Introdução
Uma operação industrial depende de informações confiáveis para que gestores e responsáveis pelo planejamento consigam entender o que realmente acontece no chão de fábrica. Quando os dados da produção não são registrados corretamente, torna-se difícil saber quanto foi produzido, quanto tempo cada atividade levou, quais materiais foram consumidos e quais perdas ocorreram durante o processo.
Sem esses registros, a empresa pode trabalhar com informações baseadas apenas em estimativas. Uma ordem planejada para ser concluída em quatro horas, por exemplo, pode ter levado seis horas na prática. Entretanto, se esse tempo adicional não for registrado, o planejamento continuará considerando uma duração que não corresponde à realidade da operação.
O mesmo acontece com as quantidades. Uma ordem pode prever a fabricação de 1.000 unidades, enquanto apenas 920 unidades são aprovadas ao final do processo. Caso a diferença não seja devidamente registrada e classificada, a empresa pode ter dificuldades para identificar se houve perdas, refugos, retrabalho ou produção ainda pendente.
Nesse cenário, o apontamento de produção funciona como uma fonte de informações sobre aquilo que efetivamente ocorreu durante a fabricação. Por meio dele, diferentes acontecimentos da ordem de produção podem ser registrados e posteriormente comparados com aquilo que havia sido planejado.
Problemas causados pela falta de registros
Quando os dados produtivos não são registrados ou são preenchidos de forma incompleta, diversos setores da empresa podem ser afetados.
O planejamento pode considerar uma capacidade de produção superior à capacidade real. O estoque pode apresentar quantidades diferentes das existentes fisicamente. O cálculo dos custos pode deixar de considerar horas adicionais de mão de obra ou máquina. Além disso, perdas recorrentes podem continuar acontecendo porque suas causas não estão sendo registradas.
Entre os principais problemas estão:
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dificuldade para acompanhar ordens em andamento;
-
divergências entre estoque físico e registrado;
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falta de informação sobre perdas;
-
desconhecimento dos tempos reais de fabricação;
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dificuldade para calcular custos;
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atrasos não identificados;
-
planejamento baseado em dados incorretos;
-
dificuldade para medir produtividade.
Quanto menor a visibilidade sobre o processo, mais difícil se torna descobrir onde estão os principais gargalos da operação.
Tempo, quantidade e perdas como informações essenciais
Três grupos de dados possuem grande importância para o acompanhamento da fabricação: tempo, quantidade e perdas.
Os registros de tempo mostram quanto uma atividade realmente demorou. Isso inclui não apenas o período produtivo, mas também preparação, regulagem, paradas, manutenção e outras ocorrências relacionadas à operação.
As quantidades indicam quanto estava previsto, quanto foi efetivamente produzido e quanto foi aprovado. Dessa maneira, é possível acompanhar o andamento das ordens e saber quanto ainda precisa ser fabricado.
As perdas ajudam a identificar materiais ou produtos que não puderam ser aproveitados normalmente. Registrar suas causas permite observar padrões e investigar problemas relacionados a máquinas, materiais, métodos ou execução.
Essas informações também interferem diretamente nos custos. Quanto mais tempo uma ordem utiliza máquinas, operadores e recursos, maior pode ser o custo envolvido. Da mesma forma, perdas excessivas aumentam o consumo de matéria-prima para produzir a mesma quantidade de itens aprovados.
Por isso, registrar adequadamente aquilo que ocorre no chão de fábrica ajuda a construir uma visão mais próxima da realidade.
Ao longo do processo, podem ser acompanhados dados como início e término das operações, tempo de preparação, tempo produtivo, paradas, quantidade planejada, quantidade produzida, produtos aprovados, refugos, retrabalhos e materiais consumidos.
Esses registros criam uma base que pode ser utilizada para acompanhar a produção, analisar resultados e melhorar continuamente o planejamento.
O que é apontamento de produção e como funciona?
O apontamento de produção é o registro das informações relacionadas às atividades realizadas durante um processo produtivo. Seu objetivo é documentar o que realmente aconteceu durante uma ordem de produção, operação ou etapa de fabricação.
Enquanto o planejamento define aquilo que deveria acontecer, o apontamento mostra o que efetivamente aconteceu.
Imagine que uma indústria programe uma ordem para produzir 500 peças em determinado turno. Durante a execução, podem ocorrer diferentes situações: a produção pode começar mais tarde, uma máquina pode parar, algumas peças podem apresentar defeitos ou ser necessário utilizar uma quantidade adicional de matéria-prima.
Quando essas ocorrências são registradas, a empresa passa a ter informações para analisar o processo de forma mais precisa.
Conceito de apontamento de produção
Na prática, apontar a produção significa registrar dados relacionados às atividades executadas.
Dependendo do processo utilizado pela empresa, podem ser informados:
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qual ordem estava sendo produzida;
-
qual produto estava em fabricação;
-
quem realizou a operação;
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qual máquina foi utilizada;
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horário de início;
-
horário de término;
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quantidade produzida;
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quantidade aprovada;
-
quantidade perdida;
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ocorrência de paradas;
-
materiais consumidos;
-
necessidade de retrabalho.
O registro pode ocorrer ao término de uma operação, durante a execução ou sempre que determinado evento acontece.
Quanto mais próximo do momento real da atividade o apontamento for realizado, menor tende a ser o risco de esquecimento ou preenchimento incorreto.
Para que serve o apontamento
Uma das principais funções do apontamento de produção é permitir o acompanhamento das ordens.
Se uma ordem prevê a fabricação de 2.000 unidades e já foram registradas 1.200 unidades aprovadas, a empresa pode visualizar que ainda existem 800 unidades pendentes, desconsiderando eventuais ajustes ou perdas.
Além disso, os registros ajudam em outras áreas.
O controle da produção realizada permite saber o que foi efetivamente fabricado em determinado período.
O registro de tempos ajuda a analisar quanto cada operação está consumindo de recursos.
A identificação das perdas possibilita descobrir quanto material ou produto não foi aproveitado e quais foram os principais motivos.
A atualização do estoque pode utilizar os dados relacionados ao consumo de matéria-prima e à entrada dos produtos acabados.
Já a análise da produtividade permite comparar diferentes períodos, máquinas, processos ou operações.
Os custos também podem ser analisados com maior precisão quando existem registros sobre horas utilizadas, consumo de materiais, perdas e retrabalhos.
Acompanhamento das ordens
Cada ordem de produção representa uma demanda de fabricação. Durante sua execução, diferentes operações podem precisar ser realizadas.
O apontamento permite identificar quais etapas já foram executadas, quanto foi produzido e quais atividades ainda precisam ser concluídas.
Dessa forma, responsáveis pela produção e planejamento conseguem acompanhar o andamento do processo sem depender somente de verificações visuais no chão de fábrica.
