O que é Planejamento das Necessidades de Materiais MRP e como funciona?
Organizar corretamente os materiais necessários para a produção é um dos principais desafios de uma indústria. Quando uma empresa não sabe exatamente quais componentes serão utilizados, em que quantidade serão necessários e em qual momento deverão estar disponíveis, podem surgir atrasos, interrupções na fabricação, compras emergenciais e excesso de materiais armazenados.
Nesse contexto, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP ajuda a transformar o planejamento da produção em necessidades organizadas de matérias-primas, componentes e outros itens utilizados na fabricação.
Conceito de MRP
MRP é a sigla para Material Requirements Planning, expressão que pode ser traduzida como planejamento das necessidades de materiais. Trata-se de uma metodologia utilizada para calcular quais materiais serão necessários para atender a determinada programação de produção.
Em vez de analisar cada item isoladamente, o MRP considera diferentes informações relacionadas ao processo produtivo. Entre elas estão a quantidade de produtos que deverá ser fabricada, os materiais que compõem cada produto, os saldos disponíveis em estoque e as entradas que já estão previstas.
Imagine, por exemplo, uma fábrica que recebeu uma programação para produzir 500 unidades de um determinado item. Antes de iniciar a fabricação, é necessário descobrir quantas unidades de cada componente serão utilizadas e verificar se essas quantidades estão disponíveis.
É justamente nessa etapa que o planejamento de materiais se torna importante.
O processo pode considerar informações como:
-
quantidade programada para produção;
-
estrutura de cada produto;
-
componentes utilizados na fabricação;
-
matérias-primas necessárias;
-
estoque disponível;
-
materiais já reservados;
-
pedidos de compra em andamento;
-
ordens de produção existentes;
-
datas previstas para utilização dos materiais.
Com essas informações, a indústria consegue criar uma visão mais organizada das necessidades futuras.
MRP não é apenas controle de estoque
Um ponto importante para compreender o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP é diferenciá-lo do controle tradicional de estoque.
O controle de estoque mostra principalmente aquilo que a empresa possui naquele momento. Ele permite acompanhar entradas, saídas, saldos e movimentações dos produtos ou materiais armazenados.
O planejamento de materiais, por outro lado, olha também para aquilo que será necessário futuramente.
Considere um componente com 1.000 unidades disponíveis no estoque. Apenas observar esse saldo pode transmitir a impressão de que existe uma quantidade suficiente. Porém, se a programação futura exigir 1.400 unidades, haverá uma necessidade adicional de 400 unidades.
Além disso, parte das 1.000 unidades disponíveis pode estar reservada para outras ordens de produção. Por isso, conhecer apenas o saldo físico não é suficiente para planejar adequadamente a fabricação.
As três perguntas fundamentais do MRP
O funcionamento do MRP pode ser compreendido a partir de três perguntas básicas.
A primeira é: o que será necessário?
Essa resposta depende da estrutura dos produtos. Se determinado produto utiliza parafusos, chapas metálicas, embalagens, motores e cabos, esses materiais precisam estar relacionados corretamente à fabricação.
A segunda pergunta é: quanto será necessário?
Nesse caso, o cálculo considera a quantidade utilizada por produto e o volume programado para fabricação.
A terceira pergunta é: quando o material deverá estar disponível?
Essa informação é essencial porque comprar a quantidade correta depois da data necessária ainda poderá causar interrupções na produção.
Por isso, o planejamento considera tanto quantidades quanto prazos.
Como funciona o fluxo básico do MRP?
O fluxo pode ser representado de maneira simples:
Demanda → Plano de Produção → Estrutura do Produto → Estoque Disponível → Necessidades de Materiais → Compras e Produção
Tudo começa com uma necessidade de fabricação. Essa demanda pode originar uma programação de produção contendo os produtos, quantidades e datas previstas.
Em seguida, é necessário consultar a estrutura de cada produto para identificar quais materiais serão consumidos.
Depois, os materiais necessários são comparados com as quantidades disponíveis e com as entradas já previstas. A partir dessa análise, podem ser identificadas necessidades adicionais de compra ou produção interna.
Um exemplo simples de cálculo
Considere uma indústria que pretende fabricar 100 unidades de determinado produto.
Cada unidade fabricada utiliza:
-
2 unidades do componente A;
-
1 unidade do componente B;
-
4 unidades da matéria-prima C.
Antes de considerar o estoque, a necessidade inicial será:
-
componente A: 200 unidades;
-
componente B: 100 unidades;
-
matéria-prima C: 400 unidades.
Esses valores representam uma necessidade bruta.
Agora imagine que a empresa possui 80 unidades do componente A disponíveis. Nesse caso, será necessário analisar quanto ainda precisará ser providenciado para atender a produção planejada.
Se não existirem reservas ou entradas previstas, a necessidade restante do componente A será de 120 unidades.
O mesmo raciocínio poderá ser aplicado aos demais materiais, tornando o planejamento mais preciso.
Quais informações são necessárias para criar um plano de materiais eficiente?
A qualidade do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP depende diretamente da qualidade das informações utilizadas no cálculo. Cadastros incorretos, estoques desatualizados ou prazos inconsistentes podem gerar necessidades diferentes da realidade.
Por isso, alguns dados precisam receber atenção especial.
Demanda de produção
A demanda representa aquilo que deverá ser produzido. Ela funciona como um dos principais pontos de partida do planejamento.
É importante identificar informações como:
-
produto que será fabricado;
-
quantidade programada;
-
data prevista;
-
prioridade da fabricação;
-
ordem de produção ou programação relacionada.
Uma alteração na quantidade programada pode modificar todas as necessidades de materiais relacionadas ao produto.
Por exemplo, se uma produção passa de 500 para 700 unidades, os componentes utilizados também precisarão ser recalculados.
Cadastro dos materiais
Cada material precisa possuir informações confiáveis para que o cálculo seja realizado corretamente.
O cadastro pode conter:
-
código do item;
-
descrição;
-
unidade de medida;
-
classificação do material;
-
quantidade mínima;
-
lote utilizado para compra ou produção;
-
origem do item;
-
fornecedor relacionado, quando aplicável.
A unidade de medida merece atenção especial. Um material comprado em caixas, utilizado em unidades e controlado de forma incorreta pode causar divergências significativas no planejamento.
Estrutura dos produtos
A estrutura do produto informa exatamente quais materiais são necessários para sua fabricação.
Ela pode incluir matérias-primas, componentes e subconjuntos.
Imagine que um equipamento seja composto por:
-
1 estrutura metálica;
-
2 motores;
-
4 rodas;
-
8 parafusos;
-
3 metros de cabo.
Se algum desses itens estiver ausente da estrutura cadastrada, ele poderá não aparecer corretamente no cálculo das necessidades.
Também é necessário informar a quantidade utilizada. Registrar 2 unidades quando o consumo real é de 4 poderá fazer com que o planejamento disponibilize apenas metade do material necessário.
Saldos de estoque
Outro elemento fundamental é saber quanto realmente está disponível.
O estoque físico representa a quantidade existente no local de armazenamento, mas nem sempre corresponde ao estoque que poderá ser utilizado em uma nova produção.
O planejamento também precisa observar:
-
estoque disponível;
-
quantidades reservadas;
-
materiais comprometidos;
-
itens aguardando utilização;
-
entradas previstas.
Por exemplo, um material pode apresentar saldo físico de 500 unidades, mas 300 já estarem reservadas para outra ordem. Nesse caso, somente 200 unidades estarão efetivamente disponíveis para outras necessidades.
Pedidos e ordens em andamento
Além daquilo que está armazenado, também é necessário considerar os materiais que ainda chegarão ou serão produzidos.
Um pedido de compra aberto pode representar uma entrada futura. Da mesma forma, uma ordem de produção de um componente poderá disponibilizar determinada quantidade em uma data prevista.
O planejamento deve considerar:
-
pedidos de compra pendentes;
-
ordens de produção abertas;
-
materiais em trânsito;
-
quantidades solicitadas;
-
quantidades ainda não recebidas;
-
datas previstas de entrega.
Imagine que sejam necessárias 1.000 unidades de um componente e existam apenas 300 disponíveis no estoque. A princípio, seria possível entender que faltam 700 unidades.
Porém, se houver um pedido de compra de 500 unidades com entrega prevista antes do início da fabricação, a necessidade adicional poderá ser reduzida.
É justamente a combinação entre demanda, estrutura dos produtos, estoque e entradas futuras que permite construir um plano de materiais mais consistente e alinhado à programação produtiva.
Como montar corretamente a estrutura de produtos para o MRP?
A estrutura de produtos é uma das principais bases para que o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP consiga calcular corretamente os itens necessários para uma fabricação. Quando essa estrutura está incompleta ou apresenta quantidades incorretas, todo o planejamento de materiais pode ser afetado.
