Por que organizar compras e estoque com o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
Manter matérias-primas e componentes disponíveis na quantidade correta é uma das principais condições para que a produção siga o planejamento definido pela empresa. Quando os materiais necessários não estão disponíveis no momento certo, uma ordem de produção pode precisar ser adiada, reprogramada ou até interrompida. Por outro lado, comprar muito acima da necessidade pode aumentar o volume de itens armazenados e comprometer recursos financeiros que poderiam ser utilizados em outras atividades.
Por isso, compras, estoque e produção precisam trabalhar com informações relacionadas. O objetivo não deve ser simplesmente manter grandes quantidades de materiais armazenadas, mas identificar antecipadamente o que será necessário, quanto deverá ser utilizado e em qual período cada item deverá estar disponível.
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP ajuda a estruturar esse processo utilizando informações da programação da produção, dos estoques e dos pedidos de compra. Dessa maneira, a empresa passa a tomar decisões com base nas necessidades previstas, em vez de esperar que um material esteja próximo de acabar para iniciar sua reposição.
A importância dos materiais para o cumprimento do plano de produção
O planejamento da produção determina quais produtos serão fabricados, em quais quantidades e dentro de determinados períodos. Entretanto, esse planejamento somente pode ser cumprido quando existem matérias-primas, componentes e materiais intermediários disponíveis para atender às ordens previstas.
Cada produto pode depender de diversos itens. A falta de apenas um componente pode impedir a continuidade de todo o processo produtivo, mesmo que os demais materiais estejam disponíveis em estoque.
Isso significa que a gestão precisa acompanhar não apenas a quantidade total armazenada, mas também a disponibilidade de cada item de acordo com as datas previstas para produção.
Entre os pontos que precisam ser observados estão:
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quantidade disponível de cada matéria-prima;
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materiais já reservados para outras ordens;
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pedidos de compra ainda não recebidos;
-
consumo previsto para os próximos períodos;
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prazo necessário para reposição;
-
datas programadas para início da fabricação.
Quando essas informações são analisadas em conjunto, fica mais fácil perceber antecipadamente quais materiais podem faltar e quais estão disponíveis em quantidade suficiente.
A disponibilidade adequada também contribui para maior estabilidade do planejamento. Se a empresa identifica uma necessidade com antecedência, possui mais tempo para organizar a aquisição e acompanhar o prazo de entrega do fornecedor.
Problemas causados por compras sem planejamento
Comprar materiais somente quando surge uma necessidade imediata pode gerar uma série de dificuldades. A primeira delas é a compra emergencial. Quando um componente precisa chegar rapidamente para evitar uma parada, a empresa possui menos tempo para avaliar prazos, quantidades e condições de fornecimento.
Outro problema acontece quando as compras são realizadas antecipadamente sem considerar o consumo previsto. Nesse cenário, podem ser adquiridas quantidades muito superiores às realmente necessárias, aumentando o estoque sem uma justificativa operacional.
Entre os principais problemas de uma gestão pouco planejada estão:
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excesso de determinados materiais;
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falta de componentes essenciais;
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compras realizadas com urgência;
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dificuldade para priorizar solicitações;
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aumento da quantidade de itens parados;
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recebimentos em períodos inadequados;
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compras duplicadas de materiais que já estavam em negociação.
Um saldo elevado também não significa necessariamente que o estoque esteja equilibrado. Uma empresa pode possuir grande quantidade de alguns materiais e, simultaneamente, enfrentar falta de outros componentes indispensáveis para a fabricação.
Por esse motivo, a análise precisa considerar a composição da demanda produtiva. O foco passa a ser garantir disponibilidade adequada para aquilo que realmente será utilizado.
Como o MRP conecta produção, estoque e compras
A principal contribuição do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP é relacionar o que será produzido com os materiais necessários para atender ao planejamento.
O processo começa pelas necessidades da produção. A partir das quantidades programadas, são identificados os materiais e componentes necessários. Depois, essas necessidades são comparadas com o que já está disponível no estoque e com aquilo que está previsto para chegar por meio de compras anteriormente realizadas.
Assim, é possível verificar se existe quantidade suficiente ou se será necessário realizar novas aquisições.
O processo normalmente considera:
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produtos que serão fabricados;
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quantidades previstas;
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componentes necessários;
-
saldo disponível;
-
materiais já comprometidos;
-
compras ainda não recebidas;
-
prazos de reposição.
Com essas informações, compras deixa de atuar apenas de maneira reativa. A área pode visualizar demandas futuras e organizar os pedidos considerando quando cada material será efetivamente necessário.
Isso também evita que o estoque seja analisado isoladamente. Um determinado componente pode apresentar saldo positivo hoje, mas estar completamente comprometido com ordens previstas para os próximos dias. Portanto, olhar somente para a quantidade atual pode gerar uma interpretação incorreta da disponibilidade.
O que é Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
MRP é a sigla para Material Requirements Planning, expressão que pode ser traduzida como planejamento das necessidades de materiais. Trata-se de uma metodologia utilizada para determinar quais materiais serão necessários para atender ao planejamento produtivo, em quais quantidades e em quais períodos.
Em vez de analisar apenas aquilo que existe atualmente no estoque, o MRP trabalha com uma visão futura. Ele considera a demanda prevista pela produção e compara essa necessidade com os recursos disponíveis e os recebimentos programados.
Seu propósito é ajudar a manter os materiais disponíveis no período adequado, procurando evitar tanto faltas quanto compras realizadas muito antes da necessidade.
Qual é a função do MRP na indústria?
Na indústria, diferentes produtos podem compartilhar matérias-primas e componentes. Além disso, alguns itens podem passar por etapas intermediárias antes de serem utilizados no produto acabado.
O MRP ajuda a organizar essas relações. Sua função envolve o planejamento de:
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matérias-primas;
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componentes;
-
subconjuntos;
-
materiais intermediários;
-
itens necessários às ordens de produção.
A partir dessas informações, a empresa consegue visualizar com maior antecedência quais recursos precisam ser providenciados.
Esse planejamento também permite organizar melhor a sequência das compras. Um material necessário daqui a poucos dias e com longo prazo de entrega pode exigir atenção imediata, enquanto outro item disponível em quantidade suficiente não precisa ser comprado naquele momento.
Quais perguntas o MRP ajuda a responder?
Uma gestão organizada de materiais depende de respostas claras para algumas perguntas fundamentais.
O que precisa ser comprado? Essa resposta surge da comparação entre as necessidades da produção e os materiais disponíveis.
Quanto precisa ser comprado? O cálculo deve considerar o saldo utilizável, quantidades já comprometidas e pedidos que ainda serão recebidos.
Quando o material será necessário? A data está relacionada ao planejamento das ordens de produção.
Quanto existe disponível? É necessário conhecer o saldo que realmente pode ser utilizado, e não somente a quantidade registrada fisicamente.
Quanto já está comprometido? Parte do estoque pode estar reservada para outras necessidades.
Quando o pedido deve ser realizado? Essa decisão depende principalmente da data da necessidade e do prazo necessário para o fornecedor entregar o material.
Responder a essas questões permite transformar informações dispersas em um planejamento de abastecimento mais organizado.
Qual é a diferença entre controlar estoque e planejar necessidades?
Controle de estoque e planejamento de materiais estão relacionados, mas possuem objetivos diferentes.
O controle de estoque mostra principalmente a situação dos itens armazenados: entradas, saídas, saldos, reservas e movimentações. Ele ajuda a entender o que existe atualmente e como os materiais estão sendo movimentados.
Já o planejamento de necessidades utiliza essas informações para projetar o que acontecerá nos períodos seguintes.
Por exemplo, um material pode apresentar saldo disponível hoje. Entretanto, se a produção programada consumir toda essa quantidade nos próximos dias e existir uma nova ordem prevista logo depois, será necessário providenciar reposição antecipadamente.
É justamente essa visão futura que torna o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP importante para integrar produção, estoque e compras. O saldo atual passa a ser analisado juntamente com consumo previsto, recebimentos programados e prazos de reposição, permitindo que a empresa organize o abastecimento antes que a necessidade se transforme em falta de material.
Quais informações são necessárias para executar o MRP?
