informações.
Os registros precisam ser recolhidos, conferidos e posteriormente digitados em outro local para que possam ser utilizados pelo PCP ou pela gestão.
Esse processo aumenta o intervalo entre o acontecimento e a atualização dos controles.
Também existe risco de:
-
fichas perdidas;
-
informações ilegíveis;
-
campos incompletos;
-
registros duplicados;
-
atraso na digitação.
À medida que o volume de ordens cresce, controlar todas essas informações manualmente tende a se tornar mais difícil.
Planilhas
As planilhas representam um avanço em relação ao papel porque permitem organizar os dados digitalmente e criar cálculos, filtros e indicadores.
Para operações pequenas, elas podem atender controles básicos.
É possível manter colunas para:
-
ordem;
-
produto;
-
data;
-
quantidade;
-
consumo;
-
perdas;
-
tempo;
-
responsável;
-
status.
O problema surge quando diferentes pessoas precisam utilizar os mesmos registros ou quando a quantidade de informações cresce rapidamente.
Podem surgir várias versões do mesmo arquivo, lançamentos simultâneos, fórmulas alteradas e dificuldade para relacionar produção e estoque.
Outra limitação é que a atualização normalmente depende de lançamentos manuais.
Uma quantidade produzida registrada na planilha não necessariamente gera uma movimentação automática no estoque ou uma atualização da ordem no PCP.
Sistema de produção
Um sistema pode centralizar as informações produtivas e relacionar diferentes etapas da operação.
Nesse modelo, o apontamento de produção pode estar associado diretamente às ordens.
Uma solução integrada pode organizar:
-
ordens de produção;
-
apontamentos;
-
matérias-primas;
-
movimentações de estoque;
-
perdas;
-
tempos;
-
planejamento;
-
histórico produtivo.
Quando uma quantidade é registrada, essa informação pode ficar disponível imediatamente para consulta do PCP.
Da mesma forma, o consumo realizado pode alimentar o controle de estoque, reduzindo a necessidade de repetir o mesmo lançamento em diferentes controles.
A centralização também facilita a consulta histórica.
Em vez de procurar informações em fichas ou diversas planilhas, o responsável consegue analisar os registros associados a cada ordem.
Coletores, tablets ou terminais
Outra possibilidade consiste em realizar registros diretamente no local em que a produção acontece.
Coletores, tablets ou terminais podem ser utilizados pelos operadores ou responsáveis para informar quantidades, iniciar e finalizar operações, registrar perdas ou comunicar paradas.
A principal vantagem é reduzir o intervalo entre execução e registro.
Imagine que uma ordem termine às 14h. Em um processo baseado em papel, a ficha pode ser digitada apenas no dia seguinte.
Com um terminal no chão de fábrica, a informação pode ser registrada logo após a conclusão.
Isso permite que PCP e estoque trabalhem com informações mais atualizadas.
A escolha da tecnologia deve considerar facilidade de utilização, ambiente industrial, quantidade de registros e necessidade real de cada operação.
Como implantar a integração entre apontamento de produção, estoque e PCP?
Integrar os setores não significa apenas instalar uma ferramenta e começar a registrar informações.
Antes disso, é importante entender como os processos funcionam e definir de que maneira os dados serão compartilhados.
Uma implantação bem organizada começa pelo mapeamento da rotina atual e pela definição dos registros realmente necessários.
Mapear o processo atual
O primeiro passo é entender como as atividades acontecem hoje.
A empresa precisa identificar como são realizadas:
-
ordens de produção;
-
reservas de materiais;
-
baixas de estoque;
-
apontamentos;
-
entradas de produtos acabados;
-
registros de perdas.
É importante descobrir quem executa cada atividade, quando o registro é realizado e qual informação segue para a próxima etapa.
Por exemplo, pode acontecer de a equipe de produção preencher uma ficha ao final do turno e outra pessoa realizar a baixa dos materiais no dia seguinte.
Esse intervalo precisa ser conhecido antes de definir um novo fluxo.
Outro exemplo é verificar se as perdas são registradas separadamente ou simplesmente incorporadas ao consumo total.
Mapear essas situações ajuda a encontrar pontos em que informações podem ser atrasadas, duplicadas ou perdidas.
Padronizar os registros
Depois de entender o processo atual, a empresa precisa definir um padrão.
O apontamento de produção deve possuir campos claros e critérios conhecidos por quem realiza o registro.
