O que é o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
Dentro de uma indústria, manter a produção funcionando depende de muito mais do que simplesmente ter matérias-primas armazenadas. É necessário saber quais materiais serão necessários, em quais quantidades e, principalmente, em que momento eles deverão estar disponíveis. É justamente nesse processo que o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP se torna uma ferramenta importante para organizar a produção.
O método permite relacionar informações sobre demanda, estoque, compras e fabricação para determinar antecipadamente quais componentes precisam ser adquiridos ou produzidos. Dessa forma, a empresa consegue planejar seus materiais de acordo com a programação industrial, evitando decisões baseadas apenas em estimativas ou verificações manuais de estoque.
Um dos principais objetivos do MRP é encontrar um equilíbrio: manter material suficiente para atender à produção sem acumular quantidades desnecessárias no estoque.
Definição de MRP
MRP é a sigla de Material Requirements Planning, expressão que pode ser traduzida como Planejamento das Necessidades de Materiais.
Na prática, trata-se de uma metodologia utilizada para calcular quais matérias-primas, componentes e subconjuntos serão necessários para atender a uma determinada programação de produção.
O cálculo considera informações como:
-
quantidade de produtos que deverão ser fabricados;
-
componentes utilizados em cada produto;
-
quantidade necessária de cada material;
-
saldo disponível no estoque;
-
materiais que já estão sendo comprados;
-
componentes que estão em processo de fabricação;
-
datas em que cada material será necessário;
-
prazos necessários para compra ou produção.
Essas informações ajudam a indústria a transformar sua programação de produção em necessidades específicas de materiais.
Se determinado produto utiliza diferentes componentes, por exemplo, o sistema de planejamento precisa identificar cada um deles e calcular a quantidade total necessária conforme o volume de produção programado.
Necessidade de material não é o mesmo que falta no estoque
Um ponto importante para compreender o funcionamento do MRP é diferenciar a necessidade de um material da quantidade que precisa ser comprada.
Imagine que a programação industrial indique a necessidade de 1.000 unidades de determinado componente. Isso não significa que a empresa necessariamente terá que comprar as 1.000 unidades.
Antes de gerar uma necessidade de reposição, devem ser consideradas informações como:
-
saldo disponível;
-
estoque reservado;
-
pedidos de compra ainda não recebidos;
-
ordens de produção em andamento;
-
estoque de segurança;
-
quantidades já destinadas a outras demandas.
Se existem 600 unidades efetivamente disponíveis, por exemplo, a necessidade restante será diferente daquela inicialmente calculada.
É essa análise que permite transformar uma necessidade bruta em uma necessidade líquida, tornando o planejamento mais preciso.
Qual é a finalidade do MRP na indústria?
A principal finalidade do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP é garantir que os componentes necessários estejam disponíveis na quantidade e na data adequadas para atender ao planejamento produtivo.
A falta de um único componente pode impedir a conclusão de um produto, mesmo quando todos os demais materiais estão disponíveis. Por isso, não basta acompanhar apenas o volume total armazenado. É necessário observar cada item individualmente e relacioná-lo às necessidades futuras.
Entre as principais finalidades do planejamento estão:
-
antecipar necessidades de compra;
-
organizar a produção de componentes internos;
-
reduzir riscos de falta de materiais;
-
evitar excesso de estoque;
-
melhorar a programação das compras;
-
identificar necessidades futuras;
-
sincronizar materiais e produção.
O MRP também contribui para reduzir compras emergenciais. Quando a indústria consegue visualizar antecipadamente que determinado item será necessário em uma data futura, o setor responsável pode se preparar para adquiri-lo dentro do prazo esperado.
Como o MRP ajuda a equilibrar estoque e produção?
Manter estoque excessivo pode representar dinheiro imobilizado, necessidade de espaço físico e aumento dos custos de armazenagem. Por outro lado, trabalhar com volumes muito baixos pode aumentar o risco de interrupções.
O planejamento busca justamente estabelecer um equilíbrio entre esses dois extremos.
Em vez de comprar grandes quantidades sem considerar a programação futura, a indústria passa a observar o consumo previsto e as datas de necessidade.
Assim, as decisões sobre reposição deixam de considerar somente perguntas como "quanto existe no estoque?" e passam a considerar também "quanto será necessário?", "quando será necessário?" e "quanto já está previsto para chegar?".
Essa visão torna o controle de materiais mais alinhado à realidade da operação industrial.
Qual a relação entre MRP e planejamento industrial?
O planejamento de materiais está diretamente relacionado às ordens de produção. Afinal, são essas ordens e a programação de fabricação que determinam a demanda por matérias-primas e componentes.
Quando a empresa define que determinado produto deverá ser fabricado, é necessário verificar sua estrutura para descobrir quais materiais serão consumidos.
A partir disso, o planejamento consegue organizar:
-
necessidades futuras;
-
quantidades de componentes;
-
datas de disponibilidade;
-
compras necessárias;
-
fabricação de subconjuntos;
-
prioridades de abastecimento.
Essa ligação cria maior sincronização entre o que será produzido e os materiais necessários para tornar essa produção possível.
Como funciona o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
O funcionamento começa com a demanda dos produtos que precisam ser fabricados.
Essa demanda pode estar representada no planejamento da produção, onde estão definidas quantidades e datas previstas. A partir dessas informações, o método consulta a estrutura de cada produto para identificar os componentes utilizados.
Depois disso, é iniciado um processo de cálculo que normalmente envolve quatro perguntas principais:
-
O que será necessário?
-
Quanto será necessário?
-
Quando o material será necessário?
-
Quanto já está disponível ou previsto?
As respostas permitem determinar se será preciso comprar um material, fabricar um componente internamente ou simplesmente utilizar a quantidade que já existe no estoque.
Como as necessidades de materiais são calculadas?
O cálculo começa pela quantidade planejada de produtos acabados.
Suponha que um determinado produto utilize quatro unidades de um componente. Caso a programação indique a fabricação de 500 produtos, a necessidade inicial desse componente será de 2.000 unidades.
Entretanto, o processo não termina nessa multiplicação.
Em seguida, precisam ser analisados:
-
estoque atual;
-
reservas existentes;
-
recebimentos programados;
-
ordens abertas;
-
quantidade de segurança;
-
datas previstas para consumo.
Essa análise permite determinar a quantidade realmente necessária.
Esse mecanismo é especialmente relevante quando existem centenas ou milhares de componentes envolvidos em diferentes produtos, pois o controle manual tende a ficar cada vez mais complexo.
O que significa explosão de necessidades no MRP?
Explosão de necessidades é o processo de desdobrar um produto acabado em todos os materiais necessários para sua fabricação.
Um produto industrial pode ser formado por vários níveis. O produto final pode depender de conjuntos, que dependem de subconjuntos, que por sua vez utilizam diferentes componentes e matérias-primas.
A explosão percorre essa estrutura para calcular as necessidades de cada nível.
Durante esse processo são identificados:
-
componentes diretos;
-
subconjuntos;
-
matérias-primas;
-
quantidades por unidade;
-
componentes utilizados em mais de um produto.
Quando o mesmo material aparece em diferentes estruturas, suas necessidades podem ser consolidadas para proporcionar uma visão mais completa da demanda.
Como o MRP determina quando comprar ou produzir?
Além da quantidade, o tempo é um dos elementos mais importantes do planejamento.
Saber que serão necessárias 5.000 unidades de determinado componente não é suficiente se a empresa não souber quando elas precisarão estar disponíveis.
Por isso, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP considera a data de necessidade e os prazos envolvidos no abastecimento.
Para materiais comprados, é necessário considerar o tempo que o fornecedor leva para entregar. Já para componentes fabricados internamente, devem ser avaliados os prazos necessários para sua produção.
O raciocínio acontece de forma retroativa. Se um material precisa estar disponível em determinada data e possui um prazo de fornecimento de dez dias, a solicitação deverá ser programada com antecedência suficiente para atender essa necessidade.
Dessa maneira, o planejamento permite organizar não apenas quanto comprar ou produzir, mas também quando cada ação deve ser iniciada, criando maior previsibilidade para compras, estoque e produção.
Quais informações são necessárias para executar o MRP?
Para que o cálculo das necessidades seja confiável, não basta apenas informar quanto a indústria pretende produzir. O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP depende de um conjunto de dados que precisa estar organizado e atualizado, pois qualquer inconsistência pode resultar em compras desnecessárias, falta de componentes ou programação inadequada da produção.