Para que o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP apresente informações confiáveis, é necessário trabalhar com dados atualizados sobre produção, estoque e compras. O cálculo não depende apenas da quantidade de materiais armazenados. Ele precisa considerar o que será produzido, quanto será consumido, quais pedidos já foram realizados e quando os materiais deverão estar disponíveis.
Quando alguma dessas informações está incorreta, o planejamento pode indicar compras desnecessárias ou deixar de apontar uma necessidade importante. Por isso, a qualidade dos dados utilizados influencia diretamente a precisão dos resultados.
Plano de produção
O plano de produção é uma das principais informações utilizadas pelo MRP. Ele indica quais produtos precisam ser fabricados, em quais quantidades e em quais períodos.
Sem esse planejamento, não existe uma base adequada para determinar a demanda futura de matérias-primas e componentes.
Entre as principais informações estão:
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produtos programados para fabricação;
-
quantidades planejadas;
-
datas previstas para início da produção;
-
períodos em que os produtos deverão estar disponíveis;
-
alterações na programação produtiva.
Se a empresa programa a fabricação de uma determinada quantidade de produtos, o sistema utiliza essa informação para identificar quais materiais serão necessários para atender ao plano.
Mudanças na programação também precisam ser atualizadas. Quando uma ordem é adiada, aumentada, reduzida ou cancelada, as necessidades de materiais podem mudar. Manter o plano atualizado evita que compras sejam realizadas com base em uma demanda que já não corresponde à realidade da produção.
Estrutura dos produtos
Depois de saber o que será produzido, é necessário conhecer a composição de cada produto. Essa informação geralmente é organizada por meio da estrutura de produto ou lista de materiais.
A estrutura informa quais matérias-primas, componentes e subconjuntos fazem parte do produto final e qual quantidade de cada item é necessária.
Ela pode incluir:
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matérias-primas principais;
-
componentes utilizados na montagem;
-
subconjuntos;
-
materiais intermediários;
-
quantidades necessárias por unidade produzida;
-
diferentes níveis de composição do produto.
Se uma estrutura estiver desatualizada, todo o cálculo posterior poderá ser comprometido. Um componente que deixou de ser utilizado, por exemplo, pode continuar aparecendo como necessidade. Da mesma forma, um novo material não incluído no cadastro pode não ser considerado na compra.
Por isso, alterações de engenharia, mudanças de componentes e revisões nas quantidades precisam ser refletidas corretamente na estrutura.
Saldo disponível em estoque
Conhecer o estoque é essencial, mas não basta observar apenas o saldo físico. A quantidade armazenada nem sempre corresponde ao volume realmente disponível para uma nova necessidade de produção.
O estoque físico representa aquilo que está armazenado. Já o estoque disponível considera o que pode efetivamente ser utilizado.
Parte das unidades pode estar:
-
reservada para ordens de produção;
-
comprometida com outras necessidades;
-
separada para determinada fabricação;
-
aguardando alguma movimentação interna.
Essa diferença é importante porque utilizar apenas o saldo físico pode transmitir uma falsa sensação de disponibilidade.
O MRP precisa saber quanto existe e quanto dessa quantidade poderá ser destinado às necessidades futuras antes de indicar uma nova compra.
Pedidos de compra em aberto
Materiais que já foram comprados, mas ainda não chegaram, também precisam entrar no cálculo.
Imagine que determinado componente apresentará falta nos próximos dias. Se já existe um pedido suficiente com entrega prevista antes da data de utilização, realizar outra compra pode gerar excesso.
Por isso, os pedidos de compra em aberto devem apresentar informações como:
-
quantidade originalmente comprada;
-
quantidade já recebida;
-
saldo ainda pendente;
-
data prevista de entrega;
-
situação atual do pedido.
Esse acompanhamento ajuda a evitar duplicidades e permite verificar se os recebimentos programados serão suficientes para atender à produção.
Caso exista atraso na entrega, a informação também deve ser atualizada para que a necessidade seja reavaliada.
Prazos de reposição
Não basta saber quanto comprar. Também é necessário determinar quando o pedido deverá ser feito.
É nesse momento que o prazo de reposição, também conhecido como lead time, se torna importante.
Esse período pode envolver diferentes etapas, como:
-
processamento do pedido;
-
preparação pelo fornecedor;
-
transporte;
-
recebimento;
-
conferência;
-
disponibilização do material para utilização.
Quanto maior o prazo de reposição, maior precisa ser a antecedência do planejamento.
Se um material será necessário em 30 dias e demora 20 dias para ficar disponível após a compra, o pedido não pode ser iniciado somente próximo à data de consumo.
Manter esses prazos atualizados permite calcular datas mais realistas para a liberação das compras.
Estoque de segurança
O estoque de segurança é uma quantidade adicional mantida para reduzir o risco de falta diante de variações que não estavam previstas inicialmente.
Ele pode ser útil em situações como:
-
aumento inesperado do consumo;
-
pequenas alterações na programação;
-
atrasos de fornecedores;
-
variações no prazo de transporte.
Entretanto, essa quantidade precisa ser definida de forma criteriosa. Um estoque de segurança muito elevado pode provocar excesso de materiais, enquanto um nível muito baixo pode não oferecer proteção suficiente.
A empresa deve revisar esses parâmetros periodicamente, considerando comportamento do consumo, confiabilidade dos fornecedores e importância de cada material para a produção.
Como o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP calcula o que deve ser comprado?
Depois de reunir as informações sobre produção, estrutura dos produtos, estoque e compras em aberto, é possível calcular quais materiais realmente precisam ser adquiridos.
Esse cálculo procura separar a necessidade total da quantidade que ainda precisa ser providenciada.
Necessidade bruta de materiais
A necessidade bruta representa a quantidade total de determinado material exigida pelo planejamento da produção antes de considerar o estoque existente.
Ela é obtida a partir da relação entre a quantidade programada de produtos e o consumo de cada componente.
Quanto maior a produção prevista, maior tende a ser a necessidade bruta dos materiais utilizados.
Essa etapa mostra a demanda total gerada pelo plano produtivo e serve como ponto de partida para os demais cálculos.
Necessidade líquida
A necessidade líquida busca identificar quanto efetivamente falta para atender à produção.
Nesse cálculo, são consideradas informações como:
-
necessidade bruta;
-
estoque disponível;
-
materiais reservados;
-
recebimentos programados;
-
nível de segurança definido.
Assim, se parte da necessidade já pode ser atendida pelo estoque ou por pedidos que chegarão no período correto, somente a diferença deverá ser providenciada.
Essa análise é fundamental para evitar compras acima do necessário.
Estoque projetado
O estoque projetado mostra como o saldo de um material tende a se comportar ao longo dos próximos períodos.
Para isso, são consideradas as entradas e os consumos planejados.
A análise pode indicar:
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saldo inicial disponível;
-
recebimentos previstos;
-
consumo programado;
-
saldo após cada movimentação;
-
períodos em que poderá ocorrer falta.
Essa visão futura facilita a identificação de problemas antes que eles afetem a fabricação.
Um material pode possuir estoque suficiente hoje, mas apresentar saldo insuficiente daqui a duas semanas devido às ordens já programadas.
Datas de necessidade
Cada material precisa estar disponível antes de sua utilização na produção.
Por isso, o cálculo considera a data em que determinado componente será necessário e sua relação com o início das ordens produtivas.
Materiais utilizados nas primeiras etapas precisam estar disponíveis antes daqueles consumidos posteriormente.
Essa organização permite estabelecer uma sequência mais adequada para o abastecimento, reduzindo tanto atrasos quanto recebimentos antecipados sem necessidade.
Datas de liberação das compras
Depois de identificar quando o material será necessário, o planejamento precisa determinar quando a compra deverá ser liberada.
A definição considera principalmente o prazo de reposição.
Quanto maior o tempo necessário entre a realização do pedido e a disponibilidade do item, mais cedo a compra deverá ocorrer.
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP trabalha, portanto, de maneira retroativa: parte da data de necessidade e desconta o tempo necessário para reposição.
Esse processo ajuda a fazer com que o material chegue próximo ao período em que será utilizado, sem depender de pedidos emergenciais.
Arredondamentos e lotes mínimos
A quantidade calculada pelo planejamento nem sempre corresponde exatamente à quantidade que poderá ser comprada.