Planejado x realizado
Uma das análises mais importantes consiste em comparar os dados planejados com aqueles registrados durante a execução.
Considere uma operação que tenha sido planejada da seguinte maneira:
-
quantidade prevista: 1.000 unidades;
-
tempo previsto: 8 horas;
-
perda prevista: 20 unidades.
Após a produção, os registros podem mostrar:
-
quantidade aprovada: 930 unidades;
-
tempo realizado: 10 horas;
-
perda registrada: 70 unidades.
A diferença mostra que o resultado ficou abaixo do esperado e que tanto o tempo quanto as perdas foram superiores ao planejamento.
Esse tipo de comparação ajuda a direcionar a investigação. Pode ser necessário verificar problemas de máquina, matéria-prima, método, treinamento, setup ou qualidade.
O objetivo não é apenas descobrir que houve uma diferença, mas criar informações que permitam compreender suas causas.
Com um histórico consistente, a própria empresa pode aperfeiçoar seus padrões. Se determinado produto sempre utiliza mais tempo do que o previsto, talvez o tempo planejado precise ser revisado ou o processo precise ser melhorado.
Assim, os registros realizados durante a produção também contribuem para tornar os próximos planejamentos mais próximos da capacidade real da fábrica.
Quais informações devem ser registradas na produção?
A qualidade das análises realizadas posteriormente depende diretamente das informações registradas durante a execução das ordens. Por isso, é importante definir quais dados realmente precisam ser coletados e padronizar a maneira como serão informados.
O apontamento de produção não deve ser visto apenas como o registro de uma quantidade final. Para compreender o desempenho do processo, é necessário relacionar a produção realizada com a ordem, operação, máquina, responsável, tempo utilizado, materiais consumidos e eventuais perdas.
Dados básicos da ordem de produção
O número da ordem é uma das principais referências para organizar os registros. Ele permite relacionar os acontecimentos a uma demanda específica de fabricação.
Além dele, é importante registrar o produto que está sendo fabricado. Em empresas que trabalham com diferentes produtos, versões ou configurações, essa identificação evita que informações sejam associadas ao item errado.
A operação também precisa ser informada quando a fabricação possui várias etapas.
Um produto pode passar, por exemplo, por:
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corte;
-
usinagem;
-
montagem;
-
pintura;
-
inspeção;
-
embalagem.
Registrar a operação permite descobrir em qual etapa ocorreu determinada produção, parada ou perda.
A máquina utilizada também é relevante. Com essa informação, a empresa pode analisar o comportamento dos equipamentos ao longo do tempo e identificar máquinas com maior frequência de paradas ou menor desempenho.
O operador identifica quem realizou a atividade. Essa informação não precisa ser utilizada exclusivamente para avaliações individuais. Ela pode servir para rastreabilidade e para entender quais pessoas ou equipes participaram da produção.
Também podem ser registrados setor, data e horário.
Esses dados permitem responder perguntas importantes, como qual setor produziu determinado lote, em que dia a operação foi realizada e em qual turno aconteceu a atividade.
Dados relacionados à produção
A quantidade planejada representa aquilo que a ordem determina como objetivo.
Durante a execução, entretanto, essa quantidade pode ser dividida em diferentes registros.
A quantidade produzida representa tudo aquilo que passou pelo processo produtivo.
A quantidade aprovada corresponde aos itens considerados adequados após as verificações necessárias.
A quantidade perdida representa materiais ou produtos que não puderam ser aproveitados normalmente.
Já a quantidade retrabalhada identifica itens que precisam passar novamente por uma atividade antes de serem aprovados.
Essa separação é importante porque produzir 1.000 unidades não significa necessariamente possuir 1.000 unidades disponíveis para estoque ou venda.
Por exemplo:
-
quantidade processada: 1.000 unidades;
-
quantidade aprovada: 940 unidades;
-
quantidade perdida: 25 unidades;
-
quantidade destinada a retrabalho: 35 unidades.
Nesse cenário, somente as 940 unidades aprovadas podem ser consideradas concluídas naquele momento.
O consumo de matéria-prima também pode fazer parte do registro.
Se a estrutura determina a utilização de 100 quilos de determinado material, mas foram consumidos 108 quilos, existe uma diferença que precisa ser compreendida.
Ela pode estar relacionada a perdas, variação do processo, ajustes ou algum problema no registro.
Dados relacionados ao tempo
O horário de início indica quando determinada atividade começou.
O horário de término informa quando ela foi encerrada.
A diferença entre esses horários, entretanto, não representa necessariamente todo o tempo produtivo.
Dentro desse período podem existir preparação, setup, paradas e outras atividades.
Por isso, é importante separar diferentes tipos de tempo.
A preparação pode incluir organização da máquina, instalação de ferramentas, regulagem e testes iniciais.
O tempo de produção corresponde ao período efetivamente utilizado para fabricar os itens.
As paradas podem ocorrer por falta de material, manutenção, problemas de qualidade, espera por liberação ou diversas outras causas.
Também podem existir registros específicos para:
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limpeza;
-
inspeção;
-
manutenção;
-
ajustes;
-
troca de ferramentas;
-
troca de produto.
Essa separação permite analisar melhor onde o tempo está sendo utilizado.
Se uma operação apresenta duração total de oito horas, mas apenas cinco horas foram efetivamente produtivas, é necessário identificar como as outras três horas foram distribuídas.
Sem essa classificação, a empresa enxerga apenas o tempo total. Com dados mais detalhados, passa a entender as causas que reduziram o aproveitamento do período disponível.
Como registrar o tempo de produção corretamente?
O tempo é um dos recursos mais importantes em qualquer processo industrial. Máquinas, equipes e setores possuem uma capacidade limitada durante cada turno, por isso conhecer a duração real das operações ajuda a planejar melhor a utilização desses recursos.
O apontamento de produção permite registrar diferentes tipos de tempo para que a empresa não considere apenas a diferença entre o início e o final de uma ordem.
Horário de início e término
O primeiro passo é registrar quando determinada atividade começa e quando termina.
Imagine que uma operação tenha começado às 8h e terminado às 12h. À primeira vista, é possível considerar que foram utilizadas quatro horas.
Entretanto, nesse período podem ter ocorrido 40 minutos de setup e 30 minutos de parada.
Por isso, início e término funcionam como referências gerais, mas outras ocorrências precisam ser registradas para explicar como o período foi utilizado.
Também é importante definir claramente o momento considerado como início.
Pode ser o momento em que o operador começa a preparação, quando a máquina inicia o processamento ou quando começa efetivamente a fabricação da primeira unidade.
Essa regra deve ser padronizada para evitar que cada operador utilize um critério diferente.
Tempo de preparação ou setup
Antes de produzir, determinados processos precisam passar por uma etapa de preparação.