Entre as informações mais importantes estão o Plano Mestre de Produção, a estrutura dos produtos, a posição dos estoques, os prazos de abastecimento e os parâmetros utilizados para reposição.
Quando essas informações trabalham de forma integrada, a indústria consegue identificar com maior precisão o que precisa ser comprado ou produzido, em qual quantidade e para qual data.
Plano Mestre de Produção
O Plano Mestre de Produção é uma das principais bases utilizadas pelo MRP. Ele indica quais produtos acabados deverão ser fabricados ao longo de determinado período.
Esse planejamento normalmente contém informações como:
-
produtos que precisam ser produzidos;
-
quantidades programadas;
-
datas previstas para fabricação;
-
prioridades de produção;
-
períodos em que cada demanda deverá ser atendida.
A partir desses dados, torna-se possível calcular os materiais necessários para cumprir a programação.
Se houver alterações significativas no Plano Mestre, como aumento de quantidade ou mudança nas datas de produção, as necessidades de componentes também podem mudar. Por isso, manter essa programação atualizada é essencial para evitar que o cálculo seja baseado em uma demanda que já não corresponde à realidade.
O plano funciona, portanto, como um ponto de partida para transformar a demanda do produto acabado em necessidades específicas de materiais.
Estrutura de produto — BOM
Outra informação fundamental é a estrutura de produto, também conhecida como BOM, sigla de Bill of Materials.
Ela funciona como uma relação organizada de tudo o que é necessário para fabricar determinado item.
Uma estrutura pode conter:
-
matérias-primas;
-
componentes;
-
subconjuntos;
-
peças;
-
insumos;
-
quantidade utilizada de cada item.
A BOM também mostra como esses materiais se relacionam entre si.
Um produto acabado pode depender de um conjunto. Esse conjunto pode utilizar dois subconjuntos, que, por sua vez, podem exigir diferentes peças e matérias-primas. Essa relação hierárquica permite que o cálculo percorra todos os níveis da fabricação.
Quanto mais complexa for a produção, maior será a importância de manter essa estrutura corretamente cadastrada.
Se determinada matéria-prima deveria ter consumo de quatro unidades, mas estiver registrada com apenas duas, o planejamento poderá calcular uma quantidade insuficiente. O contrário também pode ocorrer, resultando em uma necessidade maior do que a realmente necessária.
Posição atual dos estoques
Depois de descobrir quanto material será necessário, é preciso verificar quanto já está efetivamente disponível.
Essa análise não deve considerar somente a quantidade física armazenada. Existem diferentes situações que podem alterar a disponibilidade real de um item.
Entre as principais informações estão:
-
saldo disponível;
-
estoque reservado;
-
materiais bloqueados;
-
itens em inspeção;
-
pedidos de compra em aberto;
-
ordens de produção em andamento.
Um componente pode aparecer no estoque, mas estar reservado para outra ordem. Da mesma forma, determinado lote pode estar fisicamente armazenado, porém bloqueado e impossibilitado de ser utilizado.
Por isso, a posição dos estoques precisa refletir a situação real de cada quantidade registrada.
Essa precisão é especialmente importante para o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP, porque os saldos existentes interferem diretamente na definição das necessidades líquidas.
Pedidos e ordens em andamento também precisam ser considerados
Nem toda necessidade futura precisa resultar imediatamente em uma nova compra.
A indústria pode já ter um pedido emitido para o fornecedor ou uma ordem interna de fabricação em andamento.
Por esse motivo, é importante acompanhar:
-
quantidade prevista para recebimento;
-
data prometida pelo fornecedor;
-
materiais parcialmente recebidos;
-
quantidade restante da ordem;
-
previsão de conclusão da fabricação interna.
Quando essas informações não são atualizadas, podem ocorrer duplicidades. O planejamento pode sugerir a aquisição de um material que já está a caminho simplesmente porque o pedido existente não foi corretamente considerado.
Lead times
Lead time representa o tempo necessário para que determinada atividade seja concluída.
No planejamento de materiais, essa informação é essencial porque não basta descobrir quanto será necessário. Também é preciso determinar quando iniciar a compra ou a fabricação.
Entre os prazos que podem ser considerados estão:
-
prazo de compra;
-
prazo de fabricação;
-
tempo de movimentação;
-
período de inspeção;
-
tempo necessário para liberação do material.
Se um fornecedor leva 20 dias para entregar um componente, essa informação precisa ser considerada antes da data em que o item será necessário na produção.
O mesmo acontece com componentes produzidos internamente. Se um subconjunto exige cinco dias para ser fabricado, sua ordem precisa ser iniciada com antecedência suficiente.
Lead times desatualizados podem provocar duas situações indesejáveis: materiais chegando tarde demais ou compras sendo antecipadas sem necessidade.
Parâmetros de planejamento
Além da demanda, dos estoques e dos prazos, o cálculo pode seguir determinados parâmetros definidos de acordo com a política de abastecimento da empresa.
Entre eles estão:
-
estoque mínimo;
-
estoque de segurança;
-
lote mínimo;
-
múltiplos de compra;
-
políticas de reposição.
O estoque de segurança, por exemplo, pode ser utilizado para manter uma quantidade adicional disponível diante de variações de consumo ou atrasos.
Já o lote mínimo indica que determinado fornecedor ou processo exige uma quantidade mínima em cada pedido ou ordem.
Os múltiplos de compra também precisam ser considerados. Um componente pode ser comercializado somente em caixas com 50 unidades. Mesmo que o cálculo indique necessidade de 120 unidades, a compra poderá precisar ser ajustada para respeitar o múltiplo definido.
Esses parâmetros tornam o planejamento mais compatível com as condições reais de abastecimento.
Como a estrutura de produto influencia o cálculo do MRP?
A estrutura de produto possui influência direta sobre o resultado do planejamento porque determina quais componentes serão considerados e em quais quantidades.
É a partir dessa estrutura que o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP consegue transformar a demanda de produtos acabados em necessidades de matérias-primas, peças e subconjuntos.
Quanto mais organizada e atualizada estiver essa informação, maior tende a ser a confiabilidade dos cálculos realizados.
O que é uma estrutura de produto?
A estrutura de produto representa a composição necessária para fabricar determinado item.
Ela estabelece uma relação entre o produto acabado e todos os materiais envolvidos em sua fabricação.
Essa organização permite responder perguntas importantes, como:
-
quais componentes são necessários;
-
quanto de cada material será utilizado;
-
quais itens são produzidos internamente;
-
quais materiais precisam ser comprados;
-
quais subconjuntos dependem de outros componentes.
Em produtos simples, essa estrutura pode possuir poucos níveis. Em operações industriais mais complexas, entretanto, podem existir diversas etapas hierárquicas.
Estruturas com vários níveis
Uma estrutura industrial pode começar pelo produto acabado e ser desdobrada sucessivamente até chegar às matérias-primas.
A hierarquia pode ser formada por:
-
produto acabado;
-
conjuntos;
-
subconjuntos;
-
componentes;
-
insumos.
Imagine um produto acabado composto por três conjuntos diferentes. Cada conjunto pode depender de vários componentes, enquanto alguns desses componentes ainda podem exigir outros materiais para serem fabricados.
O planejamento precisa percorrer todos esses níveis para descobrir a demanda completa.
Essa organização evita que somente os componentes diretamente ligados ao produto final sejam considerados, deixando de lado materiais necessários nas etapas intermediárias.
Quantidade necessária de cada componente
Além de identificar quais materiais fazem parte de um produto, a estrutura deve registrar quanto de cada item é consumido.
Essa informação permite converter a quantidade planejada de produtos acabados em demanda de componentes.
Se determinada peça utiliza três unidades de um componente e a programação prevê 1.000 peças, a necessidade inicial será de 3.000 unidades desse componente.
Esse mesmo raciocínio é aplicado aos diferentes níveis da estrutura.
A precisão das quantidades cadastradas é essencial, principalmente quando existem volumes elevados de produção. Uma pequena diferença de consumo unitário pode representar uma grande diferença na necessidade total.
Componentes utilizados em diferentes produtos
É comum que uma mesma matéria-prima ou componente faça parte de vários produtos.
Nesse caso, as necessidades precisam ser consolidadas.
Isso significa reunir as demandas provenientes de diferentes estruturas para determinar quanto daquele material será necessário no período analisado.