Alguns dados podem ser considerados obrigatórios, como:
-
ordem;
-
produto;
-
quantidade produzida;
-
data;
-
tempo;
-
consumo;
-
perdas;
-
status.
A empresa também precisa definir responsabilidades.
Quem registra a quantidade produzida?
Quem informa as perdas?
Quem encerra a ordem?
Quem verifica divergências?
Quando essas responsabilidades não são definidas, existe o risco de todos acreditarem que outra pessoa realizará o lançamento.
A padronização também é importante para motivos de parada.
Se um operador registra "máquina", outro registra "problema equipamento" e outro utiliza "manutenção" para representar a mesma situação, os relatórios ficam mais difíceis de analisar.
Criar categorias padronizadas torna as informações mais úteis posteriormente.
Cadastrar corretamente produtos e materiais
A integração depende de cadastros organizados.
Se produtos, matérias-primas e unidades de medida estiverem incorretos, os resultados dos apontamentos também poderão apresentar inconsistências.
A estrutura do produto precisa representar quais componentes são utilizados para fabricar determinada quantidade.
Por exemplo, se para produzir dez unidades são necessários cinco quilos de matéria-prima, essa relação precisa estar cadastrada corretamente.
Também é necessário prestar atenção às unidades de medida.
Erros entre quilos, gramas, metros, peças ou caixas podem gerar diferenças significativas entre consumo previsto e realizado.
Um bom cadastro facilita:
-
cálculo das necessidades;
-
reserva de materiais;
-
comparação de consumo;
-
movimentação de estoque;
-
análise das perdas.
Começar pelos dados essenciais
Um erro comum na implantação é tentar registrar um nível muito grande de informações desde o primeiro dia.
Quanto mais campos forem exigidos, maior poderá ser a resistência da equipe e maior será o risco de registros incompletos.
Por isso, pode ser mais eficiente começar pelo essencial.
Os primeiros controles podem incluir:
-
quantidade;
-
tempo;
-
consumo;
-
perdas;
-
status da ordem.
Depois que a rotina estiver funcionando de forma consistente, outros detalhes podem ser incorporados.
Por exemplo, a empresa pode passar a registrar motivos de parada, operadores, máquinas, etapas específicas, refugos ou retrabalhos.
O objetivo é criar um processo que realmente seja utilizado e gere informações confiáveis.
A evolução deve acompanhar as necessidades da operação, evitando transformar o apontamento de produção em uma tarefa burocrática sem utilidade prática.
Como escolher um sistema para integrar produção, estoque e PCP?
Escolher uma ferramenta para integrar produção, estoque e PCP exige avaliar mais do que a existência de uma tela para registrar quantidades fabricadas.
A solução precisa acompanhar o fluxo desde o planejamento até a movimentação dos materiais e a conclusão das ordens.
Antes da escolha, é recomendável mapear os principais processos da indústria e verificar se o sistema consegue atender à rotina existente.
Entre os recursos que devem ser avaliados estão:
-
criação de ordens de produção;
-
planejamento das necessidades de fabricação;
-
consulta aos materiais necessários;
-
reserva de matérias-primas;
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consulta ao estoque disponível;
-
registro do consumo de materiais;
-
apontamento parcial;
-
apontamento total;
-
registro de perdas;
-
registro de tempos;
-
acompanhamento de status;
-
entrada de produtos acabados;
-
histórico das ordens;
-
comparação entre planejado e realizado;
-
indicadores produtivos;
-
integração entre produção e estoque;
-
fornecimento de informações atualizadas ao PCP.
Ordens de produção integradas ao planejamento
A ferramenta deve permitir transformar uma necessidade produtiva em uma ordem que possa ser acompanhada desde sua abertura até sua finalização.
A ordem precisa funcionar como referência para materiais, quantidades, tempos e registros realizados durante a execução.
Isso facilita a comparação entre aquilo que foi planejado e o resultado obtido.
Integração com o estoque
Outro ponto fundamental é verificar como o sistema trata os materiais.
Não basta mostrar o saldo existente.
É importante avaliar se a solução permite consultar disponibilidade, reservar itens para ordens e registrar o consumo realizado.
Quando a produção utiliza determinada matéria-prima, essa informação precisa ser refletida no controle de estoque.
Da mesma maneira, quando o produto acabado é concluído, sua entrada precisa ser registrada corretamente.