Ela pode envolver:
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limpeza;
-
instalação de ferramentas;
-
posicionamento de materiais;
-
troca de moldes;
-
configuração da máquina;
-
regulagem;
-
testes;
-
liberação da primeira peça.
Esse tempo consome capacidade produtiva e precisa ser considerado no planejamento.
Uma máquina pode conseguir fabricar um lote em três horas, mas precisar de uma hora adicional de setup. Nesse caso, o recurso permanecerá ocupado durante aproximadamente quatro horas.
Ignorar a preparação pode gerar planejamentos que parecem possíveis no papel, mas não podem ser executados dentro do período disponível.
Tempo efetivamente produtivo
O tempo produtivo representa o período em que máquinas ou equipes estão efetivamente trabalhando na fabricação.
Separá-lo do tempo total ajuda a entender quanto da jornada disponível está sendo realmente utilizado para produzir.
Considere uma máquina disponível durante oito horas:
-
setup: 40 minutos;
-
produção: 6 horas;
-
paradas: 1 hora;
-
limpeza: 20 minutos.
Mesmo disponível durante oito horas, ela permaneceu efetivamente produzindo por seis horas.
Essa informação pode ajudar a identificar oportunidades de melhoria.
Registro das paradas
As paradas precisam ser registradas junto com seus motivos.
Informar apenas que uma máquina permaneceu parada por uma hora oferece pouca informação para uma análise posterior.
É melhor identificar se essa parada ocorreu por:
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falta de material;
-
quebra de máquina;
-
manutenção;
-
ausência de operador;
-
troca de produto;
-
espera por liberação;
-
problema de qualidade;
-
regulagem;
-
falta de ferramenta.
Ao acumular essas informações, a empresa pode descobrir quais motivos provocam maior impacto sobre a produção.
Se grande parte das paradas acontece por falta de matéria-prima, por exemplo, pode ser necessário investigar planejamento de compras, abastecimento interno ou separação dos materiais.
Se as paradas estão concentradas em manutenção corretiva, pode ser necessário revisar o acompanhamento dos equipamentos.
Tempo planejado x tempo realizado
Comparar o tempo planejado com o tempo realizado é uma forma de identificar desvios.
Suponha que determinada operação esteja programada para durar cinco horas, mas os registros mostrem uma duração de sete horas.
A diferença isoladamente já indica um desvio, porém o detalhamento dos apontamentos permite entender melhor suas causas.
Talvez tenham ocorrido duas horas de parada por problema mecânico. Nesse caso, o desempenho produtivo pode ter permanecido dentro do esperado, enquanto o problema está relacionado à disponibilidade do equipamento.
Em outra situação, não houve parada, mas a operação demorou duas horas a mais. Isso pode indicar velocidade abaixo do padrão, dificuldades operacionais ou parâmetros de planejamento inadequados.
Com registros consistentes, essas diferenças deixam de ser apenas percepções e passam a ser analisadas com dados.
Como registrar a quantidade produzida?
O acompanhamento das quantidades é fundamental para saber se uma ordem está avançando de acordo com o planejamento. Apenas saber que a produção foi iniciada não é suficiente. É necessário identificar quanto estava previsto, quanto foi processado, quanto foi aprovado e quanto ainda precisa ser produzido.
Por meio do apontamento de produção, essas quantidades podem ser registradas em diferentes momentos da execução.
Quantidade prevista na ordem
A quantidade prevista representa a necessidade definida pela ordem de produção.
Se uma ordem determina a fabricação de 5.000 unidades, essa quantidade funciona como referência para acompanhar a execução.
Ela também pode orientar a necessidade de materiais, capacidade de máquinas e tempo de produção.
Entretanto, a quantidade prevista não deve ser confundida com a quantidade realizada.
É justamente essa diferença que o acompanhamento precisa demonstrar.
Quantidade efetivamente produzida
À medida que as operações são executadas, devem ser registradas as quantidades realizadas.
Em algumas empresas, o registro ocorre ao final da ordem. Em outras, pode ser realizado por turno, lote, máquina ou etapa.
Registros mais frequentes permitem visualizar o andamento da produção com maior rapidez.
Imagine uma ordem de 3.000 unidades executada ao longo de três turnos:
-
primeiro turno: 900 unidades;
-
segundo turno: 1.050 unidades;
-
terceiro turno: 1.050 unidades.
A soma dos registros mostra que a quantidade planejada foi processada.
Porém, ainda é necessário verificar quantas unidades foram efetivamente aprovadas.
Produção parcial
Nem sempre uma ordem é concluída em um único apontamento.
Uma produção pode ser interrompida pelo final do turno, manutenção, falta de material ou mudança na programação.
Nesses casos, é importante registrar a quantidade parcial produzida sem encerrar indevidamente a ordem.
Considere uma ordem de 10.000 unidades.
No primeiro dia, são produzidas 4.000 unidades. No segundo, outras 3.500 unidades. O saldo restante é de 2.500 unidades.
Os registros parciais permitem acompanhar esse avanço e visualizar quanto ainda precisa ser produzido.
Esse controle também é útil quando diferentes máquinas ou equipes trabalham na mesma ordem.
Quantidade boa, rejeitada e retrabalhada
A quantidade processada precisa ser separada de acordo com o resultado obtido.
Produtos aprovados são aqueles que atendem aos critérios definidos pela empresa e podem seguir para a próxima etapa ou serem considerados concluídos.
Produtos rejeitados são aqueles que não atendem aos requisitos e não podem ser utilizados normalmente.
Produtos destinados a retrabalho possuem algum problema que pode ser corrigido por meio de uma nova operação.
Um exemplo:
-
quantidade total processada: 1.200;
-
aprovada: 1.130;
-
rejeitada: 20;
-
retrabalho: 50.
Nesse cenário, não seria correto registrar simplesmente 1.200 unidades como produção concluída.
A separação ajuda a avaliar qualidade, perdas e necessidade de trabalho adicional.
Atualização do saldo da ordem
Cada registro realizado ajuda a atualizar a situação da ordem.
Se uma ordem prevê 2.000 unidades e já possui 1.600 unidades aprovadas, ainda existem 400 unidades necessárias para atingir a quantidade programada.
Entretanto, a empresa precisa definir suas regras para lidar com refugos e retrabalhos.
Se houve perda durante o processo, pode ser necessário fabricar unidades adicionais para completar o objetivo.
Por exemplo, uma ordem solicita 1.000 produtos aprovados. Durante a produção, 30 unidades são perdidas. Para atingir a quantidade desejada, podem ser necessárias 1.030 unidades processadas.
Por isso, acompanhar somente o total produzido pode criar uma visão incompleta.
Os registros precisam mostrar claramente aquilo que foi produzido, aprovado, perdido e destinado a retrabalho.
Como registrar perdas, refugos e retrabalho?