Essa consolidação ajuda a:
-
visualizar a demanda total;
-
organizar compras;
-
evitar análise isolada por produto;
-
identificar materiais de maior consumo;
-
programar corretamente o abastecimento.
Sem essa visão consolidada, existe o risco de planejar cada produto separadamente e perder a visão global das necessidades da indústria.
Por que é importante manter a estrutura atualizada?
A qualidade do cálculo depende diretamente da qualidade das informações cadastradas.
Mudanças realizadas na engenharia, substituição de matérias-primas, alterações de consumo ou mudanças no processo produtivo precisam ser refletidas na estrutura.
Entre os problemas que podem surgir com uma estrutura desatualizada estão:
-
compra de componentes que deixaram de ser utilizados;
-
falta de novos materiais incorporados ao produto;
-
cálculo incorreto das quantidades;
-
formação de estoques desnecessários;
-
programação inadequada de subconjuntos.
Por isso, alterações realizadas no produto precisam ser acompanhadas também no cadastro utilizado para o planejamento.
Uma estrutura corretamente organizada permite que a demanda do produto acabado seja desdobrada em necessidades coerentes de materiais, criando uma base mais segura para compras, estoque e programação da produção.
Como calcular as necessidades brutas e líquidas de materiais?
Um dos pontos mais importantes do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP é transformar a demanda da produção em quantidades realmente necessárias de matérias-primas e componentes. Para isso, o planejamento diferencia dois conceitos: necessidade bruta e necessidade líquida.
Essa separação evita que toda demanda calculada seja automaticamente convertida em uma nova compra ou ordem de fabricação. Antes disso, o processo verifica o que já existe no estoque, o que está reservado, quais materiais estão previstos para chegar e quais quantidades já estão sendo produzidas.
Dessa forma, a empresa consegue planejar o abastecimento considerando tanto as necessidades futuras quanto os recursos que já estão disponíveis.
O que são necessidades brutas?
A necessidade bruta representa a quantidade total de determinado material exigida pela produção antes de considerar qualquer disponibilidade existente.
Esse valor normalmente é obtido a partir da quantidade de produtos que precisam ser fabricados e do consumo de cada componente definido na estrutura do produto.
Se uma peça utiliza quatro unidades de determinado componente e o planejamento prevê a fabricação de 500 peças, a necessidade bruta desse componente será de 2.000 unidades.
Nesse primeiro momento, não importa quanto existe no estoque ou quanto já foi comprado. O objetivo é descobrir qual seria o consumo total necessário para atender à programação.
A necessidade bruta pode ser influenciada por informações como:
-
quantidade programada de produtos acabados;
-
consumo unitário de cada componente;
-
demanda de subconjuntos;
-
ordens de produção previstas;
-
necessidades geradas em diferentes níveis da estrutura.
Esse cálculo oferece uma visão inicial da quantidade total que poderá ser consumida durante determinado período.
O que são necessidades líquidas?
A necessidade líquida representa a quantidade que realmente precisa ser providenciada depois que as disponibilidades existentes são consideradas.
É nesse momento que o cálculo deixa de observar apenas a demanda e começa a verificar o que a indústria já possui ou receberá dentro do prazo necessário.
Para chegar à quantidade líquida, podem ser analisados:
-
estoque disponível;
-
recebimentos previstos;
-
pedidos de compra em aberto;
-
ordens de fabricação em andamento;
-
reservas existentes;
-
estoque de segurança.
Se a necessidade bruta for de 2.000 unidades e a empresa possuir 1.200 unidades disponíveis, por exemplo, o planejamento não deverá simplesmente sugerir a compra das 2.000 unidades.
Ainda será necessário verificar recebimentos programados, reservas e demais condições antes de determinar quanto realmente falta.
Essa diferença é essencial para evitar decisões de abastecimento baseadas somente no consumo previsto.
Quais informações entram no cálculo?
O cálculo precisa reunir informações provenientes de diferentes partes da operação industrial.
A demanda prevista indica quanto será necessário consumir. Já o estoque disponível mostra a quantidade que pode ser utilizada imediatamente.
As reservas também precisam ser verificadas, pois um material armazenado pode já estar comprometido com outra ordem.
Outro ponto importante são os recebimentos programados. Um componente pode estar em falta atualmente, mas possuir um pedido de compra com entrega prevista antes da data em que será necessário.
As principais informações analisadas incluem:
-
demanda prevista;
-
necessidade bruta;
-
saldo disponível;
-
quantidade reservada;
-
recebimentos programados;
-
estoque de segurança;
-
ordens já liberadas;
-
datas em que os materiais serão necessários.
Quanto mais atualizados estiverem esses dados, maior será a confiabilidade do cálculo.
Fórmula conceitual do cálculo
De maneira simplificada, o raciocínio pode ser representado da seguinte forma:
Necessidade líquida = necessidade bruta + estoque de segurança – estoque disponível – recebimentos previstos
A fórmula ajuda a entender a lógica utilizada pelo planejamento, mas o cálculo real pode envolver outras condições definidas pela empresa.
Reservas, materiais bloqueados, lotes mínimos, múltiplos de compra, pedidos atrasados e políticas específicas de abastecimento também podem interferir no resultado.
Por isso, a quantidade final sugerida nem sempre será exatamente igual à diferença matemática entre demanda e estoque.
Qual é o papel do estoque de segurança?
O estoque de segurança funciona como uma quantidade adicional destinada a proteger a operação contra determinadas variações.
Ele pode ser utilizado para reduzir riscos associados a:
-
oscilações de consumo;
-
atrasos de fornecedores;
-
diferenças entre previsão e demanda real;
-
variações nos prazos de reposição.
Ao calcular a necessidade líquida, o planejamento pode preservar essa quantidade em vez de utilizá-la completamente para atender à demanda programada.
Entretanto, o nível de segurança precisa ser definido de maneira adequada. Valores excessivos podem elevar o estoque, enquanto quantidades muito baixas podem aumentar o risco de falta.
Por que diferenciar necessidade bruta e líquida?
A diferenciação permite que o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP utilize aquilo que já está disponível antes de gerar novas necessidades de abastecimento.
Entre os principais benefícios estão:
-
evitar compras desnecessárias;
-
aproveitar materiais existentes;
-
reduzir excesso de estoque;
-
diminuir duplicidades de pedidos;
-
melhorar a programação de compras;
-
aumentar a precisão do planejamento.
Sem essa separação, a indústria poderia comprar materiais mesmo tendo quantidades suficientes armazenadas ou previstas para recebimento.
Como o MRP considera estoque, compras e ordens em aberto?
O planejamento de materiais não funciona de maneira isolada. Para calcular corretamente as necessidades, ele precisa considerar continuamente as movimentações previstas de entrada e saída dos itens.
Isso significa avaliar não apenas o estoque atual, mas também acontecimentos futuros.
Um componente pode estar disponível hoje e ser totalmente consumido por uma ordem prevista para amanhã. Da mesma forma, outro item pode apresentar saldo baixo atualmente, mas possuir uma grande entrega programada antes da próxima necessidade.
Essa visão ao longo do tempo torna o planejamento mais preciso.
Estoque disponível
O estoque disponível corresponde à quantidade que realmente pode ser utilizada pela produção.
Ele não deve ser confundido necessariamente com todo o estoque físico existente no armazém.
Parte dos materiais pode estar:
-
reservada;
-
bloqueada;
-
aguardando inspeção;
-
comprometida com outras ordens.
Por esse motivo, a acuracidade dos saldos é fundamental.
Se o sistema indicar 1.000 unidades disponíveis, mas fisicamente existirem apenas 700, o planejamento poderá considerar uma quantidade que não está realmente disponível e deixar de gerar uma necessidade de reposição.
Estoque reservado
O estoque reservado representa materiais que já possuem uma destinação definida.
Embora esses itens ainda estejam fisicamente armazenados, não devem ser considerados livres para qualquer necessidade.
Uma reserva pode estar vinculada a:
-
ordem de produção;
-
etapa específica de fabricação;
-
demanda previamente planejada;
-
separação já realizada.
Essa diferença entre estoque físico e estoque efetivamente disponível precisa estar clara no planejamento.
Caso contrário, o mesmo saldo poderá ser considerado para atender duas necessidades diferentes.
Pedidos de compra em aberto
Pedidos de compra já emitidos também fazem parte do cálculo.