Alguns fornecedores trabalham com lotes mínimos, embalagens fechadas ou múltiplos específicos.
Se o cálculo indicar necessidade de 105 unidades, mas o fornecedor comercializar caixas com 20 unidades, a quantidade adquirida poderá precisar ser ajustada para um múltiplo compatível.
Entre as condições que podem influenciar esse ajuste estão:
-
quantidade mínima de compra;
-
número de unidades por embalagem;
-
múltiplos comerciais;
-
lotes definidos pelo fornecedor;
-
políticas internas de reposição.
Esses parâmetros precisam estar corretamente cadastrados para que as sugestões de compra sejam compatíveis com as condições reais de aquisição. Assim, o planejamento não se limita a apontar quanto falta, mas também ajuda a transformar essa necessidade em quantidades e datas que possam ser utilizadas efetivamente pelo setor de compras.
Como estruturar os dados de produtos e materiais para o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
A qualidade das informações utilizadas no planejamento influencia diretamente a confiabilidade dos resultados. Mesmo que a empresa possua um processo bem definido de compras e produção, dados incorretos podem gerar necessidades que não correspondem à realidade.
Por isso, antes de utilizar o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP, é importante organizar os cadastros dos materiais, estruturas dos produtos, unidades de medida e parâmetros relacionados ao abastecimento.
Esses registros precisam representar de forma fiel como os materiais são comprados, armazenados e consumidos durante a fabricação.
Quando os dados estão atualizados, torna-se mais fácil calcular necessidades, programar compras e analisar os saldos disponíveis.
Cadastro correto dos materiais
Cada matéria-prima, componente ou item intermediário precisa possuir um cadastro individual e padronizado.
O código do material é utilizado para identificar o item dentro do sistema. Ele deve ser único, evitando que o mesmo produto seja registrado de maneiras diferentes.
A descrição também precisa ser clara. Informações muito genéricas podem dificultar a identificação durante compras, recebimentos, separações e movimentações internas.
Entre os dados importantes no cadastro estão:
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código do item;
-
descrição;
-
unidade de medida;
-
classificação do material;
-
prazo de reposição;
-
estoque mínimo;
-
estoque de segurança;
-
parâmetros de compra.
A unidade de medida precisa representar corretamente a forma como o item é controlado. Um material pode ser armazenado em quilogramas, metros, litros, unidades ou outras medidas compatíveis com sua utilização.
O prazo de reposição também merece atenção. Se estiver cadastrado com um período menor do que o fornecedor realmente utiliza para entregar, a compra poderá ser planejada tarde demais.
Da mesma forma, níveis mínimos ou de segurança precisam ser revisados conforme as características do consumo e do abastecimento.
Estrutura de produto ou lista de materiais
A estrutura de produto apresenta a composição necessária para fabricar um determinado item. Ela relaciona o produto acabado às matérias-primas, componentes e subconjuntos utilizados durante o processo.
Esse cadastro permite determinar quanto de cada material será necessário conforme a quantidade planejada para fabricação.
Uma estrutura deve apresentar, entre outras informações:
-
componentes utilizados;
-
quantidade necessária de cada material;
-
relação entre componentes e produto acabado;
-
níveis de montagem;
-
subconjuntos intermediários.
Alguns produtos possuem estruturas simples, enquanto outros podem apresentar diversos níveis.
Um subconjunto, por exemplo, pode ser fabricado antes e posteriormente incorporado ao produto acabado. Nesse caso, ele também possui materiais próprios que precisam ser considerados durante o planejamento.
Outro ponto relevante ocorre quando o mesmo componente é utilizado em vários produtos diferentes. O sistema precisa consolidar essas necessidades para identificar a demanda total do material.
Essa consolidação contribui para compras mais organizadas, pois evita analisar cada produto isoladamente.
Como controlar as unidades de medida
As unidades de medida precisam receber atenção especial porque diferenças entre compra, armazenamento e consumo podem provocar divergências significativas.
Um material pode ser comprado em caixas, mas consumido em unidades. Outro pode ser adquirido em quilogramas e utilizado em gramas durante a fabricação.
Nessas situações, é necessário manter critérios claros de conversão.
Os principais cuidados envolvem:
-
unidade utilizada na compra;
-
unidade utilizada no estoque;
-
unidade utilizada na produção;
-
fator de conversão;
-
quantidade por embalagem.
Se uma caixa contém determinada quantidade de unidades, essa relação precisa estar corretamente registrada.
Caso contrário, uma entrada de compras pode aumentar o saldo de forma incorreta ou o consumo produtivo pode reduzir o estoque em proporção diferente da real.
Essas inconsistências prejudicam diretamente o cálculo das necessidades futuras.
Revisão periódica das estruturas
Os produtos podem sofrer alterações ao longo do tempo. Componentes podem ser substituídos, quantidades podem mudar e determinados materiais podem deixar de ser utilizados.
Por isso, as estruturas não devem ser tratadas como registros permanentes que nunca precisam de revisão.
É recomendável acompanhar alterações como:
-
inclusão de novos componentes;
-
retirada de materiais;
-
mudança nas quantidades utilizadas;
-
substituições;
-
alterações na composição;
-
descontinuação de produtos.
Quando uma matéria-prima é substituída, a estrutura antiga precisa ser atualizada para evitar que continue gerando necessidades de compra.
Produtos descontinuados também merecem atenção. Se permanecerem em planejamentos ou estruturas ativas sem necessidade, podem provocar projeções de consumo que não acontecerão.
A revisão dos cadastros ajuda a manter o planejamento alinhado à situação real da produção.
Impacto de cadastros incorretos no planejamento
Erros cadastrais podem se espalhar por diferentes áreas da operação.
Se uma quantidade de consumo estiver maior do que a real, o planejamento poderá recomendar compras acima da necessidade.
Se estiver menor, poderá ocorrer falta de materiais durante a fabricação.
Outras consequências possíveis incluem:
-
saldos inconsistentes;
-
compras desnecessárias;
-
falta de componentes;
-
previsões incorretas;
-
dificuldades para programar ordens;
-
excesso de determinados materiais.
Por isso, a organização dos dados deve fazer parte da rotina de gestão do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP.
Quanto mais confiáveis forem os cadastros, maior será a capacidade de utilizar o planejamento como apoio para compras, estoque e produção.
Como integrar o MRP ao controle de estoque?
O MRP depende diretamente das informações do estoque. Se as quantidades registradas não correspondem ao que realmente está disponível, o cálculo pode apresentar necessidades incorretas.
Essa integração exige que todas as movimentações sejam registradas corretamente e no momento adequado.
O objetivo é manter uma visão atualizada dos materiais disponíveis, reservados, comprometidos e previstos para entrada.
Movimentações que precisam estar atualizadas
Diversos tipos de movimentação alteram os saldos dos materiais.
As principais são:
-
entradas de compras;
-
consumo na produção;
-
devoluções;
-
transferências;
-
ajustes de inventário.
Quando uma compra é recebida, a entrada precisa ser registrada para aumentar a quantidade disponível.
Da mesma forma, o consumo utilizado em uma ordem de produção deve reduzir o saldo.
Transferências entre locais de armazenamento também precisam ser controladas para que o material apareça no local correto.
Devoluções e ajustes de inventário devem ser registrados conforme a movimentação real.
Quanto maior o intervalo entre a movimentação física e seu registro, maior a possibilidade de o planejamento trabalhar com informações desatualizadas.
Estoque físico e estoque disponível
Existe uma diferença importante entre possuir determinada quantidade de um material e poder utilizá-la imediatamente.
O estoque físico representa o total armazenado. Entretanto, parte desse volume pode já estar destinada a alguma necessidade específica.
Isso acontece quando existem:
-
materiais reservados;
-
componentes separados para ordens;
-
quantidades comprometidas;
-
itens temporariamente indisponíveis.
Por isso, o planejamento deve considerar principalmente a quantidade que realmente pode ser utilizada em novas necessidades.
Se existem 500 unidades fisicamente armazenadas, mas 350 já estão reservadas para ordens confirmadas, somente o saldo restante deve ser considerado livre.
Essa distinção evita que o mesmo material seja utilizado no planejamento de diferentes demandas simultaneamente.