Perdas fazem parte de diferentes processos industriais, mas precisam ser identificadas e analisadas. Quando a empresa não registra adequadamente aquilo que foi perdido durante a fabricação, pode ter dificuldades para compreender por que os custos aumentaram ou por que o consumo de materiais ficou acima do esperado.
O apontamento de produção permite registrar as perdas juntamente com a ordem, operação e demais informações do processo.
O que são perdas de produção
Durante a fabricação, nem todo material consumido necessariamente se transforma em produto aprovado.
Pode haver desperdício durante o corte, quebra de componentes, peças produzidas fora da especificação ou materiais danificados durante alguma operação.
Essas ocorrências representam perdas que podem afetar custos, estoque e capacidade.
Imagine que uma indústria utilize 550 quilos de matéria-prima para uma produção que, teoricamente, exigiria 500 quilos.
Os 50 quilos adicionais precisam ser investigados.
Uma parcela pode corresponder a perdas normais do processo, enquanto outra pode estar relacionada a falhas que poderiam ser reduzidas.
Registrar essas diferenças é o primeiro passo para compreendê-las.
Tipos de perdas
As perdas podem ser classificadas de acordo com suas causas.
Quebras podem acontecer durante manuseio ou processamento.
Desperdícios podem ocorrer quando materiais são utilizados em quantidade superior ao necessário.
Sobras não reutilizáveis podem surgir em operações de corte ou transformação.
Produtos fora da especificação podem ser resultado de problemas dimensionais, acabamento inadequado ou outras divergências de qualidade.
Também podem existir falhas de processo, como parâmetros incorretos de máquina, e erros operacionais relacionados à execução da atividade.
A classificação utilizada deve refletir a realidade de cada empresa.
O mais importante é evitar registros genéricos demais.
Se todas as ocorrências forem cadastradas apenas como "perda", será difícil identificar quais causas possuem maior impacto.
Refugo
Refugo é normalmente associado ao item que não pode seguir normalmente no processo e não possui possibilidade viável de correção.
Uma peça pode ser refugadas porque suas medidas estão fora da tolerância, porque sofreu uma quebra ou porque houve dano irreversível durante determinada operação.
Esse registro precisa informar quantidade e, sempre que possível, motivo.
Se uma ordem produziu 1.000 peças e 50 foram refugadas, a taxa de aproveitamento será diferente de uma ordem que produziu as mesmas 1.000 peças com apenas cinco refugos.
O histórico permite comparar períodos e identificar alterações no comportamento do processo.
Retrabalho
Retrabalho ocorre quando o produto apresenta alguma não conformidade, mas pode ser corrigido.
Nesse caso, o item não deve ser tratado imediatamente como produto aprovado nem necessariamente como perda definitiva.
Ele precisará consumir recursos novamente.
Isso pode significar uso adicional de:
-
mão de obra;
-
máquina;
-
ferramentas;
-
energia;
-
materiais;
-
tempo.
Por isso, ignorar retrabalhos pode fazer com que o custo real da fabricação pareça menor do que realmente foi.
Se uma peça precisou passar duas vezes pela mesma operação, houve uma utilização adicional de recursos que precisa ser considerada.
Motivo da perda
O registro das causas é tão importante quanto registrar a quantidade perdida.
Considere duas empresas que apresentem 100 unidades de perda em determinado período.
Na primeira, 80 unidades foram perdidas devido a uma falha específica de máquina.
Na segunda, as perdas estão distribuídas entre diversos pequenos motivos.
Embora a quantidade total seja igual, as ações necessárias podem ser completamente diferentes.
Classificar os motivos permite identificar ocorrências repetitivas e priorizar os problemas de maior impacto.
Também é possível relacionar as perdas a determinados produtos, máquinas, operações ou períodos.
Com isso, a empresa pode responder perguntas como:
-
qual produto apresenta maior perda;
-
em qual etapa ocorre maior volume de refugo;
-
quais motivos aparecem com maior frequência;
-
qual máquina concentra mais ocorrências;
-
quanto material está sendo desperdiçado;
-
quanto retrabalho está sendo realizado.
Esses dados tornam o acompanhamento mais objetivo e ajudam a transformar ocorrências do chão de fábrica em informações que podem ser analisadas.
Como apontar consumo de matéria-prima e materiais?
Além de registrar tempo e quantidade produzida, é importante acompanhar os materiais utilizados para executar cada ordem. A produção depende da disponibilidade de matéria-prima, componentes, embalagens e outros insumos, e diferenças entre o consumo previsto e o realizado podem afetar estoque e custos.
O apontamento de produção pode ser utilizado para relacionar o consumo dos materiais à ordem que originou sua utilização.
Consumo previsto x consumo real
A estrutura do produto normalmente informa quais materiais e quantidades são necessárias para fabricar determinada unidade.
Se um produto exige dois quilos de matéria-prima e a ordem prevê 100 unidades, o consumo teórico seria de 200 quilos.
Entretanto, o consumo efetivamente realizado pode ser diferente.
Imagine que tenham sido utilizados 215 quilos.
A diferença de 15 quilos precisa ser analisada.
Ela pode estar relacionada a:
-
perdas normais do processo;
-
refugo;
-
retrabalho;
-
variação da matéria-prima;
-
regulagem de máquina;
-
erro de separação;
-
consumo não registrado anteriormente.
A comparação entre consumo previsto e real ajuda a identificar essas diferenças.
Também pode contribuir para revisar parâmetros técnicos. Caso determinado produto apresente continuamente um consumo real acima do cadastrado, talvez seja necessário verificar se existe um problema produtivo ou se o padrão utilizado no planejamento está incorreto.
Baixa dos materiais utilizados
Quando os materiais são utilizados na produção, suas quantidades precisam ser refletidas no controle de estoque.
O registro da baixa permite indicar que determinado material deixou de estar disponível porque foi consumido por uma ordem.
Por exemplo, se o estoque possui 1.000 quilos de matéria-prima e uma ordem consome 150 quilos, o saldo esperado passa a ser 850 quilos, considerando que não tenham ocorrido outras movimentações.
Manter esse processo atualizado reduz divergências entre o estoque registrado e aquilo que realmente está disponível.
Também facilita a rastreabilidade do consumo.
Em vez de visualizar apenas que 150 quilos saíram do estoque, é possível relacionar essa quantidade à ordem ou produto responsável pelo consumo.
Consumo adicional
Nem sempre a quantidade inicialmente prevista é suficiente.
Uma perda pode exigir novo material. Um retrabalho pode consumir componentes adicionais. Também podem acontecer ajustes de processo que aumentem temporariamente o consumo.
Essas utilizações extras precisam ser registradas.
Considere uma ordem com consumo planejado de 300 unidades de determinado componente.
Durante a execução, dez peças são danificadas e precisam ser substituídas. O consumo real passa a ser de 310 componentes.