Por isso, antes de calcular compras ou verificar possíveis faltas no estoque, é importante representar de forma organizada tudo aquilo que compõe cada produto fabricado.
O que é a estrutura do produto?
A estrutura do produto apresenta os materiais, componentes e subconjuntos utilizados para fabricar um determinado item. Ela funciona como uma relação organizada dos recursos que serão consumidos durante o processo produtivo.
Se uma empresa fabrica equipamentos, por exemplo, cada equipamento pode precisar de peças metálicas, motores, cabos, parafusos, componentes elétricos e outros materiais.
A estrutura deve mostrar não apenas quais itens fazem parte do produto, mas também a quantidade necessária de cada um.
Entre as informações que podem fazer parte desse cadastro estão:
-
código do componente;
-
descrição do material;
-
quantidade utilizada;
-
unidade de medida;
-
nível dentro da estrutura;
-
vínculo com subconjuntos;
-
perdas previstas, quando aplicável.
Esses dados permitem transformar uma quantidade planejada de produtos acabados em necessidades específicas de materiais.
Como funcionam os níveis da estrutura?
Nem todos os produtos possuem apenas matérias-primas diretamente relacionadas ao item final. Em processos industriais mais detalhados, a fabricação pode envolver diferentes níveis.
Uma representação simplificada é:
Produto acabado → Subconjuntos → Componentes → Matérias-primas
O produto acabado é aquilo que será concluído ao final da fabricação.
Os subconjuntos são partes que podem ser produzidas ou montadas separadamente e posteriormente incorporadas ao produto final.
Os componentes são itens utilizados nesses conjuntos ou diretamente no produto.
Já as matérias-primas são materiais básicos consumidos durante a fabricação.
Imagine uma máquina que utiliza um painel elétrico. O painel pode ser um subconjunto e possuir sua própria composição, formada por disjuntores, cabos, conectores e outros itens.
Nesse caso, o cálculo não deve considerar apenas o painel como uma unidade. Dependendo da forma como a produção está organizada, também será necessário calcular os materiais utilizados para fabricar esse painel.
Quantidade por unidade produzida
Um dos pontos mais importantes da estrutura é informar corretamente quanto de cada componente será consumido.
Considere que, para fabricar um equipamento, sejam necessários:
-
1 estrutura metálica;
-
2 motores;
-
6 parafusos específicos;
-
3 metros de cabo.
Se a programação indicar a fabricação de 100 equipamentos, o planejamento inicial poderá identificar a necessidade de:
-
100 estruturas metálicas;
-
200 motores;
-
600 parafusos;
-
300 metros de cabo.
Uma quantidade incorreta cadastrada na estrutura será multiplicada pelo volume planejado e poderá gerar uma diferença significativa.
Por exemplo, se o consumo real for de seis parafusos por equipamento, mas a estrutura estiver configurada com quatro, uma produção de 500 unidades apresentará uma diferença de 1.000 parafusos.
Por esse motivo, a estrutura precisa representar o consumo real de maneira confiável.
Produtos com vários níveis
Alguns produtos possuem estruturas mais complexas porque determinado componente também precisa ser fabricado.
Imagine um equipamento formado por:
-
estrutura principal;
-
conjunto de transmissão;
-
painel elétrico;
-
sistema de proteção.
O conjunto de transmissão pode utilizar engrenagens, eixos e rolamentos. O painel elétrico, por sua vez, pode utilizar cabos, conectores e dispositivos elétricos.
Assim, cada subconjunto pode possuir uma estrutura própria.
Esse detalhamento permite que o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP identifique necessidades em diferentes níveis e calcule os componentes que precisam estar disponíveis para que os subconjuntos sejam produzidos antes da montagem final.
Como considerar perdas previstas?
Em determinados processos, a quantidade utilizada teoricamente pode não representar exatamente o consumo real.
Durante a produção podem ocorrer:
-
refugos;
-
quebras;
-
sobras;
-
cortes de materiais;
-
perdas durante operações;
-
variações inevitáveis de processo.
Imagine que determinado produto necessite teoricamente de 10 metros de material, mas historicamente exista uma pequena perda relacionada ao corte ou preparação.
Quando essa perda faz parte das condições normais do processo e pode ser tecnicamente estimada, ela precisa ser considerada no planejamento conforme os critérios adotados pela empresa.
O objetivo não é aumentar indiscriminadamente as quantidades, mas evitar que um consumo conhecido deixe de ser considerado.
Por que atualizar a estrutura dos produtos?
A estrutura não deve ser tratada como um cadastro que permanece inalterado para sempre.
Mudanças de projeto, substituição de materiais, alteração de fornecedores, melhoria nos processos e novos padrões de fabricação podem modificar os componentes utilizados.
Uma estrutura desatualizada pode provocar:
-
compras de materiais que deixaram de ser utilizados;
-
falta de componentes novos;
-
excesso de itens antigos;
-
diferenças entre consumo previsto e realizado;
-
necessidades incorretas;
-
programação incompatível com a fabricação atual.
Sempre que houver uma alteração relevante no produto, a composição cadastrada deve ser revisada para continuar representando aquilo que efetivamente será fabricado.
Como calcular necessidades brutas e necessidades líquidas de materiais?
Depois de identificar quais componentes fazem parte dos produtos e quanto será consumido, é necessário descobrir quanto realmente deverá ser comprado ou produzido.
É nesse momento que entram os conceitos de necessidade bruta e necessidade líquida.
A diferença entre esses valores é importante porque a empresa pode já possuir parte dos materiais no estoque ou ter entregas programadas.
O que é necessidade bruta?
A necessidade bruta representa a quantidade total de determinado material necessária para atender ao plano de produção antes de considerar estoque, reservas ou entradas futuras.
O cálculo básico pode ser realizado utilizando:
Quantidade planejada de produtos × consumo do material por produto.
Considere:
Produção planejada: 500 produtos
Consumo do componente: 3 unidades por produto
O cálculo será:
Necessidade bruta = 500 × 3 = 1.500 unidades
Isso significa que o plano de fabricação exigirá um total de 1.500 unidades daquele componente.
Entretanto, isso não significa necessariamente que a empresa precise comprar as 1.500 unidades.
Como o estoque disponível interfere no cálculo?
Depois de calcular a necessidade total, é preciso verificar o que já está disponível.
Se a empresa necessita de 1.500 unidades e possui 400 disponíveis para utilização, parte da demanda poderá ser atendida pelo próprio estoque.
Nesse momento, é importante trabalhar com o saldo efetivamente disponível e não apenas com a quantidade física registrada.
Um material pode estar armazenado e, mesmo assim, não estar totalmente livre para utilização.
Recebimentos programados também precisam ser considerados
Pedidos de compra que já foram realizados podem atender parte da necessidade futura.
Imagine que, além das 400 unidades disponíveis, exista um pedido de 300 unidades com entrega prevista antes da data em que o componente será utilizado.
Essas 300 unidades representam uma entrada prevista e podem participar do cálculo.
O mesmo raciocínio pode ser utilizado para componentes produzidos internamente quando existir uma ordem de produção que deverá disponibilizar o item dentro do prazo necessário.
Como o estoque reservado interfere no resultado?
Outro cuidado importante é verificar as reservas existentes.
Uma empresa pode possuir determinada quantidade fisicamente armazenada, mas uma parte desse saldo já estar comprometida com outra ordem de produção.
Por isso, utilizar todo o estoque físico no cálculo poderia gerar uma falsa disponibilidade.
As reservas ajudam a indicar quais quantidades já possuem destino definido e não devem ser consideradas livremente para novas necessidades.
O que é necessidade líquida?
A necessidade líquida representa aquilo que efetivamente ainda precisa ser providenciado depois de considerar as disponibilidades e os compromissos existentes.
Uma fórmula simplificada pode ser apresentada como:
Necessidade líquida = Necessidade bruta − Estoque disponível − Entradas previstas + Reservas
Considere os seguintes valores:
Necessidade bruta: 1.500 unidades
Estoque disponível: 400 unidades
Entrada prevista: 300 unidades
Reserva destinada a outra produção: 100 unidades
Aplicando a fórmula:
1.500 − 400 − 300 + 100 = 900 unidades
Nesse cenário, a empresa precisará providenciar 900 unidades adicionais para atender a necessidade considerada.
Esse valor poderá resultar em uma compra, em uma ordem de produção interna ou em outra forma de reposição, dependendo da origem do item.
A precisão desse cálculo depende diretamente da atualização das estruturas, dos saldos, das reservas e das entradas previstas. Quanto mais confiáveis forem essas informações, maior será a capacidade de planejar os materiais de acordo com as quantidades e datas exigidas pela produção.
Como definir quando cada material precisa ser comprado ou produzido?