Reserva de materiais
A reserva permite vincular parte do estoque a uma necessidade específica de produção.
Essa prática ajuda a garantir que materiais necessários para uma ordem não sejam utilizados em outra atividade antes do momento previsto.
A reserva pode contribuir para:
-
proteger materiais destinados a ordens prioritárias;
-
organizar a separação;
-
aumentar a visibilidade das quantidades comprometidas;
-
evitar duplicidade na utilização do saldo.
Sem esse controle, o estoque pode mostrar uma quantidade aparentemente suficiente, mas que já possui destino definido.
Por isso, reservas precisam ser consideradas no cálculo da disponibilidade.
Controle de lotes
Quando a empresa trabalha com materiais identificados por lotes, é importante manter essa informação durante as entradas, armazenagens e consumos.
O controle permite conhecer a origem de cada material e acompanhar sua movimentação ao longo do processo.
Entre as informações que podem ser registradas estão:
-
número do lote;
-
fornecedor;
-
data de recebimento;
-
quantidade;
-
movimentações realizadas;
-
saldo restante.
Além de melhorar a rastreabilidade, esse controle facilita a organização da utilização dos materiais.
Quando um lote é consumido, o saldo correspondente precisa ser reduzido corretamente para preservar a confiabilidade das informações.
Inventários e acuracidade do estoque
Mesmo com registros organizados, é necessário realizar conferências periódicas para verificar se os saldos registrados correspondem às quantidades físicas.
Essa comparação é fundamental para identificar divergências.
Os inventários podem revelar situações como:
-
movimentações não registradas;
-
quantidades incorretas;
-
erros de contagem;
-
materiais armazenados em locais diferentes;
-
perdas ou sobras.
Depois de identificar uma divergência, é necessário analisar sua causa antes de realizar o ajuste.
A acuracidade do estoque representa o nível de correspondência entre o saldo registrado e a quantidade realmente existente.
Quanto maior essa confiabilidade, melhores tendem a ser os resultados do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP.
Isso acontece porque o cálculo das compras parte justamente da quantidade disponível. Se esse saldo estiver incorreto, todo o planejamento seguinte poderá ser afetado.
Manter inventários periódicos, registrar movimentações no momento correto e controlar reservas são medidas essenciais para fazer com que compras e produção utilizem a mesma base de informações.
Como utilizar o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP para organizar as compras?
Organizar as compras de materiais exige mais do que acompanhar o que está acabando no estoque. Para que o abastecimento seja eficiente, é necessário considerar o que será produzido, quais materiais serão utilizados, quanto já existe disponível e quando cada item deverá chegar.
Nesse processo, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP ajuda a transformar as demandas da produção em informações que podem orientar o setor de compras.
Em vez de realizar pedidos somente quando surge uma falta, a empresa passa a trabalhar com uma visão antecipada das necessidades. Isso permite identificar os materiais que precisam ser adquiridos, as quantidades necessárias e os períodos mais adequados para emissão dos pedidos.
A organização também melhora quando as compras consideram materiais já solicitados, pedidos em trânsito e alterações no planejamento da produção.
Transformar necessidades de produção em necessidades de compra
O primeiro passo é utilizar a programação produtiva como base para identificar os materiais que serão necessários.
Quando uma determinada quantidade de produtos é programada para fabricação, o sistema consulta a estrutura de cada item e calcula os componentes necessários para atender ao plano.
Depois disso, as necessidades são comparadas com:
-
estoque disponível;
-
materiais reservados;
-
pedidos de compra pendentes;
-
recebimentos programados;
-
níveis de segurança definidos.
A partir dessa comparação, torna-se possível identificar quais itens possuem quantidade suficiente e quais apresentam necessidade de reposição.
Esse processo evita que o comprador precise avaliar cada material isoladamente sem conhecer sua relação com a produção.
Outro ponto importante é a consolidação das demandas.
Um mesmo componente pode ser utilizado na fabricação de vários produtos. Em vez de gerar uma necessidade separada para cada ordem, essas quantidades podem ser agrupadas para apresentar uma visão total do consumo previsto.
Isso facilita a preparação das compras e permite analisar o volume necessário de maneira mais organizada.
Definir prioridades de aquisição
Nem todas as necessidades possuem o mesmo nível de urgência. Alguns materiais podem estar próximos de faltar, enquanto outros ainda possuem estoque suficiente para atender vários períodos de produção.
Por isso, o planejamento deve ajudar a estabelecer prioridades.
Entre os critérios que podem ser considerados estão:
-
risco de falta;
-
data prevista de utilização;
-
impacto do material na produção;
-
prazo de entrega;
-
quantidade disponível;
-
pedidos pendentes.
Materiais com prazo de fornecimento mais longo normalmente precisam ser analisados com maior antecedência.
Da mesma forma, um componente indispensável para diversas ordens de produção pode receber prioridade maior do que um material com pouca utilização.
A análise de prioridades também ajuda o setor de compras a direcionar sua atenção para os itens mais críticos.
Sem esse tipo de organização, existe o risco de dedicar tempo a aquisições que ainda podem esperar enquanto materiais urgentes permanecem sem acompanhamento.
Considerar pedidos já emitidos
Antes de gerar uma nova compra, é essencial verificar se já existem pedidos emitidos para o mesmo material.
Um pedido em aberto representa uma quantidade que ainda não entrou fisicamente no estoque, mas que deve ser considerada na projeção de disponibilidade.
Entre as informações que precisam ser avaliadas estão:
-
quantidade originalmente comprada;
-
quantidade já recebida;
-
saldo pendente;
-
data prevista de entrega;
-
situação do fornecedor.
Essa consulta ajuda a evitar compras duplicadas.
Se um material apresentará falta nos próximos dias, mas existe uma entrega prevista antes da data de necessidade, talvez não seja necessário emitir um novo pedido.
Entretanto, não basta verificar que existe uma compra em aberto. Também é preciso comparar sua quantidade e sua data de entrega com a demanda prevista.
Uma entrega parcial pode não ser suficiente para atender toda a necessidade. Da mesma forma, um pedido previsto para chegar depois do início da produção pode exigir alguma ação adicional.
Por isso, pedidos abertos precisam fazer parte do mesmo fluxo de análise das necessidades futuras.
Planejar as datas de compra
Saber quanto comprar é apenas uma parte do processo. Também é necessário estabelecer quando o pedido deverá ser realizado.
A data de compra precisa considerar principalmente dois elementos: quando o material será necessário e quanto tempo o fornecedor leva para entregá-lo.
Se um componente será utilizado em determinada data, o pedido deve ser emitido com antecedência suficiente para que ele passe pelas etapas de fornecimento, transporte, recebimento e disponibilização.
Alguns fatores que podem influenciar esse prazo incluem:
-
prazo informado pelo fornecedor;
-
tempo de transporte;
-
conferência no recebimento;
-
inspeções necessárias;
-
movimentação até o local de armazenagem.
Uma pequena margem também pode ser considerada quando existem variações frequentes nos prazos.
O objetivo não é antecipar todas as compras ao máximo. Materiais adquiridos cedo demais podem aumentar o estoque e ocupar espaço sem necessidade.
O ideal é buscar equilíbrio entre disponibilidade e momento de reposição.
Consolidar materiais iguais
Quando um mesmo item atende a diferentes produtos ou ordens, suas necessidades podem ser agrupadas.
Essa consolidação facilita o trabalho do setor de compras porque reduz a quantidade de solicitações separadas para um mesmo material.
Em vez de emitir vários pedidos pequenos em períodos próximos, a empresa pode analisar a demanda consolidada e decidir a forma mais adequada de aquisição.
Esse agrupamento pode contribuir para:
-
reduzir pedidos fragmentados;
-
facilitar o controle das quantidades;
-
melhorar a organização do processo de cotação;
-
simplificar o acompanhamento das entregas;
-
visualizar melhor a demanda total.
Entretanto, a consolidação precisa respeitar as datas de necessidade.
Agrupar compras não significa adquirir todo o consumo de vários meses de uma única vez. Dependendo do item, pode ser mais adequado dividir o abastecimento em entregas programadas.
O planejamento deve considerar quantidade, prazo, capacidade de armazenamento e frequência de consumo.