Se apenas as 300 unidades previstas forem baixadas, o sistema poderá indicar dez componentes a mais do que realmente existem no estoque.
Além da divergência física, o custo da ordem ficará subestimado.
Devolução de materiais
Também pode acontecer o contrário: nem todo material separado para uma ordem é necessariamente consumido.
Uma ordem pode receber 500 quilos de matéria-prima, mas utilizar somente 460 quilos.
Nesse caso, os 40 quilos restantes podem retornar ao estoque caso estejam em condições adequadas para utilização.
A devolução precisa ser registrada para que o saldo fique correto.
É importante diferenciar material separado, material consumido e material devolvido.
Separar um item para a produção não significa necessariamente que ele foi efetivamente utilizado.
Essa distinção evita baixas incorretas e contribui para melhorar o controle das movimentações.
Perdas de matéria-prima
As perdas também podem ocorrer antes que o material seja convertido em produto acabado.
Exemplos incluem aparas, cortes, vazamentos, danos, contaminações, quebras ou materiais inutilizados durante regulagens.
Quando essas quantidades são registradas separadamente, a empresa consegue entender quanto do consumo efetivo foi transformado em produto e quanto foi perdido.
Suponha que uma ordem utilize 1.000 quilos de matéria-prima:
-
940 quilos incorporados aos produtos;
-
35 quilos de perda normal do processo;
-
25 quilos perdidos por uma falha operacional.
O consumo total continua sendo de 1.000 quilos, porém a análise é muito mais completa quando existe uma classificação para cada destino.
Esse nível de informação permite acompanhar o aproveitamento dos materiais e identificar oportunidades para diminuir desperdícios.
Também ajuda a compreender diferenças entre o custo planejado e o custo efetivo das ordens.
Quando tempo, quantidade, consumo, perdas e retrabalhos são registrados de forma relacionada, o apontamento de produção passa a oferecer uma visão detalhada da execução de cada etapa produtiva e cria uma base mais consistente para o acompanhamento das operações.
Apontamento manual ou automático: qual utilizar?
A forma utilizada para registrar as informações da fábrica pode variar conforme o tamanho da operação, a quantidade de ordens, o número de máquinas e a necessidade de acompanhamento dos dados. Algumas empresas começam utilizando papel ou planilhas, enquanto outras adotam sistemas, coletores ou dispositivos integrados ao processo produtivo.
Não existe um único modelo adequado para todas as operações. O mais importante é que o método escolhido permita realizar o apontamento de produção de forma organizada, padronizada e com o menor risco possível de informações incompletas ou incorretas.
Quanto maior o volume de produção e a quantidade de dados gerados, maior tende a ser a necessidade de automatizar os registros.
Apontamento em papel
O uso de formulários impressos é uma das formas mais simples de registrar informações no ambiente industrial.
Nesse modelo, o operador pode anotar manualmente dados como:
-
número da ordem;
-
horário de início;
-
horário de término;
-
quantidade produzida;
-
quantidade perdida;
-
motivo de paradas;
-
consumo de materiais;
-
observações sobre a produção.
A principal vantagem está na facilidade de implantação. Não é necessário instalar equipamentos ou disponibilizar dispositivos em cada posto de trabalho.
Também pode ser uma alternativa para empresas pequenas, com poucas ordens e processos simples.
Entretanto, o papel apresenta algumas limitações.
Depois de preenchidas, as informações normalmente precisam ser digitadas novamente em uma planilha ou sistema para que possam ser analisadas. Essa etapa adicional aumenta o trabalho administrativo e pode gerar erros de digitação.
Também existem riscos relacionados a:
-
campos não preenchidos;
-
letras de difícil interpretação;
-
formulários perdidos;
-
informações registradas com atraso;
-
duplicidade de registros;
-
dificuldade para localizar dados antigos.
Outro problema é a demora para transformar o registro em informação disponível para a gestão.
Se o formulário somente for digitado no final do turno ou no dia seguinte, o acompanhamento da produção também ficará atrasado.
Por isso, o papel pode atender operações simples, mas tende a apresentar limitações quando a quantidade de informações aumenta.
Planilhas
As planilhas representam uma evolução em relação ao registro exclusivamente em papel, pois permitem organizar informações em formato digital.
Uma empresa pode criar colunas para registrar:
-
ordem;
-
produto;
-
operador;
-
máquina;
-
data;
-
quantidade;
-
tempo;
-
perdas;
-
motivos de parada.
Também é possível criar fórmulas para calcular tempo médio, produtividade, percentual de perdas ou diferença entre planejado e realizado.
Em operações pequenas, essa alternativa pode funcionar de forma satisfatória.
O problema aparece quando o volume de dados aumenta.
Diversos operadores podem precisar editar a mesma planilha. Podem existir arquivos diferentes para cada turno, máquina ou setor. Também podem surgir versões duplicadas do mesmo documento.
Além disso, a manutenção das fórmulas pode se tornar complexa.
Um campo preenchido incorretamente, uma fórmula apagada ou uma linha duplicada pode afetar relatórios e análises posteriores.
Outro desafio é integrar esses registros com informações de estoque, ordens de produção e custos.
Conforme a operação cresce, manter todos esses controles separadamente pode gerar retrabalho.
Sistema de produção
Um sistema de produção permite centralizar diferentes informações relacionadas ao processo produtivo.
Nesse ambiente, o apontamento de produção pode ficar diretamente relacionado à ordem que está sendo executada.
O operador ou responsável pode registrar:
-
início da operação;
-
término;
-
quantidade produzida;
-
quantidade aprovada;
-
perdas;
-
retrabalho;
-
consumo de materiais;
-
paradas;
-
motivos das ocorrências.
Essa organização reduz a necessidade de reunir informações provenientes de vários arquivos diferentes.
Também pode facilitar a consulta ao histórico das ordens.
Por exemplo, ao acessar determinada produção, o responsável pode visualizar quanto já foi produzido, quanto ainda está pendente, quais materiais foram utilizados e quais ocorrências foram registradas.
Outro benefício é a possibilidade de consolidar dados para gerar indicadores e relatórios.
O sistema também pode estabelecer campos obrigatórios, evitando que informações importantes sejam esquecidas.
Coletores, tablets e terminais
Uma forma de aproximar o registro da atividade real é utilizar dispositivos diretamente no ambiente produtivo.
Coletores, tablets ou terminais podem ficar próximos às máquinas ou postos de trabalho.
Assim, o operador pode informar os dados no momento em que a atividade acontece.
Por exemplo, ao iniciar uma operação, pode registrar o início. Caso ocorra uma parada, pode indicar o motivo. No término, pode informar a quantidade produzida e eventuais perdas.
Esse método reduz a distância entre o acontecimento e o registro.
Também diminui a necessidade de preencher documentos manualmente para depois transferir as informações para outro local.