Saber a quantidade necessária de cada material é apenas uma parte do planejamento. Para que a produção aconteça sem interrupções, também é preciso identificar em que momento cada item deverá estar disponível.
Esse cuidado é fundamental porque diferentes materiais possuem prazos distintos de compra, fabricação, transporte e liberação. Um componente importado ou produzido por um fornecedor específico, por exemplo, pode exigir muito mais antecedência do que um item encontrado facilmente no mercado.
Dentro do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP, quantidade e prazo precisam trabalhar em conjunto. Um material comprado na quantidade correta, mas recebido depois da data necessária, ainda poderá comprometer a programação da produção.
Data da necessidade
A data da necessidade representa o momento em que determinado material precisa estar efetivamente disponível para ser utilizado.
Essa data deve estar relacionada ao planejamento da produção e à operação na qual o componente será consumido.
Imagine que uma ordem de produção esteja programada para começar em 30 de setembro. Se determinado componente for utilizado logo na primeira etapa do processo, ele precisará estar disponível antes do início dessa operação.
Por outro lado, se outro material somente for utilizado em uma etapa posterior, sua necessidade poderá ocorrer alguns dias depois.
Por isso, o planejamento deve observar:
-
data prevista de início da produção;
-
sequência das operações;
-
momento de consumo do material;
-
prazo necessário para disponibilização;
-
eventuais etapas de recebimento e inspeção.
Dessa forma, é possível evitar tanto a chegada atrasada quanto a antecipação excessiva de materiais.
O que é lead time de compras?
Lead time de compras é o tempo necessário para que um material comprado esteja disponível para utilização depois do início do processo de aquisição.
Esse período pode envolver várias etapas.
Entre elas estão:
-
geração da solicitação;
-
aprovação e emissão do pedido;
-
preparação do material pelo fornecedor;
-
separação ou fabricação do item;
-
transporte;
-
recebimento;
-
conferência;
-
inspeção, quando necessária;
-
liberação para utilização.
Por isso, considerar apenas o tempo de transporte pode resultar em uma previsão inadequada.
Imagine um fornecedor que precisa de cinco dias para preparar determinado componente e mais três dias para realizar a entrega. Após o recebimento, a empresa ainda necessita de um dia para conferir e liberar o material.
Nesse caso, o prazo total não corresponde somente aos três dias de transporte.
Quanto mais precisamente esses prazos forem registrados, melhor será a capacidade de definir quando iniciar cada processo de compra.
Como o lead time de produção interfere no planejamento?
Nem todos os materiais precisam ser comprados. Alguns componentes podem ser produzidos internamente.
Nesse cenário, também existe um prazo entre a abertura da necessidade e a disponibilização do item.
O lead time de produção pode considerar:
-
preparação das máquinas;
-
separação dos materiais;
-
fabricação;
-
operações intermediárias;
-
tempos de espera;
-
inspeções;
-
movimentações internas;
-
conclusão e entrada do item disponível.
Imagine que um subconjunto leve dois dias para ser fabricado, mas dependa de uma preparação que demora algumas horas e de uma inspeção final realizada no dia seguinte.
O prazo total deve considerar todas essas etapas relevantes, e não somente o período em que a máquina está efetivamente produzindo.
Essa visão ajuda a programar componentes internos com antecedência suficiente para atender às ordens seguintes.
Como funciona o planejamento regressivo?
O planejamento regressivo parte da data em que o material será necessário e calcula para trás quando a compra ou a fabricação deverá começar.
É uma forma simples de compreender os prazos dentro do Planejamento das Necessidades de Materiais MRP.
Considere o seguinte cenário:
Material necessário: 30/09
Prazo do fornecedor: 10 dias
Nesse caso, iniciar a compra no próprio dia 30/09 seria tarde demais. O pedido precisa ser feito com antecedência suficiente para que o material seja recebido e esteja disponível até a data necessária.
Se o prazo considerado for de dez dias, a programação deverá retroceder a partir do dia da necessidade.
Além disso, pode ser necessário considerar o tempo interno para:
-
aprovação do pedido;
-
recebimento;
-
conferência;
-
inspeção;
-
movimentação até o local de utilização.
O mesmo raciocínio se aplica aos componentes fabricados internamente.
Se determinado subconjunto precisa estar pronto em 20/10 e leva quatro dias para ser produzido, sua fabricação deverá começar antes dessa data.
Margens de segurança no planejamento
Algumas operações apresentam maior possibilidade de atraso. Nesses casos, a empresa pode adotar pequenas margens de segurança no planejamento.
Essas folgas podem ser úteis quando existem situações como:
-
fornecedores com prazos variáveis;
-
materiais críticos;
-
longas distâncias de transporte;
-
processos sujeitos a inspeções demoradas;
-
itens com dificuldade de reposição;
-
fabricação interna com etapas complexas.
A margem de segurança não significa aumentar indiscriminadamente os estoques ou antecipar todas as compras. O objetivo é criar uma proteção coerente para situações em que pequenos atrasos poderiam comprometer a produção.
O ideal é utilizar critérios baseados no comportamento real de cada material e de cada processo.
Como o MRP considera estoque, reservas e materiais já disponíveis?
Depois de identificar o que será necessário e quando cada item deverá estar disponível, é preciso verificar quais quantidades realmente podem ser utilizadas.
Esse ponto exige atenção porque estoque físico e estoque disponível não são necessariamente a mesma coisa.
Um material pode aparecer armazenado no sistema e, mesmo assim, já possuir destino definido ou estar temporariamente impossibilitado de uso.
Estoque físico x estoque disponível
Estoque físico representa aquilo que está registrado ou presente no local de armazenamento.
Já o estoque disponível corresponde à quantidade que pode efetivamente ser utilizada para atender uma nova necessidade.
Imagine um componente com 1.000 unidades fisicamente armazenadas.
Dessas unidades:
-
300 estão reservadas para uma ordem;
-
100 estão bloqueadas para inspeção;
-
600 estão livres.
Nesse cenário, considerar as 1.000 unidades como disponíveis provocaria um erro no planejamento.
O saldo que realmente poderá atender novas demandas será menor.
Como funcionam as reservas de materiais?
Reservas representam quantidades que já foram destinadas a determinada ordem, produção ou necessidade.
Um item pode estar:
-
fisicamente armazenado;
-
registrado no estoque;
-
reservado para uma ordem específica;
-
indisponível para outras programações.
Esse controle evita que a mesma quantidade seja utilizada em dois planejamentos diferentes.
Imagine que existam 500 unidades de determinado componente e uma ordem já tenha reservado 350.
Embora o estoque físico seja de 500 unidades, somente 150 permanecerão livres para atender outras necessidades, considerando esse cenário simplificado.
Materiais em inspeção ou bloqueados
Nem todo material recebido pode ser utilizado imediatamente.
Alguns itens podem precisar passar por processos de:
-
conferência;
-
inspeção de qualidade;
-
análise técnica;
-
aprovação;
-
tratamento;
-
identificação de divergências.
Também podem existir materiais bloqueados devido a problemas encontrados durante o recebimento ou durante o armazenamento.
Por isso, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP precisa trabalhar com uma visão confiável da disponibilidade.
Utilizar no cálculo um material bloqueado pode criar a impressão de que a produção possui recursos suficientes, quando na prática aquele item não poderá ser consumido.
Como considerar entradas previstas?
O estoque atual não é a única fonte de disponibilidade.
Existem materiais que ainda não chegaram, mas possuem entrada prevista.
Entre essas entradas podem estar:
-
pedidos de compra abertos;
-
componentes em produção interna;
-
transferências entre locais;
-
devoluções previstas, quando aplicável.
Imagine que uma produção necessite de 2.000 unidades de um componente.
A empresa possui 700 disponíveis e existe um pedido de compra de 900 unidades com chegada programada antes da data de utilização.
Nesse caso, o planejamento deverá considerar tanto o saldo atual quanto a entrada futura, desde que a data prevista seja compatível com a necessidade.
Saídas previstas também precisam entrar no cálculo
Assim como existem entradas futuras, também podem existir saídas já programadas.
Um material disponível hoje pode estar comprometido com:
-
outra ordem de produção;
-
transferência;
-
consumo programado;
-
reserva previamente realizada.
Por isso, analisar somente entradas e estoque físico pode gerar uma visão incompleta.
O planejamento precisa considerar o saldo ao longo do tempo, observando aquilo que entrará e aquilo que será consumido.
Por que a acuracidade de estoque é tão importante?
A acuracidade representa o nível de correspondência entre aquilo que está registrado e aquilo que realmente existe fisicamente.
Se o sistema informar 1.000 unidades, mas o estoque real possuir apenas 750, o cálculo poderá considerar 250 unidades que não estão disponíveis.