Se determinado material está previsto para chegar antes da data em que será utilizado, essa quantidade pode reduzir ou eliminar a necessidade de uma nova compra.
O planejamento precisa observar:
-
quantidade solicitada;
-
quantidade já recebida;
-
saldo pendente;
-
data prevista de entrega;
-
situação do pedido.
A data é tão importante quanto a quantidade.
Um pedido de 5.000 unidades não resolve uma necessidade para segunda-feira se a entrega estiver prevista somente para a semana seguinte.
Por isso, atrasos de fornecedores precisam ser atualizados sempre que forem identificados.
Ordens de produção abertas
Nem todos os componentes são comprados de fornecedores. Algumas indústrias produzem internamente peças, conjuntos ou subconjuntos necessários para fabricar o produto final.
Nesses casos, as ordens de produção abertas representam entradas futuras de estoque.
É necessário acompanhar:
-
quantidade planejada;
-
quantidade já produzida;
-
saldo pendente;
-
estágio da fabricação;
-
data prevista de conclusão.
Uma ordem que aparece como aberta, mas está atrasada, não pode ser tratada da mesma forma que uma produção com conclusão prevista dentro do prazo necessário.
Materiais bloqueados
Um material pode estar fisicamente presente e, ainda assim, não estar disponível para consumo.
Isso ocorre quando existe algum tipo de bloqueio que impede sua utilização.
Itens nessa condição precisam ser retirados da disponibilidade considerada pelo planejamento enquanto não forem liberados.
Caso contrário, o cálculo poderá indicar que existe material suficiente quando, na prática, aquela quantidade não pode abastecer a produção.
Essa situação reforça a importância de manter a condição dos estoques sempre atualizada.
O que é saldo projetado?
O saldo projetado mostra uma estimativa de quanto material deverá permanecer disponível em diferentes momentos futuros.
Ele considera as entradas e saídas previstas ao longo do período.
De forma simplificada, são avaliados:
-
saldo inicial;
-
recebimentos previstos;
-
produção programada;
-
consumos planejados;
-
reservas;
-
necessidades futuras.
Essa visão permite identificar antecipadamente quando determinado item poderá atingir níveis baixos ou ficar indisponível.
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP utiliza essa perspectiva temporal para indicar não apenas quanto precisa ser providenciado, mas também em qual momento a reposição deverá ocorrer.
Assim, estoque, compras e ordens em andamento passam a ser analisados como partes de um mesmo fluxo, ajudando a indústria a organizar o abastecimento de acordo com as datas reais de necessidade.
Como os prazos e lead times interferem no MRP?
O tempo é uma das informações mais importantes dentro do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP. Não basta identificar quais componentes serão necessários e calcular suas quantidades. A indústria também precisa saber exatamente quando cada material deverá estar disponível para que a produção aconteça conforme o programado.
É nesse contexto que os lead times ganham importância. Eles representam os períodos necessários para comprar, fabricar, movimentar, inspecionar ou disponibilizar determinado item.
Quando esses prazos estão corretamente definidos, o planejamento consegue indicar com antecedência quando uma compra deve ser realizada ou quando uma ordem interna precisa ser iniciada.
Por outro lado, informações desatualizadas podem gerar atrasos, estoques excessivos e alterações frequentes na programação.
Lead time de compras
O lead time de compras corresponde ao período necessário entre o início do processo de aquisição e a disponibilização do material para utilização.
Esse prazo pode envolver diferentes etapas, dependendo da forma como a indústria organiza seu abastecimento.
Entre os pontos que podem fazer parte desse período estão:
-
preparação da necessidade de compra;
-
emissão do pedido;
-
processamento pelo fornecedor;
-
preparação do material;
-
transporte;
-
recebimento;
-
entrada no estoque.
Se determinado componente possui prazo de fornecimento de 20 dias e precisa estar disponível em 30 de setembro, a compra deverá ser planejada com antecedência suficiente para respeitar esse período.
Quanto maior for o lead time, maior também será a necessidade de antecipação no planejamento.
Materiais importados, componentes fabricados sob encomenda ou itens fornecidos por empresas com ciclos mais longos normalmente exigem atenção especial.
Lead time de produção
Alguns componentes não são adquiridos externamente, mas fabricados pela própria indústria.
Nesse caso, o planejamento precisa considerar quanto tempo será necessário para transformar matérias-primas e componentes em itens disponíveis para as próximas etapas.
O lead time de produção pode incluir:
-
preparação dos recursos;
-
separação de materiais;
-
processamento;
-
montagem;
-
movimentações entre operações;
-
espera entre etapas;
-
finalização do item.
Se um subconjunto precisa de cinco dias para ser produzido e será utilizado em uma montagem programada para determinada data, sua ordem precisa começar antes.
Essa lógica pode se repetir em estruturas com vários níveis. Um subconjunto pode depender de outro componente fabricado internamente, fazendo com que diferentes ordens precisem ser encadeadas corretamente.
Tempo de inspeção e liberação
O recebimento físico de um material não significa necessariamente que ele já esteja disponível para consumo.
Dependendo das regras adotadas pela indústria, determinados itens podem precisar passar por conferências, inspeções ou processos de liberação antes de serem utilizados.
Esse intervalo também interfere no planejamento.
Um componente pode chegar ao estoque na segunda-feira, por exemplo, mas permanecer indisponível até quarta-feira devido ao período necessário para sua liberação.
Caso o MRP considere apenas a data de chegada física, poderá interpretar incorretamente que o material estará disponível antes do momento real.
Por isso, o prazo total deve considerar não apenas transporte e fabricação, mas também o tempo necessário para tornar o item efetivamente utilizável.
Datas de necessidade
A data de necessidade indica quando determinado material precisa estar disponível para atender à programação industrial.
Essa informação permite que o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP relacione quantidade e tempo.
Uma necessidade de 10 mil unidades para daqui a três meses possui características diferentes de uma necessidade da mesma quantidade para a próxima semana.
Ao analisar as datas, o planejamento consegue distribuir as necessidades ao longo dos períodos, evitando que tudo seja comprado ou produzido antecipadamente.
Essa organização contribui para:
-
reduzir antecipações desnecessárias;
-
melhorar a utilização dos estoques;
-
distribuir pedidos ao longo do tempo;
-
organizar prioridades;
-
identificar materiais críticos;
-
antecipar possíveis faltas.
Portanto, cada necessidade deve estar vinculada não apenas a uma quantidade, mas também ao momento em que o material será consumido.
Como funciona a programação retroativa?
A programação retroativa parte da data em que o material será necessário e calcula para trás quando a compra ou fabricação deve ser iniciada.
O raciocínio é relativamente simples.
Primeiro, identifica-se a data de necessidade. Em seguida, o sistema considera o lead time correspondente e determina a data em que a ação deverá começar.
Se um componente será necessário no dia 25 e possui lead time de dez dias, a programação deve considerar uma liberação anterior, respeitando os critérios definidos para o planejamento.
Esse processo ajuda a sincronizar diferentes níveis da produção e do abastecimento.
Em estruturas complexas, um produto acabado pode depender de subconjuntos que também possuem seus próprios componentes e prazos. A programação precisa organizar essas necessidades para que cada item esteja pronto antes da etapa seguinte.
Impactos de prazos incorretos
Lead times incorretos podem comprometer significativamente os resultados do planejamento.
Quando o prazo cadastrado é menor do que o necessário na realidade, a empresa pode iniciar uma compra tarde demais.
Isso aumenta o risco de:
-
falta de componentes;
-
atraso das ordens;
-
reprogramação da produção;
-
necessidade de priorizações inesperadas.
O problema inverso também existe.
Se o prazo estiver cadastrado muito acima da realidade, as ordens podem ser sugeridas com antecedência excessiva, fazendo com que materiais cheguem muito antes de serem necessários.
Isso pode gerar:
-
aumento dos níveis de estoque;
-
maior capital imobilizado;
-
ocupação desnecessária do armazém;
-
antecipação de pagamentos;
-
dificuldade para identificar prioridades reais.
Por isso, revisar periodicamente os lead times é uma prática importante para manter o planejamento alinhado às condições reais da operação.
Quais políticas de lote podem ser utilizadas no Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
Depois de determinar a necessidade líquida, ainda é preciso definir qual quantidade deverá ser colocada em cada ordem de compra ou produção.
Essa decisão depende das políticas de lote adotadas pela empresa.