Avaliar quantidades mínimas e condições de fornecimento
As quantidades sugeridas pelo planejamento também precisam ser comparadas com as condições comerciais dos fornecedores.
Alguns materiais podem possuir:
-
lote mínimo;
-
embalagem fechada;
-
múltiplos de compra;
-
quantidade mínima por pedido.
Se a necessidade calculada for menor que o lote mínimo, pode ser necessário ajustar a quantidade adquirida.
Esse ajuste deve ser analisado com cuidado para não criar um estoque excessivo apenas para atender à condição comercial.
Também é importante observar se diferentes necessidades futuras podem ser agrupadas sem gerar excesso desnecessário.
A organização das compras precisa equilibrar a quantidade realmente necessária com as condições existentes para aquisição.
Reavaliar as compras quando o planejamento mudar
O planejamento de produção não é necessariamente fixo. Quantidades podem aumentar ou diminuir, datas podem ser alteradas e determinadas ordens podem ser canceladas.
Sempre que isso acontece, as necessidades de materiais precisam ser recalculadas.
Um aumento na produção pode exigir novas compras ou antecipação de pedidos existentes.
Já uma redução pode indicar que determinada aquisição pode ser diminuída, adiada ou reavaliada, desde que ainda seja possível ajustar o pedido junto ao fornecedor.
Entre as mudanças que afetam compras estão:
-
aumento da demanda;
-
redução de quantidades programadas;
-
alteração das datas de fabricação;
-
inclusão de novas ordens;
-
cancelamento de ordens;
-
mudança na estrutura dos produtos.
Por isso, o MRP não deve ser executado uma única vez e considerado definitivo.
Quanto mais dinâmica for a operação, maior é a necessidade de revisar regularmente as informações.
Acompanhar mudanças depois da emissão do pedido
Mesmo após a compra ser realizada, o acompanhamento continua sendo importante.
Um pedido pode sofrer atraso, ser entregue parcialmente ou ter sua previsão alterada. Essas mudanças afetam diretamente a disponibilidade futura.
Por isso, compras e produção precisam manter informações atualizadas sobre:
-
pedidos confirmados;
-
datas prometidas;
-
alterações de entrega;
-
quantidades recebidas;
-
saldos pendentes.
Quando uma entrega sofre atraso, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP pode indicar que o material não estará disponível na data planejada.
Essa visibilidade permite que a empresa identifique riscos antes que eles se transformem em interrupções na produção.
Ao conectar necessidades produtivas, estoques e pedidos em aberto, o processo de compras deixa de depender apenas de verificações pontuais e passa a seguir uma lógica baseada em demanda, disponibilidade e prazo.
Quais informações o MRP deve apresentar para compras e estoque?
Para que o setor de compras e o controle de estoque consigam tomar decisões com maior segurança, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP precisa apresentar informações claras sobre demanda, disponibilidade e prazos.
Esses dados ajudam a entender não apenas o que existe armazenado no momento, mas também o que será necessário nos próximos períodos.
Essa diferença é importante porque uma decisão de compra não deve ser baseada somente no saldo atual. Um material pode possuir quantidade disponível hoje e, mesmo assim, apresentar risco de falta dentro de alguns dias devido às ordens de produção já programadas.
Por isso, o MRP precisa reunir informações que permitam visualizar o comportamento futuro dos estoques.
Entre os principais dados estão necessidade bruta, estoque disponível, quantidade reservada, recebimentos programados, necessidade líquida, datas de utilização, prazo de reposição e estoque projetado.
A relação entre essas informações pode ser apresentada da seguinte maneira:
| Informação | Para que serve no MRP |
|---|---|
| Necessidade bruta | Mostra a quantidade total de material exigida pelo planejamento da produção |
| Estoque disponível | Indica quanto do material pode ser utilizado antes de uma nova reposição |
| Quantidade reservada | Mostra a parte do estoque que já está comprometida com ordens ou necessidades existentes |
| Recebimentos programados | Considera materiais comprados que ainda não foram recebidos |
| Necessidade líquida | Indica a quantidade que ainda precisa ser comprada ou produzida |
| Data da necessidade | Mostra quando o material deverá estar disponível para utilização |
| Prazo de reposição | Ajuda a determinar com quanto tempo de antecedência a compra deve ser realizada |
| Estoque projetado | Apresenta a previsão do saldo após entradas e consumos futuros |
Necessidade bruta
A necessidade bruta representa a quantidade total de determinado material exigida pelo planejamento da produção.
Ela é calculada antes de considerar o estoque disponível ou os pedidos de compra já realizados.
Essa informação ajuda a entender qual será o consumo total previsto em determinado período.
Por exemplo, quando vários produtos utilizam o mesmo componente, suas demandas podem ser consolidadas para formar uma necessidade bruta única.
O objetivo é apresentar uma visão completa da quantidade que será exigida pela produção.
A partir desse valor, outras informações serão consideradas para identificar quanto realmente falta.
Estoque disponível
O estoque disponível mostra quanto pode efetivamente ser utilizado para atender às próximas necessidades.
Esse valor pode ser diferente do estoque físico registrado.
Isso acontece porque parte das quantidades armazenadas pode estar:
-
reservada para ordens;
-
separada para uma produção;
-
comprometida com outra demanda;
-
indisponível temporariamente.
Por isso, o setor de compras não deve utilizar apenas o saldo físico como referência.
O saldo disponível oferece uma visão mais precisa da quantidade que ainda pode ser destinada a novas necessidades.
Essa informação é fundamental para evitar compras desnecessárias.
Quantidade reservada
A quantidade reservada representa a parte do estoque que já possui uma destinação definida.
Mesmo que o material ainda esteja fisicamente armazenado, ele não deve ser considerado livre caso esteja reservado para uma ordem de produção.
Essa informação ajuda a impedir que o mesmo saldo seja utilizado para atender diferentes necessidades ao mesmo tempo.
Uma visão clara das reservas permite saber:
-
quanto do estoque já está comprometido;
-
quanto ainda pode ser utilizado;
-
quais ordens possuem materiais separados;
-
quais itens apresentam maior risco de falta.
A reserva é especialmente importante quando diferentes produtos utilizam os mesmos componentes.
Recebimentos programados
Os recebimentos programados representam materiais que já foram comprados, mas ainda não foram incorporados ao estoque.
Eles precisam ser considerados porque podem atender parte ou toda uma necessidade futura.
Se uma compra já está prevista para chegar antes da data de utilização, emitir um novo pedido pode gerar excesso.
Por isso, o planejamento deve acompanhar:
-
quantidade pendente;
-
data prevista;
-
situação do pedido;
-
quantidade já recebida;
-
possíveis atrasos.
Os recebimentos programados ajudam a criar uma visão futura mais realista do estoque.
Entretanto, é importante que as datas estejam atualizadas. Um pedido atrasado não deve continuar sendo considerado como se fosse chegar no prazo originalmente informado.
Necessidade líquida
A necessidade líquida mostra quanto realmente precisa ser providenciado depois que todas as disponibilidades são consideradas.
Para chegar a esse resultado, o planejamento compara a necessidade bruta com informações como:
-
estoque disponível;
-
quantidades reservadas;
-
recebimentos programados;
-
estoque de segurança.
Essa é uma das informações mais importantes para o setor de compras, porque ajuda a evitar aquisições baseadas somente na demanda total.
Se uma parte da necessidade já será atendida pelo estoque ou por pedidos em aberto, apenas a diferença precisa ser planejada.
Assim, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP contribui para uma reposição mais alinhada ao consumo previsto.
Data da necessidade
A quantidade sozinha não é suficiente para organizar uma compra.
Também é necessário saber quando o material será utilizado.
A data da necessidade indica o período em que determinado item precisa estar disponível para atender à produção.
Essa informação permite diferenciar uma necessidade imediata de outra que acontecerá somente no futuro.
Dois materiais podem apresentar a mesma quantidade necessária, mas exigir tratamentos diferentes caso possuam datas distintas.
O setor de compras pode utilizar essa informação para estabelecer prioridades e organizar a emissão dos pedidos.
Prazo de reposição
O prazo de reposição indica quanto tempo é necessário entre a solicitação do material e sua disponibilidade para utilização.