Esse tipo de divergência pode provocar:
-
falta inesperada de materiais;
-
compras emergenciais;
-
atraso na produção;
-
ordens interrompidas;
-
necessidades calculadas incorretamente.
Da mesma maneira, se houver mais material fisicamente do que o registrado, a empresa pode realizar compras desnecessárias.
Por isso, movimentações de entrada, saída, consumo, reserva, devolução e ajuste precisam ser registradas corretamente.
Inventários periódicos e conferências também ajudam a manter os saldos mais próximos da realidade, permitindo que o planejamento utilize informações confiáveis ao calcular as necessidades futuras.
Como definir lotes, estoque de segurança e políticas de reposição?
Depois de calcular quanto material será necessário e em qual data ele deverá estar disponível, surge outra decisão importante: qual quantidade deve ser comprada ou produzida em cada reposição.
Nem sempre a necessidade calculada pelo sistema será exatamente igual à quantidade que poderá ser adquirida de um fornecedor ou fabricada internamente. Existem materiais vendidos em embalagens fechadas, itens com quantidade mínima de compra, componentes produzidos somente em determinados lotes e situações em que manter uma margem de segurança pode ser necessário.
Por isso, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP também precisa considerar regras de reposição que ajudem a transformar a necessidade calculada em uma quantidade realmente viável para compra ou fabricação.
O que é lote exato?
O lote exato é uma política simples: comprar ou produzir exatamente a quantidade necessária para atender determinada demanda.
Imagine que o planejamento tenha identificado a necessidade de 320 unidades de um componente. Utilizando a regra de lote exato, seriam providenciadas exatamente 320 unidades.
Essa abordagem pode ser interessante quando:
-
o fornecedor aceita qualquer quantidade;
-
não existe embalagem mínima;
-
o material possui custo elevado de armazenagem;
-
a demanda é bem conhecida;
-
não há necessidade de manter grande quantidade disponível;
-
a empresa deseja reduzir estoques excedentes.
O lote exato ajuda a aproximar a reposição da necessidade real. Entretanto, ele pode aumentar a frequência de pedidos ou de ordens de produção, principalmente quando existem muitas necessidades pequenas distribuídas ao longo do tempo.
Por isso, a regra precisa ser compatível com as características do item e com a operação da empresa.
Como funciona o lote mínimo?
Em alguns casos, não é possível comprar ou produzir somente a quantidade calculada.
Pode existir uma quantidade mínima definida pelo fornecedor ou pelo próprio processo produtivo.
Imagine que a necessidade seja de 180 unidades, mas o fornecedor aceite pedidos somente a partir de 300 unidades.
Nesse caso, mesmo que o cálculo indique 180, a compra poderá precisar ser ajustada para 300 unidades.
O mesmo pode acontecer na produção interna.
Uma máquina pode exigir determinada preparação que torna inviável fabricar apenas uma quantidade muito pequena. A empresa pode definir, por exemplo, que cada ordem de produção desse componente tenha no mínimo 500 unidades.
O lote mínimo pode ocorrer por fatores como:
-
exigência comercial do fornecedor;
-
tamanho da embalagem;
-
condições de transporte;
-
preparação de máquinas;
-
custo de setup;
-
capacidade mínima do processo;
-
características técnicas da fabricação.
No planejamento, essa regra precisa estar corretamente cadastrada para que a sugestão de reposição não apresente quantidades que não possam ser executadas na prática.
O que significa trabalhar com lote múltiplo?
O lote múltiplo ocorre quando determinado material somente pode ser comprado ou produzido em quantidades múltiplas de um valor definido.
Um exemplo comum é um componente comercializado em caixas com 50 unidades.
Imagine que a necessidade calculada seja de 230 unidades.
Como o fornecedor não vende unidades separadas, comprar exatamente 230 não será possível.
Nesse caso, as opções seriam:
200 unidades, que não atendem toda a necessidade, ou 250 unidades, que correspondem a cinco caixas completas.
Para evitar falta de material, o pedido poderá ser ajustado para 250 unidades.
Assim:
Necessidade: 230 unidades
Quantidade por embalagem: 50 unidades
Quantidade ajustada: 250 unidades
A diferença de 20 unidades permanecerá disponível para necessidades futuras.
Essa regra é importante porque o cálculo teórico precisa ser transformado em uma quantidade comercialmente possível.
Outro exemplo seria uma matéria-prima vendida somente em bobinas de 100 metros. Se a necessidade for de 340 metros, a compra poderá precisar ser realizada em quatro bobinas, totalizando 400 metros.
Como entender o lote econômico?
O lote econômico busca encontrar uma quantidade de reposição que ajude a equilibrar diferentes custos envolvidos na compra e na armazenagem.
A lógica é relativamente simples.
Se uma empresa compra quantidades muito pequenas frequentemente, pode aumentar despesas relacionadas a:
-
emissão de pedidos;
-
transporte;
-
recebimento;
-
conferência;
-
movimentação;
-
processamento das compras.
Por outro lado, comprar grandes quantidades de uma única vez pode aumentar:
-
espaço ocupado;
-
capital parado;
-
custo de armazenagem;
-
risco de perda;
-
risco de obsolescência;
-
tempo de permanência do material no estoque.
O lote econômico procura encontrar um equilíbrio entre esses dois extremos.
Não significa simplesmente comprar o máximo possível para reduzir o número de pedidos ou comprar sempre a menor quantidade possível para diminuir o estoque.
A política deve considerar o comportamento do material, os custos envolvidos e a frequência de utilização.
No Planejamento das Necessidades de Materiais MRP, esse tipo de parâmetro pode ajudar a organizar sugestões de reposição mais adequadas à realidade operacional.
Para que serve o estoque de segurança?
O estoque de segurança é uma quantidade adicional mantida para proteger a operação contra situações inesperadas.
Mesmo quando o planejamento é realizado corretamente, podem ocorrer variações que não estavam previstas inicialmente.
Entre elas estão:
-
atraso de fornecedores;
-
aumento inesperado de consumo;
-
problemas no transporte;
-
diferença entre consumo previsto e realizado;
-
perdas maiores que o esperado;
-
dificuldades na reposição;
-
alterações na programação da produção.
Imagine que normalmente sejam consumidas 500 unidades de determinado componente por semana.
Se o fornecedor atrasar a entrega e não houver nenhuma quantidade adicional disponível, a produção poderá ser interrompida.
Uma quantidade de segurança pode criar uma margem para absorver esse tipo de variação.
Entretanto, isso não significa que todos os materiais devam possuir grandes estoques de segurança.
Quanto maior for essa quantidade, maior também poderá ser o volume armazenado.
Por isso, a definição deve considerar fatores como:
-
importância do material;
-
frequência de consumo;
-
confiabilidade do fornecedor;
-
tempo de reposição;
-
variação da demanda;
-
facilidade de compra;
-
impacto de uma eventual falta.
Materiais críticos ou com reposição demorada podem exigir uma análise diferente daqueles que são facilmente encontrados e possuem entrega rápida.
Estoque de segurança não substitui um planejamento correto
É importante compreender que manter uma quantidade adicional não deve ser utilizado como solução para cadastros incorretos ou planejamento inadequado.
Se os prazos dos fornecedores estão desatualizados, as estruturas dos produtos possuem erros ou o estoque registrado não corresponde à realidade, aumentar o estoque de segurança pode apenas esconder parte do problema.
A proteção deve complementar um planejamento confiável, e não substituir informações corretas.
Por isso, antes de elevar os níveis de estoque, é importante entender por que as faltas estão acontecendo.
Qual é a diferença entre estoque mínimo e estoque de segurança?
Os dois conceitos podem estar relacionados, mas possuem funções distintas conforme a política utilizada pela empresa.
O estoque de segurança normalmente representa uma proteção contra variações e imprevistos.
Já o estoque mínimo pode funcionar como um limite operacional utilizado para indicar quando a quantidade disponível está chegando a um nível que merece atenção.
Por exemplo, uma empresa pode definir que determinado componente não deve possuir menos de 200 unidades disponíveis.
Quando o saldo se aproxima desse limite, o planejamento pode sinalizar a necessidade de reposição conforme as regras estabelecidas.
O importante é definir claramente a função de cada parâmetro para evitar duplicidade de proteção e excesso desnecessário de materiais.
Como funciona o estoque máximo?
Enquanto o estoque mínimo estabelece uma referência inferior, o estoque máximo pode limitar a quantidade desejável de determinado material.
Imagine um item que possui:
Estoque mínimo: 200 unidades
Estoque máximo: 1.000 unidades
Se uma nova reposição elevar o saldo para 3.000 unidades sem existir demanda suficiente para justificar essa quantidade, a empresa poderá ficar com material parado por um longo período.
O limite máximo pode ajudar a controlar situações como:
-
compras excessivas;
-
ocupação desnecessária de espaço;
-
aumento do capital imobilizado;
-
materiais com pouca movimentação;
-
risco de obsolescência;
-
deterioração ou perda.