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP pode utilizar diferentes regras para adequar a quantidade calculada às condições de fornecedores, processos produtivos, embalagens e estratégias de estoque.
A política escolhida interfere diretamente na frequência das reposições e no volume armazenado.
Lote por lote
No modelo lote por lote, a quantidade planejada acompanha a necessidade identificada para aquele período.
Se forem necessárias 300 unidades, a ordem tende a ser planejada para atender às 300 unidades, respeitando outros parâmetros existentes.
Esse método busca aproximar o abastecimento da demanda efetiva e pode contribuir para reduzir quantidades excedentes.
Por outro lado, pode aumentar a frequência de pedidos ou ordens quando existem diversas necessidades pequenas ao longo do tempo.
Lote mínimo
O lote mínimo estabelece a menor quantidade permitida para determinada compra ou produção.
Um fornecedor pode exigir pedidos de pelo menos 500 unidades, mesmo que a necessidade líquida seja de apenas 350.
Nesse caso, a quantidade planejada precisa respeitar essa condição.
A mesma lógica pode existir internamente quando preparar uma máquina ou processo para fabricar volumes muito pequenos não é adequado à operação.
O lote mínimo, portanto, pode fazer com que a quantidade planejada seja superior à necessidade imediata.
Lote máximo
O lote máximo funciona no sentido contrário: estabelece um limite para cada ordem.
Se a necessidade total for muito elevada, ela pode precisar ser dividida em diferentes lotes.
Esse parâmetro pode ser utilizado quando existem limitações relacionadas a:
-
capacidade de produção;
-
armazenamento;
-
transporte;
-
processamento;
-
recebimento.
Assim, uma demanda de grande volume pode ser distribuída em ordens menores.
Múltiplos de compra ou fabricação
Alguns materiais somente podem ser adquiridos ou produzidos em determinados múltiplos.
Um fornecedor pode comercializar um item em caixas com 100 unidades. Se a necessidade calculada for de 250 unidades, a quantidade poderá precisar ser ajustada para 300.
Essa regra evita pedidos incompatíveis com a unidade comercial ou com a forma de fabricação.
Os múltiplos também podem estar relacionados a:
-
embalagens;
-
pallets;
-
caixas;
-
bobinas;
-
lotes produtivos;
-
capacidade de equipamentos.
Lote fixo
No lote fixo, uma quantidade previamente definida é utilizada para gerar as ordens.
Em vez de variar conforme cada necessidade, o planejamento utiliza um tamanho de lote padronizado.
Se o lote definido for de 1.000 unidades e houver uma necessidade maior, poderão ser planejados lotes adicionais conforme as regras utilizadas.
Essa política facilita a padronização das quantidades, mas precisa ser revisada quando houver alterações importantes na demanda ou nas condições de abastecimento.
Período de cobertura
Outra possibilidade é agrupar diferentes necessidades de um determinado intervalo em uma única reposição.
Em vez de gerar várias ordens pequenas para demandas próximas, o planejamento pode calcular uma quantidade capaz de cobrir vários dias ou semanas.
Essa abordagem pode diminuir a frequência das compras ou produções, mas tende a aumentar a quantidade mantida em estoque durante parte do período.
Por isso, o intervalo de cobertura precisa ser definido de maneira equilibrada.
Como a política de lote afeta o estoque?
A política utilizada interfere diretamente no comportamento do estoque.
Lotes maiores podem reduzir a frequência de reposições, mas também aumentam a quantidade armazenada. Já lotes menores aproximam o abastecimento da necessidade imediata, porém podem gerar um número maior de ordens.
Entre os principais aspectos influenciados estão:
-
volume de materiais comprados;
-
frequência das reposições;
-
quantidade média armazenada;
-
capital imobilizado;
-
custos de armazenagem;
-
disponibilidade para produção.
Por isso, a definição das políticas de lote deve considerar as características de cada material. Aplicar a mesma regra indistintamente a todos os itens pode produzir resultados pouco eficientes.
Materiais de alto consumo, componentes de maior valor, itens com longos prazos de fornecimento e produtos adquiridos em embalagens específicas podem exigir parâmetros diferentes. Dessa maneira, o planejamento consegue conciliar necessidades produtivas, condições de abastecimento e níveis de estoque de forma mais organizada.
Como interpretar as informações e sugestões geradas pelo MRP?
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP não serve apenas para calcular quantidades. Ele também gera informações que ajudam a indústria a decidir quando comprar, quando produzir, quando antecipar uma ordem e quando rever uma programação já existente.
Essas sugestões precisam ser interpretadas com atenção, porque funcionam como sinais para os setores envolvidos no planejamento. Em vez de analisar apenas o estoque atual, a empresa passa a observar também o que acontecerá nos próximos dias ou semanas.
Entre as principais informações apresentadas estão ordens planejadas, mensagens de antecipação, postergação, alertas de falta e necessidades futuras.
Ordens planejadas de compra
As ordens planejadas de compra indicam materiais que deverão ser adquiridos para atender às necessidades futuras da produção.
Normalmente, essas sugestões apresentam informações como:
-
material necessário;
-
quantidade sugerida;
-
data em que o item será necessário;
-
data recomendada para emissão da compra;
-
saldo disponível;
-
recebimentos já previstos.
A data sugerida para emissão é especialmente importante.
Se determinado componente será necessário em 30 dias e possui prazo de fornecimento de 20 dias, o planejamento deverá indicar uma compra com antecedência suficiente para que o material esteja disponível no momento correto.
Essas ordens ainda podem passar por análise antes de serem efetivamente liberadas, principalmente quando existem alterações recentes de demanda ou negociações em andamento com fornecedores.
Ordens planejadas de produção
Quando determinado componente é fabricado internamente, o sistema pode gerar uma sugestão de ordem de produção em vez de uma necessidade de compra.
Nesse caso, são consideradas informações como:
-
componente que precisa ser produzido;
-
quantidade necessária;
-
data de necessidade;
-
prazo de fabricação;
-
data sugerida para início;
-
previsão de término.
Essas ordens ajudam a sincronizar os diferentes níveis da estrutura do produto.
Um subconjunto precisa estar pronto antes de ser utilizado na montagem seguinte. Por isso, a programação precisa respeitar a sequência entre componentes, subconjuntos e produtos acabados.
Quanto mais níveis existirem na estrutura, maior será a importância dessa coordenação.
Mensagens de antecipação
As mensagens de antecipação indicam que determinada ordem precisa ser executada antes da data atualmente prevista.
Isso pode ocorrer quando a demanda é antecipada, quando o consumo aumenta ou quando alguma alteração na programação faz com que o material seja necessário mais cedo.
Esse tipo de mensagem merece atenção porque pode sinalizar risco de falta.
Antes de realizar qualquer mudança, é importante verificar:
-
data atual da ordem;
-
nova data de necessidade;
-
quantidade envolvida;
-
prazo restante;
-
disponibilidade do fornecedor ou da produção interna.
Se a antecipação não for possível, a equipe poderá precisar rever prioridades ou avaliar alternativas dentro do planejamento industrial.
Mensagens de postergação
A postergação acontece quando uma ordem está prevista para chegar ou ser concluída antes do momento realmente necessário.
Isso pode ocorrer quando a produção é adiada, a demanda diminui ou determinada necessidade deixa de ser urgente.
Nessa situação, o planejamento pode sugerir que a compra ou fabricação seja transferida para uma data posterior.
Essa análise ajuda a evitar:
-
materiais chegando cedo demais;
-
aumento desnecessário dos estoques;
-
ocupação antecipada do espaço de armazenagem;
-
capital imobilizado por mais tempo.
A postergação não significa que a necessidade desapareceu. Ela indica apenas que a data atual pode estar mais adiantada do que o necessário.
Sugestões de cancelamento
Alterações na demanda podem fazer com que determinadas ordens deixem de ser necessárias.
Um produto pode ter sua quantidade reduzida, uma ordem pode ser retirada da programação ou determinado material pode ter sido substituído.
Nessas situações, o MRP pode identificar que uma compra ou produção planejada não possui mais uma necessidade associada.
Antes de realizar um cancelamento, entretanto, é importante verificar a situação da ordem.
Uma compra que ainda não foi enviada ao fornecedor pode ser mais simples de interromper do que um pedido já em transporte. Da mesma forma, uma ordem de produção que já consumiu materiais exige análise antes de qualquer decisão.