Ele pode envolver diferentes etapas:
-
emissão do pedido;
-
preparação pelo fornecedor;
-
transporte;
-
recebimento;
-
conferência;
-
disponibilização no estoque.
Quando esse prazo é conhecido, torna-se possível calcular com maior precisão quando a compra precisa ser realizada.
Materiais com lead time longo precisam ser planejados com mais antecedência.
Já itens com reposição rápida podem permitir uma janela menor entre o pedido e a utilização.
Manter esses prazos atualizados é essencial para evitar compras realizadas tarde demais.
Estoque projetado
O estoque projetado apresenta uma visão futura dos saldos.
Ele considera o estoque atual, os recebimentos previstos e os consumos programados para mostrar como a quantidade disponível tende a se comportar ao longo do tempo.
Essa projeção pode ajudar a identificar:
-
períodos de redução do estoque;
-
possíveis faltas;
-
momentos de reposição;
-
excesso de materiais;
-
efeito das entradas previstas.
A principal vantagem dessa informação é permitir que a empresa perceba uma possível ruptura antes que ela aconteça.
Em vez de descobrir a falta somente quando o material já não está disponível, o planejamento consegue apontar antecipadamente em qual período o saldo pode se tornar insuficiente.
Como interpretar essas informações
Os dados apresentados pelo MRP devem ser avaliados de forma conjunta.
Analisar uma única informação isoladamente pode levar a decisões incorretas.
Um estoque aparentemente alto pode não ser suficiente se grande parte estiver reservada.
Da mesma forma, uma necessidade elevada pode não exigir uma nova compra caso existam recebimentos programados suficientes para atendê-la.
Por isso, é importante comparar quantidade, disponibilidade e prazo.
Alguns cuidados ajudam nessa interpretação:
-
analisar quanto será necessário;
-
verificar quanto está realmente disponível;
-
considerar reservas existentes;
-
consultar compras que ainda serão recebidas;
-
comparar datas de entrega com datas de utilização;
-
acompanhar o comportamento do estoque projetado.
Não decidir compras somente pelo saldo atual
Um dos principais erros na gestão de materiais é utilizar apenas o estoque atual como base para uma decisão de compra.
Esse número apresenta somente uma fotografia do momento.
O planejamento precisa observar também os consumos que acontecerão nos próximos períodos.
Um item pode possuir saldo elevado hoje, mas ter diversas ordens programadas que consumirão praticamente toda a quantidade disponível.
Nesse cenário, esperar o estoque baixar fisicamente para realizar a compra pode ser tarde demais.
A visão futura permite iniciar a reposição antes que o saldo se torne crítico.
Considerar compromissos futuros do estoque
Materiais reservados ou comprometidos precisam fazer parte da análise.
Se determinada quantidade já está destinada a uma ordem, ela não deve ser utilizada como disponibilidade para outra produção.
O mesmo cuidado vale para componentes utilizados em diversos produtos.
Quando a demanda futura é consolidada, torna-se mais fácil identificar se o saldo será suficiente para todos os compromissos.
Essa análise evita que um mesmo estoque seja considerado várias vezes durante o planejamento.
Avaliar pedidos que ainda serão recebidos
Os pedidos em aberto também precisam ser analisados antes da emissão de novas compras.
Não basta apenas saber que existe uma entrega prevista. É necessário verificar:
-
se a quantidade será suficiente;
-
se a data atende à necessidade;
-
se o fornecedor confirmou o prazo;
-
se houve alteração na previsão;
-
se existem entregas parciais.
Essa conferência reduz o risco de compras duplicadas e melhora o acompanhamento dos materiais que estão em processo de reposição.
Quando todas essas informações são avaliadas em conjunto, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP oferece uma visão mais completa para organizar estoque e compras, permitindo que as decisões considerem não apenas a situação presente, mas também aquilo que está previsto para acontecer ao longo dos próximos períodos.
Como evitar excesso e falta de materiais com o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
Equilibrar o estoque é um dos principais desafios da gestão industrial. Manter materiais em excesso aumenta o volume armazenado e pode deixar recursos parados por longos períodos. Por outro lado, trabalhar com quantidades insuficientes pode provocar falta de componentes e comprometer o planejamento da produção.
O MRP ajuda a encontrar um ponto de equilíbrio porque considera não apenas o estoque atual, mas também as necessidades futuras, os pedidos já realizados e os prazos de reposição.
Dessa forma, a decisão de compra pode ser baseada em informações mais completas sobre o consumo esperado.
Evitar compras acima da necessidade
Antes de emitir um novo pedido, é importante verificar quanto do material já existe disponível e quais quantidades estão previstas para chegar.
Uma compra pode parecer necessária quando o saldo atual é analisado isoladamente. Entretanto, pode existir um pedido em aberto suficiente para atender à produção futura.
Por isso, a análise deve considerar:
-
estoque disponível;
-
quantidades reservadas;
-
pedidos de compra pendentes;
-
recebimentos previstos;
-
consumo futuro;
-
estoque de segurança.
Outro cuidado importante é avaliar o período em que determinado material será utilizado.
Comprar antecipadamente grandes quantidades que somente serão consumidas vários meses depois pode aumentar o estoque sem uma necessidade imediata.
Quando existe visibilidade sobre o consumo futuro, o setor de compras pode organizar as aquisições de forma mais próxima às datas reais de utilização.
Analisar o consumo futuro
A análise do consumo previsto ajuda a diferenciar um estoque realmente excedente de uma quantidade que será necessária em breve.
Um material pode apresentar saldo elevado atualmente, mas ter utilização intensa nas próximas ordens de produção.
Da mesma forma, um item com saldo reduzido pode não precisar de reposição imediata se não existir demanda prevista para os próximos períodos.
Por isso, estoque e planejamento produtivo precisam ser analisados em conjunto.
O objetivo é evitar dois extremos:
-
comprar apenas porque o estoque está baixo;
-
deixar de comprar apenas porque o estoque atual parece suficiente.
A decisão deve considerar quanto será consumido e em qual momento.
Reduzir o risco de ruptura
A ruptura ocorre quando determinado material necessário para a produção não está disponível na quantidade ou na data exigida.
Esse problema pode provocar reprogramações, atrasos e interrupções na fabricação.
Uma das vantagens do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP é permitir a identificação antecipada de possíveis faltas.
Ao projetar o estoque futuro, a empresa consegue visualizar períodos nos quais o saldo poderá se tornar insuficiente.
Isso permite agir antes que a falta ocorra.
Entre as informações que devem ser acompanhadas estão:
-
data da necessidade;
-
quantidade necessária;
-
estoque projetado;
-
prazo de reposição;
-
pedidos já realizados;
-
previsão de entrega.
Quanto maior a antecedência da identificação, maior é a capacidade de organizar a reposição.
Monitorar as datas previstas de entrega
Realizar a compra não significa que a necessidade já está resolvida.
O material precisa chegar antes do momento em que será utilizado.
Por isso, pedidos em aberto devem ser acompanhados até o recebimento.
Se uma entrega prevista para determinada data sofrer atraso, o estoque projetado também poderá mudar.
Nesse caso, a empresa precisa avaliar rapidamente se a nova previsão ainda atende ao planejamento da produção.
O acompanhamento pode considerar:
-
data originalmente prometida;
-
nova previsão de entrega;
-
quantidade pendente;
-
entregas parciais;
-
necessidade relacionada ao pedido.
Essa atualização evita que o planejamento continue considerando uma entrada que não acontecerá no período esperado.
Priorizar materiais críticos
Nem todos os materiais apresentam o mesmo impacto sobre a produção.
Alguns componentes são utilizados em diversos produtos ou possuem prazos de reposição mais longos. Outros podem ter alternativas de fornecimento mais limitadas.
Esses materiais precisam receber atenção especial.
A priorização pode considerar critérios como:
-
proximidade da data de utilização;
-
quantidade disponível;
-
número de ordens dependentes do item;
-
prazo de fornecimento;
-
risco de atraso;
-
impacto da falta na produção.
Essa classificação ajuda compras e estoque a direcionarem esforços para os itens que apresentam maior risco.
Utilizar estoque de segurança de forma adequada
O estoque de segurança funciona como uma proteção contra variações inesperadas.