Como combinar lote, estoque mínimo e estoque máximo?
Essas regras podem trabalhar em conjunto.
Imagine o seguinte cenário:
-
necessidade calculada: 430 unidades;
-
lote múltiplo: 100 unidades;
-
estoque disponível: 150 unidades;
-
estoque de segurança desejado: 100 unidades;
-
limite máximo: 1.000 unidades.
O planejamento precisa considerar não somente a quantidade necessária para a produção, mas também as regras definidas para reposição.
Se o resultado indicar a compra de 380 unidades, mas o fornecedor comercializar apenas múltiplos de 100, o pedido poderá precisar ser ajustado para 400 unidades.
Ao mesmo tempo, deve-se verificar se essa reposição não fará o estoque ultrapassar os limites definidos sem necessidade.
Essa combinação permite transformar um cálculo puramente matemático em uma orientação mais próxima da realidade das compras e da produção.
Como escolher uma política de reposição adequada?
Não existe uma única regra que seja ideal para todos os materiais.
Uma matéria-prima de alto consumo pode exigir uma política diferente de um componente caro e pouco utilizado.
Para definir a melhor abordagem, é importante analisar:
-
frequência de consumo;
-
prazo de reposição;
-
valor do item;
-
tamanho das embalagens;
-
quantidade mínima do fornecedor;
-
capacidade interna de produção;
-
espaço de armazenamento;
-
criticidade do material;
-
previsibilidade da demanda.
Materiais diferentes podem utilizar políticas diferentes dentro do mesmo processo produtivo.
A revisão periódica desses parâmetros também é importante. Mudanças nos volumes produzidos, fornecedores, embalagens, prazos e processos podem tornar uma regra antiga inadequada para a situação atual.
Principais informações utilizadas no Planejamento das Necessidades de Materiais MRP
Para que o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP apresente resultados confiáveis, diferentes informações precisam trabalhar de forma integrada. O cálculo não depende apenas da quantidade existente no estoque. Ele utiliza dados relacionados à programação da produção, composição dos produtos, reservas, pedidos em andamento, prazos de reposição e regras definidas para cada material.
Quando uma dessas informações está incorreta ou desatualizada, o resultado pode indicar compras desnecessárias, quantidades insuficientes ou datas incompatíveis com a produção.
A tabela abaixo apresenta os principais dados utilizados durante o planejamento e mostra alguns dos problemas que podem ocorrer quando essas informações não representam a realidade da operação.
| Informação | Para que serve no MRP | Problema quando está incorreta |
|---|---|---|
| Plano de produção | Define quais produtos serão fabricados, suas quantidades e datas | Necessidades calculadas para produtos ou volumes incorretos |
| Estrutura do produto | Identifica os materiais e as quantidades utilizadas na fabricação | Compra ou produção incorreta de componentes |
| Saldo de estoque | Mostra aquilo que já está disponível para atender à produção | Compras desnecessárias ou falta de materiais |
| Reservas | Identificam materiais que já estão comprometidos | Utilização da mesma quantidade em várias necessidades |
| Pedidos de compra | Mostram materiais que possuem entradas futuras previstas | Compras duplicadas ou previsão incorreta de disponibilidade |
| Lead time | Ajuda a determinar quando iniciar uma compra ou produção | Materiais disponíveis somente depois da data necessária |
| Lote de reposição | Ajusta a quantidade a comprar ou produzir | Excesso ou insuficiência de materiais |
| Estoque de segurança | Cria uma proteção contra variações e atrasos | Maior risco de ruptura quando definido abaixo da necessidade |
Plano de produção
O plano de produção é uma das principais informações utilizadas no cálculo porque indica aquilo que a empresa pretende fabricar.
Ele pode apresentar dados como:
-
produto;
-
quantidade;
-
data prevista;
-
prioridade;
-
período de fabricação;
-
ordem relacionada.
Imagine que o planejamento indique a fabricação de 1.000 unidades de determinado produto. O sistema utilizará essa quantidade para calcular os componentes necessários.
Se posteriormente a produção for reduzida para 700 unidades, mas o plano não for atualizado, as necessidades poderão continuar sendo calculadas para 1.000 unidades.
Isso poderá provocar compras acima do necessário.
O contrário também pode acontecer. Se a produção aumentar e a programação não for atualizada, alguns componentes poderão ser comprados em quantidade insuficiente.
Estrutura do produto
A estrutura determina quais materiais fazem parte de cada item produzido e quanto será utilizado.
Por exemplo, se cada produto utiliza:
-
2 componentes A;
-
4 componentes B;
-
1 metro de material C;
uma programação de 500 unidades deverá considerar inicialmente:
-
1.000 componentes A;
-
2.000 componentes B;
-
500 metros do material C.
Se a estrutura informar duas unidades do componente B quando o consumo real é de quatro, o planejamento calculará apenas metade da necessidade.
Por isso, alterações de projeto, substituições de componentes e mudanças no processo produtivo precisam ser refletidas no cadastro.
Saldo de estoque
O saldo mostra quanto material a empresa já possui e ajuda a reduzir aquilo que ainda precisa ser providenciado.
Imagine uma necessidade de 800 unidades de determinado componente e um estoque disponível de 300.
Em uma situação simplificada, as 300 unidades poderão atender parte da demanda, deixando uma quantidade restante de 500 unidades.
Porém, se o sistema informar 300 unidades e fisicamente existirem apenas 180, o planejamento poderá considerar uma disponibilidade que não existe.
Por esse motivo, entradas, saídas, consumos e ajustes precisam ser registrados corretamente.
Reservas de materiais
As reservas ajudam a identificar quantidades que já possuem destino definido.
Um material pode estar fisicamente presente no estoque, mas reservado para uma ordem específica.
Considere:
Estoque físico: 900 unidades
Quantidade reservada: 600 unidades
Quantidade livre: 300 unidades
Se todas as 900 unidades fossem consideradas disponíveis para uma nova produção, o mesmo material poderia ser comprometido duas vezes.
A reserva permite distinguir aquilo que está armazenado daquilo que realmente está livre para atender outra necessidade.
Pedidos de compra
Os pedidos de compra representam materiais que ainda não chegaram, mas possuem uma entrada prevista.
Imagine que a empresa precise de 1.500 unidades de um componente e possua somente 500 disponíveis.
Se já existir um pedido aberto de 700 unidades com entrega programada antes da utilização do material, essa entrada precisa ser considerada.
Sem essa informação, o planejamento poderia sugerir uma nova compra de uma quantidade que já foi solicitada.
Entretanto, não basta registrar que existe um pedido. Também é importante acompanhar:
-
quantidade solicitada;
-
quantidade recebida;
-
saldo pendente;
-
previsão de entrega;
-
situação do pedido.
Um pedido atrasado não deve ser tratado da mesma maneira que uma entrega prevista dentro do prazo necessário.
Lead time
O lead time representa o período necessário para disponibilizar determinado material.
Em itens comprados, pode envolver desde a geração do pedido até o recebimento e a liberação.
Nos itens fabricados internamente, pode considerar preparação, produção, operações intermediárias e inspeções.
Esse prazo é importante porque ajuda a responder quando uma reposição deverá ser iniciada.
Se um componente precisa estar disponível no dia 30 e possui um prazo total de dez dias, a compra ou produção deve ser programada com antecedência.
Um lead time menor do que o prazo real poderá fazer com que o material chegue tarde demais.
Já um prazo muito maior do que o necessário pode provocar compras excessivamente antecipadas e aumentar o período de armazenagem.
Lote de reposição
Nem sempre a quantidade calculada poderá ser comprada ou fabricada exatamente como foi identificada.
Um fornecedor pode trabalhar, por exemplo, somente com caixas de 100 unidades.
Se a necessidade restante for de 450 unidades, a compra poderá precisar ser ajustada para 500 unidades.
Também podem existir:
-
lotes mínimos;
-
múltiplos de compra;
-
quantidades mínimas de fabricação;
-
embalagens fechadas.
Essas regras precisam estar corretamente definidas para que o planejamento gere quantidades executáveis na prática.
Estoque de segurança
O estoque de segurança funciona como uma proteção contra situações que podem alterar aquilo que foi planejado.
Entre elas estão:
-
atraso na entrega;
-
aumento inesperado do consumo;
-
variação no prazo do fornecedor;
-
perdas durante a produção;
-
diferença entre previsão e consumo real.
A quantidade deve ser definida de acordo com as características de cada material.
Criar estoques de segurança elevados para todos os itens pode gerar excesso de materiais. Por outro lado, trabalhar sem nenhuma proteção em materiais críticos pode aumentar o risco de interrupções.
Por que essas informações precisam estar integradas?