Alertas de falta de materiais
Os alertas de falta indicam que determinado componente pode não estar disponível na quantidade ou na data necessária.
Esses alertas podem ser provocados por fatores como:
-
saldo insuficiente;
-
atraso de fornecedor;
-
aumento da demanda;
-
ordem de produção atrasada;
-
alteração de prazo;
-
recebimento programado depois da data necessária.
A principal vantagem é permitir que a empresa identifique o risco antes que ele afete diretamente a produção.
Quanto maior a antecedência dessa identificação, maior tende a ser a capacidade de reorganizar compras, prioridades e programação.
Necessidades futuras
Outra informação relevante é a visão das demandas futuras.
Em vez de acompanhar somente aquilo que precisa ser comprado imediatamente, a indústria consegue enxergar materiais que serão necessários nos próximos períodos.
Essa perspectiva facilita o planejamento de:
-
compras futuras;
-
produção de componentes;
-
disponibilidade de materiais críticos;
-
prioridades de abastecimento;
-
níveis de estoque.
Essa visibilidade permite que o planejamento seja mais preventivo e menos dependente de ações emergenciais.
Quais fatores podem comprometer os resultados do MRP?
Mesmo quando a lógica de cálculo está corretamente configurada, os resultados dependem diretamente da qualidade das informações utilizadas.
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP trabalha com dados de estoque, estruturas, ordens, prazos e demanda. Se algum desses elementos estiver incorreto, o cálculo também poderá apresentar necessidades incompatíveis com a realidade.
Por isso, manter uma base confiável é tão importante quanto utilizar o próprio método.
Estoque sem acuracidade
A acuracidade de estoque representa a correspondência entre a quantidade registrada e o saldo realmente existente fisicamente.
Se o sistema mostra 2.000 unidades, mas o estoque possui apenas 1.500, o planejamento poderá considerar uma disponibilidade que não existe.
Isso pode provocar:
-
falta de materiais;
-
compras realizadas tarde demais;
-
atrasos de produção;
-
necessidade de ajustes emergenciais.
O problema inverso também pode ocorrer. Caso existam mais materiais fisicamente do que no registro, a empresa poderá gerar compras desnecessárias.
Inventários, conferências e registros corretos de movimentação são importantes para reduzir essas diferenças.
Estrutura de produto incorreta
A estrutura do produto determina quais materiais são necessários para fabricar cada item.
Erros nessa estrutura afetam diretamente o cálculo.
Entre os problemas mais comuns estão:
-
componentes ausentes;
-
materiais cadastrados indevidamente;
-
quantidades de consumo incorretas;
-
versões antigas da estrutura;
-
substituições não atualizadas.
Se um componente não estiver cadastrado, sua necessidade poderá não ser calculada. Se a quantidade estiver acima do consumo real, o planejamento poderá gerar excesso de abastecimento.
Lead times desatualizados
Os prazos precisam representar a realidade da operação.
Se determinado fornecedor passou a entregar em 25 dias, mas o cadastro continua indicando 15, as compras poderão ser sugeridas tarde demais.
Da mesma forma, prazos superiores ao necessário podem antecipar ordens e aumentar o estoque.
É importante revisar periodicamente:
-
prazo dos fornecedores;
-
tempo de fabricação interna;
-
movimentações;
-
períodos de inspeção;
-
tempo necessário para liberação.
Ordens sem atualização
Pedidos de compra e ordens de produção precisam refletir sua situação real.
Compras já recebidas que permanecem como abertas podem aparecer como entradas futuras, gerando uma visão incorreta da disponibilidade.
O mesmo ocorre quando uma produção concluída continua pendente no sistema.
Entre as situações que precisam ser corrigidas estão:
-
pedidos recebidos ainda marcados como abertos;
-
ordens concluídas sem encerramento;
-
cancelamentos não registrados;
-
entregas parciais sem atualização;
-
datas de recebimento antigas.
Informações desse tipo podem fazer com que o planejamento considere entradas que não acontecerão.
Demanda desatualizada
A demanda é uma das bases do cálculo.
Quando a programação da produção muda, as necessidades também precisam acompanhar essa alteração.
Aumentos de quantidade podem exigir mais materiais, enquanto reduções podem fazer com que determinadas compras deixem de ser necessárias.
Se a demanda não for atualizada, o planejamento continuará utilizando uma programação que já não corresponde à realidade.
Isso pode gerar tanto falta quanto excesso de componentes.
Parâmetros inadequados
Os parâmetros de planejamento também influenciam significativamente os resultados.
Estoques de segurança muito elevados, por exemplo, podem fazer com que sejam planejadas quantidades maiores do que o necessário.
Já um estoque de segurança insuficiente pode reduzir a proteção diante de atrasos e variações de consumo.
Outros parâmetros importantes incluem:
-
lote mínimo;
-
lote máximo;
-
múltiplos de compra;
-
políticas de reposição;
-
período de cobertura.
Essas regras precisam ser ajustadas conforme as características de cada grupo de materiais.
Cadastros inconsistentes
Erros cadastrais aparentemente simples podem causar diferenças consideráveis no planejamento.
Uma unidade de medida incorreta pode transformar uma necessidade de quilogramas em unidades, por exemplo. Conversões mal configuradas também podem alterar quantidades de compra e consumo.
Entre os dados que precisam de atenção estão:
-
unidade de medida;
-
fatores de conversão;
-
forma de abastecimento;
-
classificação do material;
-
origem do item;
-
parâmetros de compra ou fabricação.
Manter esses cadastros padronizados reduz inconsistências e melhora a confiabilidade das informações utilizadas nas decisões de compras, estoque e produção.
Quais indicadores ajudam a acompanhar a eficiência do MRP?
Depois de configurar o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP, é importante acompanhar se os resultados gerados realmente estão contribuindo para melhorar o abastecimento da produção. Para isso, a indústria pode utilizar indicadores que mostram a qualidade dos estoques, o nível de disponibilidade dos materiais, o cumprimento dos prazos e a eficiência das compras.
Esses indicadores permitem identificar problemas que nem sempre são percebidos apenas observando as ordens planejadas. Um cálculo pode estar correto, por exemplo, mas apresentar resultados pouco confiáveis se o estoque estiver desatualizado ou se os fornecedores estiverem entregando frequentemente com atraso.
Por isso, a análise deve considerar tanto os dados utilizados no planejamento quanto os resultados obtidos após a execução das compras e ordens de produção.
Acuracidade de estoque
A acuracidade de estoque indica o grau de correspondência entre a quantidade registrada no sistema e a quantidade realmente existente fisicamente.
Esse é um dos indicadores mais importantes para o planejamento de materiais porque o cálculo das necessidades utiliza os saldos disponíveis como uma de suas principais bases.
Quando a acuracidade é baixa, podem ocorrer situações como:
-
materiais registrados que não existem fisicamente;
-
quantidades físicas superiores ao saldo informado;
-
itens armazenados em locais incorretos;
-
movimentações ainda não registradas;
-
reservas que não representam a situação real.
Se o sistema indicar que existem 500 unidades disponíveis, mas o estoque físico possuir apenas 350, o planejamento poderá deixar de gerar uma reposição necessária.
Por isso, inventários periódicos e registros corretos de entradas, saídas e movimentações ajudam a tornar os cálculos mais confiáveis.
Índice de falta de materiais
O índice de falta, também chamado de índice de ruptura de materiais, permite acompanhar com que frequência os componentes necessários não estão disponíveis no momento da produção.
Quando esse indicador permanece elevado, pode existir algum problema em etapas como:
-
previsão da demanda;
-
cálculo das necessidades;
-
atualização dos estoques;
-
prazos de compra;
-
desempenho dos fornecedores;
-
programação das ordens.
Uma falta recorrente não significa necessariamente que a empresa precisa aumentar todos os estoques. Antes disso, é importante identificar a origem da indisponibilidade.
O componente pode estar sendo comprado tarde demais, possuir um prazo de entrega incorreto no cadastro ou apresentar consumo diferente daquele definido na estrutura do produto.
O acompanhamento da ruptura ajuda a direcionar essa análise.
Cobertura de estoque
A cobertura indica durante quanto tempo o saldo disponível consegue atender ao consumo ou à demanda prevista.
Esse indicador fornece uma visão diferente da simples quantidade armazenada.
Possuir 10 mil unidades de determinado componente pode representar um estoque elevado ou muito baixo, dependendo da velocidade de consumo.