Esse fluxo reduz diferenças entre saldo físico e saldo registrado.
Apontamentos parciais e totais
Nem todas as indústrias trabalham com ordens concluídas em poucos minutos.
Algumas atividades podem permanecer abertas por várias horas ou dias.
Por isso, é importante verificar se o apontamento de produção pode ser realizado parcialmente.
Uma ordem de 10.000 unidades, por exemplo, pode ter 2.500 unidades registradas no primeiro período e novas quantidades nos períodos seguintes.
Assim, o PCP consegue visualizar a evolução da execução sem precisar esperar pela finalização completa da ordem.
Registro de perdas e tempos
A solução também precisa permitir que a empresa registre aquilo que ocorreu além das quantidades fabricadas.
Perdas, refugos, retrabalhos e tempos são dados importantes para analisar eficiência e custos.
Sem esses registros, uma ordem pode até aparecer como concluída, mas a gestão terá poucas informações para entender como o resultado foi obtido.
Os tempos também ajudam a comparar capacidade planejada e capacidade real.
Histórico e indicadores
Um sistema deve facilitar a recuperação das informações registradas anteriormente.
É importante conseguir consultar ordens, quantidades, consumos, perdas e tempos por diferentes períodos.
O histórico permite identificar padrões que dificilmente seriam percebidos observando apenas uma única ordem.
Também é recomendável avaliar quais indicadores podem ser obtidos.
Comparações entre planejado e realizado, consumo previsto e real, quantidade produzida, perdas e tempo utilizado ajudam a transformar registros operacionais em informações gerenciais.
Facilidade de uso no chão de fábrica
Uma ferramenta pode possuir muitos recursos, mas ainda assim apresentar dificuldades se o registro for complexo para quem executa as atividades.
Por isso, a empresa deve considerar como as informações serão informadas no dia a dia.
É importante avaliar se os responsáveis conseguem registrar dados de maneira simples e sem interromper excessivamente a operação.
Quanto mais natural for o processo de registro, maior tende a ser a consistência das informações.
Um bom processo de apontamento de produção não deve servir somente para informar quantas unidades foram fabricadas. Ele precisa conectar aquilo que o PCP planejou, o que aconteceu durante a execução e as movimentações realizadas no estoque. Dessa forma, produção, estoque e planejamento podem trabalhar com dados mais atualizados e coerentes com a realidade operacional.
Conclusão
Integrar produção, estoque e PCP é fundamental para criar um fluxo de informações mais confiável dentro da indústria. Quando cada setor trabalha de forma isolada, aumenta o risco de diferenças entre o que foi planejado, o que realmente aconteceu no chão de fábrica e aquilo que está registrado no estoque. Essas divergências podem provocar falta de materiais, atrasos nas ordens, excesso de consumo, dificuldades no planejamento e decisões baseadas em dados desatualizados.
Nesse cenário, o apontamento de produção funciona como uma ligação entre planejamento e execução. Por meio do registro de quantidades produzidas, materiais consumidos, tempos, perdas, paradas e andamento das ordens, a empresa consegue entender com maior precisão como sua operação está funcionando.
Essas informações também permitem comparar produção planejada e realizada, acompanhar o consumo de matérias-primas, identificar desperdícios, analisar tempos de fabricação e verificar o cumprimento dos prazos. Quanto mais consistentes forem os registros, melhores serão as condições para o PCP ajustar programações e para o estoque manter seus saldos alinhados à movimentação física dos materiais.
A integração também reduz a necessidade de repetir lançamentos em diferentes controles. Quando produção, estoque e PCP compartilham as mesmas informações, uma movimentação realizada durante a fabricação pode alimentar diferentes etapas do processo, facilitando o acompanhamento das ordens e melhorando a organização dos dados.
Para obter bons resultados, porém, não basta apenas registrar informações. É necessário definir padrões, responsabilidades, cadastros corretos e um processo adequado à realidade da empresa. A tecnologia utilizada também deve facilitar a rotina do chão de fábrica, evitando transformar os registros em atividades excessivamente complexas.
Assim, o apontamento de produção deixa de ser apenas um controle sobre o que foi fabricado e passa a fornecer informações importantes para toda a gestão produtiva. Com produção, estoque e PCP conectados, a indústria consegue acompanhar melhor seus recursos, identificar desvios com mais rapidez e planejar as próximas ordens utilizando dados mais próximos da realidade operacional.
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Perguntas frequentes
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