Nenhum desses dados deve ser analisado completamente isolado.
Imagine uma necessidade de 2.000 unidades de um componente.
O planejamento pode encontrar:
-
600 unidades disponíveis;
-
200 unidades reservadas;
-
700 unidades em um pedido de compra;
-
entrega prevista antes da produção;
-
lote mínimo de 500 unidades.
Cada informação modifica a análise da necessidade.
Por isso, manter apenas o saldo de estoque correto não é suficiente se os pedidos estiverem desatualizados. Da mesma forma, possuir pedidos confiáveis não resolve o problema se a estrutura do produto informar um consumo incorreto.
A eficiência do planejamento depende da combinação de cadastros atualizados, movimentações registradas e programação produtiva compatível com aquilo que realmente será executado.
Como integrar MRP, compras, estoque e produção?
Para que o planejamento de materiais funcione de maneira eficiente, as informações da produção, do estoque e das compras precisam estar conectadas. Quando cada setor trabalha com dados separados, aumentam as chances de ocorrerem compras duplicadas, falta de componentes, excesso de materiais e atrasos na fabricação.
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP funciona justamente como um ponto de ligação entre aquilo que a empresa pretende produzir e os recursos necessários para executar esse plano. A programação gera a demanda, o estoque informa o que já está disponível e compras ou produção interna providenciam aquilo que ainda será necessário.
Integração com o planejamento da produção
O planejamento da produção informa quais produtos serão fabricados, em quais quantidades e em quais datas.
Esses dados servem como ponto de partida para calcular as necessidades futuras de materiais.
Imagine que uma empresa tenha programado:
-
200 unidades do produto A para a primeira semana;
-
350 unidades do produto A para a segunda semana;
-
150 unidades do produto B para a terceira semana.
Cada programação gera necessidades diferentes de matérias-primas e componentes.
Se o produto A utiliza três unidades de determinado componente, somente as primeiras 200 unidades já representam uma necessidade bruta de 600 componentes.
Quando a programação é alterada, o planejamento de materiais também precisa acompanhar essa mudança.
Se a fabricação for antecipada, os materiais poderão precisar chegar antes. Se a quantidade aumentar, será necessário verificar se existe disponibilidade suficiente. Caso uma produção seja reduzida, determinadas compras ou ordens internas poderão deixar de ser necessárias nas quantidades originalmente previstas.
Por isso, programação e planejamento de materiais devem trabalhar com informações atualizadas.
Integração com o estoque
Depois de calcular o que será necessário, o próximo passo é identificar aquilo que já está disponível.
O estoque precisa fornecer uma visão mais completa do que apenas o saldo físico.
Entre as informações importantes estão:
-
quantidade disponível;
-
materiais reservados;
-
entradas registradas;
-
saídas realizadas;
-
entradas previstas;
-
saídas futuras;
-
materiais comprometidos;
-
necessidades futuras.
Imagine que determinada matéria-prima apresente 1.200 unidades fisicamente armazenadas.
Entretanto:
-
400 unidades estão reservadas;
-
100 estão bloqueadas;
-
700 permanecem livres.
Para uma nova necessidade, não seria correto considerar as 1.200 unidades integralmente.
A integração evita que uma quantidade já comprometida seja utilizada novamente em outro planejamento.
Também permite acompanhar o comportamento futuro do saldo. Um material pode estar disponível hoje, mas possuir consumo previsto para os próximos dias.
Integração com compras
Quando o cálculo identifica que a quantidade disponível não será suficiente, compras passa a ter informações para iniciar a reposição.
As necessidades podem orientar:
-
solicitações de compra;
-
processos de cotação;
-
definição de quantidades;
-
emissão de pedidos;
-
negociação de datas;
-
acompanhamento das entregas.
Imagine que o cálculo indique uma necessidade adicional de 800 unidades para o dia 25.
Compras pode utilizar essa informação para buscar condições que permitam receber o material antes dessa data.
Além da quantidade, é importante acompanhar a previsão de recebimento. Um pedido de 800 unidades com entrega no dia 30 não resolve uma necessidade existente para o dia 25.
Por isso, a integração precisa permitir a comparação entre a data necessária e a data esperada.
Outro benefício é evitar compras duplicadas.
Se o sistema já identifica um pedido aberto que atenderá parte da necessidade, essa quantidade pode ser considerada antes da geração de uma nova solicitação.
Integração com ordens de produção
Nem todo componente necessário é adquirido de fornecedores.
Alguns materiais são produzidos internamente e posteriormente utilizados na fabricação de outros produtos.
Imagine uma indústria que fabrica um conjunto metálico utilizado na montagem de uma máquina.
Se forem necessárias 300 unidades desse conjunto, o sistema poderá identificar que o item não deve ser comprado, mas produzido.
Nesse caso, a necessidade pode orientar a criação ou programação de uma ordem de produção.
Essa ordem também precisará de seus próprios materiais.
Assim, pode existir uma sequência como:
Produto final → Subconjunto → Componentes → Matérias-primas
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP ajuda a organizar essas dependências, permitindo que componentes internos sejam fabricados em tempo suficiente para atender às etapas seguintes.
Como funciona o fluxo integrado?
O processo pode ser representado da seguinte maneira:
Previsão/Pedido → Planejamento → MRP → Necessidade de Materiais → Compra ou Produção → Recebimento → Estoque → Abastecimento da Produção
Na prática, cada etapa alimenta a seguinte.
A previsão ou o pedido ajuda a definir aquilo que deverá ser produzido.
O planejamento organiza quantidades e datas.
O MRP calcula os materiais necessários.
As quantidades faltantes podem gerar compras ou ordens internas.
Após o recebimento ou conclusão da produção, os materiais entram no estoque e ficam disponíveis para abastecer as ordens programadas.
Quando essas informações estão conectadas, uma alteração em uma etapa pode ser analisada considerando seus impactos nas demais.
Por que evitar controles isolados?
Manter compras, estoque e produção em controles separados pode dificultar a atualização das informações.
Imagine que o setor de compras registre um novo pedido em uma planilha, mas essa entrada futura não esteja disponível para quem realiza o planejamento.
O responsável pelo cálculo poderá entender que o material ainda precisa ser comprado e gerar uma nova solicitação.
Também pode ocorrer o contrário: uma planilha indica determinada quantidade em estoque, mas parte desse material já foi consumida e o arquivo ainda não foi atualizado.
Entre os problemas causados por informações isoladas estão:
-
compras duplicadas;
-
saldos inconsistentes;
-
atrasos na reposição;
-
materiais adquiridos acima da necessidade;
-
ordens planejadas sem componentes suficientes;
-
dificuldade para identificar responsabilidades;
-
decisões baseadas em dados desatualizados.
A integração ajuda a criar uma visão única das movimentações e necessidades.
Como analisar exceções, faltas e alterações no planejamento de materiais?
Mesmo com um planejamento bem estruturado, mudanças podem ocorrer durante a operação.
Pedidos podem ser antecipados, fornecedores podem atrasar entregas, quantidades podem mudar e determinadas ordens podem ser canceladas.
Por isso, o planejamento precisa ser acompanhado continuamente.
As exceções são situações que exigem atenção porque indicam que aquilo que foi programado originalmente pode não acontecer conforme previsto.
Como identificar uma falta prevista de material?
Uma falta prevista ocorre quando a disponibilidade futura será menor que a quantidade necessária em determinada data.
Imagine:
Necessidade para 20/10: 1.000 unidades
Estoque disponível: 400 unidades
Entrada prevista até 20/10: 300 unidades
Disponibilidade total prevista: 700 unidades
Nesse cenário, existirá uma falta prevista de 300 unidades.
Identificar essa diferença antecipadamente permite tomar medidas antes que a produção seja afetada.
Dependendo da situação, a empresa poderá avaliar uma nova compra, antecipar uma entrega ou reorganizar a programação.
Como identificar materiais com chegada atrasada?
Não basta saber que existe um pedido aberto.
Também é necessário comparar duas datas:
-
data em que o material será necessário;
-
data prevista para recebimento.
Imagine que um componente seja necessário no dia 15 e exista um pedido com entrega programada para o dia 18.
Embora exista uma compra em andamento, ela não atenderá à necessidade no momento correto.
Esse tipo de situação precisa ser destacado para que seja possível avaliar alternativas.
O que acontece quando uma necessidade é antecipada?
Uma necessidade pode ser antecipada quando a produção é programada para uma data anterior àquela definida originalmente.
Imagine uma fabricação inicialmente prevista para o dia 25 que seja transferida para o dia 18.
Os materiais relacionados também poderão precisar estar disponíveis sete dias antes.
Nesse caso, pode ser necessário verificar:
-
pedidos em aberto;
-
datas prometidas pelos fornecedores;
-
componentes em produção interna;
-
materiais reservados;
-
disponibilidade em estoque.