Ele pode ajudar quando o consumo aumenta acima do previsto ou quando um fornecedor demora mais do que o prazo normalmente esperado.
Entretanto, manter uma quantidade de segurança muito elevada pode transformar essa proteção em excesso de estoque.
Por isso, o parâmetro precisa ser definido considerando fatores como:
-
frequência de consumo;
-
variação da demanda;
-
prazo de reposição;
-
confiabilidade das entregas;
-
importância do material.
Esses valores também não devem permanecer inalterados indefinidamente.
Mudanças no consumo, nos fornecedores ou no planejamento produtivo podem exigir novos parâmetros.
Controlar materiais de baixo giro
Materiais de baixo giro permanecem armazenados por períodos mais longos e apresentam pouca movimentação.
Quando esses itens continuam sendo comprados sem uma análise adequada, o estoque pode aumentar gradualmente.
Por isso, é importante identificar:
-
itens com baixo consumo;
-
materiais que não apresentam demanda futura;
-
produtos com redução significativa de utilização;
-
componentes vinculados a produtos pouco fabricados.
A existência de estoque baixo não significa necessariamente que um material deva ser reposto.
Antes da compra, é necessário verificar se realmente existe uma necessidade futura.
Identificar materiais sem necessidade futura
Alguns materiais podem deixar de ser utilizados devido a mudanças na produção.
Isso acontece quando produtos são descontinuados, componentes são substituídos ou estruturas são modificadas.
Nesse cenário, pedidos ainda não entregues precisam ser reavaliados.
Materiais sem demanda futura podem indicar oportunidades para:
-
adiar pedidos;
-
revisar quantidades;
-
cancelar compras quando possível;
-
impedir novas reposições;
-
analisar o estoque existente.
A atualização das estruturas dos produtos é fundamental para que componentes antigos não continuem aparecendo como necessidades.
Quais erros prejudicam o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
A qualidade do planejamento depende diretamente das informações utilizadas nos cálculos.
Mesmo um processo bem estruturado pode apresentar resultados incorretos quando estoque, produção, compras ou parâmetros estão desatualizados.
Por isso, identificar os principais erros ajuda a manter o planejamento mais confiável.
Estoque desatualizado
O saldo do estoque é uma das bases utilizadas para calcular quanto precisa ser comprado.
Quando existem entradas ou consumos que ainda não foram registrados, o sistema trabalha com uma quantidade diferente da realidade.
Os problemas mais comuns incluem:
-
recebimentos não lançados;
-
materiais consumidos sem baixa;
-
transferências pendentes;
-
devoluções não registradas;
-
diferenças de inventário.
Se o saldo registrado estiver menor que o físico, podem ser sugeridas compras desnecessárias.
Se estiver maior, o sistema pode deixar de indicar uma necessidade real.
Por isso, movimentações precisam ser atualizadas regularmente.
Estrutura de produto incorreta
A estrutura informa quais materiais são necessários para fabricar cada produto.
Um erro nessa composição pode afetar todas as necessidades calculadas.
Entre as falhas mais comuns estão:
-
componentes ausentes;
-
materiais incluídos indevidamente;
-
quantidades incorretas;
-
itens antigos ainda ativos;
-
substituições não atualizadas.
Se um produto consome três unidades de determinado componente, mas a estrutura registra somente duas, a necessidade será calculada abaixo do valor real.
O problema poderá aparecer somente no momento da fabricação, quando o material disponível não for suficiente.
Prazos de fornecedores desatualizados
O prazo de reposição é utilizado para determinar quando uma compra precisa ser iniciada.
Se um fornecedor passou a levar 20 dias para realizar uma entrega, mas o cadastro ainda considera 10 dias, o pedido poderá ser liberado tarde demais.
Por isso, os prazos precisam refletir o comportamento real do abastecimento.
É importante acompanhar:
-
prazo informado;
-
prazo efetivamente praticado;
-
frequência de atrasos;
-
tempo de transporte;
-
tempo interno de recebimento.
Essas informações ajudam a definir datas mais realistas.
Ordens de produção desatualizadas
As necessidades de materiais são diretamente relacionadas às ordens programadas.
Quando uma ordem é alterada ou cancelada, o planejamento também precisa ser atualizado.
Caso contrário, materiais que já não serão necessários podem continuar aparecendo como demanda.
O mesmo ocorre quando uma ordem é antecipada e essa mudança não é considerada: a compra pode permanecer planejada para uma data posterior à nova necessidade.
Alterações importantes incluem:
-
aumento de quantidade;
-
redução da produção;
-
alteração de datas;
-
cancelamentos;
-
inclusão de novas ordens.
Pedidos de compra não registrados
Quando uma compra já foi realizada, mas ainda não aparece no planejamento, o sistema pode considerar que o material continua faltando.
Isso aumenta o risco de duplicidade.
Todos os pedidos precisam apresentar informações atualizadas sobre quantidade e data prevista.
Também é importante registrar recebimentos parciais corretamente para que apenas o saldo restante continue sendo considerado como entrada futura.
Parâmetros de estoque inadequados
Parâmetros incorretos podem gerar sugestões que não correspondem às necessidades reais.
Entre eles estão:
-
estoque mínimo;
-
estoque de segurança;
-
lote mínimo;
-
múltiplo de compra;
-
quantidade padrão de reposição.
Um estoque de segurança muito elevado pode gerar compras acima da necessidade.
Já lotes mínimos cadastrados incorretamente podem fazer com que as quantidades sugeridas sejam incompatíveis com as condições reais do fornecedor.
Esses parâmetros precisam ser revisados conforme mudanças no consumo e no abastecimento.
Falta de revisão do planejamento
O MRP não deve ser tratado como um cálculo que é executado uma única vez.
A demanda pode mudar, fornecedores podem atrasar e ordens podem ser reprogramadas.
Por isso, é necessário revisar periodicamente:
-
novas necessidades;
-
alterações na produção;
-
mudanças nas datas;
-
saldos disponíveis;
-
pedidos pendentes;
-
prioridades dos materiais.
Quanto mais rapidamente essas alterações forem incorporadas ao Planejamento das Necessidades de Materiais MRP, maior será a capacidade de manter compras e estoque alinhados às necessidades reais da produção.
Quais indicadores ajudam a avaliar o MRP, compras e estoque?
Acompanhar indicadores é importante para verificar se o planejamento de materiais realmente está contribuindo para uma operação mais organizada. Não basta executar o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP e gerar sugestões de compra: também é necessário observar os resultados obtidos ao longo do tempo.
Os indicadores ajudam a identificar problemas no estoque, atrasos de fornecedores, excesso de materiais e situações em que compras precisam ser realizadas com urgência. A partir dessas informações, a empresa consegue revisar parâmetros e melhorar gradualmente seu planejamento.
O acompanhamento deve considerar tanto a disponibilidade dos materiais quanto a eficiência do processo de abastecimento.
Acuracidade do estoque
A acuracidade indica o quanto as quantidades registradas correspondem ao estoque físico realmente existente.
Esse indicador é fundamental porque os cálculos de necessidade dependem diretamente dos saldos informados.
Quando o sistema mostra 1.000 unidades disponíveis, mas fisicamente existem apenas 800, o planejamento pode considerar um volume que não poderá ser utilizado. O resultado pode ser uma compra abaixo da quantidade necessária.
A situação inversa também gera problemas. Se existem mais materiais fisicamente do que o saldo registrado, podem surgir sugestões de compra desnecessárias.
A acuracidade pode ser acompanhada por meio de:
-
inventários periódicos;
-
contagens por grupos de materiais;
-
conferência de entradas;
-
verificação das baixas de produção;
-
análise das divergências encontradas.
Quanto maior a correspondência entre estoque físico e registrado, mais confiáveis serão as informações utilizadas no planejamento.
Ruptura de materiais
A ruptura acontece quando um material necessário não está disponível no momento previsto para utilização.
Esse indicador permite acompanhar a frequência com que matérias-primas ou componentes deixam de atender às necessidades da produção.
Uma quantidade elevada de rupturas pode indicar problemas como:
-
planejamento realizado com pouca antecedência;
-
estoques incorretos;
-
atrasos frequentes;
-
parâmetros inadequados;
-
falhas na atualização das necessidades.