O dispositivo utilizado precisa ser compatível com as condições da fábrica e permitir uma operação simples, para que o registro não atrapalhe o trabalho do operador.
Automação do processo
Em processos com maior nível de tecnologia, parte dos registros pode ser automatizada.
Códigos de barras podem ser utilizados para identificar ordens, produtos ou materiais.
O operador pode ler um código para informar que determinada ordem foi iniciada ou concluída.
Sensores instalados em máquinas também podem fornecer informações relacionadas ao funcionamento dos equipamentos.
Integrações podem ainda permitir que dados registrados em uma etapa sejam utilizados automaticamente em outros controles.
A automação busca reduzir atividades repetitivas e diminuir a dependência do preenchimento manual.
Entretanto, mesmo em processos automatizados, algumas informações ainda podem depender da intervenção do operador, principalmente aquelas relacionadas às causas das ocorrências.
Uma máquina pode identificar que ficou parada durante 15 minutos, mas talvez seja necessário informar se isso aconteceu por falta de material, manutenção, troca de ferramenta ou problema de qualidade.
Por isso, a escolha entre registro manual ou automático deve considerar o nível de detalhe necessário e a realidade de cada processo.
Como usar o apontamento para calcular produtividade e eficiência?
Registrar informações somente para armazená-las não é suficiente. O verdadeiro valor dos dados aparece quando eles são utilizados para analisar o desempenho da produção e apoiar decisões.
O histórico gerado pelo apontamento de produção permite transformar tempos, quantidades e perdas em indicadores que mostram como a operação está funcionando.
Esses indicadores podem ser acompanhados por produto, máquina, setor, turno ou período.
Quantidade produzida por período
Um dos indicadores mais simples é a quantidade produzida dentro de determinado intervalo.
A empresa pode analisar produção por:
-
hora;
-
turno;
-
dia;
-
semana;
-
mês.
Imagine que determinada máquina produza 400 unidades durante um turno de oito horas.
Em outro turno, nas mesmas condições, ela produz 520 unidades.
Essa diferença pode ser investigada para entender quais fatores influenciaram o resultado.
Também é possível comparar a quantidade produzida com a capacidade planejada.
Se a meta diária é fabricar 1.000 unidades e a produção média permanece em 800, existe uma diferença que precisa ser analisada.
Tempo por unidade
O tempo por unidade indica quanto tempo, em média, é necessário para fabricar determinado produto ou executar uma operação.
Uma forma simples de calcular é dividir o tempo produtivo pela quantidade produzida.
Por exemplo:
Tempo produtivo: 300 minutos
Quantidade produzida: 150 unidades
Tempo médio por unidade: 2 minutos.
Esse indicador ajuda a comparar produtos e operações.
Caso determinado item esteja consumindo mais tempo do que o previsto, pode haver oportunidades de melhoria no processo.
Também é possível identificar alterações ao longo do tempo.
Se anteriormente uma operação utilizava dois minutos por unidade e passa a utilizar três minutos, algum fator pode ter provocado redução de desempenho.
Eficiência produtiva
A eficiência produtiva pode ser analisada comparando o resultado esperado com o resultado efetivamente alcançado.
Se uma operação deveria produzir 500 unidades em determinado período, mas produziu 450, é possível observar que o resultado ficou abaixo do planejado.
Uma forma de cálculo é:
Eficiência = quantidade realizada ÷ quantidade planejada × 100
No exemplo:
450 ÷ 500 × 100 = 90%
Isso significa que a produção atingiu 90% da quantidade esperada.
A mesma lógica pode ser aplicada ao tempo.
Se determinada tarefa deveria levar quatro horas e consumiu cinco horas, é possível identificar um desvio no desempenho.
Esses números precisam ser interpretados juntamente com outros dados.
Uma eficiência menor pode ter sido causada por paradas, problemas de material, máquina, qualidade ou outros fatores.
Índice de perdas
O índice de perdas mostra qual parcela da quantidade processada não resultou em produção aproveitável.
Uma forma simples de calcular é:
Índice de perdas = quantidade perdida ÷ quantidade total produzida × 100
Por exemplo:
Quantidade produzida: 2.000 unidades
Perdas: 80 unidades
80 ÷ 2.000 × 100 = 4%
Nesse caso, 4% da quantidade processada foi registrada como perda.
O acompanhamento ao longo do tempo permite identificar se o percentual está aumentando, diminuindo ou permanecendo estável.
Também é importante separar perdas por motivo.
Isso permite descobrir quais causas possuem maior impacto.
Principais indicadores
Os registros podem gerar diferentes indicadores relacionados ao desempenho da produção.
Entre os principais estão:
-
produtividade;
-
eficiência;
-
tempo médio;
-
percentual de perda;
-
retrabalho;
-
cumprimento das ordens;
-
tempo de paradas;
-
quantidade produzida.
Uma tabela simples pode facilitar a comparação:
| Indicador | Planejado | Realizado | Resultado |
|---|---|---|---|
| Quantidade produzida | 1.000 unidades | 920 unidades | Abaixo do esperado |
| Tempo de produção | 8 horas | 9 horas | Acima do previsto |
| Eficiência | 100% | 92% | Abaixo da meta |
| Perdas | 2% | 4% | Acima do esperado |
| Retrabalho | 20 unidades | 45 unidades | Acima do previsto |
| Paradas | 30 minutos | 70 minutos | Acima do planejado |
| Cumprimento da ordem | 100% | 92% | Ordem parcialmente atendida |
A tabela não deve ser analisada de forma isolada.
Se a quantidade ficou abaixo do esperado, por exemplo, é importante verificar se houve aumento nas paradas ou no retrabalho.
Essa relação entre diferentes indicadores permite compreender melhor a causa dos desvios e direcionar ações de melhoria.
Quais erros evitar no apontamento de produção?
A qualidade das informações depende diretamente da forma como os registros são realizados. Mesmo uma empresa que possua ferramentas adequadas pode ter problemas caso os dados sejam preenchidos de maneira incorreta ou sem padronização.
Erros no apontamento de produção podem afetar relatórios, custos, estoque, planejamento e indicadores de desempenho.
Por isso, é importante estabelecer procedimentos claros e evitar práticas que comprometam a confiabilidade das informações.
Registrar informações somente no fim do dia
Um erro comum é deixar todos os registros para o encerramento do turno.
Depois de várias horas de trabalho, o operador pode não lembrar exatamente quando determinada atividade começou ou quanto tempo durou uma parada.
Também pode esquecer pequenas perdas ou ocorrências.
Quanto maior o intervalo entre o acontecimento e o registro, maior tende a ser o risco de informações baseadas em estimativas.
Sempre que possível, os dados devem ser informados no momento da ocorrência ou logo depois.
Isso aumenta a precisão dos registros.