Uma compra que estava dentro do prazo original pode passar a representar um risco após a antecipação.
Como funciona uma necessidade postergada?
O movimento contrário também pode acontecer.
Uma ordem prevista para o dia 10 pode ser transferida para o dia 25.
Com isso, determinadas compras deixam de ser urgentes.
Dependendo da situação, a empresa pode avaliar se é possível:
-
manter a entrega;
-
negociar uma nova data;
-
utilizar o material em outra necessidade;
-
postergar uma ordem interna;
-
reduzir temporariamente o volume de estoque.
A postergação ajuda a evitar que materiais sejam recebidos muito antes do momento em que serão utilizados.
Qual é o impacto do cancelamento de uma produção?
O cancelamento de uma ordem ou programação pode alterar significativamente as necessidades já calculadas.
Imagine que uma produção de 1.000 unidades tenha gerado a compra de diversos componentes.
Se a produção for cancelada, é necessário verificar quais ações já foram tomadas.
Alguns pedidos podem ainda não ter sido enviados. Outros podem estar confirmados ou até mesmo em transporte.
A análise deve identificar:
-
materiais que deixaram de ser necessários;
-
compras que podem ser revistas;
-
componentes que podem atender outras produções;
-
ordens internas que podem ser ajustadas;
-
possíveis excessos futuros.
Sem essa revisão, uma necessidade cancelada pode continuar gerando estoque.
Mudanças nas quantidades exigem novo cálculo
Alterar o volume planejado também modifica diretamente o consumo de materiais.
Uma produção que passa de 500 para 800 unidades aumenta as necessidades relacionadas à sua estrutura.
Da mesma forma, reduzir uma produção de 800 para 400 unidades pode diminuir significativamente as quantidades necessárias.
Por isso, o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP deve ser recalculado sempre que alterações relevantes ocorrerem na programação.
O objetivo é fazer com que as necessidades representem aquilo que a empresa realmente pretende produzir.
Quando reprogramar compras e ordens?
A reprogramação pode ser necessária sempre que as datas ou quantidades atuais não estiverem mais alinhadas à necessidade produtiva.
Entre as ações possíveis estão:
-
antecipar compras;
-
postergar entregas;
-
alterar quantidades de pedidos;
-
antecipar ordens de produção;
-
postergar ordens internas;
-
redistribuir materiais disponíveis;
-
revisar reservas.
Imagine que duas ordens utilizem o mesmo componente. Uma possui prioridade maior e precisa ser iniciada primeiro.
Se o material disponível não for suficiente para ambas, pode ser necessário redistribuir as quantidades e reorganizar o restante do planejamento.
Esse acompanhamento transforma o planejamento de materiais em um processo dinâmico, capaz de acompanhar alterações na demanda, nos prazos e na disponibilidade sem depender apenas do cálculo realizado inicialmente.
Quais indicadores ajudam a avaliar a eficiência do planejamento MRP?
Criar um planejamento de materiais é importante, mas também é necessário acompanhar se aquilo que foi planejado está realmente funcionando na rotina da produção. Alguns indicadores ajudam a identificar falhas, atrasos, excesso de estoque e diferenças entre aquilo que foi previsto e o que efetivamente aconteceu.
Ao acompanhar esses dados, a empresa consegue entender se o Planejamento das Necessidades de Materiais MRP está apoiando corretamente as compras, o estoque e a programação produtiva ou se existem informações que precisam ser revistas.
O ideal é utilizar os indicadores de forma conjunta, pois uma única medida dificilmente mostra toda a situação.
Ruptura de materiais
A ruptura acontece quando determinado material não está disponível no momento em que deveria ser utilizado.
Esse é um dos indicadores mais importantes porque a falta de um único componente pode impedir a continuidade de uma ordem de produção.
Imagine que uma máquina necessite de 20 componentes diferentes para ser montada. Mesmo que 19 estejam disponíveis, a ausência de uma única peça essencial pode interromper a fabricação.
A empresa pode acompanhar:
-
número de rupturas por período;
-
materiais com maior frequência de falta;
-
ordens afetadas;
-
tempo de parada causado pela ausência de componentes;
-
setores ou produtos mais impactados.
Quando um mesmo item apresenta rupturas frequentes, é importante investigar a causa.
O problema pode estar relacionado a prazo de fornecedor, estoque de segurança inadequado, estrutura incorreta, consumo acima do previsto ou atraso na geração da compra.
Atrasos por falta de material
Nem toda falta resulta na paralisação completa da fábrica, mas pode provocar alterações na programação.
Por exemplo, uma ordem prevista para iniciar na segunda-feira pode precisar ser transferida para quarta-feira porque determinada matéria-prima ainda não chegou.
Esse tipo de ocorrência deve ser acompanhado separadamente.
É possível avaliar:
-
quantidade de ordens atrasadas;
-
número de dias de atraso;
-
componentes responsáveis;
-
impacto sobre as datas previstas;
-
frequência de compras emergenciais.
Esse indicador ajuda a entender se os materiais estão chegando no momento correto e não apenas se estão sendo comprados nas quantidades necessárias.
Acuracidade de estoque
A acuracidade mede a correspondência entre aquilo que está registrado no sistema e aquilo que realmente existe fisicamente.
Considere que o sistema indique 800 unidades de um componente, mas uma contagem física encontre somente 650.
Existe uma diferença de 150 unidades.
Essa divergência pode gerar um planejamento incorreto, pois o cálculo poderá considerar uma disponibilidade que não existe.
A acuracidade pode ser prejudicada por situações como:
-
entradas não registradas;
-
saídas sem movimentação;
-
consumo não apontado;
-
devoluções incorretas;
-
perdas não informadas;
-
erros de contagem;
-
ajustes realizados sem critério.
Quanto maior a confiabilidade dos saldos, maior também tende a ser a precisão das necessidades calculadas.
Cumprimento dos prazos de fornecedores
O prazo de entrega utilizado no planejamento precisa representar aquilo que acontece na prática.
Se um fornecedor possui prazo cadastrado de dez dias, mas frequentemente entrega em quinze, o cálculo poderá programar pedidos tarde demais.
Por isso, é importante comparar:
-
data prometida;
-
data prevista no pedido;
-
data efetiva do recebimento;
-
quantidade prevista;
-
quantidade efetivamente entregue.
Imagine que dez pedidos tenham sido programados para chegar durante determinado mês e apenas seis tenham sido recebidos dentro do prazo.
Esse comportamento pode indicar a necessidade de revisar o lead time utilizado no planejamento ou avaliar novas condições de fornecimento.
Cobertura de estoque
A cobertura mostra por quanto tempo determinada quantidade disponível consegue atender ao consumo ou à demanda prevista.
Esse indicador ajuda a responder uma pergunta simples:
Se nenhuma nova entrada ocorrer, por quanto tempo o estoque atual será suficiente?
Imagine que existam 1.000 unidades de uma matéria-prima e o consumo médio previsto seja de 250 unidades por semana.
Nesse cenário simplificado, a cobertura seria de aproximadamente quatro semanas.
A análise deve ser feita com cuidado porque o consumo pode variar ao longo do tempo.
Uma cobertura muito baixa pode indicar risco de falta. Já uma cobertura excessivamente alta pode revelar compras antecipadas ou materiais armazenados acima das necessidades futuras.
Giro de estoque
O giro ajuda a observar a velocidade com que os materiais são consumidos e repostos.
Itens com giro elevado possuem movimentação frequente, enquanto materiais com giro reduzido permanecem armazenados por períodos maiores.
Esse indicador pode ajudar a identificar:
-
itens de consumo constante;
-
materiais com baixa utilização;
-
componentes comprados em excesso;
-
itens que exigem reposição frequente.
O giro deve ser analisado de acordo com as características de cada material.
Um componente utilizado poucas vezes por ano não deve ser avaliado da mesma maneira que uma matéria-prima consumida diariamente.
Excesso de estoque
O planejamento não deve buscar somente evitar faltas. Também precisa reduzir compras acima da necessidade.
Um excesso pode ocorrer quando a empresa possui uma quantidade muito superior à demanda prevista.
Entre as possíveis causas estão:
-
compra acima da necessidade;
-
lote mínimo elevado;
-
redução inesperada da produção;
-
cancelamento de ordens;
-
alteração na estrutura do produto;
-
erro no cálculo;
-
duplicidade de pedidos.
O excesso aumenta o espaço ocupado e pode manter recursos financeiros imobilizados em materiais que demorarão a ser consumidos.
Por isso, é importante comparar o saldo existente com as necessidades futuras.
Materiais sem movimentação
Alguns itens permanecem armazenados durante longos períodos sem consumo.
Esses materiais podem ter sido comprados para produtos que deixaram de ser fabricados, substituídos por outros componentes ou adquiridos em quantidade acima do necessário.