Se a produção utiliza 10 mil unidades em poucos dias, a cobertura será pequena. Caso o consumo seja de apenas 500 unidades por mês, o mesmo saldo representará um período muito maior.
A cobertura ajuda a identificar:
-
materiais com estoque insuficiente;
-
itens com quantidade excessiva;
-
riscos de ruptura futura;
-
necessidade de reposição;
-
materiais com baixa movimentação.
Dentro do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP, esse indicador pode complementar a análise das necessidades futuras e ajudar a verificar se os níveis mantidos estão coerentes com a programação.
Giro de estoque
O giro de estoque mede a velocidade com que os materiais são consumidos e renovados ao longo de determinado período.
Itens com giro elevado apresentam movimentação frequente. Já materiais com giro muito baixo permanecem armazenados por períodos maiores.
A análise desse indicador pode ajudar a indústria a identificar:
-
componentes de consumo frequente;
-
materiais com pouca movimentação;
-
itens acumulados;
-
necessidade de revisão das compras;
-
mudanças no comportamento da demanda.
Um baixo giro não significa automaticamente que determinado material representa um problema. Alguns componentes podem possuir características específicas de fornecimento ou utilização.
No entanto, quando grandes quantidades permanecem armazenadas sem previsão de consumo, é importante verificar se compras antecipadas, lotes inadequados ou alterações da demanda contribuíram para essa situação.
Lead time de compras
O lead time de compras mostra o tempo necessário entre o início do processo de aquisição e a disponibilidade efetiva do material.
O acompanhamento do prazo real permite verificar se os valores utilizados no planejamento correspondem ao que acontece na operação.
Se um fornecedor está cadastrado com prazo de 12 dias, mas as últimas entregas levaram aproximadamente 20 dias, o parâmetro pode precisar ser revisado.
Essa diferença interfere diretamente na data sugerida para emissão das compras.
O monitoramento do lead time pode considerar:
-
data da solicitação;
-
data de emissão do pedido;
-
prazo prometido;
-
data de recebimento;
-
período até a liberação do material.
A comparação entre esses períodos ajuda a manter os parâmetros mais próximos da realidade.
Atrasos de fornecedores
Além do prazo médio de compra, também é importante verificar a frequência com que os fornecedores cumprem as datas prometidas.
O indicador de atrasos compara a previsão de entrega com o recebimento efetivo.
Um fornecedor pode oferecer um prazo teoricamente adequado, mas apresentar atrasos frequentes. Nesse caso, o planejamento fica mais vulnerável porque os recebimentos futuros podem não ocorrer conforme o previsto.
O acompanhamento pode ajudar a identificar:
-
fornecedores com maior índice de atraso;
-
materiais mais afetados;
-
frequência dos desvios;
-
diferença média entre previsão e entrega;
-
impacto dos atrasos na produção.
Essas informações podem ser utilizadas na revisão dos prazos e na definição de estratégias de abastecimento para materiais considerados críticos.
Estoque excedente
O estoque excedente representa materiais armazenados em volumes superiores às necessidades previstas.
Esse excesso pode surgir por diferentes motivos, como:
-
compras antecipadas;
-
lotes mínimos muito elevados;
-
redução da demanda;
-
alteração da estrutura de produtos;
-
parâmetros de reposição inadequados;
-
pedidos duplicados.
O indicador permite identificar quais materiais concentram quantidades acima do necessário e investigar sua origem.
O objetivo não deve ser simplesmente reduzir todo o estoque, mas buscar um equilíbrio entre disponibilidade e necessidade.
Um estoque muito baixo aumenta o risco de falta. Um volume excessivo pode aumentar custos de armazenagem, ocupar espaço e manter recursos financeiros aplicados em materiais sem necessidade imediata.
Cumprimento das ordens planejadas
Outro indicador importante é o cumprimento das ordens geradas pelo planejamento.
Ele permite avaliar se as compras e produções estão sendo realizadas dentro das datas previstas.
Uma ordem planejada corretamente pode não produzir o resultado esperado se sua execução ocorrer com atraso.
Por isso, é importante acompanhar:
-
ordens emitidas dentro do prazo;
-
compras atrasadas;
-
produções iniciadas depois da data prevista;
-
ordens concluídas fora da programação;
-
necessidades que não foram atendidas na data correta.
Quando os atrasos são frequentes, a empresa pode investigar se o problema está no planejamento, na execução das compras, na fabricação interna ou nos prazos cadastrados.
Esse acompanhamento aproxima o que foi planejado daquilo que realmente aconteceu na operação.
Principais informações e indicadores para acompanhar o MRP
A análise conjunta dos indicadores oferece uma visão mais completa do desempenho do planejamento. Avaliar somente um número isoladamente pode esconder problemas relacionados a outras etapas da operação.
| Informação ou indicador | O que permite avaliar |
|---|---|
| Acuracidade de estoque | Confiabilidade dos saldos utilizados no cálculo |
| Ruptura de materiais | Frequência de falta de componentes necessários à produção |
| Cobertura de estoque | Período durante o qual o saldo disponível consegue atender à demanda |
| Giro de estoque | Frequência de consumo e renovação dos materiais armazenados |
| Lead time de compras | Tempo necessário para disponibilizar os materiais comprados |
| Atrasos de fornecedores | Cumprimento das datas previstas para entrega |
| Estoque excedente | Materiais armazenados acima das necessidades planejadas |
| Ordens planejadas em atraso | Necessidades que não foram atendidas dentro da programação |
Como analisar os indicadores em conjunto?
Os indicadores se tornam mais úteis quando são relacionados entre si.
Uma indústria pode apresentar baixo índice de falta de materiais, por exemplo, mas manter estoques muito elevados. Nesse cenário, a disponibilidade está sendo garantida, porém talvez exista espaço para melhorar o equilíbrio entre abastecimento e quantidade armazenada.
Da mesma forma, uma cobertura considerada adequada pode não impedir rupturas se houver baixa acuracidade de estoque.
A combinação das informações ajuda a responder perguntas importantes:
-
os saldos utilizados no cálculo são confiáveis?
-
os fornecedores estão cumprindo os prazos?
-
existem materiais sendo comprados com antecedência excessiva?
-
as ordens estão sendo executadas dentro das datas previstas?
-
há componentes com falta recorrente?
-
existem itens com baixo consumo e grande quantidade armazenada?
Essa leitura integrada permite identificar não apenas o resultado, mas também possíveis causas dos desvios.
Por que acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo?
Uma única medição oferece apenas uma fotografia de determinado momento. Para avaliar a eficiência do planejamento, é mais útil acompanhar a evolução dos indicadores periodicamente.
Comparações semanais ou mensais podem mostrar se determinadas ações estão melhorando os resultados ou se um problema está se tornando recorrente.
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP depende de informações que mudam continuamente, como demanda, consumo, estoques, prazos e desempenho dos fornecedores. Por isso, seus indicadores também precisam ser acompanhados de maneira contínua.
Ao observar tendências, a indústria consegue perceber com maior antecedência aumentos nas rupturas, crescimento do estoque excedente, piora dos prazos de entrega ou redução da acuracidade.
Com essas informações, os responsáveis pelo planejamento podem revisar parâmetros, corrigir cadastros e ajustar processos antes que os desvios provoquem impactos maiores sobre compras, estoque e produção.
Como melhorar continuamente o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP?
A eficiência do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP não depende apenas de uma configuração inicial bem feita. A operação industrial muda constantemente: novos produtos são cadastrados, fornecedores alteram seus prazos, estruturas são revisadas, o consumo varia e as prioridades da produção podem mudar.
Por isso, o planejamento de materiais precisa ser acompanhado e atualizado continuamente.
Quando a empresa mantém informações confiáveis e revisa seus parâmetros com frequência, consegue reduzir diferenças entre aquilo que foi planejado e o que realmente acontece na produção. Esse acompanhamento também facilita a identificação antecipada de falta de componentes, excesso de estoque e necessidades que precisam ser reprogramadas.
A melhoria contínua envolve principalmente a qualidade dos cadastros, a acuracidade dos estoques, a revisão dos parâmetros e a integração das informações utilizadas no cálculo.
Manter os cadastros atualizados
Os cadastros formam a base do planejamento. Se as informações estiverem incorretas, mesmo um cálculo executado corretamente poderá apresentar resultados inadequados.