Não informar o motivo das paradas
Registrar apenas que a máquina ficou parada não explica o problema.
Imagine que um equipamento tenha acumulado 20 horas de parada durante o mês.
Esse número mostra que houve perda de tempo produtivo, mas não informa o motivo.
Se as ocorrências forem classificadas, a análise pode mostrar:
-
8 horas por manutenção;
-
5 horas por falta de material;
-
4 horas por troca de ferramenta;
-
3 horas por espera de liberação.
Com esse detalhamento, a empresa consegue identificar quais causas merecem prioridade.
Por isso, a classificação dos motivos é fundamental.
Misturar produção boa com perdas
Outro erro é registrar toda a quantidade processada como se estivesse aprovada.
Se uma ordem produziu 1.000 unidades, mas 40 foram perdidas, o resultado efetivamente aprovado foi de 960 unidades.
Misturar essas quantidades gera uma visão incorreta da produção.
Além disso, pode provocar divergências de estoque.
As quantidades devem ser separadas em categorias como:
-
aprovada;
-
perdida;
-
refugadas;
-
retrabalho.
Essa separação também facilita o cálculo de indicadores de qualidade e aproveitamento.
Não registrar retrabalho
O retrabalho consome recursos.
Um produto que precisa retornar para determinada operação utilizará novamente máquina, operador, tempo e possivelmente materiais.
Quando esse processo não é registrado, parte do esforço produtivo desaparece das análises.
Isso pode fazer parecer que determinada operação possui um custo menor ou produtividade maior do que realmente apresenta.
Por isso, itens retrabalhados devem possuir identificação específica.
Também é importante registrar a quantidade e o motivo do retrabalho.
Apontamentos incompletos
Um registro pode apresentar a quantidade produzida, mas não informar qual máquina realizou a atividade.
Outro pode registrar uma parada sem indicar qual ordem estava em execução.
Essas lacunas limitam as análises posteriores.
Entre as informações que precisam ser avaliadas estão:
-
ordem;
-
produto;
-
operação;
-
máquina;
-
operador;
-
horário;
-
quantidade;
-
perdas;
-
motivo das ocorrências.
Nem todas as empresas precisam utilizar exatamente os mesmos campos, mas os dados necessários para cada análise precisam estar definidos.
Falta de padronização
A falta de padrão pode gerar informações inconsistentes.
Imagine que um operador registre uma parada como "manutenção", outro como "máquina quebrada" e outro como "problema no equipamento".
Embora possam representar situações semelhantes, o sistema ou planilha poderá tratá-las como três motivos diferentes.
Isso dificulta a consolidação dos dados.
Por esse motivo, é importante criar classificações padronizadas.
O mesmo vale para unidades de medida, horários e critérios de início ou encerramento das operações.
Todos os setores envolvidos precisam compreender como cada informação deve ser registrada.
Quanto maior a padronização, mais confiáveis tendem a ser os relatórios gerados posteriormente.
Como implantar um processo de apontamento de produção?
A implantação não deve começar apenas pela escolha de uma ferramenta. Antes de definir se os registros serão feitos em papel, planilhas ou sistemas, a empresa precisa compreender como funciona sua própria operação.
Um bom processo de apontamento de produção deve coletar informações úteis sem tornar a rotina do chão de fábrica excessivamente burocrática.
O objetivo é obter dados suficientes para controlar e analisar a produção, mantendo o preenchimento simples para quem executa as atividades.
Mapear o processo produtivo
O primeiro passo é entender as etapas da fabricação.
A empresa deve identificar:
-
quais produtos são fabricados;
-
quais operações fazem parte do processo;
-
quais máquinas são utilizadas;
-
quais setores participam;
-
quais equipes executam as atividades;
-
em quais etapas ocorrem perdas;
-
onde podem acontecer paradas.
Esse mapeamento ajuda a determinar onde os registros precisam ser realizados.
Nem todas as etapas necessariamente precisam do mesmo nível de detalhamento.
Uma operação considerada crítica pode exigir registros de tempo, quantidade e perda, enquanto outra pode precisar apenas da quantidade concluída.
Definir quais dados serão apontados
Depois de mapear o processo, é necessário decidir quais informações serão coletadas.
O excesso de campos pode tornar o preenchimento demorado.
Por outro lado, poucos dados podem gerar relatórios insuficientes.
Uma base inicial pode incluir:
-
ordem;
-
produto;
-
operação;
-
máquina;
-
operador;
-
início;
-
término;
-
quantidade produzida;
-
quantidade aprovada;
-
perdas;
-
retrabalho;
-
parada;
-
consumo de materiais.
A seleção deve estar relacionada às decisões que a empresa pretende tomar.
Se o objetivo é analisar desempenho de máquinas, por exemplo, identificar o equipamento em cada registro será indispensável.
Padronizar motivos de perdas e paradas
As ocorrências precisam seguir classificações claras.
Para paradas, podem ser utilizados motivos como:
-
falta de material;
-
manutenção;
-
quebra;
-
setup;
-
qualidade;
-
falta de operador;
-
espera por liberação.
Para perdas, podem existir classificações como:
-
material danificado;
-
produto fora da medida;
-
quebra;
-
erro operacional;
-
falha de matéria-prima;
-
defeito de processo.
Essas listas devem evitar tanto categorias excessivamente genéricas quanto dezenas de opções difíceis de utilizar.
O ideal é que cada motivo tenha significado claro.
Definir responsáveis
A empresa também precisa estabelecer quem será responsável por cada registro.
Em alguns processos, o próprio operador pode realizar o preenchimento.
Em outros, um líder pode validar as informações ao final da operação.
Podem existir responsabilidades diferentes para:
-
abrir a ordem;
-
iniciar a operação;
-
registrar paradas;
-
informar perdas;
-
concluir a produção;
-
validar resultados.
Essa definição evita situações em que todos acreditam que outra pessoa realizará o registro.
Treinar os operadores
O treinamento deve explicar não apenas como preencher os campos, mas também por que cada informação é importante.
Quando o operador entende a finalidade dos dados, tende a compreender melhor a necessidade de registrar horários e ocorrências corretamente.
É importante apresentar exemplos práticos.
Por exemplo:
Se a máquina parar por falta de material, qual motivo deve ser selecionado?
Se dez unidades precisarem de correção, elas devem ser registradas como perda ou retrabalho?
Se a ordem continuar no turno seguinte, ela deve ser encerrada ou permanecer aberta?
Essas situações precisam possuir respostas padronizadas.
Acompanhar os resultados
Depois da implantação, os registros precisam ser revisados.
A empresa pode verificar:
-
campos frequentemente deixados em branco;
-
motivos utilizados incorretamente;
-
registros feitos com atraso;
-
divergências entre produção e estoque;
-
informações duplicadas;
-
dificuldades relatadas pelos operadores.