O acompanhamento pode considerar períodos como:
-
30 dias sem movimentação;
-
60 dias;
-
90 dias;
-
períodos maiores, conforme o tipo de operação.
Essa análise ajuda a identificar estoques que precisam ser revisados e parâmetros de reposição que talvez não estejam mais adequados.
Aderência ao planejamento
A aderência permite comparar aquilo que foi planejado com o que realmente aconteceu.
Por exemplo:
Consumo previsto: 5.000 unidades
Consumo efetivo: 5.600 unidades
A diferença pode mostrar que o consumo real está acima daquilo que foi utilizado no cálculo.
Essa análise pode indicar necessidade de revisar:
-
estrutura do produto;
-
índices de perda;
-
quantidades por unidade;
-
programação;
-
registros de consumo.
Se as diferenças se repetirem, os parâmetros precisam ser investigados para que os próximos cálculos sejam mais próximos da realidade.
Como criar e manter um plano de materiais eficiente com o MRP?
Um bom plano de materiais não depende somente de executar um cálculo em determinado momento. Ele precisa ser atualizado continuamente conforme a realidade da produção muda.
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP deve ser tratado como um processo dinâmico, alimentado por informações confiáveis de produção, estoque, compras e estruturas.
Manter os cadastros confiáveis
O primeiro cuidado é manter as informações utilizadas pelo cálculo corretamente cadastradas.
Entre os principais dados estão:
-
materiais;
-
unidades de medida;
-
estruturas dos produtos;
-
lotes;
-
prazos de reposição;
-
origens dos itens;
-
parâmetros de estoque.
Imagine que determinado componente seja comprado em caixas de 100 unidades, mas o lote cadastrado esteja configurado como 50.
As sugestões de compra poderão apresentar quantidades incompatíveis com aquilo que o fornecedor realmente comercializa.
O mesmo ocorre quando uma estrutura informa um consumo diferente daquele realizado na fábrica.
Por isso, os cadastros devem ser revisados sempre que houver alterações nos produtos, fornecedores ou processos.
Atualizar o plano de produção
As necessidades de materiais são diretamente influenciadas pela programação produtiva.
Uma mudança de quantidade, prioridade ou data pode alterar tanto o volume necessário quanto o momento em que os componentes deverão estar disponíveis.
O plano deve acompanhar alterações como:
-
aumento da quantidade;
-
redução do volume;
-
antecipação da produção;
-
postergação;
-
substituição de produto;
-
mudança de prioridade.
Imagine que uma ordem de 300 unidades seja aumentada para 600.
Se o cálculo não for atualizado, os materiais poderão continuar planejados para metade da nova necessidade.
Registrar corretamente as movimentações
Entradas e saídas precisam refletir aquilo que realmente acontece no estoque.
Isso envolve registrar corretamente:
-
recebimentos;
-
consumos;
-
transferências;
-
devoluções;
-
perdas;
-
ajustes;
-
reservas.
Se determinada matéria-prima foi consumida na produção, mas continua aparecendo como disponível, o sistema poderá utilizá-la novamente em um cálculo futuro.
A qualidade do planejamento está diretamente relacionada à confiabilidade dessas movimentações.
Acompanhar os pedidos em aberto
Um pedido emitido não deve ser considerado encerrado até que sua situação seja acompanhada.
É necessário verificar:
-
quantidade solicitada;
-
quantidade recebida;
-
saldo restante;
-
data prevista;
-
atrasos;
-
alterações de entrega.
Imagine um pedido de 1.000 unidades do qual apenas 600 foram entregues.
Se o sistema considerar as 1.000 unidades como disponíveis, poderá deixar de identificar uma necessidade adicional.
Por isso, o acompanhamento das quantidades pendentes é fundamental.
Revisar periodicamente os resultados do MRP
Depois do cálculo, as informações precisam ser analisadas.
Uma rotina de revisão pode observar:
-
faltas previstas;
-
materiais em excesso;
-
pedidos atrasados;
-
necessidades futuras;
-
sugestões de compra;
-
sugestões de produção;
-
alterações de datas;
-
divergências entre planejamento e disponibilidade.
Essa revisão permite identificar situações que exigem decisão antes que afetem a produção.
Por exemplo, uma necessidade prevista para daqui a três semanas pode exigir uma compra imediata se o fornecedor possuir lead time de 20 dias.
Priorizar materiais críticos
Nem todos os componentes possuem o mesmo nível de risco.
Alguns materiais são facilmente encontrados e podem ser repostos rapidamente. Outros possuem poucos fornecedores ou precisam de longos períodos para entrega.
Os materiais críticos podem ser identificados por características como:
-
prazo elevado de reposição;
-
poucos fornecedores disponíveis;
-
alto consumo;
-
dificuldade de substituição;
-
importância para produtos principais;
-
impacto elevado em caso de falta.
Um componente simples, mas indispensável para a montagem final, pode ser tão crítico quanto uma matéria-prima de alto valor.
Classificar esses itens ajuda a direcionar maior atenção para aquilo que possui maior potencial de interromper a produção.
Recalcular diante de mudanças
O planejamento de materiais não deve permanecer estático depois de sua primeira execução.
A realidade produtiva pode mudar diariamente.
Entre as situações que podem exigir novo cálculo estão:
-
entrada de novos pedidos;
-
alteração das quantidades;
-
mudança das datas;
-
atraso de fornecedor;
-
cancelamento de produção;
-
aumento inesperado do consumo;
-
atualização de estoque;
-
mudança na estrutura de um produto.
Imagine que uma produção prevista para o final do mês seja antecipada em dez dias.
Mesmo que todas as compras estivessem originalmente dentro do prazo, algumas podem deixar de atender à nova data.
O recálculo permite identificar novamente as necessidades e verificar quais ações precisam ser revistas.
Criar uma rotina de acompanhamento
Além de recalcular, é importante definir uma frequência para revisar os resultados de acordo com o ritmo da operação.
Empresas com grande volume de mudanças podem precisar de avaliações mais frequentes, enquanto operações com planejamento mais estável podem trabalhar com períodos diferentes.
Uma rotina pode incluir:
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conferência das necessidades próximas;
-
acompanhamento das compras pendentes;
-
revisão de materiais críticos;
-
análise dos saldos;
-
verificação de atrasos;
-
atualização das previsões de entrega;
-
comparação entre consumo previsto e realizado.
Dessa forma, o planejamento deixa de ser apenas uma previsão inicial e passa a acompanhar continuamente aquilo que acontece na produção, permitindo ajustar compras, estoques e ordens conforme novas informações surgem.
Conclusão
O Planejamento das Necessidades de Materiais MRP permite organizar de forma integrada as informações que influenciam diretamente a produção. Em vez de analisar compras, estoque e fabricação separadamente, o planejamento reúne esses dados para identificar com antecedência quais materiais serão necessários e em qual momento deverão estar disponíveis.
Para que esse processo funcione corretamente, é fundamental manter atualizadas informações como estruturas dos produtos, quantidades de consumo, saldos de estoque, reservas, pedidos de compra, ordens de produção, lotes e tempos de reposição. Qualquer divergência nesses dados pode alterar os resultados do cálculo e gerar necessidades diferentes da realidade da empresa.
Na prática, o fluxo pode ser entendido da seguinte maneira:
Demanda → Planejamento da produção → Estrutura dos produtos → Verificação do estoque → Cálculo das necessidades → Compras ou produção interna → Disponibilização dos materiais
Essa integração ajuda a responder três questões essenciais para a organização dos materiais: o que será necessário, quanto será necessário e quando cada item deverá estar disponível.
Quando essas respostas são obtidas com base em informações confiáveis, a empresa consegue agir com maior antecedência. Compras podem ser realizadas considerando os prazos dos fornecedores, componentes produzidos internamente podem ser programados no momento adequado e o estoque pode ser utilizado antes da geração de novas reposições.
Além disso, o acompanhamento constante das necessidades permite identificar faltas previstas, pedidos atrasados, materiais em excesso e mudanças na programação antes que essas situações prejudiquem a fabricação.
O planejamento também precisa acompanhar a dinâmica da operação. Alterações nas quantidades produzidas, antecipações, cancelamentos, atrasos de fornecedores e mudanças nas estruturas dos produtos podem exigir novos cálculos e ajustes nas datas ou quantidades planejadas.
Dessa forma, manter um processo de materiais organizado contribui para reduzir compras desnecessárias, minimizar riscos de ruptura, evitar excesso de estoque e diminuir interrupções causadas pela ausência de componentes. Com dados atualizados e integração entre produção, estoque e compras, a empresa passa a ter uma visão mais clara das necessidades futuras e melhores condições para manter o processo produtivo alinhado ao que realmente precisa ser fabricado.
Perguntas frequentes
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