Por isso, é importante revisar dados relacionados a:
-
produtos;
-
matérias-primas;
-
componentes;
-
unidades de medida;
-
estruturas dos produtos;
-
fornecedores;
-
prazos de abastecimento;
-
políticas de lote.
A unidade de medida merece atenção especial. Um material comprado em caixas pode ser consumido em unidades, enquanto determinadas matérias-primas podem ser adquiridas em toneladas e utilizadas em quilogramas.
Quando essas conversões estão incorretas, as quantidades calculadas podem ficar muito diferentes das necessidades reais.
As estruturas de produto também precisam acompanhar mudanças realizadas na fabricação. Se um componente for substituído, removido ou tiver sua quantidade alterada, essa informação deve aparecer no cadastro utilizado pelo planejamento.
Realizar inventários e conferências periódicas
Um estoque confiável é essencial para determinar quanto realmente precisa ser comprado ou produzido.
Quando existem diferenças entre o saldo físico e o registrado, o planejamento pode considerar materiais inexistentes ou ignorar quantidades que estão armazenadas.
Inventários e conferências periódicas ajudam a identificar situações como:
-
entradas não registradas;
-
saídas pendentes;
-
materiais armazenados em locais incorretos;
-
diferenças de quantidade;
-
reservas desatualizadas;
-
perdas ainda não registradas.
Além dos inventários gerais, a indústria pode realizar conferências periódicas de grupos específicos de materiais, principalmente daqueles com maior movimentação ou maior impacto sobre a produção.
Quanto maior a acuracidade dos estoques, mais confiável tende a ser o cálculo das necessidades líquidas.
Revisar os parâmetros de planejamento
Os parâmetros utilizados no MRP não precisam permanecer iguais indefinidamente.
Mudanças no consumo, nos fornecedores ou na estratégia de abastecimento podem tornar determinados valores inadequados.
Entre os parâmetros que merecem revisão estão:
-
estoque mínimo;
-
estoque de segurança;
-
lote mínimo;
-
lote máximo;
-
múltiplos de compra;
-
prazos de reposição;
-
período de cobertura.
Um estoque de segurança definido quando determinado fornecedor apresentava muitos atrasos pode deixar de ser adequado caso os prazos se tornem mais estáveis.
Da mesma forma, um lote mínimo utilizado durante um período de grande demanda pode gerar excesso de materiais quando o consumo diminui.
A revisão periódica ajuda a manter os parâmetros próximos da realidade atual da operação.
Acompanhar alterações da demanda
A demanda interfere diretamente sobre as necessidades de materiais.
Quando a quantidade planejada de um produto aumenta, seus componentes também passam a ser necessários em volumes maiores. Quando a produção é reduzida ou adiada, determinadas compras podem precisar ser postergadas.
Por isso, mudanças relevantes devem ser refletidas rapidamente no planejamento.
Entre as informações que podem precisar de atualização estão:
-
quantidades programadas;
-
datas de fabricação;
-
prioridades;
-
cancelamentos;
-
alterações na sequência de produção.
Depois dessas mudanças, o cálculo pode ser executado novamente para verificar seus impactos.
Esse processo permite identificar se será necessário antecipar uma compra, reduzir determinada ordem ou reprogramar componentes que já estavam previstos.
Monitorar pedidos e ordens em aberto
O planejamento não termina quando uma compra ou produção é liberada.
As ordens precisam ser acompanhadas até sua conclusão para que as informações utilizadas nos próximos cálculos representem a situação real.
Nos pedidos de compra, é importante observar:
-
quantidade pendente;
-
previsão de entrega;
-
entregas parciais;
-
alterações de prazo;
-
cancelamentos.
Nas ordens de produção, devem ser acompanhadas informações como quantidade produzida, saldo pendente e previsão de término.
Quando um fornecedor informa que determinada entrega será atrasada, por exemplo, essa nova data precisa ser considerada no planejamento.
Caso contrário, o sistema continuará tratando aquele recebimento como disponível na data original.
Encerrar corretamente as ordens concluídas
Ordens que permanecem abertas depois de concluídas podem distorcer a visão das disponibilidades futuras.
Uma compra já recebida que continua aparecendo como pendente pode ser considerada novamente como uma entrada futura. O mesmo problema pode ocorrer com componentes já fabricados.
Por isso, é importante atualizar:
-
compras recebidas;
-
ordens concluídas;
-
pedidos cancelados;
-
quantidades parciais;
-
saldos pendentes.
Essa rotina reduz a possibilidade de o planejamento utilizar informações que não representam mais a operação.
Comparar planejamento e consumo realizado
Uma forma importante de aperfeiçoar o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP é comparar aquilo que estava previsto com o consumo efetivamente registrado.
Diferenças recorrentes podem indicar que alguma informação precisa ser revisada.
Se determinado componente apresenta consumo real constantemente superior ao planejado, é importante verificar se:
-
a quantidade cadastrada na estrutura está correta;
-
existem perdas não consideradas;
-
houve alteração no processo;
-
a unidade de medida está adequada;
-
a demanda sofreu mudanças.
Quando o consumo real é muito menor, também pode existir uma configuração inadequada.
Essa comparação transforma os resultados da operação em informações úteis para aperfeiçoar os próximos ciclos de planejamento.
Analisar materiais críticos
Nem todos os componentes apresentam o mesmo nível de risco para a produção.
Alguns possuem longo prazo de fornecimento, poucos fornecedores disponíveis ou baixa quantidade em estoque. Outros podem ser utilizados em diversos produtos e provocar impactos maiores quando ficam indisponíveis.
Por isso, é interessante identificar materiais considerados críticos.
A análise pode priorizar:
-
itens com risco frequente de falta;
-
componentes com lead time elevado;
-
materiais utilizados em vários produtos;
-
itens com baixa disponibilidade;
-
componentes com atrasos recorrentes;
-
materiais responsáveis por interrupções na fabricação.
Essa priorização ajuda a direcionar a atenção para os itens que apresentam maior impacto sobre o abastecimento.
Acompanhar materiais com lead time elevado
Componentes com longos prazos de compra ou fabricação exigem maior antecedência no planejamento.
Uma mudança de demanda que afeta um item disponível em poucos dias tende a ser mais fácil de administrar do que uma alteração relacionada a um componente que demora vários meses para ser disponibilizado.
Por isso, materiais com lead time elevado devem ter suas necessidades futuras acompanhadas com maior antecedência.
Também é importante verificar se os prazos registrados continuam representando o desempenho real dos fornecedores e dos processos internos.
Integrar o MRP ao controle industrial
O planejamento se torna mais eficiente quando as informações de materiais, compras, estoque e produção estão relacionadas.
Se cada área utiliza controles separados, podem surgir diferenças entre os dados utilizados.
O estoque pode indicar uma quantidade, enquanto outro controle apresenta um saldo diferente. Uma compra pode ter sua data alterada sem que essa informação seja refletida no planejamento.
A integração ajuda a centralizar dados como:
-
saldos de estoque;
-
reservas;
-
pedidos de compra;
-
ordens de produção;
-
estruturas dos produtos;
-
necessidades futuras;
-
previsões de recebimento.
Essa centralização reduz retrabalho e diminui a dependência de conferências em diferentes fontes.
Melhorar a visibilidade das necessidades futuras
Um dos principais benefícios do planejamento de materiais é permitir que a indústria deixe de observar somente as faltas atuais e passe a analisar também riscos futuros.
Ao visualizar as necessidades dos próximos períodos, os responsáveis pelo abastecimento podem identificar antecipadamente materiais que exigirão atenção.
Essa visão facilita a identificação de:
-
períodos com maior demanda;
-
componentes que poderão atingir níveis baixos;
-
compras que precisarão ser antecipadas;
-
materiais com excesso previsto;
-
ordens que podem precisar de ajustes.
Quanto maior a qualidade dessas informações, maior será a capacidade de organizar compras e produção antes que uma necessidade se transforme em urgência.
O aperfeiçoamento contínuo do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP acontece justamente quando os resultados do cálculo são comparados com a realidade operacional e utilizados para revisar cadastros, prazos, estoques e parâmetros. Dessa maneira, cada novo ciclo de planejamento pode trabalhar com informações mais atualizadas e coerentes com as necessidades da indústria.
Perguntas frequentes
Quer ver o IndústriaPro na prática?
Agende uma demonstração e alinhe PCP, estoque e fiscal ao processo da sua planta.