Também é importante identificar quais materiais apresentam rupturas recorrentes.
Se determinados componentes faltam com frequência, pode ser necessário revisar seus prazos de reposição, estoques de segurança ou condições de fornecimento.
O objetivo deve ser reduzir as ocorrências sem simplesmente aumentar indiscriminadamente os estoques.
Giro de estoque
O giro mostra a velocidade com que os materiais armazenados são utilizados e renovados.
Materiais com giro elevado possuem consumo frequente, enquanto itens com giro baixo podem permanecer armazenados por períodos maiores.
Esse indicador ajuda a identificar se a quantidade mantida está coerente com o ritmo de utilização.
Um giro muito baixo pode sinalizar:
-
compras acima da necessidade;
-
redução de consumo;
-
materiais substituídos;
-
componentes vinculados a produtos com pouca demanda;
-
parâmetros de reposição inadequados.
A análise permite direcionar atenção para materiais que estão permanecendo em estoque por tempo excessivo.
Cobertura de estoque
A cobertura procura responder por quanto tempo o saldo disponível consegue atender ao consumo previsto.
Em vez de observar apenas a quantidade absoluta armazenada, esse indicador relaciona o estoque à demanda.
Essa visão é útil porque dois materiais com o mesmo saldo podem apresentar situações completamente diferentes.
Um item com consumo elevado pode possuir cobertura para poucos dias. Outro, com baixa utilização, pode apresentar quantidade suficiente para vários meses.
A cobertura pode ajudar a identificar:
-
materiais próximos de atingir níveis críticos;
-
itens armazenados em excesso;
-
necessidades futuras de reposição;
-
oportunidades de adiar determinadas compras.
Quando utilizada juntamente com o estoque projetado, oferece uma visão mais clara sobre a disponibilidade futura.
Lead time de compras
O lead time representa o tempo necessário entre o início do processo de aquisição e a disponibilidade do material para utilização.
Ele pode envolver solicitação, emissão do pedido, preparação pelo fornecedor, transporte, recebimento e conferência.
Acompanhar o prazo real é importante porque ele pode ser diferente daquele originalmente cadastrado.
Se o planejamento considera 10 dias de reposição, mas o processo completo normalmente exige 18 dias, existe risco de os pedidos serem realizados tarde demais.
Por isso, o indicador deve permitir comparar:
-
prazo planejado;
-
prazo informado pelo fornecedor;
-
prazo efetivamente realizado;
-
variações ao longo do tempo.
Essas informações podem ser utilizadas para revisar os parâmetros empregados pelo Planejamento das Necessidades de Materiais MRP.
Atrasos de fornecedores
A pontualidade dos fornecedores influencia diretamente a disponibilidade de materiais.
Esse indicador compara a data prevista de entrega com a data em que o recebimento realmente aconteceu.
O acompanhamento pode mostrar:
-
quantidade de pedidos atrasados;
-
duração média dos atrasos;
-
materiais mais afetados;
-
fornecedores com maior frequência de desvios.
Um pedido registrado como recebimento programado somente contribui para o planejamento se houver uma expectativa razoável de que chegará no período informado.
Quando atrasos se tornam frequentes, os prazos precisam ser reconsiderados para evitar projeções excessivamente otimistas.
Estoque excedente
O estoque excedente corresponde às quantidades armazenadas acima das necessidades previstas.
Esse indicador ajuda a identificar materiais que podem estar consumindo espaço e recursos sem previsão adequada de utilização.
O excesso pode surgir por diferentes motivos:
-
compras antecipadas;
-
lotes mínimos elevados;
-
redução da demanda;
-
alteração da estrutura de produtos;
-
cancelamento de ordens;
-
parâmetros desatualizados.
Identificar esses materiais permite revisar futuras reposições e evitar que o problema continue aumentando.
Também é importante diferenciar estoque excedente de estoque necessário para demandas futuras já confirmadas.
Compras emergenciais
Compras emergenciais são aquelas realizadas fora do fluxo normal de planejamento porque determinado material precisa ser obtido rapidamente.
Quando acontecem com frequência, podem indicar que alguma etapa do processo precisa ser revista.
As causas podem envolver:
-
falta de antecipação;
-
consumo acima do previsto;
-
atraso de fornecedor;
-
estoque incorreto;
-
alteração repentina da produção;
-
prazo de reposição inadequado.
Acompanhar a quantidade de compras emergenciais ajuda a verificar se o planejamento está conseguindo antecipar as necessidades.
O objetivo não precisa ser eliminar completamente essas situações, pois mudanças podem acontecer. Entretanto, uma frequência elevada merece investigação.
Como tornar o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP mais confiável?
A confiabilidade do planejamento depende principalmente da qualidade das informações utilizadas.
O MRP não corrige sozinho cadastros incorretos, movimentações não registradas ou prazos desatualizados. Ele utiliza esses dados para gerar cálculos e projeções.
Por isso, melhorar o processo exige manter produção, estoque e compras alinhados.
Manter os cadastros atualizados
Produtos e materiais precisam possuir informações corretas sobre suas características e parâmetros.
Isso inclui:
-
códigos;
-
descrições;
-
unidades de medida;
-
estruturas;
-
quantidades de consumo;
-
prazos de reposição;
-
parâmetros de estoque.
Sempre que existir uma mudança na composição de um produto, ela deve ser atualizada.
O mesmo vale para mudanças nos prazos dos fornecedores ou nas condições de compra.
Um planejamento confiável começa por uma base cadastral consistente.
Garantir a confiabilidade do estoque
Os saldos utilizados pelo planejamento precisam refletir aquilo que realmente está disponível.
Para isso, entradas e saídas devem ser registradas corretamente.
Também é necessário controlar materiais reservados para que quantidades já comprometidas não sejam consideradas livres para outras necessidades.
Inventários periódicos ajudam a conferir os registros e identificar divergências antes que elas afetem diversas decisões de compra.
Relacionar planejamento de produção e compras
Compras não deve ser conduzida apenas pela observação dos saldos mínimos.
A demanda produtiva precisa ser uma das principais referências para determinar o abastecimento.
Quando novas ordens são programadas, elas geram necessidades de materiais. Essas necessidades devem ser comparadas ao estoque e aos recebimentos já previstos.
Assim, a aquisição passa a considerar três perguntas essenciais: quanto será necessário, quando será necessário e quanto já está disponível.
Essa relação ajuda a organizar pedidos de acordo com as prioridades reais da fabricação.
Revisar o MRP periodicamente
As necessidades calculadas podem mudar ao longo do tempo.
Uma ordem pode ser antecipada, um pedido de venda pode alterar a demanda ou uma entrega pode sofrer atraso.
Por isso, o planejamento precisa ser revisado regularmente.
Durante essas revisões, é importante avaliar:
-
alterações nas ordens;
-
novos pedidos de compra;
-
atrasos de fornecedores;
-
recebimentos realizados;
-
mudanças nos estoques;
-
novas prioridades produtivas.
A frequência de revisão deve acompanhar a dinâmica da operação.
Quanto maior a quantidade de alterações, maior a importância de atualizar as necessidades com regularidade.
Utilizar as informações para equilibrar estoque e abastecimento
O objetivo do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP não é simplesmente reduzir o estoque ao menor nível possível nem manter grandes volumes para evitar qualquer risco de falta.
O propósito é encontrar um equilíbrio entre disponibilidade e necessidade.
Esse equilíbrio permite diminuir materiais armazenados sem utilização prevista e, ao mesmo tempo, manter os componentes necessários disponíveis para atender à produção.
Quando cadastros, estoques, compras e programação estão atualizados, a empresa consegue visualizar necessidades com maior antecedência, priorizar materiais críticos e organizar melhor os períodos de reposição.
O resultado é um fluxo de abastecimento mais previsível, no qual as compras são orientadas pelas necessidades futuras e não somente pelas faltas percebidas no momento. Isso contribui para reduzir capital parado, diminuir o risco de interrupções, melhorar a disponibilidade de materiais e tornar o planejamento produtivo mais consistente.
Perguntas frequentes
Quer ver o IndústriaPro na prática?
Agende uma demonstração e alinhe PCP, estoque e fiscal ao processo da sua planta.