O processo pode ser ajustado com base nesses problemas.
Também é importante transformar os registros em indicadores.
Quando os dados coletados começam a aparecer em relatórios de produtividade, perdas e paradas, fica mais fácil perceber sua utilidade.
Como integrar o apontamento ao planejamento e controle da produção?
Os registros realizados no chão de fábrica ganham ainda mais valor quando deixam de ser analisados isoladamente e passam a alimentar outras etapas da gestão industrial.
O apontamento de produção pode fornecer informações para acompanhar ordens, atualizar estoques, revisar planejamentos, analisar custos e entender a capacidade produtiva.
Dessa forma, o que aconteceu na operação passa a contribuir para decisões futuras.
Atualização das ordens de produção
Cada registro pode indicar o andamento de uma ordem.
Considere uma ordem com 5.000 unidades planejadas.
Ao longo do processo, são registrados:
-
primeiro apontamento: 1.500 unidades;
-
segundo apontamento: 1.300 unidades;
-
terceiro apontamento: 1.200 unidades.
Nesse momento, 4.000 unidades já foram produzidas e ainda existem 1.000 unidades pendentes, considerando os critérios de aprovação adotados.
Esse acompanhamento ajuda o responsável pelo planejamento a saber quais ordens estão:
-
aguardando início;
-
em produção;
-
parcialmente concluídas;
-
atrasadas;
-
concluídas.
Também permite identificar ordens que deveriam estar avançando, mas permanecem paradas.
Integração com estoque
A produção possui relação direta com o estoque.
Quando uma ordem consome matéria-prima, esses materiais precisam ser descontados dos saldos disponíveis.
Ao concluir o produto, a quantidade aprovada pode ser direcionada ao estoque de produtos em processo ou acabados, conforme a estrutura utilizada pela empresa.
O apontamento também pode registrar:
-
consumo real;
-
consumo adicional;
-
perdas de materiais;
-
devoluções;
-
produtos concluídos.
Essa integração reduz a necessidade de realizar movimentações manualmente em controles separados.
Também ajuda a diminuir divergências entre aquilo que foi produzido e o saldo registrado.
Integração com PCP
O Planejamento e Controle da Produção precisa trabalhar com dados próximos da realidade.
Ao planejar uma ordem, o PCP utiliza informações como:
-
capacidade;
-
tempos;
-
materiais;
-
demanda;
-
disponibilidade de máquinas;
-
prioridades.
Os dados realizados permitem verificar se esses parâmetros estão corretos.
Imagine que uma operação esteja cadastrada com duração prevista de quatro horas.
Depois de diversas ordens, o histórico mostra que a duração média é de seis horas.
Essa diferença pode indicar que o tempo padrão precisa ser revisado ou que o processo apresenta algum problema recorrente.
Da mesma forma, se determinada máquina possui muitas paradas, sua capacidade real pode ser menor do que a utilizada no planejamento.
A utilização dos dados históricos permite melhorar gradualmente a programação.
Controle de custos
O custo de produção depende de diferentes recursos utilizados durante a fabricação.
Entre eles estão:
-
matéria-prima;
-
componentes;
-
mão de obra;
-
máquinas;
-
energia;
-
ferramentas;
-
perdas;
-
retrabalho.
Os registros ajudam a relacionar esses recursos às ordens.
Se uma produção deveria utilizar dez horas de máquina, mas utilizou quinze, existe um impacto sobre o custo.
Se o consumo previsto de material era 200 quilos e o consumo realizado foi 240, também existe uma diferença.
O mesmo vale para perdas e retrabalhos.
Quanto mais detalhadas forem essas informações, maior será a capacidade de entender por que o custo real ficou diferente do planejado.
Decisões baseadas em dados
O histórico permite enxergar padrões que seriam difíceis de identificar apenas acompanhando o trabalho diariamente.
Ao analisar diferentes períodos, a empresa pode descobrir:
-
quais produtos apresentam maior índice de perdas;
-
quais operações consomem mais tempo;
-
quais máquinas acumulam mais paradas;
-
quais ordens costumam atrasar;
-
onde existe maior volume de retrabalho;
-
quais materiais apresentam maior diferença de consumo;
-
quais setores possuem melhor aproveitamento da capacidade.
Essas informações podem apoiar decisões relacionadas ao planejamento da capacidade, revisão de processos, manutenção de máquinas, treinamento de equipes e redução de desperdícios.
Também ajudam a definir prioridades.
Se os dados mostram que uma única causa representa grande parte das horas paradas, agir sobre esse problema pode trazer um resultado maior do que realizar diversas pequenas alterações em outras etapas.
Da mesma forma, uma operação que concentra grande volume de retrabalho pode receber atenção antes de outras com impacto reduzido.
Quando o histórico do apontamento de produção é analisado juntamente com ordens, estoque, custos e planejamento, a empresa consegue aproximar as decisões daquilo que realmente acontece no chão de fábrica e utilizar os dados para melhorar produtividade, capacidade, prazos e controle operacional.
Conclusão
Registrar corretamente aquilo que acontece no chão de fábrica é fundamental para compreender o desempenho real da operação. Sem informações confiáveis sobre tempos, quantidades, materiais utilizados, perdas, paradas e retrabalhos, a empresa pode tomar decisões com base em estimativas que não representam a realidade do processo produtivo.
O apontamento de produção permite transformar as atividades realizadas durante as ordens em dados que podem ser acompanhados e analisados. Dessa forma, torna-se possível comparar aquilo que foi planejado com o que realmente aconteceu, identificando diferenças de tempo, produtividade, consumo de materiais e quantidade produzida.
Esses registros também ajudam a localizar problemas que muitas vezes passam despercebidos na rotina. Paradas frequentes, aumento de refugos, excesso de retrabalho ou consumo de matéria-prima acima do previsto podem ser identificados com maior facilidade quando existe um histórico organizado das operações.
A forma de realizar os registros pode variar conforme a realidade da empresa. Papel e planilhas podem atender processos menores, enquanto sistemas, coletores, tablets e recursos de automação oferecem alternativas para operações que precisam lidar com maior volume de informações. Independentemente da ferramenta utilizada, o mais importante é manter critérios claros e padronizados para garantir a qualidade dos dados.
Além do acompanhamento diário, essas informações podem contribuir para o planejamento e controle da produção, atualização de estoques, análise dos custos e avaliação da capacidade produtiva. O histórico também permite criar indicadores de produtividade, eficiência, perdas, paradas e cumprimento das ordens.
Assim, estruturar um processo confiável de apontamento de produção não significa apenas registrar quanto foi fabricado. Significa criar uma base de informações capaz de mostrar como os recursos estão sendo utilizados, onde estão os principais desvios e quais pontos da operação podem ser melhorados para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e tornar o planejamento mais próximo da realidade da fábrica.
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Perguntas frequentes
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